‘Iguarias banhadas em sangue’: caçadores de trufas arriscam a vida em meio a minas terrestres na Síria

Narges Mohammadi, iraniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, tem quadro instável após internação
Caçadores de trufas arriscam a vida em meio a minas terrestres na Síria
Na Síria, a caça de trufas pode render dinheiro — mas também pode custar vidas.
Conhecidas no país como a “iguaria banhada em sangue”, as trufas podem ser vendidas por até US$ 50 o quilo e se tornaram uma das poucas formas de sobrevivência para moradores da região de Deir El-Zour, no nordeste sírio.
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Caçadores na Síria se arriscam apra encontrar trufas em meio a minas terrestres
Reprodução/DW
Diante de uma paz ainda frágil, os caçadores enfrentam ataques de grupos armados, como o Estado Islâmico. Mas o maior risco continua sendo o das minas terrestres espalhadas pelo território após anos de guerra.
"A gente vê as minas com os nossos próprios olhos. Ou seja, andamos e recolhemos trufas em meio a minas espalhadas pelo chão. Mas fazer o quê? Uma mina explodiu a nossa caminhonete. Agora o meu braço está quebrado e as minhas costas, cheias de estilhaços", contou o caçador de trufas Hassan Al-Daham Al-Hassan.
Outro caçador, Hamza Al-Mohammad, também ficou gravemente ferido após a explosão de uma mina terrestre. Segundo ele, não havia nenhum aviso sobre o perigo na área.
"Onde eu estava coletando trufas não tinha nenhum aviso,ninguém nos disse para não nos aproximarmos daquela área. Espero que o governo encontre uma solução para esse problema das minas terrestres, porque todos os dias há explosões que atingem pessoas. Isso virou um desastre", disse Hamza.
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Proposta do Irã rejeitada por Trump previa liberar Estreito de Ormuz e adiar debate nuclear

Narges Mohammadi, iraniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, tem quadro instável após internação
Para cumprir formalidade com o congresso, Trump diz que "hostilidades" com o Irã foram encerradas
A proposta apresentada pelo Irã e rejeitada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previa reabrir o tráfego comercial no Estreito de Ormuz e encerrar o bloqueio naval à região. Segundo informou uma alta autoridade iraniana neste sábado (2), o plano sugeria o fim das hostilidades imediatas, deixando as discussões sobre o programa nuclear para uma etapa posterior.
Em resumo, o plano estabelecia que:
a guerra terminaria com garantias de que Israel e EUA não atacariam o país novamente;
o Irã abriria o Estreito de Ormuz imediatamente;
os Estados Unidos encerrariam o bloqueio aos portos iranianos;
as discussões sobre restrições ao programa nuclear seriam realizadas em uma fase posterior, em troca do fim das sanções econômicas.
O impasse diplomático ocorre quatro semanas após os Estados Unidos e Israel suspenderem uma campanha de bombardeios contra o Irã. Até o momento, não houve acordo para encerrar o conflito que já provocou a maior interrupção na história do fornecimento global de energia.
Há mais de dois meses, o Irã bloqueia quase todo o transporte marítimo no Golfo Pérsico, permitindo apenas a circulação de suas próprias embarcações. Em represália, no mês passado, o governo americano impôs seu próprio bloqueio a navios que partem de portos iranianos.
Na sexta-feira (1º), Trump declarou a jornalistas na Casa Branca que "não está satisfeito" com a última oferta de Teerã, embora não tenha detalhado quais pontos específicos rejeita. "Eles estão pedindo coisas que eu não posso aceitar", afirmou.
Condição americana
O presidente Donald Trump caminha para falar com repórteres enquanto se prepara para embarcar no helicóptero Marine One no gramado sul da Casa Branca, na sexta-feira, 1º de maio de 2026, em Washington
Mark Schiefelbein / AP
Washington mantém a postura de que não encerrará a guerra sem um acordo que garanta que o Irã nunca obterá uma arma nuclear — o principal motivo alegado por Trump ao lançar os ataques em fevereiro. O Irã, por sua vez, reitera que seu programa nuclear tem fins pacíficos.
Sob condição de anonimato, uma autoridade iraniana afirmou à Reuters que o governo acredita que a proposta de "fatiar" o acordo — separando a crise marítima da questão nuclear — seria um passo significativo para facilitar o entendimento.
"Neste modelo, as negociações sobre a questão nuclear, que é mais complexa, seriam movidas para a etapa final para criar uma atmosfera mais favorável", explicou o oficial. O novo cronograma teria sido enviado formalmente aos Estados Unidos através de mediadores internacionais.

Por que Trump mandou retirar 5 mil soldados americanos da Alemanha

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Trump planeja retirar 5 mil soldados americanos da Alemanha
Getty Images/via BBC
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos planeja retirar 5 mil soldados americanos da Alemanha, em meio a uma disputa entre o presidente Donald Trump e o chanceler alemão Friedrich Merz sobre a guerra no Irã.
A decisão ocorre um dia depois de Trump criticar Merz.
O chanceler alemão sugeriu que os EUA foram "humilhados" pelos negociadores iranianos.
Os Estados Unidos têm uma presença militar significativa na Alemanha, com mais de 36 mil soldados da ativa alocados em bases por todo o país, segundo dados de dezembro de 2025.
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O ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, afirmou que "a presença de soldados americanos na Europa, e particularmente na Alemanha, é do nosso interesse e do interesse dos EUA".
Ao mesmo tempo, Pistorius deixou claro que a decisão dos EUA não foi uma surpresa.
O fato de os americanos retirarem tropas da Europa e também da Alemanha "era previsível", complementou ele.
Em postagens nas redes sociais na quinta-feira (30/4), Trump disse que Merz estava "fazendo um trabalho terrível" e tinha "problemas de todos os tipos", incluindo imigração e energia.
Trump também sugeriu a retirada de tropas americanas da Itália e da Espanha.
Em um comunicado, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, disse que a ordem sobre a saída de tropas americanas na Alemanha partiu do Secretário de Defesa, Pete Hegseth.
"Esta decisão segue uma revisão completa da postura das forças do Departamento na Europa e reconhece as necessidades e as condições no terreno", detalhou ele.
"Esperamos que a retirada seja concluída nos próximos seis a doze meses", concluiu Parnell.
Trump, um crítico de longa data da aliança da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), tem atacado aliados pela recusa deles em participar das operações para reabrir o estreito de Ormuz.
Questionado na quinta-feira se também consideraria retirar as tropas americanas da Itália e da Espanha, Trump respondeu: "Provavelmente sim; veja bem, por que não faria isso?"
"A Itália não nos ajudou em nada e a Espanha foi horrível", acrescentou, criticando a resposta desses países à guerra no Irã.
"Em todos os casos, disseram: 'Não quero me envolver'", complementou Trump.
Merz disse a estudantes universitários no início da semana que "os americanos claramente não têm estratégia" e que não conseguia ver "qual saída" eles poderiam escolher.
"Os iranianos são obviamente muito habilidosos em negociar, ou melhor, muito habilidosos em não negociar, deixando os americanos irem a Islamabad [no Paquistão] e depois partirem sem nenhum resultado", comentou o chanceler alemão.
Ele acrescentou que a "nação inteira", em alusão aos EUA, estava sendo "humilhada" pela liderança iraniana.
Em resposta, Trump disse na plataforma Truth Social que Merz achava "normal o Irã ter uma arma nuclear" e que "não sabe do que está falando".
"Não admira que a Alemanha esteja indo tão mal, tanto economicamente quanto em outros aspectos!", afirmava a publicação do presidente americano.
Tropas americanas fazem exercício de treinamento na Alemanha
Getty Images/via BBC
A BBC entrou em contato com a embaixada alemã em Washington para comentar o assunto, mas não recebeu respostas até a publicação dessa reportagem.
O destacamento militar dos EUA na Alemanha é de longe o maior na Europa. Na Itália, são cerca de12 mil soldados americanos, e outros 10 mil estão no Reino Unido.
Muitos deles estão na Base Aérea de Ramstein, nos arredores da cidade de Kaiserslautern, no sudoeste da Alemanha.
Trump já propôs reduções nas tropas americanas na Alemanha, mas até agora essas medidas não entraram em vigor.
Apenas o Japão abriga uma presença militar americana maior no mundo.
Em 2020, ainda no primeiro mandato de Trump, uma proposta para transferir 12 mil soldados americanos da Alemanha para outros países da Otan na Europa ou de volta para os EUA foi bloqueada pelo Congresso e foi posteriormente revertida durante a presidência de Joe Biden.
À época, Trump acusou a Alemanha de ser "inadimplente", porque os gastos militares do país estavam bem abaixo da meta da Otan, de 2% do Produto Interno Bruto (PIB).
Mas esses gastos subiram drasticamente sob o governo Merz.
A Alemanha deverá desembolsar € 105,8 bilhões (R$ 614 bi) em 2027 com defesa, algo equivalente a 3,1% do PIB do país.
No ano passado, os EUA decidiram reduzir a presença militar na Romênia, como parte do plano de Trump de mudar o foco do compromisso militar americano da Europa para a região do Indo-Pacífico.
O ministro da Defesa da Romênia disse que a decisão foi tomada depois que Hegseth transmitiu aos romenos a necessidade de prestarem mais atenção à própria defesa.
A decisão sobre a Romênia foi recebida com desaprovação por alguns dos colegas republicanos de Trump no Congresso, e com preocupação por outros países do Leste Europeu, que desconfiam das intenções da Rússia na região.
*Max Matza com reportagem de Bethany Bell

Manifestante escala ponte de Washington em protesto contra Trump, guerra no Irã e IA

Narges Mohammadi, iraniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, tem quadro instável após internação
Homem escala ponte em Washington em protesto contra a guerra
O ativista anti-guerra e anti-IA Guido Reichstadter, escalou a ponte Frederick Douglass Memorial, em Washington em protesto contra o presidente americano Donald Trump, além de se posicionar contra a guerra no Irã e contra o avanço das ferramentas de inteligência artificial.
Em uma conversa com um oficial por telefone, Reichstadter disse que o motivo do protesto era o "ataque ilegal ao Irã e a guerra em curso, e o fato de estarmos em uma crise de IA".
Ao ser questionado pelo policial sobre o que seria crise da IA, ele responde:
"Empresas de IA estão avançando em direção ao seu objetivo declarado de construir máquinas, sistemas de inteligência artificial que são mais inteligentes do que os seres humanos. Cientistas e pesquisadores importantes dizem, e até mesmo os chefes das empresas e os engenheiros que nelas trabalham dizem que isso deve representar um risco de dano existencial para a humanidade", disse.
Manifestante subiu em ponte preparado para passar a noite.
Reprodução/X
O protesto fez com que as autoridades fechassem todas as faixas da ponte. Guido Reichstadter escalou a ponte preparado para passar a noite no local, usando uma barraca.
Em 2022, ele já tinha feito um protesto semelhante contra a decisão da Suprema Corte americana que suspendeu o direito de cada estado nos Estados Unidos de legislar sobre o direito ao aborto.

Narges Mohammadi, iraniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, tem quadro instável após internação

Narges Mohammadi, iraniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, tem quadro instável após internação
Iraniana vencedora do Nobel da Paz perde 19 kg na prisão e tem tratamento médico negado
A ativista iraniana Narges Mohammadi, de 53 anos, vencedora do Nobel da Paz em 2023, apresentou um quadro de saúde instável neste sábado (2), um dia após ser transferida da prisão a um hospital de Zanjan, no noroeste do Irã. Segundo comunicado da Fundação Narges, ela depende de suporte de oxigênio e tem pressão arterial instável.
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A organização cita "uma deterioração catastrófica de sua saúde, incluindo dois episódios de perda total de consciência e uma grave crise cardíaca". Médicos e a família da ativista continuam pedindo a autoridades locais o acesso a um hospital na capital, Teerã. Até a última atualização desta reportagem, a solicitação não havia sido atendida.
"Sua família, que há semanas vem lutando por sua transferência para instalações adequadas, descreveu a transferência como uma ação desesperada, de 'última hora', que pode ser tarde demais para atender às suas necessidades críticas."
Segundo uma nota divulgada pela própria organização nesta quarta-feira (29), a ativista, que foi detida em dezembro de 2025 após ter feito críticas ao governo local e tem problemas cardíacos, corre risco de vida, após meses sem acesso a tratamento médico adequado.
Ganhadora do prêmio por sua atuação contra a pena de morte e em favor dos direitos das mulheres no Irã, a Mohammadi passou por três angioplastias ao longo dos últimos anos. Em março, teve um ataque cardíaco.
O comunicado da Fundação Narges afirmou ainda que a iraniana, condenada a 7,5 anos de prisão, perdeu mais de 19 quilos e sente dores constantes no peito. Advogados que visitaram a ativista em 28 de abril disseram que o estado de saúde dela chegou a um ponto crítico, com pressão arterial "em níveis perigosos". O uso de medicamentos não teria sido suficiente para reverter o quadro.
Ainda de acordo com a organização, autoridades iranianas inicialmente se recusaram a suspender temporariamente a pena para permitir atendimento cardíaco especializado, apesar de recomendações médicas. O irmão da ativista, Hamidreza Mohammadi, afirmou:
"Todos os dias acordo com medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não conseguem descrever a devastação que nossa família está sentindo. Isso não é mais apenas prisão, é uma morte em câmera lenta".
A Fundação Narges, então, pediu à comunidade internacional, à Organização das Nações Unidas (ONU) e a entidades de direitos humanos que pressionassem o Irã pela transferência imediata a uma unidade de saúde especializada, além da libertação de Mohammadi e de outros presos.
Infarto e prisão
Quem é Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel da Paz de 2023
O estado de saúde da ativista se agravou após uma crise cardíaca grave em 24 de março. Mohammadi teve dores no peito, perdeu a consciência e recebeu atendimento apenas na enfermaria da prisão, segundo familiares.
Mohammadi foi presa novamente em dezembro de 2025 após críticas ao governo iraniano. Em fevereiro deste ano, recebeu uma nova condenação que ampliou a pena em 7,5 anos.
Transferida para a prisão central de Zanjan, no norte do país, ela enfrenta condições consideradas severas por organizações de direitos humanos.
Narges Mohammadi
Reuters
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