O ‘sonho mexicano’: americanas se mudam para o país vizinho para viver com maridos deportados

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Após a deportação de Alejandro Pérez, sua esposa Janie e suas duas filhas, Luna e Lexie, foram morar com ele no México
GENTILEZA JANIE PÉREZ
Janie Hughes Pérez estranhou quando seu marido ligou poucos minutos depois de ter saído de casa para o trabalho. E, com a linha telefônica aberta, ela ouviu que a polícia migratória o estava prendendo.
Naquele momento, ela entendeu que sua vida mudaria para sempre. Mas o que ela não imaginava é que acabaria indo morar no México, com seu marido e suas duas filhas pequenas.
"Não há nada mais importante do que ficarmos juntos", disse ela, cidadã americana que não fala espanhol, mesmo com as dificuldades enfrentadas para começar do zero em um país desconhecido.
Esse tipo de decisão vem atingindo as famílias com status migratório misto (um cônjuge americano e o outro, imigrante sem documentos), desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aumentou as detenções e deportações de cidadãos estrangeiros em situação irregular nos Estados Unidos, no início do seu segundo mandato presidencial, em janeiro de 2025.
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Outros casais, como Raegan Klein e Alfredo Linares, preferiram ir morar voluntariamente no outro lado da fronteira para evitar o risco de deportação.
"Se acontecesse algo com ele, eu nunca poderia me perdoar", disse Klein de Puerto Vallarta, no litoral oeste do México.
A BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) traçou a história dessas duas cidadãs americanas que, ao lado dos maridos, estão iniciando uma nova etapa de suas vidas em território mexicano.
O casal Pérez no dia do casamento, no Estado americano do Missouri.
Gentileza Janie Hughes
'Tinha lágrimas de felicidade quando voltei a vê-lo'
Alejandro Pérez saiu de casa às 6h30 para ir ao trabalho, no dia 23 de outubro do ano passado.
Ele se despediu da esposa, Janie, das duas filhas pequenas, Luna e Lexie, e saiu pela porta.
O que a família não sabia é que aquele momento seria a última vez em que ele pisaria no seu lar em St. Louis, no Estado americano do Missouri.
Cerca de 15 minutos depois, Janie Pérez recebeu uma ligação telefônica do marido, dizendo: "Acho que o ICE está aqui." Ele se referia aos agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, na sigla em inglês.
'Caí de joelhos no chão, chorando sem parar', conta a norte-americana de 29 anos
GENTILEZA JANIE PÉREZ
"Nos pusemos a rezar", conta Janie, até que o fizeram sair do carro.
Naquele momento, ela ouviu um agente dizendo: "Alejandro Pérez, temos uma ordem de prisão contra você". A ligação, então, foi cortada.
"Caí de joelhos no chão, chorando sem parar", conta a americana de 29 anos.
Pérez é cozinheiro e, naquela noite, ele iria preparar tacos para o pastor da igreja presbiteriana que ambos frequentavam há anos. Mas o jantar precisou ser suspenso assim que se tomou conhecimento da prisão.
Por não ter documentos, ambos sabiam que o cenário mais provável era a deportação para o México. E foi o que aconteceu.
A ideia de separar sua família, para Janie Pérez, era "simplesmente inconcebível", nem que ela precisasse deixar para trás sua vida em Missouri e começar uma nova em um país totalmente desconhecido para ela.
"Não há nada mais importante do que estarmos juntos", disse ela à BBC.
Para os Pérez, a religião é uma parte fundamental do seu relacionamento, desde que eles se conheceram em 2019. Eles trabalhavam no mesmo café, onde ele cozinhava e ela era garçonete.
"Ele também é um homem de fé e isso foi muito importante para mim", conta Janie.
Com o passar do tempo, eles decidiram se casar. E, como ele não tinha documentos, foram consultar um advogado para tentar regularizar sua situação.
Os trâmites não deram resultado. E, mesmo sabendo que ele corria o risco de ser preso, o casal tentou seguir com sua vida da forma mais normal possível.
Assim foi até o dia em que tudo caiu e ele foi detido pelos agentes do ICE.
Dali em diante, ficou claro que a próxima parada do seu marido seria o México. Mas quanto tempo ele passaria detido à espera da deportação?
Enquanto aguardavam a decisão do juiz, ela o surpreendeu em um domingo e foi vê-lo no centro de detenção.
"Como não podíamos nos tocar, colocamos as mãos frente a frente, separados por um vidro", conta ela. "E choramos juntos."
Janie Pérez também teve a oportunidade de vê-lo à distância durante suas audiências judiciais, com as mãos e os pés algemados e correntes na cintura. "Era doloroso vê-lo assim", lamenta ela.
Mas era o que determina a lei, já que Pérez entrou nos Estados Unidos sem documentos. Pergunto, então, por que o país deveria permitir que ele ficasse, se a legislação é clara a esse respeito.
Janie Pérez conta que seu marido nasceu em Michoacán, um dos Estados mexicanos onde as organizações criminosas mantêm seu centro de operações e recrutam, sob ameaça, crianças e jovens para trabalhar com elas.
Alejandro Pérez cruzou a fronteira pela primeira vez ao lado do seu pai, quando tinha cerca de sete anos. Eles voltaram para o seu país, mas, alguns anos depois, ele tentou a sorte viajando para os Estados Unidos sem autorização em duas oportunidades.
Ao todo, ele viveu cerca de 16 anos como imigrante sem documentos.
"Embora tenha cruzado a fronteira sem autorização, acho que ele tomou uma decisão moralmente correta ao viajar para os Estados Unidos", defende sua esposa. Afinal, ele buscava oportunidades e queria viver longe das organizações criminosas.
"Todos esses anos, ele se dedicou a trabalhar e não tem antecedentes penais", afirma ela.
Ainda assim, destaco a ela que as decisões da Justiça não fazem esse tipo de distinção moral.
"Infelizmente, não", responde ela.
Mas o que está acontecendo agora, com as detenções em massa, é que, segundo ela, eles não diferenciam pessoas acusadas de crimes violentos de outras que nunca fizeram nada para ninguém.
"Isso me faz pensar que muitos desejam que este seja um país apenas de brancos", segundo Janie Pérez. "Eu sou branca e isso não faz de mim uma pessoa melhor."
A entrevista ocorreu no início de março, quando a expulsão do seu marido era iminente. A expectativa se confirmou e ele foi deportado em 11 de março.
Poucos dias depois, ela viajou para o México com suas duas filhas.
"Eu tinha lágrimas de felicidade quando voltei a vê-lo no aeroporto", disse a americana, em uma chamada de vídeo ao lado do marido, do Estado mexicano de Querétaro, na região central do país.
Com ele, aconteceu o mesmo. Quando viu sua filha de três anos, Luna, se aproximando para abraçá-lo, sentiu uma profunda emoção. "Não é possível explicar com palavras", segundo ele.
Mas essa felicidade foi acompanhada de momentos muito difíceis.
Alejandro Pérez conta que, às vezes, se sente confuso. Ele acorda no meio da noite, olha em volta e se pergunta se aquilo tudo é verdade.
Pérez ainda não sabe como conseguirá se adaptar a um país que, às vezes, parece estranho para ele.
"Até agora, ainda acho que tudo isso é um sonho. Mas acredito em Deus e sei que ele fez isso com um propósito."
Política migratória mais agressiva
Mesmo com o vínculo conjugal, os estrangeiros sem documentos enfrentam dificuldades para conseguir a residência permanente (o green card) por casamento, diferentemente dos estrangeiros que entraram no país de forma regular.
Uma carta assinada em novembro de 2023 pelo então diretor do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (Uscis, na sigla em inglês) indica que cerca de 1,1 milhão de cidadãos americanos são casados com pessoas sem documentos.
Essa é a estimativa oficial mais empregada atualmente, devido à ausência de dados mais recentes. E o mesmo acontece com o número total de imigrantes que moram nos Estados Unidos sem autorização.
As últimas projeções do centro de estudos Pew Research Center, com dados de julho de 2023, indicam que há cerca de 14 milhões de pessoas nessa situação. O número representa cerca de 4% de toda a população americana.
Agentes do ICE vêm realizando batidas em diferentes partes do país, em busca de imigrantes sem documentos, para enviá-los aos centros de detenção
GETTY IMAGES/Reprodução
O centro de estudos indica que é provável que, atualmente, a população de imigrantes não autorizados seja menor, devido às políticas migratórias do governo americano.
A Casa Branca lançou uma ofensiva para frear o que considera uma "invasão".
Sua prioridade é "expulsar os piores dentre os piores estrangeiros ilegais com antecedentes penais", segundo uma declaração publicada em dezembro pelo Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês).
O presidente Trump vem repetindo a mesma afirmação incontáveis vezes. Mas, na prática, muitos dos deportados que entraram sem autorização nos Estados Unidos possuem ficha limpa.
Uma pesquisa realizada pelo centro de estudos conservador Instituto Cato revelou que apenas 5% das pessoas detidas pelo ICE foram condenadas por delitos violentos, enquanto a grande maioria não tem nenhum tipo de antecedentes penais.
O churrasco tradicional japonês ficou para trás
Raegan Klein e Alfredo Linares, na sua barraca de comida de rua em Los Angeles, no Estado americano da Califórnia
RAEGAN KLEIN/Reprodução
A história da americana Raegan Klein e do mexicano Alfredo Linares é muito diferente do casal Pérez em Missouri.
Eles ficaram fascinados quando abriram uma barraca de comida de rua em Los Angeles, no Estado americano da Califórnia.
Linares entrou sem autorização nos Estados Unidos aos 17 anos e ficou mais de duas décadas no país. Ele fez carreira e se tornou chef de um restaurante de alta gastronomia.
Ele e sua esposa imaginaram que seria uma boa ideia abrir uma barraca de churrasco tradicional japonês. Eles conseguiram financiamento e se aventuraram com seu próprio negócio.
Mas o sonho se desfez na metade do caminho.
Klein receava que os agentes do ICE detivessem seu marido e o convenceu para que ambos fossem voluntariamente para o México.
"Se acontecesse algo com ele, eu nunca poderia me perdoar", conta Klein desde Puerto Vallarta, no México, onde eles moram atualmente. "Eu fui a instigadora."
Para Linares, abandonar os Estados Unidos, um país que havia se tornado seu lar, foi muito difícil. Tanto que ele compartilhou nas redes sociais um vídeo se despedindo da Califórnia em lágrimas.
Klein e Linares vivem agora em Puerto Vallarta, no litoral mexicano no Oceano Pacífico.
Gentileza Raegan Klein
"Hoje é o meu último dia aqui nos Estados Unidos", disse ele. "Depois de 20 anos, é hora de partir."
O casal vive no México há cerca de um ano e conta que a experiência tem sido um grande desafio.
Linares é mexicano, mas se sente como um estrangeiro no país que deixou para trás quando era adolescente. O retorno foi mais difícil do que eles haviam imaginado e, atualmente, o casal continua enfrentando dificuldades para conseguir emprego.
Eles se arrependeram muitas vezes da decisão que tomaram, pois não conseguiram gerar uma fonte de renda permanente. Mas Klein continua convencida de que era preciso deixar os Estados Unidos.
Linares conta que, mesmo trabalhando como chef independente, oferecendo jantares para grupos pequenos, sua renda não é suficiente. E Klein, que não fala espanhol, enfrenta problemas para conseguir trabalho remoto.
Apesar das dificuldades, eles não se dão por vencidos e seu objetivo é muito claro: abrir um restaurante em Puerto Vallarta. O que falta para eles é o investimento inicial.
"Estamos procurando um investidor", conta Klein.
Conseguir financiamento será o início do que eles poderiam chamar de "o sonho mexicano". Afinal, o outro — o "sonho americano" — já ficou para trás.

Vida de ativista vencedora do Nobel da Paz está nas mãos do governo iraniano, diz comitê do prêmio

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Iraniana vencedora do Nobel da Paz perde 19 kg na prisão e tem tratamento médico negado
A vida da ativista iraniana Narges Mohammadi, de 53 anos, vencedora do Nobel da Paz em 2023, está "nas mãos das autoridades iranianas", afirmou, neste sábado (2), o comitê do prêmio. Segundo o grupo, a saúde dela estaria seriamente deteriorada.
Mohammadi apresentou um quadro de saúde instável nesta manhã, um dia após ser transferida da prisão a um hospital de Zanjan, no noroeste do Irã. Segundo comunicado da Fundação Narges, ela depende de suporte de oxigênio e tem pressão arterial instável.
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A organização cita "uma deterioração catastrófica de sua saúde, incluindo dois episódios de perda total de consciência e uma grave crise cardíaca". Médicos e a família da ativista continuam pedindo a autoridades locais o acesso a um hospital na capital, Teerã, e a soltura da ativista.
Até a última atualização desta reportagem, nenhuma das solicitações havia sido atendida.
"Sua família, que há semanas vem lutando por sua transferência para instalações adequadas, descreveu a transferência como uma ação desesperada, de 'última hora', que pode ser tarde demais para atender às suas necessidades críticas."
Segundo uma nota divulgada pela própria organização na quarta-feira (29), a ativista, que foi detida em dezembro de 2025 após ter feito críticas ao governo local, tem problemas cardíacos e corre risco após meses sem acesso a um tratamento médico adequado.
Ganhadora do prêmio por sua atuação contra a pena de morte e em favor dos direitos das mulheres no Irã, a Mohammadi passou por três angioplastias ao longo dos últimos anos. Em março, teve um ataque cardíaco.
O comunicado da Fundação Narges afirmou ainda que a iraniana, condenada a 7,5 anos de prisão, perdeu mais de 19 quilos e sente dores constantes no peito. Advogados que visitaram a ativista em 28 de abril disseram que o estado de saúde dela chegou a um ponto crítico, com pressão arterial "em níveis perigosos". O uso de medicamentos não teria sido suficiente para reverter o quadro.
Ainda de acordo com a organização, autoridades iranianas inicialmente se recusaram a suspender temporariamente a pena para permitir atendimento cardíaco especializado, apesar de recomendações médicas. O irmão da ativista, Hamidreza Mohammadi, afirmou:
"Todos os dias acordo com medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não conseguem descrever a devastação que nossa família está sentindo. Isso não é mais apenas prisão, é uma morte em câmera lenta".
A Fundação Narges, então, pediu à comunidade internacional, à Organização das Nações Unidas (ONU) e a entidades de direitos humanos que pressionassem o Irã pela transferência imediata a uma unidade de saúde especializada, além da libertação de Mohammadi e de outros presos.
Infarto e prisão
Quem é Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel da Paz de 2023
O estado de saúde da ativista se agravou após uma crise cardíaca grave em 24 de março. Mohammadi teve dores no peito, perdeu a consciência e recebeu atendimento apenas na enfermaria da prisão, segundo familiares.
Mohammadi foi presa novamente em dezembro de 2025 após críticas ao governo iraniano. Em fevereiro deste ano, recebeu uma nova condenação que ampliou a pena em 7,5 anos.
Transferida para a prisão central de Zanjan, no norte do país, ela enfrenta condições consideradas severas por organizações de direitos humanos.
Narges Mohammadi
Reuters
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Coreia do Sul tem ‘Concurso de Soneca’ para estimular o sono em um país sobrecarregado de trabalho

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Centenas de jovens de Seul, na Coreia do Sul, compareceram a um parque às margens do Rio Han neste sábado (02) para tentar fazer algo que muitos sul-coreanos sobrecarregados de trabalho nunca conseguem fazer o suficiente: dormir.
Participantes tiram uma soneca durante a competição em Seul.
Ahn Young-joon/AP
"Concurso de soneca" é promovido pelo Governo Metropolitano de Seul para estimular o sono.
Ahn Young-joon/AP
O evento anual de primavera – apelidado de "Concurso de cochilo revigorante", ou simplesmente "Concurso de soneca" – é promovido pelo Governo Metropolitano de Seul e está em sua terceira edição. Dessa vez, foram estabelecidos novos requisitos de admissão dos participantes: usar roupas que lembrem uma bela adormecida ou um príncipe, vir cansado e de barriga cheia.
Uma participante vestida de Branca de Neve tira uma soneca.
Ahn Young-joon/AP
Dados mostram que a Coreia do Sul é uma das nações mais sobrecarregadas de trabalho.
Ahn Young-joon/AP
Para uma metrópole famosa por funcionar 24 horas por dia em shoppings, pela competitividade acirrada e pelos cafés americanos gelados, o cansaço latente no gramado era visível.
"Entre a preparação para os exames e os trabalhos de meio período, sobrevivo com três ou quatro horas de sono por noite, compensando com cochilos na mesa durante o dia", disse Park Jun-seok, um estudante universitário de 20 anos, que apareceu envolto nas vestes de seda carmesim de um monarca da Dinastia Joseon.
Perto dali, Yoo Mi-yeon, de 24 anos, professora de inglês de Ilsan, ao norte de Seul, chamava a atenção com um macacão de pelúcia grande e felpudo com estampa de coala.
"Sempre sofri de insônia, tenho dificuldade para pegar no sono e acordo com facilidade", disse ela. "Os coalas são famosos por seu sono profundo. Vim vestida como um, na esperança de absorver um pouco da sua magia."
Estar fantasiado era um dos requisitos para participar do concurso.
Ahn Young-joon/AP
Assim que o relógio bateu três horas e as máscaras para os olhos foram distribuídas por todo o parque, os funcionários passaram circulando para medir a frequência cardíaca dos participantes, a fim de garantir que tivessem uma leitura estável – um indicador de sono profundo e tranquilo.
O vencedor do concurso foi um homem na casa dos 80 anos. Hwang Du-seong, um funcionário de escritório de 37 anos, ficou em segundo lugar.
"Eu estava completamente exausta, pois fazia turnos noturnos com frequência, além de ir trabalhar todos os dias e dirigir muito a trabalho. Então, quando vi o concurso, estava determinada a dormir para recarregar as energias completamente em meio à brisa do rio, e estou muito feliz por ter ficado em segundo lugar, por sorte."
A inscrição no cartaz diz: "Não me acorde a menos que seja um príncipe."
Ahn Young-joon/AP
A competição de sono evidencia um problema crônico para os sul-coreanos. Dados mostram que a Coreia do Sul é uma das nações mais sobrecarregadas de trabalho e privadas de sono entre os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e, como consequência, as pessoas dormem menos horas do que qualquer outra população.

Como são as ‘prisões para obesos’ da China: pesagem duas vezes por dia, exercícios intensos e lanches proibidos

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Os instrutores impedem que os participantes do acampamento tragam alimentos não saudáveis às escondidas, segundo TL Huang
TL Huang via BBC
Circulam nas redes sociais vídeos que mostram pessoas fazendo exercícios em um grande ginásio, formando fila para a refeição e dormindo em dormitórios com diversas camas.
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Este novo centro de emagrecimento não é um spa luxuoso, mas, sim, um acampamento militar para perder peso na China.
Descritos por alguns como "prisões de obesos", os acampamentos proíbem rigorosamente que as pessoas comam entre os horários das refeições e exigem duas visitas obrigatórias à balança, todos os dias.
Segundo a imprensa chinesa, existem cerca de mil acampamentos deste tipo em todo o país.
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A China também sofre com a crise mundial de obesidade. E, por US$ 600 (cerca de R$ 3 mil), é possível reservar uma estadia de um mês com alojamento, alimentação e sessões diárias de exercícios.
A criadora de conteúdo TL Huang publicou sua experiência no Instagram.
Ela declarou ao podcast What in the World, do Serviço Mundial da BBC, que "com certeza, se sentiu em uma prisão".
Huang não saiu do recinto por 28 dias e precisou controlar o peso.
"Nossos treinadores ficavam ali para nos supervisionar, para garantir que não ingeríssemos comida não saudável às escondidas e que assistíssemos a todas as aulas", ela conta.
"Eles não permitiam que faltássemos às aulas, nem que abandonássemos o acampamento, sem um motivo justificado."
Huang afirma que o acampamento, para ela, foi eficaz. Mas os especialistas em nutrição alertam que métodos extremos trazem graves riscos físicos e psicológicos.
"Alguns acampamentos estariam buscando perdas de peso de um quilo por dia. Isso supera em muito o limite considerado seguro, até mesmo para adultos sob supervisão médica", segundo o nutricionista e personal trainer Luke Hanna, morador de Londres, no Reino Unido.
Mas como funcionam estes acampamentos e por que eles se tornaram tão populares?
'Hora de promover mudanças'
Huang conta que ficou sabendo dos acampamentos por meio da sua mãe, que é chinesa.
A jovem afirma que se sentiu "muito mal" depois de viajar sozinha pela China. Ela perdeu sua rotina e fazia muitos pedidos de refeições por delivery. E, em três anos, havia engordado cerca de 20 kg, segundo ela própria.
Tudo isso gerava comentários dos seus familiares, que fizeram com que ela sentisse que "estava na hora de promover mudanças".
"Eles me deixavam com vergonha do meu peso", relembra Huang. "Mas, ao mesmo tempo, imagino que queriam me ajudar."
Comparecer ao acampamento foi um "enorme choque cultural". Mas ela conta que havia uma forte camaradagem entre os participantes, unidos pelo desejo de perder peso juntos.
Os dias começavam às 7h30 da manhã com a pesagem.
Eram quatro horas de exercícios, com aulas de spinning (sessões de alta intensidade em bicicletas ergométricas), trampolim, treinamento intervalado de alta intensidade (HIIT, na sigla em inglês — um treinamento de força e resistência, que combina exercícios aeróbicos e anaeróbicos), Tabata (uma forma mais intensa de HIIT) e levantamento de pesos.
Nesses acampamentos, é preciso fazer quatro horas de exercício todos os dias, conta TL Huang
TL Huang via BBC
O café da manhã podia consistir de quatro ovos cozidos, meio tomate e duas rodelas de pepino.
Huang apresenta seu almoço em um vídeo. Era composto por camarão, verduras no vapor e tofu ou peixe no vapor, salsão, verduras no vapor e couve-flor.
As refeições eram "boas, equilibradas e projetadas para imitar a comida chinesa do dia a dia".
Os participantes deveriam comparecer a uma aula de spinning de uma hora depois do jantar, antes da segunda pesagem às 19h30. Em seguida, eles podiam tomar banho e descansar.
Huang conta que o regime, para ela, pareceu "uma grande novidade" na primeira semana, mas depois percebeu que era preciso mantê-lo por mais três semanas. E enviar mensagens aos seus amigos a ajudou a seguir adiante.
Mesmo descrevendo as instalações como sendo parecidas com uma prisão, Huang acredita que a experiência valeu a pena. Ela perdeu 6 kg em 28 dias.
"Aquilo me fez reiniciar completamente e forneceu a estrutura de que eu precisava", segundo ela.
'Pode prejudicar o desenvolvimento normal'
Mas os especialistas recomendam cautela. O enfoque dos acampamentos é especialmente preocupante.
Quando perdemos peso, perdemos tanto massa muscular quanto gordura, segundo Luke Hanna.
Por isso, se empregarmos métodos extremos, como o exercício excessivo, aumentam as chances de perdermos massa muscular — o que é especialmente problemático, no caso de jovens e crianças.
"Também é possível que isso prejudique o desenvolvimento normal, o que pode afetar a estatura final e a saúde dos ossos", explica ele.
Poderiam ainda surgir problemas psicológicos, o que aumenta significativamente o risco de desenvolvimento de transtornos alimentares.
Os regimes extremos de emagrecimento, muitas vezes, não abordam as causas fundamentais do aumento de peso
Getty Images via BBC
"Algumas pessoas perdem muito peso, o que pode parecer atraente, mas muitas o recuperam rapidamente quando retornam à sua vida normal, por não terem abordado as causas ou problemas subjacentes", destaca Hanna.
O NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, recomenda perda de peso gradual, entre 500 g e 1 kg.
Hanna aconselha às pessoas concentrar-se em mudanças graduais de hábitos no seu cotidiano, comendo alimentos nutritivos regularmente, ingerindo proteína em quantidade suficiente e fazendo exercício por prazer, não como castigo.
Em um vídeo posterior no Instagram, TL Huang comenta que o mais difícil foi voltar para casa, pois seu corpo não reconhecia mais a sensação de comer "normalmente".
Uma dieta saudável deveria incluir pelo menos cinco porções de frutas e verduras por dia, além de 150 minutos de exercícios por semana.
Beber água em vez de refrescos açucarados e reduzir o consumo de alimentos ricos em gordura e açúcar também pode trazer benefícios.
Discriminação
Os acampamentos de emagrecimento se popularizaram na China no início da década de 2000, quando um programa de TV mostrou o funcionamento interno destas organizações, segundo a jornalista Wanqing Zhang, da unidade Global China da BBC.
Os treinadores destes programas decidiram abrir seus próprios acampamentos. Mas o verdadeiro auge veio nos últimos 10 anos, com as redes sociais.
"Se você navegar pelas redes sociais chinesas, irá encontrar muito conteúdo publicado, tanto pelos organizadores dos acampamentos, quanto pelos próprios participantes", conta Zhang.
Os acampamentos podem variar dos comuns e rigorosos, como o centro onde esteve Huang, até opções extremas, como locais com câmeras de vigilância fora dos dormitórios, para evitar que as pessoas tentem pedir comida por delivery, explica Zhang.
No outro extremo, existem os "retiros de luxo, onde você pode correr em uma esteira com vista para um belo lago".
A principal motivação da iniciativa é o aumento cada vez maior da obesidade em todo o mundo.
Em cerca de dois terços dos países, mais de 50% dos adultos têm obesidade ou sobrepeso. E as autoridades sanitárias chinesas calculam que 34% dos adultos do país tenham sobrepeso e 16% sejam obesos.
Existe também um problema cultural, segundo Zhang.
"A China é um país com aceitação e tolerância relativamente baixa, em relação à diversidade de peso. Isso significa que, se você tiver sobrepeso, provavelmente sofrerá maiores discriminações no trabalho ou nas suas relações sentimentais."
Os carboidratos refinados presentes no arroz, no macarrão e nas tradicionais guiozas (bolinhos de massa que podem ser recheados) são um problema constante.
Outra questão é que, não só na China mas em todo o mundo, as pessoas passam o tempo livre em casa usando celulares e tablets, em vez de saírem ao ar livre.
Agora, a conta de Huang no Instagram mostra que a jovem está na Tailândia, participando de outro desafio de perda de peso por 30 dias, que inclui exercícios por duas horas diárias, sob calor extremo.

Presidente de Cuba responde às ameaças de Trump sobre ‘assumir’ a ilha: ‘não encontrará rendição’

Presidente de Cuba responde às ameaças de Trump sobre ‘assumir’ a ilha: ‘não encontrará rendição’
A barganha entre EUA e Cuba por Guantánamo
O presidente cubano Miguel Díaz-Canel Bermúdez respondeu a uma fala de Donald Trump sobre "assumir" Cuba.
"Nenhum agressor, por poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba. Tropeçará com um povo decidido a defender a soberania e a independência em cada palmo do território nacional", escreveu em uma publicação no X.
Miguel escreveu que "o presidente dos EUA eleva suas ameaças de agressão militar contra Cuba a uma escala perigosa e sem precedentes".
O presidente cubano instou a comunidade internacional a se posicionar sobre a fala de Trump.
"A comunidade internacional deve tomar nota e, junto ao povo dos EUA, determinar se se permitirá um ato criminoso tão drástico para satisfazer os interesses de um grupo pequeno, mas rico e influente, com ânsias de vingança e dominação", disse.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em 16 de janeiro de 2026
REUTERS/Norlys Perez
Entenda o contexto
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que o país poderia “assumir” Cuba “quase imediatamente” após o fim da guerra contra o Irã. A declaração foi feita durante um evento na Flórida.
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Ao comentar sobre a origem de uma das pessoas presentes no evento, Trump fez referência a Cuba e disse que o país seria alvo de uma ação rápida dos EUA.
“E ele [convidado] vem originalmente de um lugar chamado Cuba, que nós vamos assumir quase imediatamente”, disse.
Na sequência, Trump afirmou que, na “volta do Irã”, os Estados Unidos poderiam enviar um porta-aviões, como o USS Abraham Lincoln, para se posicionar próximo à costa cubana.
“Cuba tem problemas. Vamos terminar uma coisa primeiro. Gosto de terminar um trabalho”, afirmou.
“Vamos parar a cerca de 100 jardas [91 metros] da costa, e eles vão dizer: ‘Muito obrigado. Nós nos rendemos’”, disse.
Trump não deu detalhes sobre o que quis dizer nem indicou se a fala representa um plano concreto. A plateia riu do comentário do presidente. A Associated Press noticiou o caso afirmando que o norte-americano estava fazendo uma piada.
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Sanções
O presidente Donald Trump durante evento na Flórida em 1º de maio de 2026
REUTERS/Nathan Howard
As declarações de Trump foram feitas no mesmo dia em que os Estados Unidos ampliaram a pressão sobre Cuba com novas sanções. A ilha vem enfrentando problemas econômicos e energéticos desde que Washington impôs, em janeiro, um bloqueio ao envio de petróleo.
Nesta sexta-feira, o presidente assinou um decreto que endurece medidas contra a ilha, com foco em bancos estrangeiros que mantêm relações com Havana e em setores estratégicos da economia, como energia e mineração.
Trump voltou a classificar Cuba como uma “ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos.
As sanções se somam ao embargo econômico em vigor desde 1962 e a medidas mais recentes, como restrições ao fornecimento de petróleo ao país.
O anúncio coincide com o Dia do Trabalhador, quando o governo cubano convocou manifestações em Havana e em outras cidades sob o lema de defesa da soberania nacional.
Autoridades cubanas reagiram às medidas. O chanceler Bruno Rodríguez afirmou que os Estados Unidos adotam “medidas coercitivas unilaterais ilegais e abusivas”.
Apesar da escalada de tensão, os dois países tem mantidos canais diplomáticos abertos. Em abril, representantes dos dois governos se reuniram em Havana.
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