Reino Unido eleva nível de ameaça terrorista e diz que atentado é ‘altamente provável’

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Polícia isola área após ataque a facadas em bairro judaico de Londres
O governo do Reino Unido elevou o nível de ameaça terrorista no país de “substancial” para “grave”, segundo comunicado divulgado nesta sexta-feira (1º). Na prática, a mudança significa que um atentado passou de “provável” para “altamente provável”, de acordo com a classificação oficial.
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A decisão do Centro Conjunto de Análise de Terrorismo (JTAC, na sigla em inglês) foi tomada dois dias após um ataque com faca registrado em Londres. As autoridades, no entanto, afirmam que a medida não se deve apenas a esse episódio.
Segundo o comunicado, o país vem enfrentando um aumento gradual de ameaças terroristas há algum tempo. Esse cenário tem sido impulsionado tanto por grupos de extremistas quanto por ações individuais.
O governo britânico diz que o cenário atual é marcado por casos complexos envolvendo diferentes ideologias. Entre as ameaças estão o planejamento de ataques, tentativas de deslocamento para fins extremistas e processos de radicalização tanto online quanto offline.
"Embora o terrorismo islâmico continue sendo a principal ameaça ao Reino Unido, o terrorismo de extrema direita tem apresentado uma trajetória ascendente constante", diz o comunicado.
As autoridades também alertam para um risco elevado contra pessoas e instituições judaicas e israelenses, em meio ao contexto do conflito no Oriente Médio.
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Ataque em Londres
Um manifestante segura um cartaz ao lado de policiais durante um protesto organizado pela Campanha Contra o Antissemitismo em frente à Downing Street, em Londres, em 30 de abril de 2026
REUTERS/Jack Taylor
O aumento no nível de ameaça ocorre após um ataque com faca registrado em Golders Green, no norte de Londres, área com grande população judaica. Um homem foi preso depois que duas pessoas foram esfaqueadas, segundo uma organização de segurança da comunidade judaica.
A organização Shomrim disse que o suspeito foi visto correndo com uma faca e tentando atacar pessoas na rua antes de ser contido por agentes do grupo. A polícia chegou em seguida e utilizou uma arma de choque.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou o caso como “profundamente preocupante”.
Nos últimos meses, autoridades britânicas têm registrado aumento de incidentes envolvendo a comunidade judaica. No mês passado, mais de 20 pessoas foram presas em investigações relacionadas a ataques contra esses grupos.
Também em Golders Green, um incêndio atingiu nesta semana o muro de um memorial e está sob investigação.
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Narges Mohammadi, iraniana vencedora do Prêmio Nobel da Paz, é transferida de prisão para hospital

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Iraniana vencedora do Nobel da Paz perde 19 kg na prisão e tem tratamento médico negado
A ativista iraniana Narges Mohammadi, de 53 anos, vencedora do Nobel da Paz em 2023, foi transferida da prisão a um hospital nesta sexta-feira (dia 1º), informou a fundação que a representa.
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O comunicado da Fundação Narges citou "uma deterioração catastrófica de sua saúde, incluindo dois episódios de perda total de consciência e uma grave crise cardíaca". "Sua família, que há semanas vem lutando por sua transferência para instalações adequadas, descreveu a transferência como uma ação desesperada, de 'última hora', que pode ser tarde demais para atender às suas necessidades críticas."
Segundo uma nota divulgada pela própria organização nesta quarta-feira (29), a ativista, que foi detida em dezembro de 2025 após ter feito críticas ao governo local e tem problemas cardíacos, corre risco de vida, após meses sem acesso a tratamento médico adequado.
Ganhadora do prêmio por sua atuação contra a pena de morte e em favor dos direitos das mulheres no Irã, a Mohammadi passou por três angioplastias ao longo dos últimos anos. Em março, teve um ataque cardíaco.
O comunicado da Fundação Narges afirmou ainda que a iraniana, condenada a 7,5 anos de prisão, perdeu mais de 19 quilos e sente dores constantes no peito. Advogados que visitaram a ativista nesta segunda-feira (28) disseram que o estado de saúde dela chegou a um ponto crítico, com pressão arterial "em níveis perigosos". O uso de medicamentos não teria sido suficiente para reverter o quadro.
Ainda de acordo com a organização, autoridades iranianas inicialmente se recusaram a suspender temporariamente a pena para permitir atendimento cardíaco especializado, apesar de recomendações médicas. O irmão da ativista, Hamidreza Mohammadi, afirmou:
"Todos os dias acordo com medo de receber a notícia da morte dela. Palavras não conseguem descrever a devastação que nossa família está sentindo. Isso não é mais apenas prisão, é uma morte em câmera lenta".
Médicos e a família da ativista haviam pedido a autoridades locais acesso a um hospital em Teerã, mas a demanda foi negada.
A Fundação Narges, então, pediu à comunidade internacional, à Organização das Nações Unidas (ONU) e a entidades de direitos humanos que pressionassem o Irã pela transferência imediata a uma unidade de saúde especializada, além da libertação de Mohammadi e de outros presos.
Infarto e prisão
Quem é Narges Mohammadi, ganhadora do Nobel da Paz de 2023
O estado de saúde da ativista se agravou após uma crise cardíaca grave em 24 de março. Mohammadi teve dores no peito, perdeu a consciência e recebeu atendimento apenas na enfermaria da prisão, segundo familiares.
Mohammadi foi presa novamente em dezembro de 2025 após críticas ao governo iraniano. Em fevereiro deste ano, recebeu uma nova condenação que ampliou a pena em 7,5 anos.
Transferida para a prisão central de Zanjan, no norte do país, ela enfrenta condições consideradas severas por organizações de direitos humanos.
Narges Mohammadi
Reuters
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Papa Leão nomeia como bispo ex-imigrante ilegal que entrou nos EUA escondido em porta-malas

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O papa Leão XIV nomeou como bispo nos Estados Unidos um religioso que entrou ilegalmente no país escondido no porta-malas de um carro e que, atualmente, critica políticas migratórias do presidente Donald Trump. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (1º) pelo Vaticano.
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Evelio Menjivar-Ayala, de 56 anos, nasceu em El Salvador e foi para os EUA em 1990, fugindo de um conflito armado. Segundo o jornal The Washington Post, ele entrou no país escondido e se tornou cidadão americano em 2006.
Menjivar foi nomeado bispo da diocese de Wheeling-Charleston, na Virgínia Ocidental. O religioso tem se destacado por críticas ao tratamento dado a imigrantes pelo governo Trump.
Em um artigo publicado no ano passado no National Catholic Reporter, ele condenou a repressão migratória e pediu apoio a imigrantes e refugiados.
“Àqueles que se calam ou pensam que isso não os afeta, àqueles que não se incomodam com isso — ou pior, que aplaudem —, especialmente aqueles que são católicos, eu pergunto: vocês não veem o sofrimento de seus semelhantes?”, escreveu.
“Não percebem a dor, a miséria e o medo e a ansiedade muito reais que essas operações e políticas governamentais injustas estão causando? Suas consciências não estão perturbadas? Como podem permanecer em silêncio?”
O papa também tem feito críticas às políticas de Trump. Em uma viagem recente à África, ele defendeu tratamento mais humano a imigrantes e refugiados, afirmando que devem ser tratados com dignidade.
Menjivar cursou filosofia no Seminário São João Vianney, em Miami, e estudou no Colégio Norte-Americano, em Roma, onde obteve mestrado em teologia pela Pontifícia Universidade de São Tomás de Aquino (Angelicum), em 2002.
Também realizou estudos no Pontifício Instituto Scalabriniano de Teologia Pastoral para a Mobilidade Humana antes de ser ordenado sacerdote para a Arquidiocese de Washington, em 29 de maio de 2004.
Atualmente, ele participa de conselhos e organismos da Igreja, além de atuar em iniciativas de caridade e assistência.
Evelio Menjivar-Ayala discursa em um painel sobre imigração na Universidade de Georgetown em setembro de 2025
AP Photo/Luis Andres Henao
Desavenças entre o papa Leão XIV e Trump
A nomeação de Menjivar acontece em meio a trocas de críticas entre Trump e Leão XIV.
O papa afirmou recentemente que os países têm o direito de controlar suas fronteiras, mas defendeu que nações mais ricas contribuam para o desenvolvimento dos países de origem dos imigrantes, reduzindo a necessidade de deslocamento forçado.
O pontífice também se manifestou sobre outros conflitos, pediu cessar-fogo no Oriente Médio e expressou solidariedade a populações afetadas, incluindo o Líbano. As declarações provocaram reações de Trump, que criticou o papa publicamente.
O presidente afirmou que o pontífice é fraco e que sua postura prejudica a Igreja Católica. Em uma publicação na rede social, em abril, Trump disse que não quer “um papa que ache tudo bem o Irã ter uma arma nuclear”.
Apesar das declarações, não há registros de que o papa tenha defendido que o Irã tenha uma arma nuclear.
Trump também publicou nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece com uma túnica branca, abençoando um homem doente, parecido com Jesus. A cena inclui a bandeira dos EUA, a Estátua da Liberdade e caças militares.
Postagem de Donald Trump no domingo, 12 de abril
Reprodução/Truth Social
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Em manobra, Trump diz ao Congresso dos EUA que guerra com Irã está ‘encerrada’

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Irã apresenta nova proposta de paz para encerrar guerra contra os EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informou ao Congresso que as hostilidades com o Irã “foram encerradas”, apesar de tropas americanas manterem um bloqueio naval contra o país, o que é considerado ato de guerra pelo direito internacional. O documento foi enviado aos parlamentares nesta sexta-feira (1º), segundo a Associated Press.
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Na prática, a medida tenta contornar o prazo legal que terminou na quinta-feira (30) para que o Congresso autorizasse a continuidade da guerra. Nos EUA, o presidente pode iniciar ações militares sozinho, mas precisa do aval do Congresso em até 60 dias para manter o conflito.
Como o Congresso não votou o tema, o governo passou a afirmar que a regra não se aplica porque o conflito teria terminado com um cessar-fogo iniciado no começo de abril.
“As hostilidades que começaram em 28 de fevereiro de 2026 foram encerradas”, escreveu Trump ao presidente da Câmara, Mike Johnson, e ao presidente pro tempore do Senado, Chuck Grassley.
Apesar disso, o próprio presidente indicou que a crise está longe do fim. Segundo Trump, o Irã ainda representa uma “ameaça significativa” aos Estados Unidos e às Forças Armadas americanas.
O Congresso entrou em recesso por uma semana sem tomar nenhuma decisão sobre a guerra. Parlamentares republicanos, maioria nas duas Casas, evitaram levar o tema a votação — movimento visto como tentativa de não confrontar o presidente.
O líder republicano no Senado, John Thune, disse que não pretende pautar uma autorização militar para o uso da força contra o Irã. Ainda assim, a maioria do partido apoia a ofensiva ou prefere dar mais tempo ao presidente diante do cessar-fogo em vigor.
🔎 A resistência em enfrentar Trump ocorre em um momento politicamente delicado para os republicanos, com aumento da insatisfação popular tanto com o conflito quanto com o impacto nos preços dos combustíveis.
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Lei de Poderes de Guerra
Foto de arquivo: O presidente dos EUA, Donald Trump, gesticula durante uma coletiva de imprensa na cúpula da OTAN, em Haia, Países Baixos, em 25 de junho de 2025.
Reuters/Yves Herman
A chamada Lei de Poderes de Guerra foi criada em 1973, após a Guerra do Vietnã, justamente para limitar ações militares iniciadas sem aprovação do Congresso.
A lei determina que o presidente tem 60 dias para encerrar a ofensiva ou obter autorização do Congresso para continuar a guerra.
O prazo pode ser estendido por mais 30 dias para a retirada segura das tropas, desde que o Congresso seja informado.
Mesmo assim, o governo Trump nunca demonstrou interesse em pedir autorização formal para atuar contra o Irã ou outros países.
Em audiência no Congresso nesta semana, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o cessar-fogo com o Irã interrompeu a contagem do prazo legal.
“Estamos em um cessar-fogo, o que, no nosso entendimento, pausa ou interrompe o prazo de 60 dias”, afirmou.
O Irã ainda controla o estratégico Estreito de Ormuz, enquanto a Marinha dos EUA mantém um bloqueio naval para impedir a exportação de petróleo iraniano.
Democratas contestam essa interpretação. Eles afirmam que a guerra não pode ser considerada encerrada enquanto forças americanas continuam operando na região.
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Trump diz não estar satisfeito com acordo de paz proposto pelo Irã para encerrar a guerra

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante conversa com jornalistas na Casa Branca em 30 de abril de 2026
REUTERS/Jonathan Ernst
Durante uma breve interação com jornalistas nesta sexta-feira (1º), o presidente americano Donald Trump disse que não está satisfeito com a proposta de acordo de paz do regime iraniano.
“Eles querem fazer um acordo, mas eu não estou satisfeito com isso, então veremos o que acontece”, disse o presidente americano. "Tivemos uma conversa com o Irã. Vamos ver o que acontece, mas eu diria que não estou satisfeito… Eles precisam apresentar o acordo certo. Neste momento, não estou satisfeito com o que estão oferecendo", continuou.
O presidente Donald Trump também afirmou a repórteres que não está preocupado com a situação dos estoques de mísseis dos Estados Unidos, em meio a relatos de apreensão sobre o ritmo de uso de armamentos durante o conflito com o Irã.
Na noite de quinta-feira (30), o Irã entregou sua proposta mais recente de negociação a mediadores no Paquistão, segundo informou a agência estatal iraniana IRNA.
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O frágil cessar-fogo de três semanas entre os EUA e o Irã parece ainda estar sendo mantido, embora ambos os países tenham trocado acusações de violações.
Trump não detalhou o que considera falhas na proposta. “Eles estão pedindo coisas com as quais não posso concordar”, afirmou.
As negociações continuaram por telefone após Trump cancelar a viagem de seus enviados ao Paquistão na semana passada, disse o presidente. Ele demonstrou frustração com a liderança iraniana, que descreveu como fragmentada.
“É uma liderança muito desarticulada”, disse. “Todos querem fazer um acordo, mas estão todos confusos.”
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Embora o cessar-fogo tenha interrompido em grande parte os combates no Irã, EUA e Irã permanecem em um impasse no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo e gás comercializados no mundo em tempos de paz.
Um bloqueio da Marinha dos EUA, que impede os petroleiros iranianos de sair para o mar, tem abalado a economia do país. A economia global também sofre pressão, enquanto o Irã mantém seu controle sobre o estreito.
Trump sugeriu no início da semana um novo plano para reabrir essa rota crucial, usada por aliados dos EUA no Golfo para exportar petróleo e gás.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, realizou uma série de ligações nesta sexta-feira com colegas da região, incluindo de Turquia, Egito, Catar, Arábia Saudita, Iraque e Azerbaijão, para informá-los sobre as iniciativas mais recentes de seu país para encerrar a guerra, segundo suas redes sociais.
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A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, também conversou por telefone com Araghchi nesta sexta-feira. Eles discutiram esforços diplomáticos em andamento para reabrir o Estreito de Ormuz e acordos de segurança de longo prazo, informou o gabinete de Kallas em comunicado. Ela também tem mantido contato com parceiros do Golfo.
Autoridades do Paquistão disseram que os esforços para reduzir as tensões entre Irã e EUA continuam. O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou em reunião de gabinete na quarta-feira que ainda aguardava uma resposta do Irã.
No início da semana, Trump disse ao Axios que havia rejeitado a proposta iraniana de reabrir o estreito em troca do fim do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos.
A proposta iraniana previa adiar as negociações sobre o programa nuclear do país, disseram mais cedo nesta semana duas autoridades regionais, que falaram sob condição de anonimato.
Uma das principais razões apontadas por Trump para entrar na guerra foi impedir que o Irã desenvolvesse armas nucleares.
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, pelo menos 3.375 pessoas morreram no Irã e mais de 2.600 no Líbano, onde novos confrontos entre Israel e o grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, começaram dois dias após o início da guerra, segundo autoridades.
Além disso, 24 pessoas morreram em Israel e mais de 20 em países árabes do Golfo. Dezessete soldados israelenses no Líbano e 13 militares americanos na região também foram mortos.