Fechamento do Estreito de Ormuz ‘asfixia’ economia mundial, diz chefe da ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou nesta quinta-feira (30) para o agravamento das consequências econômicas do fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra dos Estados Unidos contra o Irã.
O fechamento dessa rota marítima vital está "asfixiando a economia mundial", advertiu o secretário-geral em declarações à imprensa.
Mesmo que as restrições fossem suspensas hoje, "as cadeias de suprimentos levarão meses para se recuperar, prolongando a menor produção econômica e os preços altos", afirmou.
Os Estados Unidos bloqueiam desde meados de abril os portos iranianos em resposta ao fechamento de Ormuz imposto pelo Irã como represália aos ataques israelenses-americanos que desencadearam a guerra em 28 de fevereiro.
Embora ambos os países mantenham um cessar-fogo desde 8 de abril, as negociações estão estagnadas e o tráfego marítimo por essa rota, por onde antes passava um quinto dos hidrocarbonetos do mundo, continua em níveis mínimos.

Líder supremo do Irã diz que capacidade nuclear e mísseis são ‘patrimônio nacional’

Chefe do Pentágono declara Partido Democrata como o maior inimigo na guerra contra o Irã
Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã, em foto de outubro de 2024
Hamed Jafarnejad/ISNA/WANA/Reuters
O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que a capacidade nuclear e de mísseis do país são um patrimônio nacional" e que a República Islâmica as defenderá, segundo um comunicado atribuído a ele divulgado nesta quinta-feira (30) pela TV estatal iraniana.
"Noventa milhões de compatriotas iranianos consideram todas as capacidades identitárias, espirituais, humanas, científicas, industriais e tecnológicas — das áreas de nanotecnologia e biotecnologia até as nuclear e de mísseis — como seu patrimônio nacional e as defenderão assim como defendem as fronteiras marítimas, terrestres e aéreas", afirmou Khamenei.
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No comunicado, o líder iraniano disse também que os Estados Unidos sofreram uma "derrota humilhante" na guerra e que o Golfo Pérsico terá um "futuro brilhante" sem a presença norte-americana.
"Hoje, com o passar de dois meses desde a maior mobilização militar e agressão dos tiranos do mundo na região e o fracasso humilhante dos Estados Unidos em seu plano, um novo capítulo do Golfo Pérsico e do Estreito de Ormuz está sendo escrito", afirmou a mensagem atribuída a Khamenei.
Khamenei disse também que os EUA "não têm lugar no Golfo Pérsico, a não ser no fundo do mar", e que o Irã irá "gerir o Estreito de Ormuz e assegurar a região do Golfo Pérsico para eliminar os abusos do inimigo na via marítima".
"Hoje, ficou comprovado pela opinião pública mundial e pelas nações da região que a presença de estrangeiros americanos e sua fixação nas terras do Golfo Pérsico é o principal fator de insegurança na região [Oriente Médio]. (…) O futuro brilhante do Golfo Pérsico será um futuro sem os EUA e a serviço do progresso, do conforto e do bem-estar de suas nações", disse.
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Apesar da fala de Khamenei, é o Irã quem tem ameaçado a navegação comercial com ataques a navios no Estreito de Ormuz. Em pouco mais de dois meses de guerra, diversas embarcações denunciaram ataques de drones e de lanchas. Já os EUA mantêm um bloqueio naval na entrada do estreito, impedindo a chegada e saída de embarcações a portos iranianos.
A mensagem de Mojtaba Khamenei foi divulgada por ocasião do Dia Nacional do Golfo Pérsico, celebrado no Irã nesta quinta.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou nesta quinta-feira que não poupará esforços para controlar o Estreito de Ormuz, importante rota do petróleo mundial e que liga o Golfo Pérsico ao resto do mundo.
Esta é uma das poucas mensagens oficiais atribuídas a Khamenei desde que ele se tornou o novo líder supremo do Irã, há quase dois meses — Mojtaba sucedeu seu pai, Ali Khamenei, morto por bombardeios dos EUA e de Israel.
Mojtaba não fez aparições em público desde então, e a inteligência ocidental afirma que ele ficou gravemente ferido durante a guerra. Ele receberá prótese na perna e passará por cirurgia plástica no futuro, segundo o jornal "New York Times".
Um cargueiro que transporta carro passa pelo Golfo Pérsico, nos Emirados Árabes Unidos, em direção ao Estreito de Ormuz no dia 22 de março de 2026
AP

287 nomes concorrem ao Prêmio Nobel da Paz de 2026, diz instituto; veja nomes cotados

Cerca de 287 candidatos serão considerados para o Prêmio Nobel da Paz de 2026, anunciou na quinta-feira o secretário do Comitê Norueguês do Nobel, com o presidente dos EUA, Donald Trump, provavelmente entre os indicados.
Das indicações deste ano, 208 são de indivíduos e 79 de organizações, disse Kristian Berg Harpviken, acrescentando que houve muitas novas indicações em comparação com o ano passado.
"Como sou novo no cargo, uma das coisas que me surpreendeu, em certa medida, foi a quantidade de renovação na lista de um ano para o outro", disse Harpviken em entrevista. Ele ocupa o cargo desde janeiro de 2025.
Apesar do aumento do número de conflitos em todo o mundo e da cooperação internacional estar sob pressão, o prêmio continua relevante, acrescentou.
"O Prêmio da Paz é ainda mais importante em um período como o que estamos vivendo", disse ele. "Há tanto trabalho positivo, senão mais, do que nunca."
É PROVÁVEL QUE TRUMP SEJA INDICADO, MAS AINDA NÃO FOI CONFIRMADO
Os líderes do Camboja, Israel e Paquistão afirmaram ter indicado Trump para o prêmio deste ano. Suas indicações, caso feitas, teriam ocorrido na primavera e no verão de 2025 e, portanto, são válidas, visto que o prazo final era 31 de janeiro.
Não há como verificar se eles realmente fizeram isso, já que as indicações permanecem secretas por 50 anos e Harpviken se recusou a comentar na quinta-feira se Trump havia sido indicado.
Uma indicação não significa endosso por parte da organização do prêmio.
Além dos membros do comitê, milhares de pessoas em todo o mundo podem sugerir nomes: membros de governos e parlamentos; chefes de Estado em exercício; professores universitários de história, ciências sociais, direito e filosofia; e ex-laureados com o Prêmio Nobel da Paz, entre outros.
Muitos nomes aparecem em sites de apostas que oferecem palpites sobre os possíveis laureados deste ano, desde a russa Yulia Navalnaya, esposa do falecido líder da oposição russa Alexei Navalny, até o Papa Leão XIII e a Emergency Response Rooms do Sudão, um grupo de ajuda humanitária voluntário, entre outros.
Harpviken afirmou que o comitê está profundamente preocupado com a saúde da laureada com o Prêmio Nobel da Paz de 2023, a ativista iraniana de direitos humanos Narges Mohammadi, que está se deteriorando após ela sofrer um ataque cardíaco na prisão.
Seus apoiadores disseram na quarta-feira que sua vida corre perigo iminente.
"Sua irmã conseguiu visitá-la na prisão ontem e os relatos que surgiram depois disso são bastante alarmantes quanto ao seu estado de saúde", disse Harpviken.
"Percebemos que há muita pressão internacional agora. Portanto, esperamos que as autoridades iranianas deem atenção a isso e a libertem para que ela possa receber tratamento médico adequado."
Quem mais poderia ser indicado?
Entre os possíveis indicados ao prêmio deste ano estão:
Lisa Murkowski, senadora americana pelo Alasca;
Aaja Chemnitz, deputada dinamarquesa eleita pela Groenlândia, segundo o parlamentar norueguês que as indicou.
"Juntas, elas trabalharam incansavelmente para construir confiança e garantir o desenvolvimento pacífico da região do Ártico ao longo de muitos anos", disse o parlamentar Lars Haltbrekken.
A Groenlândia tem estado em foco este ano devido à insistente pressão de Trump para anexar a ilha da Dinamarca, membro da Otan.
O Prêmio Nobel da Paz deste ano será anunciado em 9 de outubro, e a cerimônia de entrega ocorrerá em 10 de dezembro.
A laureada do ano passado foi a venezuelana Maria Corina Machado.

VÍDEO: pai se deita nos trilhos durante passagem de trem para salvar vida do filho em Bangladesh

Chefe do Pentágono declara Partido Democrata como o maior inimigo na guerra contra o Irã
Pai pula nos trilhos do trem para salvar filho em Bangladesh
Um pai pulou nos trilhos de uma estação de trem para salvar seu filho, uma criança pequena, em Bangladesh. Os dois tiveram que se refugiar em vão enquanto locomotiva passava, e eles saíram ilesos.
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O incidente ocorreu na terça (28) em Bhairab, cidade no leste do país a cerca de 50 km da capital Daca.
Segundo a imprensa local, o filho caiu nos trilhos após escorregar do colo dos pais quando eles estavam desembarcando de um trem. O pai pulou imediatamente para salvar a criança, no entanto, não deu tempo de retornar à plataforma a tempo, e ele precisou se encolher junto com a criança enquanto outra locomotiva, de oito vagões, passava por cima deles.
É possível ver os momentos de desespero em um vídeo que circula nas redes sociais (veja acima). Diversas outras pessoas que estavam na plataforma pularam no trilho logo após a passagem do trem para acudir os dois. Uma mulher que aparenta ser a mãe rapidamente pega a criança e começa a abraçá-la.
Ainda segundo a mídia local, autoridades locais atribuíram à "misericórdia de Alá" o fato de pai e filho terem saído ilesos do incidente e reiteraram a importância do cuidado ao desembarcar do trem.
Pai pula nos trilhos de trem para salvar filho em Bhairab, em Bangladesh, em 28 de abril de 2026.
Reprodução/redes sociais
Pai pula nos trilhos de trem para salvar filho em Bhairab, em Bangladesh, em 28 de abril de 2026.
Reprodução/redes sociais

Chefe do Pentágono declara Partido Democrata como o maior inimigo na guerra contra o Irã

Chefe do Pentágono declara Partido Democrata como o maior inimigo na guerra contra o Irã
Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, e chefe das Forças Armadas dos EUA, general Dan Caine, comparecem em audiência do Comitê de Serviços Armados da Câmara dos Deputados norte-americana no Capitólio, em Washington, D.C., em 29 de abril de 2026.
REUTERS/Kylie Cooper
No debate tenso e acalorado em que se transformou a sabatina do secretário de Defesa, Pete Hegseth, no Congresso, ouviu-se o impensável: ele acusou os democratas de serem os maiores inimigos na guerra que os EUA travam contra o Irã e de darem ao regime “uma vitória de propaganda”, por chamarem o conflito de atoleiro.
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"O maior adversário que enfrentamos neste momento são as palavras imprudentes, irresponsáveis e derrotistas dos democratas do Congresso e de alguns republicanos", declarou Hegseth.
O primeiro depoimento público do secretário de Defesa desde o início da guerra coincidiu com a divulgação de seu custo até o momento, pelo diretor financeiro do Pentágono, Jay Hurst — US$ 25 bilhões (cerca de R$ 125 bilhões).
A estimativa, contudo, é considerada muito conservadora e, segundo informaram fontes à emissora CNN Internacional, não inclui o custo do reparo dos extensos danos sofridos pelas bases americanas no Oriente Médio. Representa 13% dos US$ 188 bilhões (R$ 940 bi) autorizados pelos EUA em ajuda à Ucrânia. Esta foi uma das críticas mais contundentes do presidente Donald Trump ao governo Biden durante a sua campanha eleitoral.
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Além disso, o Departamento de Defesa pede US$ 1,5 trilhão (R$ 7,5 tri) para o orçamento do próximo ano, valor bem superior à média histórica de gastos militares aprovados pelo Congresso e contraditório para um presidente que tinha como bandeira não se envolver em conflitos.
Na sabatina de seis horas ao Comitê de Serviços Armados da Câmara, Hegseth insistiu que os EUA estão ganhando a guerra no Irã, que é desaprovada pela maioria dos americanos, e defendeu repetidamente o seu custo para os contribuintes: “Quanto vale garantir que o Irã nunca terá uma bomba nuclear?”
Com este argumento, o secretário de Defesa contradisse declarações anteriores, de que o programa nuclear havia sido aniquilado, no ano passado, com o ataque às instalações nucleares do Irã, durante a Operação Martelo da Meia-Noite.
Ataque dos EUA atrasou programa nuclear do Irã por apenas alguns meses com ataques de 2025, diz jornal
Hegseth foi duramente questionado ao repetir que a guerra era necessária porque o Irã representava “uma ameaça existencial” aos EUA. A traumática palavra “atoleiro”, que relembra a Guerra do Vietnã, irritou o secretário, ao ser pressionado em relação à duração do conflito no Irã, que supera a estimativa inicial de Trump.
“Declarações como essa são imprudentes com as nossas tropas. Não digam: 'Eu apoio as tropas, por um lado, e, por outro, ‘uma missão de dois meses é um atoleiro’. Para quem vocês estão torcendo? Quem vocês estão defendendo?”
Com respostas agressivas aos deputados, Hegseth parecia querer agradar ao chefe Trump. A missão desta quinta-feira (30) será mais complexa. O secretário de Defesa volta ao Congresso para ser sabatinado perante a Comissão de Serviços Armados do Senado.