Trump usa cessar-fogo no Irã para burlar prazo e prosseguir conflito sem aval do Congresso

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Para cumprir formalidade com o congresso, Trump diz que "hostilidades" com o Irã foram encerradas
Pela lei, esgotou-se na última sexta-feira (1º) o prazo de 60 dias para o presidente dos Estados Unidos empreender a guerra no Irã sem a autorização do Congresso.
Mas Donald Trump e seu secretário de Defesa, Pete Hegseth, se escoram em uma manobra para argumentar que a aprovação do Legislativo não se faz necessária: o frágil cessar-fogo, que interrompeu os ataques entre os dois países e, na visão do governo, suspendeu a contagem do tempo.
"Estamos em um cessar-fogo neste momento, o que, segundo nosso entendimento, significa que o prazo de 60 dias está suspenso ou interrompido", afirmou Hegseth, na quinta-feira (30), durante a sabatina a que foi submetido no Senado.
Tampouco o presidente da Câmara, Mike Johnson, e o líder da maioria republicana no Senado, John Thune, afirmaram ver necessidade de pautar o tema.
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O presidente dos EUA, Donald Trump, participa de um evento na Flórida, EUA, em 1º de maio de 2026.
REUTERS/Nathan Howard
Desde o início da guerra, os republicanos bloquearam mais de uma dúzia de resoluções de democratas para limitar a capacidade de Trump de atacar o Irã. Johnson chegou a afirmar que os EUA não estão em guerra.
“Não creio que tenhamos um bombardeio militar ativo, disparos ou algo do gênero. No momento, estamos tentando negociar a paz“, opinou.
A Resolução sobre Poderes de Guerra, de 1973, fixa um cronograma para que os congressistas sejam notificados pelo Executivo sobre uma campanha militar 48 horas após o início do conflito, quando começa a contar o prazo de 60 dias para que o presidente encerre o uso da força sem a autorização do Congresso. Este prazo pode ser prorrogado por mais um mês para ordenar a retirada segura das tropas americanas.
Os ataques ao Irã começaram no dia 28 de fevereiro, e, como o previsto, Trump notificou o Congresso em 2 de março. No sábado passado, o presidente voltou a enviar carta aos líderes da Câmara e do Senado, informando que o cessar-fogo de 7 de abril foi prorrogado por tempo indeterminado, encerrando, portanto, as hostilidades iniciadas em 28 de fevereiro.
Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e chefe das Forças Armadas dos EUA, general Dan Caine, comparecem em audiência do Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Deputados norte-americana no Capitólio, em Washington, D.C., em 29 de abril de 2026.
REUTERS/Kylie Cooper
Ou seja, tecnicamente, de acordo com Trump, os EUA não estão em guerra. Além disso, o presidente faz questão de qualificar a lei como inconstitucional e alegar que outros presidentes também foram além de seus limites:
“Estamos sempre em contato com o Congresso. Só que ninguém nunca buscou isso antes, ninguém nunca pediu isso antes, nunca foi usado. Por que deveríamos ser diferentes?”
O presidente tem razão: o Congresso nunca teve êxito para encerrar uma guerra invocando a Resolução sobre Poderes de Guerra. Antecessores de Trump encontraram formas de dar continuidade a ações militares além do prazo estabelecido de 60 dias.
Trump, de certa forma, imita Barack Obama, que em 2011 alegou que não precisava da aprovação do Congresso para prosseguir com ataques aéreos na Líbia após dois meses. O argumento era que a ação não envolvia tropas terrestres americanas e, por isso, não atingiam o nível de guerra.
Em 1999, Bill Clinton manteve a campanha militar em Kosovo sem autorização do Congresso, alegando que o Legislativo havia aprovado o seu financiamento.
O Judiciário não se pronunciou sobre o tema. O atual Congresso parece, até agora, seguir à risca a determinação de Trump. Embora alguns republicanos discordem sobre a legalidade da guerra no Irã, ainda não formalizaram o desafio ao presidente.

‘Tudo piorou’: iranianos temem regime fortalecido e mais vingativo após a guerra com os EUA

Irã diz que impediu navios americanos de entrar em Ormuz
Eles continuam lá, por toda parte. Nas ruas, nas estradas e na televisão. Os rostos de líderes assassinados e dos novos governantes dominam o espaço público. Protestos vieram e se foram. Houve uma guerra, seguida de um cessar-fogo.
Ainda assim, o regime da República Islâmica do Irã permaneceu.
Na verdade, segundo os iranianos ouvidos pela BBC News dentro do país, o regime não apenas resistiu como se consolidou. E age em clima de vingança.
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Sana e Diako — nomes fictícios — formam um jovem casal que vive em Teerã, capital do Irã. São de classe média, instruídos e defendem o fim de um regime religioso autoritário.
Para contar a história deles, a reportagem omite detalhes que poderiam revelar quem são e como vivem. Isso porque essas informações podem ser usadas pelo regime para rastrear quem ousa falar abertamente com a imprensa estrangeira.
Um jornalista que auxilia a BBC News no Irã encontrou Sana e Diako perto de um parque onde famílias passeavam com seus filhos, aproveitando o período de cessar-fogo. Diako diz querer acreditar que a vida vai melhorar. "As coisas vão mudar", afirma. "Já mudaram." Sana ri ao ouvir isso.
"Mudaram?", questiona. "Caiu nas mãos da Guarda Revolucionária. O país está um caos". Sana diz que seus sentimentos mudaram desde que os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã.
"No começo, eu não queria que a guerra acontecesse… [Mas], no meio do conflito, enquanto eles miravam em figuras-chave, eu fiquei genuinamente feliz com cada uma das mortes."
Mas, à medida que a guerra se arrastava, Sana percebeu, assim como a Casa Branca sob o governo Donald Trump, que a morte do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, e de outras figuras importantes não levaria a um regime mais disposto a concessões.
"Muitos deles continuam de pé. O que eu imaginei não aconteceu. Tudo piorou. E ficamos com a República Islâmica. Estou arrasada por eles terem vencido essa guerra."
É impossível medir o nível de apoio ao regime na sociedade iraniana. Há demonstrações públicas regulares de apoio organizadas por seus simpatizantes. Em contrapartida, manifestações de oposição são proibidas.
Fontes confiáveis ouvidas pela BBC News dentro do Irã relataram conversas com ativistas da oposição, advogados de direitos humanos e jornalistas independentes que apontam para um clima de apreensão. Há um temor recorrente: o de que, quando a guerra terminar, o Estado intensifique sua campanha de repressão interna.
Segundo a agência de notícias Human Rights Activists News Agency (Hrana), sediada em Washington D.C., nos EUA, mais de 53 mil pessoas foram presas durante os protestos contra o regime em janeiro, antes do início da guerra. Desde então, acredita-se que muitos outros milhares tenham sido detidos.
O número de execuções de presos políticos atingiu um patamar incomum: 21 pessoas foram enforcadas durante a guerra, sendo o maior número em um período tão curto em mais de 30 anos. Nove dos executados tinham ligação com os protestos de janeiro; dez pessoas foram condenadas por suposta associação a grupos de oposição; e duas, acusadas de espionagem.
Susan — nome fictício — é advogada e atua na defesa de detidos. Segundo ela, as condições nas prisões se tornaram muito mais duras. "Antes da guerra, o tratamento mais severo era reservado a quem liderava os protestos, portava coquetéis molotov ou estava armado. Durante a guerra, essa dureza se intensificou significativamente", diz.
O relato pessoal dela ilustra como o conflito vem dividindo algumas famílias. Seus pais apoiam abertamente o regime, e ela teme que possam ser alvo caso o governo seja derrubado. Ao compartilhar essa preocupação com o irmão, contrário ao regime, ouviu uma resposta perturbadora: "Se eles querem ser mártires, por que negar-lhes esse direito?"
Susan diz querer o fim da guerra, mas está convencida de que pessoas como ela enfrentarão ainda mais pressão. Também teme pelo destino dos detidos. "Acho que, se a guerra acabar, o regime provavelmente vai descontar a raiva da guerra nos prisioneiros. Tenho a sensação de que estamos vivendo no limite."
Ativistas de direitos humanos relatam que quatro pessoas acusadas de ligação com o Mossad — serviço de inteligência externa de Israel — foram executadas neste ano.
Jornalistas independentes estão entre os que temem ser alvo de acusações de colaboração com os EUA ou com Israel. Também aumentaram as prisões de pessoas acusadas de enviar material a veículos estrangeiros considerados hostis pelo regime.
Um desses jornalistas — chamado aqui de Armin — disse ao colaborador da BBC News em Teerã que simplesmente relatar os fatos da guerra já pode resultar em prisão, com consequências potencialmente fatais.
"Antes, a acusação era de crime político. Agora, em contexto de guerra, reportar o conflito pode ser enquadrado como espionagem." A imputação prevê pena de morte em um Judiciário alinhado ao regime.
"Antes, tentávamos entender quantos foram afetados e o alcance dos protestos", afirma Armin. "Hoje, a prioridade é sobreviver — nós e nossas famílias."
Enquanto a família tenta dormir, Armin permanece acordado. "Fico pensando no que vem pela frente. A incerteza gera uma ansiedade constante."
Não surpreende, nesse contexto, o esvaziamento das ruas. O regime exerce controle sobre a vida e a morte.
Com reportagem adicional de Alice Doyard.

Tribunal russo bloqueia bens de bilionário do agro no país, dizem agências locais

Influenciadora brasileira diz ser alvo de xenofobia ao postar fotos com marido dos EUA: ‘Por que não acha uma mulher branca?’
Promotores calculam que só a transferência de ativos para o governo russo soma US$ 29 bilhões, o maior movimento do tipo desde as privatizações dos anos 1990.
REUTERS/Marina Lystseva
Um tribunal da Rússia determinou o bloqueio dos bens de Vadim Moshkovich, fundador bilionário da gigante agrícola Vadim Moshkovich, segundo a mídia local. A decisão inclui uma participação de 49% na empresa, avaliada em 49 bilhões de rublos (R$ 3 bilhões).
Moshkovich foi preso em março de 2025 e é acusado de desviar 30 bilhões de rublos (cerca de R$ 2 bilhões). Ele se declarou inocente.
Promotores pediram à Justiça, em 1º de maio, a apreensão dos bens. O tribunal informou que realizou nesta segunda-feira os “preparativos” para uma audiência marcada para 5 de maio.
Segundo uma fonte ouvida por agências russas, foi imposto um bloqueio cautelar sobre bens móveis e imóveis de Moshkovich, além de 100% das ações de várias empresas, incluindo a Rusagro. A decisão abrange todas as ações da companhia pertencentes ao empresário.
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Desde o início da campanha militar na Ucrânia, em 2022, o Estado russo já confiscou mais de US$ 50 bilhões em propriedades privadas, incluindo ativos de empresas estrangeiras que deixaram o país. A estimativa é de um escritório de advocacia de Moscou. Promotores calculam que só a transferência de ativos soma US$ 29 bilhões — o maior movimento do tipo desde as privatizações dos anos 1990.
A prisão de Moshkovich, que já foi deputado e construiu um dos maiores grupos agrícolas da Rússia após começar vendendo computadores no período pós-soviético, causou forte reação no meio empresarial.
Este é o caso mais relevante envolvendo um empresário russo desde a prisão, em 2018, de Ziyavudin Magomedov, fundador do grupo Summa, e da detenção domiciliar, em 2014, de Vladimir Yevtushenkov, acionista do AFK Sistema.
A Rusagro, única grande empresa agrícola russa listada em bolsa, afirmou anteriormente que segue operando normalmente apesar da prisão do fundador. A companhia é uma grande produtora de açúcar, carne suína e óleos vegetais, e exporta para 23 países, incluindo China, Turquia e Irã.
A empresa não comentou o bloqueio de bens.
As ações da Rusagro caíam 1,4% nesta segunda-feira e acumulam perda de cerca de 7% desde que começaram a ser negociadas na Bolsa de Moscou, em julho do ano passado.

Irã diz que fez ‘disparos de advertência’ perto de navios de guerra dos EUA em Ormuz; SIGA

Influenciadora brasileira diz ser alvo de xenofobia ao postar fotos com marido dos EUA: ‘Por que não acha uma mulher branca?’
Irã diz que fez 'disparos de advertência' perto de navios de guerra dos EUA em Ormuz; SIGA Mais cedo, agência iraniana chegou a dizer que embarcação foi atingida por mísseis, mas depois mudou versão; já o governo dos EUA negou que seus navios tenham sido alvejados. O Irã disse nesta segunda (4) que impediu a entrada de navios de guerra dos EUA no Estreito de Ormuz; há diferentes versões no entanto sobre como foi a ação iraniana.. O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou no domingo (3) que seu Exército faria uma operação militar para ajudar navios comerciais a atravessar o estreito. O Irã ameaçou retaliar.. No final de semana, EUA e Irã trocaram versões sobre proposta para finalizar a guerra. Trump indicou que plano iraniano não seria 'aceitável', e Teerã afirmou ter recebido resposta norte-americana.. Na sexta (1º), Trump disse em carta ao Congresso dos EUA que as hostilidades contra o Irã "foram encerradas". A fala foi vista como uma manobra.

Influenciadora brasileira diz ser alvo de xenofobia ao postar fotos com marido dos EUA: ‘Por que não acha uma mulher branca?’

Influenciadora brasileira diz ser alvo de xenofobia ao postar fotos com marido dos EUA: ‘Por que não acha uma mulher branca?’
O casal Jadzia e Hansen Holland, que diz ter sido alvo de comentários xenofóbicos em suas redes sociais.
Reprodução/ Redes sociais
Uma influenciadora brasileira que vive nos Estados Unidos denunciou comentários xenofóbicos em suas redes sociais ao postar fotos com seu marido norte-americano.
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A denúncia foi feita em uma postagem publicada no domingo (3) na conta do casal, dedicada a compartilhar viagens. Nela, a brasileira Jadzia Holland e o norte-americano Hansen Holland compilaram comentários que dizem ter recebido em sua conta, todos feitos em inglês.
Entre eles, estão frases como:
"Seus filhos serão mestiços nojentos";
"Deporte-a";
"Outra garota de país de terceiro mundo venerando seu dono branco e americano";
"Por que você não conseguiu encontrar uma mulher branca americana?";
"Ele destruiu a linhagem dele";
"Espero que ela não engravide porque eu odeio crianças interraciais";
"Saia fora, terceiromundista. Você nunca será tão bonita como qualquer europeia";
"Casar com uma branca é absolutamente a melhor decisão".
Nas redes, o casal, que vive no estado do Utah, disse que costuma receber os comentários com frequência.
"Esses comentários não nos afetam, mas ainda é louco que as pessoas se sintam confortáveis ​​em dizer coisas como essa, e sabemos que não somos os únicos que os recebem", diz uma postagem na conta dos influenciadores.
Influenciadora brasileira diz ser alvo de xenofobia ao postar fotos com marido dos EUA
Reprodução/Instagram
Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos não têm uma lei que criminalize especificamente a xenofobia. Mas ataques do tipo contra estrangeiros podem ser enquadrados como crime de ódio.
Procurada pelo g1, a brasileira ainda não havia informado, até a última atualização desta reportagem, se pretendia denunciar os ataques.
Brasileiras vítimas de xenofobia na Europa expõem crime nas redes