Por que foto com Trump pode ser valiosa para Lula na eleição, segundo analistas

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Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e dos Estados Unidos, Donald Trump.
Pablo Porciúncula e Andrew Caballero-Reynoldos/ AFP via Getty Images
Quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma ligação telefônica para Donald Trump em outubro do ano passado, o petista tentou quebrar o gelo fazendo uma brincadeira com a idade deles.
Lula estava prestes a completar 80 anos, idade que Trump alcançará no próximo mês de junho. Na época, o Brasil vivia sob as tarifas impostas pelo governo dos EUA sobre diversos produtos brasileiros, e aquela ligação era a primeira vez que eles conversavam sobre o tema.
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Segundo uma fonte próxima ao governo afirmou à BBC News Brasil na época, Lula afirmou, com um tom de "deixa disso", que eles não tinham "mais idade" para provocações. E prometeu que visitaria Trump próximo ao 80º aniversário do americano.
Faltando um mês para Trump completar 80 anos, Lula estará na Casa Branca, para uma reunião com o líder americano nesta quinta-feira (7).
O encontro ocorre após o novo atrito entre os dois países causado pelo episódio de prisão e soltura do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL) nos Estados Unidos.
A situação levou o governo americano a expulsar um agente da Polícia Federal brasileira que atuava como oficial de ligação nos Estados Unidos. Em resposta, o Palácio do Planalto também descredenciou um oficial americano que atuava no Brasil.
👉 No pano de fundo estão também os ataques de Trump ao Pix, a possibilidade de os EUA classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, os investimentos em minerais críticos e as tarifas que ainda permaneceram do "tarifaço".
Pano de fundo eleitoral
Lula aposta em encontro com Trump para se blindar de interferência eleitoral dos EUA
Para Regiane Bressan, professora de Relações Internacionais da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o encontro deve tangenciar a pauta das terras raras, o acordo que o Brasil pode firmar com a China e o do Mercosul com a União Europeia.
Já para Oliver Stuenkel, pesquisador do Carnegie Endowment e Harvard e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a reunião dos chefes de Estado deve ser sem tensionamentos e "com alguns avanços pontuais na redução de tarifas".
👉Mas ambos concordam que a ida de Lula à Casa Branca é estratégica para as eleições deste ano.
"A direita tem um imaginário que vincula muito a política externa brasileira à Venezuela, a governos progressistas, à esquerda. E essa estratégia de tentar se desvincular disso é interessante, sobretudo se o encontro significar que existe uma autonomia e soberania brasileira", afirma Bressan.
Em entrevista à repórter Mariana Schreiber, da BBC News Brasil em Brasília, na semana passada, o especialista em relações internacionais Guilherme Casarões, professor da Florida International University (EUA), afirmou algo na mesma linha.
"A única forma pela qual Trump poderia reequilibrar esse lugar que os Estados Unidos ocupam na conversa eleitoral é se ele tiver o encontro com o Lula e se esse encontro for bom."
Segundo Stuenkel, além de a direita perder a narrativa de que seria mais alinhada a Trump, Lula ainda teria a seu favor a cartada da diplomacia.
"Se for uma reunião bem-sucedida, é claro que o Lula vai usar isso dizendo que consegue trabalhar com qualquer um, enquanto Flávio [Bolsonaro] carece de uma experiência diplomática."
Primeira reunião entre Trump e Lula foi em outubro na Malásia.
Andrew Caballero-Reynolds/ AFP via Getty Images
Ainda para ele, mesmo que a reunião seja ruim — o que ele não acredita que será — isso não representará, necessariamente, uma má notícia para o petista.
"Se for uma percepção que o Trump está querendo humilhar Lula, mas Lula demonstrar uma postura firme, isso pode ser utilizado pela campanha do Lula também", diz.
Já Bressan pondera que "pensando em relação a essa estratégia de desvincular a direita dos EUA, ela é interessante para mostrar o quanto o Brasil dialoga com os EUA", diz. "Mas não salva nenhuma eleição".
Esta será a segunda vez que o presidente brasileiro viaja aos Estados Unidos em seu terceiro mandato, mas é a primeira vez que ele irá à Casa Branca. O primeiro encontro entre Lula e Trump ocorreu brevemente durante a cúpula da ONU, em Nova York, em setembro do ano passado.
"Tivemos uma química excelente", afirmou Trump, na época, sobre o breve encontro, no auge das tarifas impostas pelos EUA ao Brasil.
No fim de outubro, eles se reuniram em Kuala Lumpur, na Malásia. O encontro durou cerca de 50 minutos e ocorreu durante a realização da 47ª Cúpula da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean).
A suspensão das tarifas de Trump era o centro daquela primeira reunião. Mas os dois presidentes trataram de outros temas também. Segundo o chanceler Mauro Vieira afirmou na época, Lula também se ofereceu para ser um "interlocutor" entre EUA e Venezuela.
Naquele momento, Trump pressionava o Caribe, atacando embarcações sob o pretexto de que estavam carregadas com drogas, e ameaçava Nicolás Maduro.
"O presidente Lula levantou o tema e disse que a América Latina e a América do Sul, onde estamos, é uma região de paz. E ele se prontificou a ser um contato, um interlocutor, como já foi no passado, com a Venezuela, para se buscar soluções que sejam mutuamente aceitáveis e corretas entre os dois países", disse o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após o encontro de outubro.
Ainda assim, a captura de Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores, na Venezuela, ocorreu cerca de dois meses depois, em 3 de janeiro. Eles seguem nos EUA, onde enfrentam acusações de tráfico de drogas e outros crimes.
Lula e Maduro estavam distanciados desde que o governo brasileiro não reconheceu formalmente a mais recente reeleição do herdeiro de Hugo Chávez, vista por atores da região e observadores como não legítima.
Assim como a Venezuela, Cuba também está no alvo do presidente americano, que vem pressionando o país por um acordo.
Após a captura de Maduro, Trump interrompeu o fornecimento do petróleo venezuelano e ameaçou com novas tarifas países que oferecessem ajuda a Cuba.
Com apagões sucessivos e escassez de alimentos e medicamentos, a ilha está à beira de um colapso.
Embora o governo Trump não tenha declarado planos claros para Cuba, o presidente dos EUA já afirmou que uma intervenção militar era desnecessária porque o país estava "prestes a cair".
Diálogo ou 'armadilha'?
Trump se irrita com Zelensky na Casa Branca
Em março, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi repreendido na frente na imprensa mundial na Casa Branca, depois que Trump e seu vice-presidente, JD Vance, exigiram que ele mostrasse mais "gratidão" pelos anos de apoio dos EUA.
Embora os dois encontros anteriores entre Lula e Trump tenham sido todos dentro dos padrões usuais da diplomacia, o presidente americano ainda segue imprevisível — duas reuniões de Trump com outros chefes de Estado no ano passado terminaram em bate-boca.
Zelensky também foi acusado de estar "brincando com a Terceira Guerra Mundial" ao não trabalhar mais por um cessar-fogo com a Rússia. Ele negou a afirmação e os americanos responderam que ele estava sendo "desrespeitoso".
Dois meses depois, Trump recebeu o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, na Casa Branca para uma agenda focada em comércio e cooperação tecnológica. No entanto, poucos minutos após o início da reunião, Trump fez acusações de que estaria ocorrendo uma "limpeza étnica" contra brancos na África do Sul.
O presidente americano acusou o governo sul-africano de confiscar terras de fazendeiros brancos, promulgar políticas discriminatórias contra brancos e adotar uma política externa antiamericana.
Trump constrange presidente da África do Sul ao mostrar vídeos de suposto genocídio branco
Para Oliver Stuenkel, embora os encontros com o presidente americano nunca sejam "inteiramente previsíveis", o histórico de Lula e Trump é "excelente".
"Nas últimas vezes que se encontraram, eles tiveram reuniões muito produtivas e foi possível conter os problemas e a crise na qual a relação bilateral se encontrava na época", recorda. "Acho também que o fato de haver um tradutor simultâneo, essa tensão do debate ríspido que vimos com Zelensky e o presidente da África do Sul fica um pouco mais difícil de se repetir".
Em entrevista à BBC News Brasil na semana passada, Casarões lembrou desse episódio, quando começou a se cogitar uma visita de Lula à Casa Branca, após o encontro na ONU, no ano passado.
"Muitos especulavam que essa visita poderia ser uma pegadinha, uma armadilha para o Lula, e que o Trump poderia dispensar ao presidente brasileiro o mesmo tratamento que havia dispensado ao Zelensky, da Ucrânia, e ao Ramaphosa, da África do Sul. Foram reuniões muito constrangedoras, uma humilhação pública generalizada", afirmou ele.
Mas, assim como Stuenkel, Casarões não acha que Lula será colocado na mesma saia-justa, embora isso faça parte do cálculo.
"Da parte do governo brasileiro, acho que isso também é parte do cálculo: 'a gente quer uma foto com o Trump, essa foto seria valiosa, por exemplo, para neutralizar uma parte importante da narrativa da campanha do Flávio Bolsonaro, segundo a qual, ele é o único político que tem uma boa relação com o presidente americano'. Agora, tudo vai depender do clima que está rolando do lado de lá."
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Lula e Trump se reúnem nesta quinta na Casa Branca

Lula e Trump se reúnem nesta quinta na Casa Branca Presidentes devem discutir assuntos como economia e segurança durante o encontro. O encontro entre Lula e Trump está previsto para começar às 12h, pelo horário de Brasília.. Presidentes devem fazer uma rápida declaração à imprensa no Salão Oval da Casa Branca.. Encontro é viso como uma 'visita de trabalho', menos formal do que uma reunião bilateral.. Combate ao crime organizado, terras raras e PIX estão entre os assuntos da reunião.

Lula chega aos EUA para encontro ‘olho no olho’ com Trump

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Lula chega a Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou nesta quarta-feira (6) nos Estados Unidos para um encontro com o presidente Donald Trump. A previsão é que a reunião entre eles aconteça na Casa Branca, em Washington, na quinta-feira (7).
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O avião presidencial aterrissou na Base Aérea de Andrews às 22h desta quarta-feira, no horário de Brasília. O encontro com Trump está previsto para começar ao meio-dia de quinta-feira, também no horário de Brasília.
A reunião é vista por fontes da diplomacia brasileira como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e tarifas de importação.
Além da economia, devem compor a mesa de discussões os seguintes temas:
A visita acontece em um momento em que já se falava, nos bastidores, de um eventual afastamento entre Lula e Trump após o que ambos classificaram como uma "boa química"
Reuters
ataque ao PIX;
cooperação contra crime organizado e narcotráfico;
parcerias em minerais críticos e terras raras;
geopolítica na América Latina, Oriente Médio e ONU; e
eleições no Brasil.
A viagem a Washington é fruto de um processo de aproximação que ganhou tração em 26 de janeiro de 2026, quando Lula e Trump conversaram por telefone por cerca de 50 minutos.
Após o telefonema, Lula disse que queria ir a Washington em março para ter um encontro "olho no olho" com Trump, mas a guerra no Oriente Médio atrasou a definição da agenda.
De janeiro para cá, a relação já marcada por divergências entre Lula e Trump ganhou novos elementos de tensão no cenário internacional.
A guerra no Oriente Médio, episódios diplomáticos como o cancelamento do visto do assessor Darren Beattie e ruídos envolvendo a prisão e posterior soltura do deputado Alexandre Ramagem contribuíram para tornar o ambiente mais complexo, adicionando desafios à interlocução entre os dois governos.
Enquanto a reunião era negociada nos últimos meses, um auxiliar do presidente Lula explicava que a reunião entre Lula e Trump poderia ser "mais um ponto de partida do que um ponto de chegada" em termos de acordos.
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Tesla anuncia recall de quase 219 mil carros por falha na câmera de ré; veja modelos

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A Tesla anunciou, nesta quarta-feira (6), um recall de 218.868 veículos nos Estados Unidos devido a uma falha na imagem da câmera de ré.
Segundo a Administração Nacional de Segurança no Tráfego Rodoviário dos Estados Unidos (NHTSA), órgão equivalente à Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) no Brasil, em alguns veículos a imagem da câmera de ré pode demorar a aparecer ao se engatar a marcha à ré, o que reduz a visibilidade do motorista.
"Em uma pequena porcentagem dos veículos afetados, no momento em que o veículo é ligado, a placa do computador do carro pode sofrer um curto-circuito, resultando na perda da funcionalidade da câmera de ré", diz a Tesla no recall.
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O recall envolve alguns veículos dos modelos:
Tesla Model 3 de 2024 até 2025;
Tesla Model Y de 2023 até 2025;
Tesla Model S de 2024 até 2025;
Tesla Model X de 2023 até 2025.
Tesla Model 3
divulgação/Tesla
A Tesla informou que já disponibilizou uma atualização de software remota para corrigir o problema.
No mês passado, a NHTSA encerrou uma investigação que envolvia cerca de 2,6 milhões de veículos da Tesla, relacionada a um recurso que permitia movimentar os carros à distância, após concluir que os casos estavam ligados apenas a incidentes em baixa velocidade.

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Suposto bilhete de suicídio de Epstein
Justiça dos EUA
A Justiça dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (6) uma suposta carta de suicídio de Jeffrey Epstein, acusado de comandar uma rede de abuso sexual. O documento estava sob sigilo e faz parte de um processo judicial envolvendo um ex-companheiro de cela do bilionário.
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A existência da suposta nota foi revelada pelo The New York Times no fim de abril. Agora, o conteúdo foi divulgado pela Justiça após um pedido do jornal. Não é possível afirmar que o documento tenha sido escrito por Epstein.
A nota traz o seguinte texto, aparentemente:
"Eles me investigaram por meses — NÃO ENCONTRARAM NADA!!!
Então o resultado foi uma acusação de 16 anos atrás.
É um privilégio poder escolher o momento de dizer adeus.
O que você quer que eu faça — cair no choro!!
NÃO É LEGAL — NÃO VALE A PENA!!"
Segundo o New York Times, um companheiro de cela de Epstein, Nicholas Tartaglione, encontrou o bilhete em julho de 2019, após o financista ser achado inconsciente na prisão, com um pano enrolado no pescoço.
Na época, ainda de acordo com o jornal, Epstein afirmou que não era suicida e acusou o companheiro de cela de tê-lo atacado. Ele foi transferido e encontrado morto dias depois.
Tartaglione disse que encontrou o bilhete dentro de um livro logo após Epstein ser transferido de cela. O detento é ex-policial e cumpre prisão perpétua por homicídio.
O preso afirmou ainda ter entregue o bilhete ao próprio advogado como precaução, caso Epstein voltasse a acusá-lo de agressão.
O jornal diz que o documento foi lacrado por um juiz federal e integra o processo criminal contra Tartaglione. A reportagem afirma que os investigadores que apuraram a morte de Epstein não tiveram acesso ao material.
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Caso Epstein
Jeffrey Epstein: quem foi, quais crimes cometeu e qual a associação com Trump
Jeffrey Epstein tinha conexões com milionários, artistas e políticos influentes. Entre 2002 e 2005, ele foi acusado de aliciar dezenas de meninas menores de idade para encontros sexuais em suas mansões.
Em 2008, Epstein chegou a firmar um acordo com a Justiça para se declarar culpado. Em 2019, o caso voltou à tona, quando autoridades federais consideraram o acordo inválido e determinaram a prisão do bilionário por tráfico sexual.
O bilionário morreu na cadeia poucos dias depois de ser preso. Segundo as autoridades, ele tirou a própria vida.
A morte de Epstein gerou teorias da conspiração. A imprensa americana relata que houve falhas na segurança da prisão onde o bilionário estava. Recentemente, o governo dos EUA divulgou imagens de câmeras de segurança que mostram a porta da cela no dia em que ele foi encontrado morto.
Nos últimos meses, o Departamento de Justiça divulgou milhares de páginas de investigações sobre os abusos cometidos por Epstein. A medida foi adotada após pressão popular e uma lei aprovada no Congresso.
Jeffrey Epstein
Reuters
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