Do PIX ao crime organizado: veja 5 pontos que estão em jogo na reunião entre Lula e Trump

Na Itália, secretário de Trump se reúne com papa Leão XIV e tenta reaproximação com Meloni
Lula e Trump se falaram por telefone antes de viagem aos EUA
O presidente Lula (PT) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem nesta quinta-feira (7), em Washington. Os dois devem discutir temas econômicos e de segurança, segundo fontes dos governos brasileiro e norte-americano.
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▶️ Contexto: Esta será a segunda reunião presencial entre Lula e Trump. Em outubro, os dois se encontraram durante um evento na Malásia. Um mês antes, conversaram rapidamente durante a Assembleia Geral da ONU.
Antes do encontro, Lula e Trump falaram por telefone na sexta-feira (1º). O governo brasileiro disse que a conversa foi "amistosa".
Nesta quinta-feira, Lula será recebido por Trump na Casa Branca por volta das 11h (12h, em Brasília).
Em seguida, os dois farão declarações à imprensa por cerca de 30 minutos no Salão Oval, segundo agenda divulgada pelo governo norte-americano.
Depois, os presidentes participarão de um almoço, no qual devem discutir temas de interesse dos dois países.
Segundo apuração da jornalista Raquel Krähenbühl, da TV Globo, o encontro será uma “visita de trabalho”, formato menos formal do que uma reunião bilateral tradicional.
A reunião é vista como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após os EUA aplicarem tarifas contra produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais.
Pelo menos cinco temas devem centralizar as conversas:
Combate ao crime organizado
PIX
Geopolítica e conflitos globais
Terras raras
Eleições
Veja a seguir detalhes de cada um dos assuntos.
1. Combate ao crime organizado
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Encontro com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático – ASEAN em Kuala Lampur, Malásia.
Ricardo Stuckert/Presidência da República
O governo dos Estados Unidos está analisando uma possível medida para classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.
Fontes ligadas ao governo Trump que atuam no Brasil afirmam que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, defende que facções brasileiras também sejam classificadas como terroristas, como já ocorreu com grupos do México e da Venezuela.
O tema já foi discutido por autoridades norte-americanas e brasileiras em reuniões anteriores e deve voltar ao foco no encontro entre Trump e Lula nesta quinta-feira.
Uma apuração do jornalista Gerson Camarotti, publicada pelo g1, aponta que Lula pretende convencer Trump a não tratar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Segundo auxiliares, o petista quer deixar claro que o Brasil trata o crime organizado como prioridade e aposta na cooperação bilateral como caminho para enfrentar o problema.
A avaliação no Palácio do Planalto é que a classificação como grupo terrorista abriria margem para ações mais duras dos Estados Unidos.
Em um cenário extremo, os norte-americanos poderiam usar esse argumento para conduzir uma operação militar no Brasil, como já ocorreu em outros países.
Por que Lula não quer que Trump classifique facções como organizações terroristas?
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2. PIX
O Pix foi mencionado em um relatório em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas norte-americanas
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Atualmente, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) conduz uma investigação contra o Brasil por supostas irregularidades em práticas comerciais. O PIX está entre os itens analisados.
Segundo o governo norte-americano, o sistema brasileiro é visto como uma ameaça a empresas dos EUA, por criar desvantagens para serviços de pagamentos eletrônicos, como cartões de crédito.
O Brasil já informou às autoridades americanas, no âmbito das investigações, que o PIX não discrimina empresas dos Estados Unidos e destacou que até gigantes de tecnologia, como o Google, já utilizam a ferramenta.
O tema tem sido usado pelo governo como símbolo de defesa da soberania nacional.
Em um evento em abril, Lula disse que o "PIX é do Brasil" e criticou a investigação conduzida pelos Estados Unidos.
O governo brasileiro deve aproveitar a reunião para tentar convencer Trump a não adotar medidas contra o país por causa do PIX.
O vice-presidente Geraldo Alckmin disse, em entrevista à GloboNews, que vê o encontro como uma oportunidade para esclarecer o funcionamento do PIX e buscar um “bom entendimento” entre os dois países.
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3. Geopolítica e conflitos globais
Explosão no subúrbio de Beirute, no Líbano, após ataque de Israel em 6 de março de 2026
REUTERS/Khalil Ashawi
Lula e Trump têm adotado posições divergentes sobre conflitos globais. O Brasil, por exemplo, condenou ataques realizados pelos Estados Unidos à Venezuela e, mais recentemente, ao Irã.
Em abril, em entrevista à revista alemã Der Spiegel, o presidente brasileiro criticou Trump e disse que o norte-americano não pode "ameaçar outros países com guerra o tempo todo".
Além disso, Lula repetiu uma declaração feita em 2025, após o tarifaço, ao afirmar que Trump não foi eleito "imperador do mundo".
Lula também tem defendido o fortalecimento da ONU, em vez de posturas unilaterais.
O presidente foi convidado a integrar o Conselho da Paz criado por Trump, mas ainda não aceitou. Em janeiro, em conversa telefônica com Trump, Lula propôs mudanças no grupo.
A situação de Cuba, com os Estados Unidos pressionando e ameaçando o regime de Havana, também pode ser discutida. O Brasil vê com preocupação a situação humanitária da ilha, que piorou após o governo norte-americano adotar medidas para restringir o envio de petróleo ao país.
Lula e Trump testam reaproximação, de olho em eleições e em momento impopular
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4. Terras raras
Os elementos de terras raras possuem propriedades eletrônicas, magnéticas e óticas essenciais para diversas tecnologias modernas
Gil Leonardi /Agência Brasil
A exploração de minerais críticos e terras raras deve entrar na pauta da reunião. O Brasil tem uma das maiores reservas no mundo e vê esses recursos como estratégicos para a transição energética, a digitalização da economia e o avanço da inteligência artificial.
O governo brasileiro defende que esses recursos sejam explorados sob controle nacional, com parcerias que garantam transferência de tecnologia e desenvolvimento da indústria.
O Brasil já sinalizou que não pretende aderir a uma aliança proposta pelos EUA para o setor e deve priorizar acordos bilaterais com diferentes países.
A avaliação é que os norte-americanos buscam influenciar as regras do comércio global desses minerais, hoje concentrados principalmente na China.
Também pode entrar na conversa um acordo firmado entre o governo de Goiás e os Estados Unidos para exploração desses minerais, que gerou reação do governo federal.
🔎 A avaliação é que a iniciativa envolvendo Goiás não tem validade jurídica, já que o subsolo pertence à União, responsável por regular a atividade e firmar acordos internacionais.
Além disso, na véspera do encontro na Casa Branca, a Câmara dos Deputados aprovou um projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, com previsão de incentivo para estimular a exploração. O texto ainda será analisado pelo Senado.
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5. Eleições
Detalhe da urna eletrônica
Reprodução/TV Globo
Segundo o blog da Andreia Sadi, Lula vai tentar transformar o encontro em um ativo político. O presidente busca um compromisso do governo Trump de que não haverá interferência dos EUA nas eleições de outubro.
Fontes do governo ouvidas pela jornalista afirmaram haver preocupação de que o Departamento de Estado, visto como mais ideológico e com interlocução com bolsonaristas, adote medidas que possam prejudicar Lula.
Um ataque direto de Trump não está no radar, mas o presidente brasileiro quer um compromisso informal de não interferência e de ausência de apoio a Flávio Bolsonaro (PL).
Além disso, ainda segundo o blog da Sadi, o encontro permitirá que Lula explore a imagem de liderança internacional.
A reunião pode funcionar como demonstração de força em um momento de desgaste interno.
A ideia é virar a página da derrota no Senado na indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
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VÍDEOS: mais assistidos do g1

De ‘química’ surpreendente na ONU a ‘reunião impossível’: como foram os encontros anteriores de Lula e Trump

Na Itália, secretário de Trump se reúne com papa Leão XIV e tenta reaproximação com Meloni
Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), falam com jornalistas antes de reunião em Kuala Lumpur.
Evelyn Hockstein/Reuters
Desde que Donald Trump retornou à Casa Branca, seus encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram limitados, mas marcantes. Em pouco mais de um ano, eles se encontraram duas vezes: uma conversa breve nos bastidores da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, e outra reunião na Malásia, em outubro.
Nesta quinta-feira (7), ao meio-dia, nos EUA, acontece o terceiro encontro.
As duas reuniões ao longo do último ano mostram como a relação entre Lula e os Estados Unidos foi sendo construída — mesmo em meio a alguns momentos de tensão — desde a volta de Trump ao poder.
A 'química' entre Trump e Lula
Trump discursa na ONU em 23 de setembro de 2025
Shannon Stapleton/Reuters
Em um ano marcado por novas tarifas impostas por Trump ao Brasil e por declarações contra a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, uma boa relação entre o atual presidente brasileiro e o ocupante da Casa Branca poderia parecer improvável.
Ainda assim, em 23 de setembro do ano passado, na Assembleia Geral da ONU, a “química” aconteceu.
LEIA MAIS: Trump publica carta para Bolsonaro e diz que processo deve terminar 'imediatamente'
Durante seu discurso, Trump disse que teve "uma química excelente" com o presidente brasileiro, "que pareceu um cara muito agradável".
"Eu estava entrando (no plenário da ONU), e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem", disse Trump. "Não tivemos muito tempo para conversar, tipo uns 20 segundos.
Lula e Trump se falaram por telefone antes de viagem aos EUA
Em seguida, o republicano seguiu com os elogios.
"Ele parece um cara muito legal, ele gosta de mim e eu gostei dele. E eu só faço negócio com gente de quem eu gosto. Quando não gosto deles, eu não faço. Quando eu não gosto, eu não gosto. Por 39 segundos, nós tivemos uma ótima química e isso é um bom sinal."
Apesar das palavras sobre Lula, na ocasião, Trump também criticou indiretamente processo e o Judiciário. Ele afirmou haver "censura, repressão, corrupção judicial e perseguição a críticos políticos" no Brasil.
"O Brasil agora enfrenta tarifas pesadas em resposta aos seus esforços sem precedentes para interferir nos direitos e liberdades dos nossos cidadãos americanos e de outros, com censura, repressão, armamento, corrupção judicial e perseguição de críticos políticos nos Estados Unidos", disse Trump, antes de elogiar Lula.
A reunião 'impossível' na Malásia
Lula e Trump se encontram na Malásia.
Ricardo Stuckert/PR
Cerca de um mês depois do breve encontro na ONU, os dois Chefes de Estado tiveram uma reunião de 45 minutos, olho a olho — dessa vez, na Malásia.
Na conversa, foi discutido:
As taxas impostas a produtos brasileiros;
Trump disse ser uma honra estar com o presidente do Brasil e que provavelmente eles fariam "alguns bons acordos";
Lula argumentou que a imposição das tarifas ao país não tinha base técnica e que, na verdade, os EUA têm superávit na balança comercial com o Brasil;
O petista propôs um cronograma de negociações entre as equipes;
Lula pediu a revogação de sanções a autoridades brasileiras, e disse que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro seguiu o devido processo legal;
Segundo o chanceler brasileiro, Lula e Trump combinaram visitas recíprocas;
Lula também reforçou um pedido para manter a América do Sul como zona de paz, e se propôs a ser interlocutor com a Venezuela.
À época, antes da reunião, o presidente norte-americano chegou a sinalizar a possibilidade de acordo com o Brasil sobre as tarifas.
"Nós vamos discutir [tarifas] um pouco. Nós sabemos que nós nos conhecemos. Nós sabemos o que cada um quer", disse Trump.
Já após o fim da conversa, Lula se disse agradecido e afirmou que ele e Trump conseguiram "fazer uma reunião que parecia impossível".
Por fim, o presidente brasileiro disse que a reunião foi construtiva.
"Tive uma ótima reunião com o presidente Trump na tarde deste domingo, na Malásia. Discutimos de forma franca e construtiva a agenda comercial e econômica bilateral. Acertamos que nossas equipes vão se reunir imediatamente para avançar na busca de soluções para as tarifas e as sanções contra as autoridades brasileiras", afirmou Lula após o encontro.

‘Risco Trump’: 5 reuniões humilhantes que explicam a tensão de encontros como o de Lula hoje

Na Itália, secretário de Trump se reúne com papa Leão XIV e tenta reaproximação com Meloni
Lula e Trump se encontram na Malásia.
Ricardo Stuckert/PR
Um encontro olho a olho com o presidente da maior potência do mundo já pode, por si só, ser motivo de nervosismo. No entanto, quando o anfitrião é Donald Trump, essa tensão pode ser dobrada — isso porque o atual ocupante da Casa Branca costuma fazer declarações ácidas, gerar constrangimentos públicos e momentos desconfortáveis diante de líderes estrangeiros.
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Nesta quinta-feira (7), ao meio-dia, nos Estados Unidos, o presidente Lula terá a terceira reunião com Trump desde que o republicano voltou ao poder.
O retrospecto do norte-americano em reuniões bilaterais adiciona um componente extra de tensão ao encontro com o petista.
Esta reportagem relembra cinco vezes em que Trump se envolveu em polêmicas ou protagonizou situações constrangedoras ao lado de chefes de Estado estrangeiros.
O 'genocídio branco' na África do Sul
O presidente dos EUA, Donald Trump, mostra supostas reportagens sobre 'genocídio branco' na África do Sul enquanto se encontra com o presidente do país, Cyril Ramaphosa
REUTERS/Kevin Lamarque
Em maio do ano passado, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, foi confrontado por Trump sobre alegações de um suposto "genocídio branco".
Após uma conversa inicial amigável, na qual o republicano elogiou os golfistas sul-africanos e Ramaphosa falou sobre minerais essenciais e comércio, o presidente americano pediu à sua equipe que exibisse vídeos que, segundo ele, mostrariam evidências desse tipo de crime, incluindo túmulos de milhares de fazendeiros brancos.
Ramaphosa assistiu a tudo, sentado ao lado de Trump, em silêncio. Depois, afirmou:
"Gostaria de saber onde fica isso porque nunca vi esses vídeos".
A África do Sul rejeita a alegação de que brancos são desproporcionalmente alvos de crimes. As taxas de homicídio são altas no país e a esmagadora maioria das vítimas são negras.
Quando Ramaphosa apresentou esses dados, Trump o interrompeu e disse:
"Os fazendeiros não são negros".
O presidente sul-africano, então, respondeu em tom apaziguador: "Essas são preocupações sobre as quais estamos dispostos a conversar com você".
Trump acusava o país de confiscar terras de fazendeiros brancos e de fomentar a violência contra eles com "retórica odiosa e ações governamentais".
"As pessoas estão fugindo da África do Sul para sua própria segurança. Suas terras estão sendo confiscadas e, em muitos casos, elas estão sendo mortas", disse ele à época.
Meses depois, Trump disse que não convidaria a África do Sul para a reunião do G20 por causa do suposto "genocídio branco".
Presidente da África do Sul rebate acusações de Trump sobre 'genocídio branco'
Japão: 'Por que não nos avisaram sobre Pearl Harbor?'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúne com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA.
REUTERS/Evelyn Hockstein
Em março deste ano, durante encontro na Casa Branca com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, Trump surpreendeu ao responder a uma pergunta de uma repórter japonesa sobre por que não havia avisado seus aliados a respeito de seus planos para a guerra no Irã.
“Não queríamos dar muitos sinais… queríamos surpreendê-los. Quem sabe mais sobre surpresas do que o Japão? Por que vocês não nos avisaram sobre Pearl Harbor?”
A primeira-ministra nipônica pareceu surpresa com a resposta do presidente norte-americano; logo após a fala, ela franziu os lábios e arregalou os olhos.
No contexto da Segunda Guerra Mundial, americanos e japoneses estavam em lados opostos: os EUA faziam parte dos "Aliados", junto de Reino Unido, União Soviética e França, enquanto o Japão fazia parte do "Eixo", ao lado da Alemanha Nazista e da Itália Fascista.
Atualmente, Takaichi e Trump mantêm alinhamento político e compartilham posições conservadoras.
Trump questiona Japão sobre Pearl Harbor
O bate-boca com Zelensky
Trump e Zelensky batem boca na Casa Branca
Brian Snyder/Reuters
Em meio à guerra entre Ucrânia e Rússia — que se arrasta até hoje — o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi à Casa Branca para negociar a exploração, pelos Estados Unidos, das terras raras do país do leste europeu.
O clima da conversa, no entanto, acabou esquentando.
O bate-boca começou nos minutos finais, quando Zelensky se mostrou desconfiado quanto ao compromisso de Putin de encerrar a guerra e o chamou de "assassino".
O vice-presidente americano JD Vance disse: "Senhor Presidente, com todo o respeito. Acho desrespeitoso da sua parte vir ao Salão Oval e tentar debater isso diante da mídia americana". Quando Zelensky tentou responder, Trump levantou a voz:
"Você está apostando com a vida de milhões de pessoas. Você está apostando com a Terceira Guerra Mundial. Você está apostando com a Terceira Guerra Mundial, e o que você está fazendo é muito desrespeitoso com este país, um país que te apoiou muito mais do que muitos disseram que deveria", afirmou Trump a Zelensky.
"Seu povo é muito corajoso, mas ou vocês fazem um acordo ou estamos fora. E se estivermos fora, vocês terão que lutar sozinhos", disse Trump. Os EUA são aliados da Ucrânia na guerra.
Trump e Zelensky trocam farpas no salão oval
'O Canadá não está à venda'
Primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, se reúne com o presidente dos EUA, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca
Leah Millis/Reuters
Em junho de 2025, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também foi ao encontro de Trump na Casa Branca. Naqueles primeiros meses do novo mandato do republicano, ele vinha dando diversas declarações de que o país seria o 51º estado dos EUA.
Na ocasião, o presidente norte-americano disse que a integração do Canadá aos Estados Unidos seria um "casamento perfeito".
Carney rejeitou a ideia com firmeza.
"Não está à venda, não estará à venda — nunca", disse ele.
"Nunca diga nunca, nunca diga nunca", disse Trump.
Canadá não está à venda, diz primeiro-ministro; Trump rebate: 'Nunca diga nunca'
Gaza: 'vamos tomá-la, vamos mantê-la, vamos valorizá-la'
Presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o rei Abdullah 2º da Jordânia no Salão Oval da Casa Branca
Nathan Howard/Reuters
Pouco após tomar posse pela segunda vez na Casa Branca, Donald Trump recebeu o rei Abdullah 2º da Jordânia.
Trump vinha defendendo a anexação da Faixa de Gaza, cuja infraestrutura foi destruída pela guerra entre Hamas e Israel. Pelos planos do republicano, os EUA assumiriam o território para construir uma espécie de "Riviera do Oriente Médio" — os palestinos, por outro lado, não teriam direito de retorno, uma manobra vista como limpeza étnica pela comunidade internacional.
"Não há nada o que comprar", disse Trump, sobre Gaza. "Vamos tomá-la, vamos mantê-la, vamos valorizá-la."
Trump disse que a Jordânia e o Egito acabariam concordando em abrigar os deslocados de Gaza. Ambos os países dependem de Washington para ajuda econômica e militar.
"Acredito que teremos um pedaço de terra na Jordânia. Acredito que teremos um pedaço de terra no Egito", disse Trump. "Podemos ter outro lugar, mas acho que quando terminarmos nossas conversas, teremos um lugar onde eles viverão muito felizes e muito seguros."
Mais tarde, Abdullah disse que reiterou a Trump a posição da Jordânia contra o deslocamento dos palestinos em Gaza ou na Cisjordânia ocupada, que faz fronteira com seu país. "Essa é a posição árabe unificada", disse o rei em postagem no X.
"Reconstruir Gaza sem deslocar os palestinos e lidar com a terrível situação humanitária deve ser a prioridade de todos", disse Abdullah.
Trump fala em comprar e tomar posse da Faixa de Gaza
5 reuniões em Donald Trump humilhou líderes estrangeiros.
Reuters

Lula e Trump: por que o PIX deve ser assunto central do encontro entre os presidentes

Na Itália, secretário de Trump se reúne com papa Leão XIV e tenta reaproximação com Meloni
Por que o PIX virou alvo de Trump em investigação comercial contra o Brasil?
O PIX deve ser assunto central do encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump, que ocorre nesta quinta-feira (7).
O sistema brasileiro de pagamento instantâneo entrou na mira do governo dos Estados Unidos durante uma investigação comercial aberta na em julho de 2025, a pedido do presidente Donald Trump.
No documento que oficializou o processo, a gestão Trump não mencionou o PIX diretamente, mas fez referência a “serviços de comércio digital e pagamento eletrônico”, inclusive os oferecidos pelo Estado brasileiro. O PIX é o único sistema do governo com essa finalidade.
"O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo", disse o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR).
Já neste ano, em abril, um relatório divulgado pela Casa Branca ressaltou novamente o PIX como um sistema prejudicial às gigantes de cartão de crédito, como Visa e Mastercard.
Para especialistas ouvidos pelo g1, aspectos como o embate com as big techs e a concorrência com bandeiras de cartões de crédito americanas ajudariam a explicar a ofensiva dos EUA contra o PIX. Eles dizem que não há, porém, razões consistentes para questionar o serviço de pagamento.
Na verdade, o sucesso do PIX e seu papel como vitrine para o Brasil estariam sendo vistos como uma “ameaça” ao setor nos EUA. Os receios de Trump, afirmam, também estariam ligados ao avanço do PIX Internacional e às discussões do Brics sobre alternativas ao uso do dólar no comércio.
Veja, nos tópicos abaixo, os possíveis motivos apontados por especialistas para Trump questionar o PIX.
Concorrência com empresas dos EUA
PIX Internacional, 'efeito Brics' e ameaça ao dólar
Sucesso do PIX vira vitrine para o Brasil
Ofensiva dos EUA contra sistemas de pagamentos
Exigências legais do Brasil — e apoio às big techs
Concorrência com empresas dos EUA
O PIX é gratuito para pessoas físicas e tem custo baixo para empresas, representando forte concorrência para grandes operadoras de cartão de crédito americanas, como Visa e Mastercard, afirma Jorge Ferreira dos Santos Filho, economista e professor da ESPM.
"O sistema também compete com fintechs americanas. Enquanto nos EUA a regulação permite a cobrança por transferências instantâneas, no Brasil essas empresas são obrigadas a integrar o PIX para operar", diz.
Segundo o professor, as regras forçam as companhias a ajustarem seus modelos de negócio diante da possível perda de receita, já que empresas de alta tecnologia lucram com taxas sobre transações. O cenário também afeta big techs que oferecem serviços de pagamento, como o Google.
Para Ralf Germer, CEO da PagBrasil, o PIX é um sistema tecnologicamente avançado que promove uma concorrência saudável no mercado. Ele não acredita, porém, que o sistema conflite diretamente com os interesses dos EUA, nem que isso justifique a investigação do governo americano.
"O PIX não foi criado para concorrer ou substituir outros meios de pagamento, como o cartão de crédito. Desde o lançamento do sistema, as demais formas de pagamento, especialmente os cartões, continuaram crescendo", afirma.
"Além disso, houve tempo suficiente para que se adaptassem e desenvolvessem soluções capazes de competir com as vantagens do PIX, seja em custo, experiência do usuário ou do comércio", acrescenta.
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PIX é investigado nos EUA a pedido de Trump por configurar possível 'prática desleal'
PIX Internacional, 'efeito Brics' e ameaça ao dólar
Entre as novidades do PIX, o Banco Central do Brasil (BC) segue trabalhando para adotar, no futuro, o PIX Internacional, que já é aceito de forma limitada em alguns países, como Argentina, EUA (Miami e Orlando), Portugal (Lisboa), entre outros.
O BC avalia que o uso atual do PIX em outros países é "parcial", restrito a estabelecimentos específicos. A expectativa é que, no futuro, os pagamentos transfronteiriços sejam realizados de forma definitiva, interligando sistemas de pagamento instantâneo.
Nesse sentido, especialistas acreditam que a possibilidade de uso do PIX Internacional como meio de pagamento entre países do Brics, por exemplo, pode ter incomodado os EUA por ameaçar a paridade do dólar nas negociações, comprometendo a hegemonia da moeda no sistema financeiro global.
"Esse pode ser o ponto que mais incomoda o governo americano: a criação de uma moeda única do Brics e o possível uso do sistema PIX para reduzir a influência do dólar nas negociações entre esses países", diz Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora.
🔎 O Brics é um grupo de países emergentes que inclui Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos, Egito, Arábia Saudita, Etiópia, Indonésia e Irã.
Durante o tarifaço, o presidente Donald Trump ameaçou, em mais de uma ocasião, aplicar taxas de 10% às nações integrantes do grupo. Ele é contra a criação de uma nova moeda ou meios de pagamento que substituam o dólar — uma das prioridades do Brasil dentro do grupo.
Segundo o professor Jorge Ferreira, da ESPM, o PIX Internacional pode enfrentar resistência dos EUA, já que concorreria diretamente com o sistema SWIFT — rede global de transferências financeiras adaptada, inclusive, para cumprir sanções internacionais, especialmente dos EUA e da União Europeia.
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Sucesso do PIX vira vitrine para o Brasil
Pedro Henrique Ramos, diretor-executivo e fundador do RegLab, afirma que a principal queixa dos EUA parece ser a percepção de que o governo brasileiro teria favorecido seu próprio sistema de pagamento eletrônico — prejudicando, assim, empresas privadas norte-americanas.
Ele avalia que, quando o regulador também atua como operador bem-sucedido — como o Banco Central do Brasil com o PIX —, é natural que surja uma “pressão internacional” nesse cenário de competição.
"De uma forma ou de outra, o PIX se tornou um modelo de inovação estatal eficiente, que pode ser replicado por outros países — o que representa uma possível ameaça ao domínio de empresas americanas no mercado global de meios de pagamento", explica.
Para o especialista, o sucesso massivo do PIX também virou uma vitrine e confere ao Brasil peso geopolítico para influenciar padrões e negociar aberturas no mercado internacional. “É um grande modelo a ser seguido em termos de infraestrutura pública digital de pagamentos.”
Diversos países buscam entender os mecanismos de funcionamento do sistema.
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Ofensiva dos EUA contra sistemas de pagamentos
Pedro Henrique Ramos, do RegLab, lembra que os EUA têm um histórico de contestar políticas que favorecem infraestruturas domésticas, citando os casos da Indonésia, Índia e China (com a UnionPay).
Ao anunciar tarifas de 32% sobre produtos importados da Indonésia, no ano passado, os EUA também alegaram "prática comercial injusta", citando impacto em empresas americanas como Visa, Mastercard e Amex.
Segundo Ramos, esse tipo de infraestrutura pública de baixo custo, criado por países emergentes, é adotado como instrumentos de inclusão social e financeira, e de redução da dependência de redes atreladas ao dólar.
"Então, você tem um atrito geopolítico claro entre interesses comerciais e também com os discursos políticos que são usados para fundamentar e fomentar essas infraestruturas digitais soberanas dos países", afirma.
Ralf Germer, da PagBrasil, destaca que os EUA têm sistemas semelhantes, como o Zelle — criado por grandes bancos, com possíveis taxas conforme a instituição — e o FedNow, do Federal Reserve, que permite cobrança de taxas pelos bancos, mas geralmente não repassadas ao consumidor final.
Os sistemas norte-americanos, no entanto, não chegaram nem perto do sucesso do PIX, afirma Pedro Henrique Ramos, do RegLab.
"A adesão ao FedNow, por exemplo, foi opcional. Nenhum dos grandes bancos americanos aderiu. Então, de uma forma ou de outra, o PIX virou um modelo, uma vitrine", diz.
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Exigências legais do Brasil — e apoio às big techs
Os questionamentos dos EUA sobre os pagamentos eletrônicos fazem parte de uma discussão mais ampla que envolve big techs americanas, como Google e Meta (WhatsApp ), que operam seus próprios sistemas de pagamento e podem ver o PIX como concorrente.
"Empresas americanas do setor frequentemente resistem a determinadas decisões do Supremo Tribunal Federal [STF], especialmente sobre exigências legais como a proibição de veicular certos conteúdos", diz Lia Valls, pesquisadora associada do FGV Ibre e professora da UERJ.
Segundo a especialista, apesar de não ter relação direta, o conflito com as big techs também contribui para as alegações de Donald Trump, que em diversas ocasiões tentou pressionar a Suprema Corte brasileira.
Também no ano passado, por exemplo, a maioria dos ministros do STF votou a favor de responsabilizar as redes sociais pelo conteúdo publicado por seus usuários — como discursos de ódio, fake news ou prejudiciais a terceiros.
No mesmo dia, o Google, dono do YouTube, afirmou que "abolir regras que separam a responsabilidade civil das plataformas e dos usuários não contribuirá para o fim da circulação de conteúdos indesejados na internet [como fake news]".
Já a Meta, proprietária do Instagram, do Facebook e do WhatsApp, manifestou preocupação com "as implicações da decisão do STF sobre a liberdade de expressão e as milhões de empresas que usam nossos aplicativos para crescer seus negócios e gerar empregos no Brasil".
Além disso, há o caso específico do WhatsApp. Em junho de 2020, antes mesmo do lançamento do PIX, o Banco Central e o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) suspenderam a função de pagamentos e transferências por meio do aplicativo no Brasil.
Na época, o BC determinou que as bandeiras Visa e Mastercard, que viabilizavam as transações, suspendessem a função de pagamentos para que o órgão avaliasse riscos e garantisse o bom funcionamento do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Já o Cade apontava possíveis riscos à concorrência.
Em 2023, com o PIX já em funcionamento, o BC autorizou o WhatsApp a oferecer pagamentos com cartões de crédito, débito e pré-pago. Em dezembro, porém, a empresa descontinuou no Brasil a função de pagamento entre pessoas com cartão de débito no aplicativo.
Em nota enviada ao g1 em novembro de 2024, a empresa informou que a decisão de suspender a função com cartão de débito no país teve como objetivo priorizar as transações via PIX.
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Aplicativo bancário para pagamento financeiro em PIX.
Bruno Peres/Agência Brasil

Na Itália, secretário de Trump se reúne com papa Leão XIV e tenta reaproximação com Meloni

Na Itália, secretário de Trump se reúne com papa Leão XIV e tenta reaproximação com Meloni
Giorgia Meloni (primeira-ministra da Itália); Marco Rubio (Secretário de Estado dos EUA) e papa Leão XIV.
REUTERS, REUTERS e EPA
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, está na Itália, onde se reunirá com o papa Leão XIV, no Vaticano, nesta quinta-feira (7), e com a primeira-ministra Giorgia Meloni, na sexta (8), em meio à crise diplomática provocada pelos ataques de Donald Trump ao líder da Igreja Católica.
A viagem ocorre após novas declarações do presidente americano contra o papa e tem como objetivo "reconciliar os laços". Em entrevista ao canal conservador Salem News Channel, Trump insinuou que Leão XIV estaria colocando muitos católicos e muitas pessoas em perigo”, insinuando que Leão XIV é favorável a um possível arsenal nuclear para Teerã.
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“Imagino que, se dependesse dele, seria perfeitamente aceitável que o Irã possuísse uma arma nuclear”, afirmou o presidente.
O papa respondeu sem citar diretamente Trump. Na terça-feira (5), durante encontro com jornalistas em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, Leão XIV afirmou que a Igreja Católica “se manifesta contra todas as armas nucleares há anos”.
“Se alguém quiser me criticar por pregar o Evangelho, que o faça com a verdade”, disse o pontífice, reforçando que “a missão da Igreja é pregar a paz”, disse.
Rubio ficará na Itália até sexta-feira e também terá encontros com o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, além dos ministros italianos das Relações Exteriores, Antonio Tajani, e da Defesa, Guido Crosetto.
Impacto no eleitorado republicano
Na manhã desta quarta-feira (6) durante a audiência geral na Praça de São Pedro, Leão XIV disse que a Igreja Católica “deseja instaurar o seu Reino de justiça, amor e paz para toda a humanidade”.
O secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin, também reagiu às declarações de Trump, sublinhando que o Papa mantém a sua linha de atuação centrada na mensagem evangélica e na promoção da paz.
“O Papa segue o seu caminho, no sentido de pregar o Evangelho, de pregar a paz”, afirmou nesta terça-feira (4) o cardeal Parolin, acrescentando que essa missão se mantém independentemente das críticas.
Em abril, Trump chamou o primeiro papa americano na história da Igreja de “fraco” e “terrível em política exterior” porque Leão XIV criticou a guerra no Irã. Depois das investidas, o pontífice respondeu que não tinha medo do governo Trump.
Estes ataques têm afastado grande parte do eleitorado católico americano do presidente. Os eleitores republicanos católicos representam cerca de 20% e podem lhe virar as costas nas eleições de meio de mandato em novembro.
Batizado católico logo após seu nascimento – e não convertido ao catolicismo na vida adulta como o vice-presidente J.D. Vance – Marco Rubio vai tentar remediar a crise provocada por Trump.
Leão XIV completa nesta sexta-feira (8) seu primeiro ano como líder da Igreja Católica, que conta com 1,4 bilhão de fiéis. Ele manteve um perfil relativamente discreto no cenário global nos primeiros meses de seu papado, mas emergiu nas últimas semanas como um crítico declarado da guerra dos EUA e Israel contra o Irã.
Cuba na agenda do Vaticano
Após o encontro com Leão XIV, o chefe da diplomacia dos EUA deve encontrar o Secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin.
Segundo o porta-voz do Departamento de Estado americano, Tommy Pigott, “o secretário Rubio se reunirá com a liderança da Santa Sé para discutir a situação no Oriente Médio e os interesses mútuos no Hemisfério Ocidental”, mas as tensões entre os EUA e Cuba poderão fazer parte das conversações.
Leão XIV também desaprovou as políticas anti-imigração do governo Trump e pediu diálogo entre os EUA e Cuba, país de maioria católica.
Em fevereiro, quando o governo Trump intensificou o bloqueio ao fornecimento de petróleo a Cuba, o pontífice disse estar profundamente preocupado com as tensões entre os dois países.
O Vaticano tem agido como mediador e canal de diálogo entre os dois países, e teve um papel-chave no degelo das relações entre Cuba e Estados Unidos em 2015 promovido pelo Papa Francisco. Graças a um acordo com a Santa Sé, Cuba libertou 51 prisioneiros no último mês de março, num gesto que classificou como “espírito de boa vontade”.
Em 2025, o governo cubano libertou 553 prisioneiros devido a um acordo com o Vaticano, após o ex-presidente Joe Biden anunciar a retirada de Cuba da lista americana de “Estados patrocinadores do terrorismo”.
Trump rescindiu o acordo de Biden ao assumir o cargo, colocando o país caribenho novamente na lista, aplicando novas sanções à ilha.
Marco Rubio é filho de imigrantes cubanos nos EUA. Ele já havia se encontrado com o pontífice, nascido em Chicago, durante a Missa que marcou o início de seu papado. Naquela ocasião, também estava presente o vice-presidente Vance. No dia seguinte, 19 de maio, foi realizado um encontro bilateral entre Leão XIV, Vance e Rubio.
Encontro com Giorgia Meloni
O ataque do presidente dos EUA ao papa também desencadeou uma crise diplomática com a primeira-ministra Giorgia Meloni. Até então a premiê, líder do partido de extrema-direita Irmãos da Itália (Fratelli d'Italia) era considerada por Trump como uma grande aliada europeia.
No entanto, a guerra no Irã iniciada pelos EUA e Israel, com os danos econômicos do conflito, causou desaprovação no eleitorado conservador italiano. Por consequência, Meloni acabou se distanciando das posições do presidente americano.
Diante das agressões de Trump a Leão XIV, a primeira-ministra chamou as palavras do presidente de “inaceitáveis”. O resultado é que a Itália acabou na lista dos “vilões”. Trump acusou Meloni de “falta de coragem”.
“Não estou feliz com a Itália, ela não nos ajudou, acha que está tudo bem o Irã ter armas nucleares”, atacou o presidente, usando as mesmas palavras que também dirigiu à Espanha.
Enquanto isso, na Alemanha, depois que o chanceler Friedrich Merz falou que os EUA estão sendo “humilhados” pelo Irã, o Pentágono anunciou a retirada de 5.000 soldados das bases no país.
A Itália quer evitar que o governo de Trump decida aplicar uma medida semelhante e remover militares das bases estadunidenses na península que atualmente, conta com a presença de cerca de 12 mil militares americanos.
Pauta com governo italiano
O comunicado do Departamento de Estado dos EUA enfatiza que as reuniões com as autoridades italianas se concentrarão nos “interesses de segurança compartilhados e alinhamento estratégico” dos dois países. Isso significa que os representantes dos dois países discutirão sobre a Otan e as bases militares americanas na Itália.
Em março deste ano, a Itália impediu os EUA de usarem a base aérea de Sigonella, na Sicília, para uma operação no Oriente Médio porque aviões americanos planejavam pousar sem autorização nem consulta prévia.
Após verificar que não eram voos rotineiros, o chefe do Estado-Maior informou o ministro da Defesa, Guido Crosetto, que ordenou negar o pouso.
Entre outros temas na agenda está o Líbano — tendo em vista um possível encontro em Washington, no dia 11 de maio, entre o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o presidente libanês Josef Aoun, ainda a ser confirmado por ambas as partes.
Também estarão na pauta o futuro da missão da ONU no Líbano e a ameaça dos EUA de elevar em 25% as tarifas sobre carros e caminhões da União Europeia.