‘Podemos atingir alvos a 2.000 km’: por dentro da base secreta da Ucrânia que lança drones que matam milhares de soldados da Rússia todos os meses

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Brovdi se alistou para lutar pouco antes da invasão russa
BBC
"Somos como uma provocação para o inimigo. Porque levamos a guerra ao território deles para que também a sintam", diz o soldado ucraniano, enquanto sua unidade se apressa para montar drones de longo alcance e lançá-los contra a Rússia.
A Ucrânia intensificou seus ataques de longo alcance nas últimas semanas, mirando especialmente instalações de exportação de petróleo como nunca antes.
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Em uma entrevista rara, o comandante de todos os sistemas não tripulados da Ucrânia disse à BBC que esses ataques vão aumentar e afirmou que as forças dos drones também estão contendo o avanço russo na linha de frente, causando um número recorde de baixas entre seus soldados.
"Entre 1.500 e 2.000 km dentro do território russo já não existe a 'retaguarda pacífica'", alerta Robert Brovdi.
"O 'pássaro' ucraniano, amante da liberdade, voa para lá quando e para onde bem entender."
Na base secreta de lançamento — um campo chuvoso no leste da Ucrânia —, os drones de longo alcance são preparados, e somos instruídos a recuar para uma distância segura.
A equipe trabalha rapidamente antes que as forças russas possam detectá-los e lançar mísseis balísticos contra nós.
Ouve-se uma ordem a gritos, seguida pelo rugido ensurdecedor de um motor e um clarão branco quando o primeiro dispositivo decola em direção à Rússia, como um pequeno avião a jato.
O presidente Volodymyr Zelensky descreve esses ataques de longo alcance como "muito dolorosos" para Moscou, causando perdas "críticas" que chegam a dezenas de bilhões de dólares em seu setor energético, apesar da recente alta nos preços globais do petróleo.
O aumento desses ataques se deve, em parte, à tecnologia. Os drones de fabricação nacional estão cada vez mais baratos e voam mais longe: o modelo que vemos decolar agora pode percorrer mais de 1.000 km, e outros já alcançam o dobro dessa distância.
Ataque de drones ucranianos causa incêndio em refinaria na Rússia
Mas também tem a ver com a concentração de alvos. Além dos militares e das instalações de produção, as exportações de energia da Rússia foram identificadas como um alvo prioritário.
"Putin extrai recursos naturais e os transforma em dinheiro manchado de sangue, que depois usa contra nós na forma de drones Shahed e mísseis balísticos", afirma o comandante Brovdi, justificando os ataques.
Os moradores de Tuapse, na costa russa do Mar Negro, se queixam de uma "chuva tóxica" após uma segunda onda de ataques em larga escala contra a refinaria local em poucos dias. Mas Brovdi se mantém impassível.
"Se as refinarias de petróleo são uma ferramenta para gerar dinheiro que é usado para a guerra, então são um alvo militar legítimo, passível de destruição."
Localização secreta
O comandante trava uma guerra nos céus a partir de uma localização secreta nas profundezas da terra.
Somos levados para conhecê-lo em uma van com vidros fumê, depois descemos umas escadas e caminhamos por corredores repletos de cápsulas para dormir, até chegar a uma caverna de alta tecnologia, coberta por telas do chão ao teto.
A trilha sonora é uma sucessão de bipes e sons metálicos, à medida que novos dados são enviados a dezenas de homens vestidos com camisetas e moletons com capuz, curvados sobre controles e teclados. Eles monitoram imagens transmitidas diretamente do campo de batalha por pilotos de drones com nomes como KitKat e Antalya.
As Forças de Sistemas Não Tripulados de Brovdi representam apenas 2% do exército ucraniano, mas, segundo ele, são atualmente responsáveis por um terço de todos os alvos destruídos. Sua taxa de baixas, diz, não é segredo: menos de 1% ao ano.
Cada ataque, de qualquer tipo, é filmado para verificação e registrado, e nos monitores de uma das paredes aparece um placar detalhado, atualizado em tempo real.
Na última semana, Brovdi afirmou ter atingido cerca de uma dezena de oficiais do serviço de segurança russo FSB em território ocupado, além de várias instalações energéticas dentro da própria Rússia. Ele argumenta que suas forças são cruciais para impedir que Putin obtenha vitórias importantes, especialmente em seu objetivo de tomar o restante da região leste de Donbas.
"O que ele está fumando?", pergunta Brovdi, de forma seca. "Isso não é realista. É absurdo."
De empresário a comandante
Quatro anos atrás, Robert Brovdi se sentia mais à vontade em casas de leilão como a Christie's do que nas trincheiras. Naquela época, era um próspero comerciante de grãos, com um hobby paralelo: colecionador de arte.
Fragmentos de sua vida antes da guerra sobrevivem nas pinturas e esculturas de artistas ucranianos espalhadas pelo bunker. Elas são exibidas ao lado de cápsulas de mísseis e drones capturados.
O centro de comando está repleto de obras de arte, uma referência à vida de Robert Brovdi antes da guerra
BBC/Moose Campbell
De etnia húngara, ele é natural de Uzhhorod, no oeste da Ucrânia, e é mais conhecido por seu codinome militar: Magyar. Antes da guerra, andava sempre barbeado, mas agora ostenta uma longa barba ruiva já grisalha.
Esse empresário se alistou para lutar pouco antes da invasão russa em grande escala — "todos sabíamos que a guerra era inevitável" — e inicialmente se juntou à Defesa Territorial, participando de algumas das batalhas mais intensas, incluindo a de Bakhmut.
Mas foi antes disso, preso sob fogo russo em Kherson, que ele vislumbrou pela primeira vez o potencial dos drones.
Brovdi lembrou de um dispositivo que havia comprado para seus filhos e começou a introduzir aparelhos semelhantes em sua unidade.
De repente, eles conseguiam sobrevoar as posições russas e transmitir imagens ao vivo para uma equipe de artilharia próxima, o que lhes permitiu atacar.
"A ideia surgiu inicialmente como um mecanismo de autodefesa", explica ele, "mas transformou o campo de batalha."
Em poucos meses, os soldados estavam construindo seus próprios drones e acoplando munição a eles, e logo ficaram famosos como a 414ª Brigada, os Pássaros de Magyar.
'Pássaros e vermes'
A estratégia de Brovdi não se baseia apenas em ataques de longo alcance.
Ele fala sobre outra prioridade: reduzir a vantagem russa em termos de efetivo.
O problema tem se agravado ainda mais para a Ucrânia, que enfrenta dificuldades para mobilizar homens para a linha de frente.
"Quem queria lutar já está lutando", reconhece o comandante.
Por isso, suas equipes têm ordens diretas de matar a cada mês mais soldados inimigos do que a Rússia consegue recrutar — o que significa mais de 30 mil homens por mês.
"30% de todos os ataques com drones devem ser direcionados contra os militares", explica Brovdi.
"Pode-se chamar de plano de extermínio, sim — e, neste momento, estamos superando essa meta."
Brovdi afirma que vêm cumprindo esse objetivo há quatro meses consecutivos.
Este drone pode percorrer mais de 1.000 km; outros vão ainda mais longe
BBC/Moose Campbell
Não consigo confirmar esses dados, mas ele me garante que seus homens fazem exatamente isso: a morte de cada soldado precisa ser comprovada por vídeo — caso contrário, não é contabilizada.
Alguns desses vídeos são exibidos em repetição nas telas do centro de comando, e Brovdi também os publica no Telegram, onde se refere a seus drones como "pássaros" e às forças russas como "vermes", que devem ser caçados e destruídos.
"O maior massacre de um inimigo na história da humanidade está acontecendo nesta sala", diz ele em certo momento, apontando para as telas que nos cercam.
São palavras brutais, pronunciadas por um homem de voz suave, mas Brovdi se recusa a se deixar "comover pela compaixão".
As tropas russas estão muito além de suas fronteiras, enviadas por Putin, "que quer destruir nossa nação", sustenta.
"Se não os matarmos, eles nos matarão. Isso é claro."
Objetivo: moralidade russa
O comandante insiste que não enxerga a realidade com otimismo ingênuo: seu objetivo é a contenção, não lançar novas contraofensivas nem recuperar grandes extensões de território.
"Temos uma arma eficaz: não travar uma guerra ofensiva, mas impedir que o inimigo avance com eficiência em nosso território", diz ele.
Ele também acredita que Vladimir Putin não pode se dar ao luxo de encerrar sua invasão, porque os riscos de fracasso são grandes demais.
Assim, Brovdi tem mais um objetivo: a moral russa.
Ele espera que um alto número de baixas, somado aos grandes incêndios em instalações muito distantes da fronteira, possa gerar certa agitação na Rússia. Brovdi busca o fator surpresa.
Um vídeo recente, amplamente divulgado na Ucrânia, mostra uma mulher russa em Tuapse chorando desconsoladamente.
"Eu só queria viver à beira-mar com meu filho, mas tudo está arruinado… esses drones voam e destroem tudo", soluça entre xingamentos.
Para Brovdi, isso é um sinal de que as consequências da invasão russa — e a forte resistência da Ucrânia — podem estar se estendendo para além de seus círculos até então limitados.
Seu objetivo, com cada drone, é que mais russos questionem a guerra travada por seu país e o presidente que a iniciou.
Informações adicionais de Sophie Williams, Moose Campbell, Volodymyr Lozhko e Anastasia Levchenko.

‘Não somos só notícia, somos pessoas’: o apelo dos passageiros presos em cruzeiro com surto de hantavírus

Irã diz que Estreito de Ormuz está liberado para navegação ‘segura’
'A incerteza é a parte mais difícil', diz passageiro de cruzeiro com casos de hantavírus
A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira (5/5) que dois casos de hantavírus foram confirmados e outros cinco estão sob suspeita, relacionados a um surto identificado em um cruzeiro holandês que cruzava o Oceano Atlântico e que agora está em quarentena na costa de Cabo Verde.
Três pessoas que estavam a bordo morreram, em duas delas foi encontrada a presença do vírus.
O surto foi registrado no cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia, no extremo sul da Argentina, na província da Tierra del Fuego, há um mês.
O navio tinha previsão de atracar em Cabo Verde na terça, mas as autoridades locais impediram o desembarque dos passageiros por questões de segurança.
Segundo a empresa Oceanwide Expeditions, responsável pelo cruzeiro, cerca de 149 passageiros e tripulantes continuam retidos a bordo, sob "rigorosas medidas de precaução", enquanto aguardam instruções da OMS.
Cruzeiro onde foram confirmados casos de hantavírus
Getty Images/BBC
Durante o dia, a organização manteve conversas com autoridades da Espanha para que o navio pudesse atracar nas Ilhas Canárias. À noite, o governo espanhol confirmou a autorização e disse que que o navio seguiria para o arquipélago.
Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, as autoridades estão avaliando quais passageiros precisam ser evacuados com urgência em Cabo Verde, onde o navio se encontra.
Os demais passageiros seguirão para as Ilhas Canárias, com previsão de chegada em três a quatro dias.
Apesar de relatos de que o clima dentro do navio é tranquilo, há preocupação entre os viajantes, de acordo com um passageiro ouvido pela BBC.
"Há muita incerteza, e essa é a parte mais difícil", afirmou o vlogger de viagens Jake Rosmarin em uma publicação nas redes sociais feita diretamente do navio.
O hantavírus é uma cepa de vírus transmitido por roedores.
A infecção em seres humanos ocorre principalmente pela inalação de partículas suspensas no ar provenientes de fezes secas desses animais.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, o contágio geralmente acontece quando o vírus se espalha pelo ar a partir da urina, das fezes ou da saliva de roedores.
Maria Van Kerkhove, diretora de preparação e prevenção de epidemias e pandemias da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou nesta terça-feira que há suspeita de que possa ter ocorrido transmissão de pessoa para pessoa a bordo do cruzeiro holandês.
"Algumas pessoas a bordo eram casais que dividiam a mesma cabine, o que caracteriza um contato bastante próximo", explicou.
Ela acrescentou que a OMS também considera a possibilidade de que a primeira pessoa infectada tenha contraído o vírus antes mesmo de embarcar.
Van Kerkhove ressaltou que a "prioridade máxima" da OMS continua sendo o atendimento aos dois tripulantes que permanecem a bordo com sintomas respiratórios.
De acordo com a Oceanwide Expeditions, eles devem ser transferidos por via aérea para a Holanda, onde receberão atendimento médico, junto com uma pessoa "relacionada" a um cidadão alemão que morreu.
Até a manhã de terça-feira, nenhum outro membro da tripulação havia apresentado sintomas.
'O ambiente a bordo é muito bom'
Embora a transmissão do hantavírus entre pessoas seja rara, Van Kerkhove explicou, em entrevista ao programa BBC Breakfast, que o contágio pode ter acontecido por contato próximo entre passageiros que dividiam cabines.
Ela acrescentou que o vírus pode ter sido contraído inicialmente por meio de roedores, antes da partida do navio de Ushuaia, na Argentina, ou durante alguma das escalas da viagem.
A especialista destacou que o cruzeiro passou por diversas ilhas, algumas com presença significativa de roedores.
"Nossa hipótese de trabalho é que provavelmente haja mais de uma forma de transmissão em curso", afirmou.
Um passageiro, que preferiu não se identificar, disse à BBC que, segundo a tripulação, as autoridades de Cabo Verde "não querem se envolver com a situação".
"Ainda assim, pelo que posso ver, o ambiente a bordo é bastante tranquilo", acrescentou.
Ele também afirmou que, até esta terça-feira, apenas uma pessoa havia sido testada — um paciente transferido para a África do Sul, cujo resultado deu positivo para hantavírus.
"Ainda não sabemos se os outros casos estão relacionados a esse vírus ou se é de outra doença", explicou.
O hantavírus é uma cepa de vírus transmitida por roedores, mas também pode ser transmitido de pessoa para pessoa, embora isso seja incomum
Getty Images/BBC
"Se todos os casos forem confirmados como hantavírus, então a forma de transmissão se torna um pouco misteriosa. Fomos informados de que não há roedores a bordo e que o contágio entre pessoas é difícil ou raro", disse.
"Esperamos que exames sejam realizados em breve nos demais pacientes para entender melhor o que está acontecendo", acrescentou.
Outro passageiro, o vlogger de viagens Jake Rosmarin, publicou um vídeo nas redes sociais diretamente do navio, dizendo que "o que está acontecendo agora é muito real para todos nós que estamos aqui".
"Não somos apenas uma história. Não somos só manchetes de jornal, somos pessoas. Pessoas com vidas, com famílias, com gente esperando por nós em casa", desabafou.
"Tudo o que queremos agora é nos sentir seguros, ter clareza e poder voltar para casa."
O que dizem os responsáveis pelo cruzeiro
A Oceanwide Expeditions emitiu um comunicado dos acontecimentos. Segundo a empresa, um passageiro holandês passou mal a bordo do cruzeiro e morreu no dia 11 de abril, quando o navio estava em alto-mar.
A esposa dele morreu posteriormente, após dar entrada em um hospital em Joanesburgo, na África do Sul. Ela havia sido levada de avião a partir da ilha de Santa Helena, onde desembarcou do navio.
Em nota, a família do casal afirmou que "a bela viagem que viviam juntos foi interrompida de forma abrupta e definitiva".
"Ainda temos dificuldade para assimilar que os perdemos. Queremos trazê-los de volta para casa e prestar nossas homenagens em paz e com privacidade", acrescentou.
Outro passageiro, um cidadão britânico de 69 anos que foi evacuado para a África do Sul para tratamento médico, também foi confirmado como portador do vírus.
Ainda não foi confirmado se o marido da mulher holandesa e um terceiro passageiro — um cidadão alemão que morreu no último sábado (2/5) — tinham hantavírus.
Investigadores trabalham com a hipótese de que os dois casos confirmados envolvem a variante "Andes" do vírus, que circula na América do Sul — região onde a viagem teve início.
A OMS afirmou que está "agindo com urgência" para auxiliar o navio e agradeceu às autoridades sul-africanas pelo atendimento ao paciente britânico.
O diretor regional da OMS para a Europa, Hans Henri P. Kluge, destacou que infecções por hantavírus são incomuns.
Embora possam ser graves em alguns casos, não se transmitem facilmente entre pessoas. O risco para a população em geral permanece baixo, e não há motivo para pânico nem para restrições a viagens.
O MV Hondius é descrito como um cruzeiro polar de 107,6 metros de comprimento, com capacidade para 170 passageiros em 80 cabines, além de 57 tripulantes, 13 guias e um médico a bordo.

Conflito com o Irã pode ter motivado suspeito de tiroteio em jantar com Donald Trump, diz inteligência dos EUA

Irã diz que Estreito de Ormuz está liberado para navegação ‘segura’
Cole Tomas Allen, suspeito do atentado a tiros durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca (WHCA), está sentado no tribunal durante uma audiência após ser acusado de tentativa de assassinato do presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington DC, EUA, em 30 de abril de 2026, neste desenho feito no tribunal
REUTERS/Emily Goff/Foto de Arquivo
Um relatório de inteligência dos Estados Unidos aponta que o conflito envolvendo o Irã pode ter influenciado a motivação do homem acusado de tentar assassinar o ex-presidente Donald Trump durante um jantar com jornalistas na Casa Branca, em abril. A informação foi divulgada pela agência de notícia Reuters.
Segundo o documento, produzido pelo escritório de Inteligência e Análise do Departamento de Segurança Interna dos EUA, o suspeito, Cole Tomas Allen, apresentava “múltiplas queixas sociais e políticas”, e o cenário internacional pode ter contribuído para a decisão de realizar o ataque.
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A avaliação, datada de 27 de abril, indica que publicações do suspeito nas redes sociais criticavam ações dos Estados Unidos no contexto da guerra envolvendo o Irã. Para os analistas, esse fator pode ter sido um dos elementos que influenciaram o atentado.
O caso ocorreu durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em 25 de abril. O ataque foi frustrado, e as autoridades passaram a investigar as motivações do suspeito.
De acordo com a Reuters, o relatório é considerado preliminar, mas representa a evidência mais consistente até agora sobre possíveis motivações ligadas ao cenário internacional.
Investigação
O FBI conduz uma análise detalhada da atividade digital de Allen, incluindo postagens com críticas a Trump e ao governo americano.
Promotores afirmam que o suspeito demonstrava discordância política e teria manifestado o desejo de “revidar” decisões do governo que considerava moralmente questionáveis.
Além da acusação de tentativa de assassinato, Allen também responde por disparo de arma de fogo durante crime violento e transporte ilegal de armamento. Mais recentemente, foi incluída uma acusação de agressão contra um agente federal, após ele supostamente atirar contra um integrante do Serviço Secreto em um ponto de controle.
Até o momento, ele ainda não apresentou defesa formal no processo.
Autoridades americanas não comentaram oficialmente o conteúdo do relatório, segundo a Reuters.
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Coreia do Norte elimina de sua Constituição referências à unificação com Coreia do Sul

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– Esta foto, fornecida pelo governo norte-coreano, mostra seu líder Kim Jong Un, ao centro, aplaudindo após ser reeleito para o cargo máximo do Partido dos Trabalhadores, durante o Congresso do partido em Pyongyang, em 22 de fevereiro de 2026.
Agência Central de Notícias da Coreia/Serviço de Notícias da Coreia via AP, Arquivo
A Coreia do Norte eliminou da sua Constituição todas as referências à unificação com o seu vizinho, a Coreia do Sul, segundo um documento ao qual a agência de notícias AFP teve acesso nesta quarta-feira (6).
A ação evidencia uma tendência de Pyongyang para adotar uma política mais hostil em relação a Seul.
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Uma cláusula que estabelecia que a Coreia do Norte tinha como objetivo "alcançar a unificação da pátria" não aparece na versão mais recente da Constituição, que foi divulgada em uma entrevista coletiva organizada pelo Ministério da Unificação sul-coreano.
A medida foi adotada após o líder norte-coreano, Kim Jong-un, ter classificado a Coreia do Sul como o "Estado mais hostil" em um discurso sobre política geral em março.
A Constituição norte-coreana revisada, que foi apresentada em março, também inclui uma nova cláusula que delimita o território da Coreia do Norte, segundo o documento divulgado por Seul.
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Utilizando o nome oficial da Coreia do Sul, o texto afirma que a área inclui a fronteira com a China e a Rússia ao norte, e com "a República da Coreia ao sul".
A Coreia do Norte "não permite, de forma alguma, qualquer violação do seu território", acrescentou o documento.
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Os dois países têm relações diplomáticas sensíveis e tecnicamente nunca deixaram de estar em guerra. O conflito, iniciado em 1950, está em armistício desde 1953, porém sem um tratado de paz definitivo. A tensão militar entre os vizinhos tem escalado nos últimos anos.
O presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, que tem postura conciliadora com relação ao país vizinho, pediu negociações com o Norte sem condições prévias, ao afirmar que os países estão destinados a "fazer germinar as flores da paz".
Mas o Norte não respondeu às propostas do governo de Lee e insiste em classificar o Sul como seu adversário "mais hostil".
Kim Jong-un prometeu reforçar as forças nucleares do país. Pyongyang executou quatro testes de mísseis em abril, o maior número em um único mês em mais de dois anos.
A Coreia do Norte também se aproximou da Rússia, ao enviar tropas e projéteis de artilharia para apoiar a invasão da Ucrânia.

Irã diz que Estreito de Ormuz está liberado para navegação ‘segura’

Irã diz que Estreito de Ormuz está liberado para navegação ‘segura’
Trump recua e diz que operação para reabrir Ormuz será suspensa
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou o Estreito de Ormuz está liberado para navegação "segura" em um comunicado nesta quarta-feira (5).
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Um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar a suspensão temporária da operação militar que o país vinha fazendo na região, Teerã se pronunciou através de uma mensagem divulgada nas redes sociais e também na mídia estatal iraniana:
"Agradecemos aos capitães e armadores do Golfo Pérsico e do Golfo de Omã por cumprirem as regulamentações iranianas do Estreito de Ormuz e por contribuírem para a segurança marítima regional. Com as ameaças do agressor neutralizadas e novos protocolos em vigor, será garantida a passagem segura e estável pelo estreito".
Ao anunciar a decisão de pausar a chamada “Operação Liberdade”, Trump disse que ela foi tomada após pedidos do Paquistão, que atua como mediador, e citou um “grande progresso” nas conversas com representantes iranianos.
De acordo com a imprensa iraniana, atualmente, cerca de 1.500 embarcações aguardam serem autorizadas a passar pelo Estreito de Ormuz.
Embarcações no Estreito de Ormuz, perto de Bandar Abbas, Irã 4 de maio de 2026.
Amirhosein Khorgooi/ISNA/WANA via REUTERS
Nesta quarta, uma reportagem do site americano Axios noticiou que os EUA e o Irã estão perto de finalizar um memorando de uma página para encerrar a guerra no Oriente Médio e uma fonte paquistanesa que falou de forma anônima à agência de notícias Reuters afirmou:
"Vamos concluir isso muito em breve. Estamos quase lá", disse à Reuters a fonte paquistanesa.
Segundo o Axios", os EUA esperam uma resposta do Irã nas próximas 48 horas, segundo duas autoridades norte-americanas e outras duas fontes informadas sobre o assunto ouvidas pela reportagem.
O memorando de uma página e contém, entre os termos, uma moratória sobre limitações ao enriquecimento de urânio pelo Irã, em troca dos EUA suspenderem sanções econômicas e liberarem bilhões em ativos iranianos congelados, segundo o "Axios".
A proposta também prevê que EUA e Irã suspenderiam seus bloqueios marítimos no Estreito de Ormuz, de acordo com a reportagem. O trânsito de navios comerciais pela região é um dos pontos mais sensíveis do conflito, e a via marítima foi palco de confrontos entre os dois países nos últimos dias.
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O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Muhammad Ishaq Dar, afirmou que o país está tentando fazer com que o cessar-fogo atual entre EUA e Irã —que ficou ameaçado nesta semana com o embate em Ormuz— leve a um fim permanente da guerra.
Os EUA esperam respostas iranianas sobre vários pontos-chave nas próximas 48 horas, segundo a reportagem. Nada foi acordado até o momento, porém a Casa Branca acredita que este é o momento em que os dois países estão mais próximos de um acordo desde o início da guerra.
O governo dos EUA não havia se pronunciado de forma oficial sobre esse memorando até a última atualização desta reportagem. No entanto, o presidente Donald Trump citou um "grande progresso" nas negociações com o Irã quando anunciou na terça-feira a suspensão da operação militar para auxiliar o trânsito de navios por Ormuz.
Apesar do otimismo, segundo o "Axios", muitas autoridades da Casa Branca continuam céticas sobre se um acordo preliminar poderia ser assinado por conta do caráter fragmentado da liderança do Irã, que possui muitas autoridades de alto nível, o que dificulta um consenso. Outro ponto de preocupação é que esse memorando possui brechas que poderiam levar à retomada da guerra no futuro.