Irã diz que só reabrirá Estreito de Ormuz após fim definitivo da guerra, segundo mídia iraniana

‘Chega de bancar o bonzinho’, diz Trump em nova ameaça contra o Irã
Movimentação de navios no Estreito de Ormuz, em Omã, no dia 27 de abril de 2026
Reuters
O Irã afirmou que só permitirá novamente a passagem de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz após o fim definitivo da guerra com Estados Unidos e Israel e desde que sejam respeitados os protocolos de segurança definidos por Teerã. As informações foram divulgadas pela agência iraniana Fars News Agency nesta quarta-feira (29).
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Segundo a Fars, o vice-ministro da Defesa do Irã, brigadeiro-general Reza Talaei-Nik, declarou que a retomada do trânsito pelo canal dependerá de garantias de que a segurança iraniana não será comprometida.
A declaração foi feita durante uma reunião de ministros da Defesa da Organização para Cooperação de Xangai, em Bishkek, no Quirguistão.
“Permitir o trânsito tranquilo de navios comerciais estará na pauta após o fim da guerra, desde que sejam observados protocolos que não comprometam a segurança do Irã”, afirmou Talaei-Nik, segundo a Fars.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte global de petróleo e gás. Atualmente, o fluxo de embarcações segue reduzido devido às restrições impostas pelo Irã, ao bloqueio naval dos Estados Unidos nos portos iranianos e aos recentes ataques e apreensões de navios na região.
Leia também: Quem em Teerã influencia as negociações entre os EUA e o Irã
De acordo com Talaei-Nik, as restrições são uma resposta direta aos ataques realizados por EUA e Israel contra o território iraniano, iniciados no fim de fevereiro.
Autoridades iranianas já haviam afirmado que garantir segurança e estabilidade para embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz não será gratuito. No mês passado, a Comissão de Segurança do Parlamento iraniano aprovou um plano para impor tarifas aos navios que utilizarem a passagem.
Também nesta terça, o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, afirmou que Teerã não considera encerrada a guerra com os Estados Unidos e Israel.
“Não consideramos que a guerra tenha acabado. Nossa situação atual ainda é considerada de guerra”, declarou, segundo a Fars.
Ele afirmou ainda que, se houver novos ataques contra o Irã, a resposta será mais dura do que nas ofensivas anteriores. Akraminia também declarou que o Irã manteve a produção de drones durante o conflito e que parte dos equipamentos usados nas operações foi fabricada e utilizada em plena guerra.
Segundo ele, mais de 170 drones e 16 aeronaves militares foram abatidos pelas unidades de defesa do Exército iraniano e pela Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica.

A assombrosa história da espanhola que planejou ‘filha perfeita’ e depois a matou

‘Chega de bancar o bonzinho’, diz Trump em nova ameaça contra o Irã
Aurora Rodríquez Carballeira era tida como uma intelectual brilhante. A filha, Hildegart, que tinha 18 anos quando morreu, era uma jovem prodígio que já despontava como escritora
BBC
Na madrugada de 9 de junho de 1933, Aurora Rodríguez Carballeira acordou em sua casa em Madri, na Espanha, tomou banho, vestiu-se e mandou sua empregada levar os cachorros para passear. Imediatamente em seguida, assassinou a própria filha.
Ela atirou à queima-roupa enquanto a filha dormia, três vezes no rosto e uma no peito. E, calmamente, foi visitar seu amigo e advogado José Botella Asensi.
"Vim contar que matei minha filha, para que você não pense que estou maluca e para que me diga o que tenho que fazer", confessou ela, relatando todos os pormenores, sem omitir nenhum detalhe que pudesse inocentá-la. Em nenhum momento, negou sua responsabilidade.
O assassinato comoveu a Espanha — e não só pela "falta de causas lógicas, se é que pode haver lógica em um assassinato da própria filha", nas palavras do jornal espanhol La Tierra.
Até aquele dia, a assassina era "o modelo do que poderia ter sido a mulher espanhola: autossuficiente, extremamente culta e inteligente, uma intelectual brilhante que não se esquiva da esfera pública", segundo a escritora Almudena Grandes, cujo romance La madre de Frankenstein ("A mãe de Frankenstein", em tradução livre) é baseado em Aurora Rodríguez — que era, na opinião dela, uma mulher "fascinante".
A filha assassinada, Hildegart Rodríguez, era uma jovem prodígio de 18 anos, importante ativista engajada na liberação sexual das mulheres e em causas sociais, além de prolífica escritora.
"É uma história extraordinária, tão fabulosa que ninguém poderia tê-la inventado", afirmou Grandes, uma das mais famosas escritoras espanholas contemporâneas, cuja morte em novembro de 2021 comoveu o mundo literário.
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Aurora Rodríguez Carballeira
No início do século 20, muitos cientistas e líderes políticos apoiavam a eugenia
BBC
Quando tinha 35 anos de idade, Aurora Rodríguez, que nasceu aproximadamente em 1879 em Ferrol, na Galícia (Espanha), concebeu mais que uma filha: traçou um plano.
Ela admirava as ideias da eugenia, teoria voltada para o aperfeiçoamento da espécie humana por meio de intervenção manipulada e métodos seletivos. Nessa época, a eugenia era um tema bastante popular entre intelectuais de várias correntes ideológicas.
Mais tarde, Adolf Hitler (1889-1945) as colocaria em prática durante o Holocausto, o assassinato em massa de milhões de judeus, bem como homossexuais, ciganos, Testemunhas de Jeová e outras minorias, durante a 2ª Guerra Mundial, a partir de um programa de extermínio sistemático patrocinado pelo partido nazista.
Aurora Rodríguez queria gerar e criar a filha em condições ideais e convertê-la na "mulher mais perfeita, que, como uma estátua humana, fosse o padrão, a medida da humanidade e a redentora final", como ela diria posteriormente a seus psiquiatras.
Ela escolheu um homem com as características consideradas necessárias: "fisicamente perfeito, com idade madura, plena vitalidade, inteligência com um toque de astúcia e cultura extensa e pouco profunda", segundo Carmen Domingo, autora do ensaio biográfico Mi Querida Hija Hildegart ("Minha querida filha Hildegart", em tradução livre), explicou à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
Quando ficou grávida, Aurora mudou-se para Madri e colocou em prática "uma série de técnicas que faziam parte da eugenia, sobre como levar a cabo uma boa gravidez e assegurar a geração de uma menina", segundo Domingo. Essas técnicas incluíam dietas restritivas e exercícios.
Mas por que Aurora Rodríguez queria uma menina se, para ela, "a mulher, por mais doloroso que seja confessá-lo, é o pior da espécie humana" e se ela vivia em um mundo dominado pelos homens?
"Porque ela estava convencida de que quem poderia mudar o mundo precisaria ser capaz de reproduzi-lo — e só as mulheres podem ter filhos", explica Domingo.
Hildegart Rodríguez Carballeira
Vídeos em alta no g1
Em 9 de dezembro de 1914, Aurora deu à luz a filha que desejava. Deu a ela o nome de Hildegart e dedicou-se a repassar ao que chamava de sua "estátua de carne" os conhecimentos que havia acumulado devorando a biblioteca do seu pai — já que ela própria nunca teve educação formal.
O trabalho de Aurora Rodríguez começou a ter resultados. Antes de completar dois anos de idade, Hildegart já sabia ler e, aos três, já escrevia. Aos oito anos, falava inglês, francês e alemão.
"O que a menina estudava eram temas concretos, pois tudo era encaminhado para que se tornasse uma superdotada para redimir a humanidade", segundo Domingo.
Aos 13 anos, Hildegart Rodríguez já era formada com excelentes qualificações e, aos 14, começou a estudar Direito, com uma licença especial devido à sua pouca idade. Foi nessa época que ela também entrou na vida pública e política, como militante socialista (e, posteriormente, republicana).
Segundo a escritora Rosa Montero, que incluiu a história de Aurora e Hildegart Rodríguez no seu livro Nosotras ("Nós, mulheres", em tradução livre), Aurora "treinou-a desde o berço com mãos de ferro de uma domadora circense, até convertê-la em um exemplar anômalo e excepcional, uma pobre menina prodígio".
'Não tive infância'
Livros de Hildergart
BBC
Além de estudar na universidade, Hildegart dava palestras e escrevia artigos para uma série de revistas e periódicos. Ela também foi autora de 16 monografias.
Aos 17 anos, ela terminou a faculdade de direito com louvor e começou mais duas: medicina e filosofia e letras.
Nessa época, Hildegart já era famosa. Feminista de vanguarda, ela defendia conceitos como educação sexual, controle da natalidade, esterilidade e divórcio, e escrevia ensaios sobre temas variados, de "A rebeldia sexual da juventude" até "Malthusianismo e neomalthusianismo", passando por "Como curar e evitar as doenças venéreas".
A eugenia estava presente nos seus escritos, pois, segundo ela, era fundamental para formarmos uma sociedade mais justa e igualitária, como afirma no livro O problema eugênico: pontos de vista de uma mulher moderna, publicado em 1930.
Em 1932, Hildegart foi uma das fundadoras da Liga Espanhola para a Reforma Sexual com Bases Científicas, em conjunto com o famoso médico e cientista Gregorio Marañón.
Mas ela pagou um preço alto por suas conquistas.
"Não tive infância", declarou certa vez Hildegart Rodríguez ao jornalista Eduardo de Guzmán, autor do livro Aurora de Sangre ("Aurora de sangue", em tradução livre). "Precisei usar [a infância] toda para estudar sem descanso, dia e noite."
Ela também não teve a liberdade que permeava as causas que ela defendia. Vivia à sombra da mãe, que controlava toda a sua vida e nunca se separava dela. Aurora a acompanhava nas aulas, reuniões sociais e políticas… e até dormiam no mesmo quarto.
Julián Besteiro, político espanhol que foi professor de Hildegart na universidade, comentou: "nos estudos, Hildegart é simplesmente formidável, mas esse fenômeno de ser tão ligado a sua mãe me evoca a imagem de um filhote de canguru preso na bolsa invisível com o cordão umbilical intacto".
Diversos pesquisadores suspeitam que essa proximidade era transmitida até para as obras de Hildegart, que, embora tenham sido assinadas por ela, provavelmente foram escritas por Aurora.
Uma das obras que mais chamaram a atenção a este respeito é o artigo intitulado "Injustiças: Caim e Abel", publicado em 19 de maio de 1933 no jornal La Tierra. Foi o último texto publicado por Hildegart naquele periódico, mas Aurora confirmaria posteriormente que ela fora a autora, dizendo que ali estava uma pista que apontava para morte da filha.
O artigo exalta a "paixão e grandeza" de Caim, o "homem que mais uma vez se igualou a Deus ao retirar a vida [do seu irmão Abel]".
"Se você o ler conhecendo a história, pode ver as duas ali, com a mãe dizendo 'isso não está caminhando bem e vai acabar mal'", ressalta a biógrafa Carmen Domingo. "Ao assinar este artigo, Hildegart assinou sua sentença de morte."
O artigo finaliza dizendo: "Evoquemos, pois, com adornos de simpatia, a figura progressista, de traços audazes, do Caim rebelde que atingiu a maestria na tríplice arte de Amar, Lutar e Matar". E, 21 dias depois, o mesmo jornal noticiaria: "acontecimento dolorosíssimo: Hildegart está morta".
O motivo
Jornal anunciou morte de Hildegart
BBC
Muitos estudiosos apontam esse artigo como a declaração pública das intenções de Aurora Rodríguez, mas ele não esclarece de forma alguma suas motivações, sobre as quais ela nunca deu uma resposta clara.
O que teria levado Aurora a matar "a menina na qual depositei todas as minhas ilusões sobre a mulher com quem sonhava com espírito messiânico, com impulsos sobre-humanos, capaz de traçar novos caminhos para os homens oprimidos e escravizados", como diria no seu julgamento? Por que fazê-lo se, segundo ela, "sua morte era, em grande parte, meu fracasso"?
Diversas pessoas imaginaram que talvez tenha sido porque Hildegart havia se apaixonado, o que, para Aurora, colocaria em risco a missão da sua vinda à Terra. Entre os candidatos a seus namorados secretos, estavam um cientista norueguês, um escultor que fazia um busto de Hildegart e um escritor e político de Barcelona, na Espanha.
Outros acreditam que não tenha sido por amor, mas sim porque o escritor H. G. Wells e o sexólogo Havelock Ellis a haviam convidado a passar uma temporada na Inglaterra e, na mente de Aurora, isso era parte de uma conspiração para torná-la uma agente secreta e prostituí-la.
Ou talvez tenha sido por desentendimentos políticos, ou porque Hildegart se cansou de sua mãe e quis emancipar-se. Ou simplesmente porque teve vontade de sair para ver o mundo.
Todas essas hipóteses e outras mais foram e continuaram sendo analisadas, mas, para Carmen Domingo, Aurora assassinou sua filha "porque era fruto da época em que viveu, das suas circunstâncias e da sua patologia".
"Tudo isso era um coquetel Molotov que explodiu quando Hildegart decidiu seguir um caminho diferente do que ela havia previsto. Um caminho que nunca saberemos qual seria, porque não existe menção de qual foi o gatilho específico que fez com que Aurora matasse sua criação", afirma ela.
Mas Aurora Rodríguez parecia ter intimamente claras as razões para matar sua filha, que não havia sido "produto de uma paixão sexual cega, mas sim um plano perfeitamente preparado, executado com precisão matemática e com um objetivo concreto", como diria ela própria décadas depois ao jornalsta Eduardo de Guzmán.
"Eu a criei, fiz e formei ao longo dos anos. Sei perfeitamente aonde devia chegar", segundo ela. Era sua obra e, na sua mente, tinha o direito de destruí-la.
"Ela nasceu com uma missão ideal, da qual não podia desviar-se por nenhuma debilidade humana."
Quando o advogado Asensi levou Aurora Rodríguez à polícia para confessar a autoria do assassinato de sua filha, perguntaram a ela os motivos. A resposta foi: "eu os tive e de gravidade correspondente ao acontecido".
Julgamento peculiar
Hildegart com cerca de 16 anos de idade, em um comício socialista em Erandio
BBC
Embora a notícia repercutisse em todos os jornais, as manchetes daquela época eram ocupadas por uma crise no governo que havia acabado de acontecer e afetaria o julgamento de Aurora Rodríguez.
Segundo Domingo, "o momento político espanhol era muito complicado".
"Vínhamos da [proclamação da] república e a Europa considerava a Espanha um dos países mais modernos do mundo ocidental. Tínhamos sufrágio universal, que ainda não existia na maioria dos países europeus. Mas, quando Aurora Rodríguez matou sua filha, houve uma mudança de governo, da esquerda moderada para a direita", explica.
"Quando o julgamento começou [em 1934], houve uma situação muito curiosa", conta Domingo.
"Os advogados e psiquiatras de defesa de Aurora eram modernos, de esquerda e progressistas, e desde o primeiro momento acreditaram que ela sofria de um problema mental."
"Mas o advogado da promotoria, ou seja, do governo e seu psiquiatra eram de direita e interessava à direita demonstrar que ela não estava louca, mesmo que estivesse, devido aos ganhos políticos que eles obteriam se uma senhora de esquerda houvesse matado sua filha", afirma a biógrafa.
O promotor era José Valenzuela Moreno, que, para defender-se das críticas, publicou naquele mesmo ano El asesinato de Hildegart visto por el fiscal de la causa ("O assassinato de Hildegart visto pelo promotor da causa", em tradução livre). Nele, Valenzuela escreveu que Aurora tinha "um cérebro desordenado pela intoxicação de mil leituras mal digeridas".
"Oh, o lado perigoso dos livros! Seria muito proveitoso um estudo ponderado dessa questão interessantíssima… É cem mil vezes preferível a inteligência natural de um analfabeto que a mente enlameada de um leitor sem preparação moral e intelectual anterior", escreveu ele.
Mas "esse cérebro desordenado" não era de uma louca, segundo alegou o promotor com afinco… e com sucesso, já que Aurora Rodríguez acabou condenada como uma pessoa em pleno uso das faculdades mentais, a uma pena de 26 anos, 8 meses e 1 dia de prisão.
Aurora recebeu a sentença com alegria. Ela não só concordava com ela (pois havia passado todo o julgamento protestando contra seu advogado de defesa, negando que estivesse louca), mas tinha já um novo plano: reformar completamente o sistema prisional.
Mas sua passagem pela prisão foi curta. Em 1935 ela foi transferida para o hospital psiquiátrico de Ciempozuelos, perto de Madri, onde ficou internada até a morte, em 1956.
Seu histórico médico das décadas que passou no manicômio foi publicado em 1977 e serviu para enriquecer não apenas o conhecimento sobre ela, mas também o da psiquiatria da época.
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Passaporte, moeda e prédios: como Trump tem estampado o próprio rosto em símbolos públicos dos EUA

‘Chega de bancar o bonzinho’, diz Trump em nova ameaça contra o Irã
EUA vão emitir passaportes com o rosto de Trump
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou na terça-feira (28) que o país vai emitir uma edição especial do passaporte com o rosto de Donald Trump. A medida se soma a outras iniciativas do governo para colocar a imagem do presidente norte-americano em símbolos públicos.
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▶️ Contexto: Em entrevista à Fox News, o porta-voz do Departamento de Estado disse que a versão especial do passaporte é limitada e faz parte das comemorações dos 250 anos da independência dos EUA.
O documento terá uma ilustração baseada no retrato oficial de Trump como presidente na parte interna da capa.
A arte também traz uma assinatura do presidente em dourado. Ao fundo, estarão a bandeira dos EUA e a Declaração de Independência.
O passaporte terá a mesma validade e os mesmos recursos de segurança do modelo tradicional.
Modelo de passaporte com o rosto de Donald Trump
Departamento de Estado dos EUA
Em outubro de 2025, o governo dos EUA já havia anunciado outro item comemorativo para celebrar o semiquincentenário da independência: uma moeda de US$ 1 com o rosto de Trump.
A arte final da moeda foi aprovada em março por um comitê formado por apoiadores do presidente. Um dos lados mostra Trump, com a palavra “Liberty” (liberdade) e a frase “In God We Trust” (em Deus confiamos). O outro traz a águia americana.
Atualmente, a legislação dos Estados Unidos proíbe que moedas comemorativas do aniversário nacional tragam “retratos de busto ou de ombro de pessoas vivas ou mortas, assim como retratos de pessoas vivas no reverso”.
A lei também proíbe que retratos de presidentes vivos apareçam em qualquer tipo de moeda ou nota de dólar americano.
Moeda de Trump aprovada para as comemorações de 250 anos dos EUA
Casa da Moeda dos EUA
Em outra frente, o governo instalou cartazes gigantes com fotos de Trump em prédios públicos, como o do Departamento de Justiça.
Nos edifícios dos departamentos de Agricultura e Trabalho, a imagem de Trump aparece ao lado de retratos de outros ex-presidentes, como Abraham Lincoln e Theodore Roosevelt, em referência às comemorações do aniversário de independência.
Banner com a foto de Trump na fachada do Departamento de Justiça dos EUA
REUTERS/Kevin Lamarque
Fora de itens comemorativos, a Casa Branca também lançou o “Trump Gold Card”, um visto semelhante ao “green card” que permite viver e trabalhar nos Estados Unidos. O documento custa US$ 1 milhão e traz a assinatura e a imagem do presidente.
Até o dia 23 de abril, apenas uma pessoa havia sido aprovada para receber o cartão dourado.
Imagem 'cartão ouro' da imigração americana, uma versão do 'green card' que custa um milhão de dólares.
Reprodução/trumpcard.gov
Dando o nome
Além de espalhar imagens em edifícios públicos, Trump também estimulou a mudança de nome de prédios importantes para incluir o próprio nome. Um deles foi o memorial Centro John F. Kennedy para as Artes Cênicas, conhecido nos Estados Unidos como “Kennedy Center”.
No ano passado, Trump dissolveu o conselho de administradores do centro e nomeou novos integrantes, que aprovaram a mudança do nome para “Centro Trump Kennedy”.
A alteração causou indignação entre democratas e historiadores e levantou dúvidas sobre a legalidade da ação, já que foi feita sem o aval do Congresso.
Fachada do Kennedy Center, com nome de Donald Trump inserido no início do letreiro original 'Centro Memorial John F. Kennedy de Artes Cênicas' em 19 de dezembro de 2025.
REUTERS/Kevin Lamarque
Já em dezembro, o Departamento de Estado anunciou outra alteração, desta vez no Instituto da Paz dos Estados Unidos.
“Nesta manhã, o Departamento de Estado renomeou o antigo Instituto da Paz para refletir o maior negociador de acordos na história da nossa nação. Bem-vindo ao Instituto da Paz Donald J. Trump. O melhor ainda está por vir”, publicou em 3 de dezembro.
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O nome do presidente também passou a estampar iniciativas do governo federal.
Em janeiro, Trump lançou as “Contas Trump”, com o objetivo de dar US$ 1.000 (cerca de R$ 5 mil) a cada recém-nascido, desde que os pais abram uma conta no programa. O dinheiro será investido no mercado de ações por empresas privadas, e o valor poderá ser acessado aos 18 anos.
No mês seguinte, foi a vez do lançamento do TrumpRx, um site do governo dos Estados Unidos que oferece cupons de desconto para medicamentos prescritos, incluindo Ozempic e Wegovy.
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Ex-presidente sul-coreano é condenado a 7 anos por obstrução de Justiça

‘Chega de bancar o bonzinho’, diz Trump em nova ameaça contra o Irã
PresidentAfastado da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol, dá depoimento em primeira audiência de julgamento por lei marcial em 20 de fevereiro de 2025.
ONG KYUNG-SEOK/Pool via REUTERS
O ex-presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol foi condenado nesta quarta-feira (29) a sete anos de prisão por obstrução de Justiça.
As acusações incluem obstruir investigadores que tentavam executar um mandado de prisão desde sua breve declaração de lei marcial em 2024.
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O Tribunal Superior de Seul proferiu a decisão em uma audiência televisionada, sendo o primeiro veredito de uma divisão especial criada para lidar com casos ligados à tentativa de Yoon de impor lei marcial em dezembro de 2024, segundo a agência de notícias Reuters.
A defesa de Yoon, que já está preso desde julho de 2025, afirmou que irá recorrer da decisão.
Ex-presidente sul-coreano é condenado à prisão perpétua por liderar insurreição
Prisão perpétua
Em fevereiro deste ano, Yoon Suk Yeol foi à prisão perpétua por golpe de Estado. A Justiça considerou Yoon culpado por liderar uma insurreição na declaração de lei marcial que mergulhou o país em uma crise política.
A promotoria pedia pena de morte para o caso, sob o argumento de que Yoon merecia a punição porque não demonstrou "remorso" por ações que ameaçaram a "ordem constitucional e a democracia".
Mesmo se fosse aceita a pena de morte, era altamente improvável que a sentença fosse executada, já que a Coreia do Sul mantém uma moratória não oficial sobre execuções desde 1997.
O ex-líder alega que a declaração da lei marcial foi um exercício legal de sua autoridade presidencial.
Durante os julgamentos, ele insistiu que "o exercício dos poderes constitucionais de emergência de um presidente para proteger a nação e manter a ordem constitucional não pode ser considerado um ato de insurreição".
Yoon acusa o então partido da oposição de ter imposto uma "ditadura inconstitucional" ao controlar o Legislativo.
Em sua opinião, "não havia outra opção a não ser despertar o povo, que é soberano".
A defesa do ex-presidente afirmou que a decisão "apenas confirmou um roteiro pré-escrito" e que "não é baseada em evidências no caso". O advogado disse que irá discutir com Yoon se deve recorrer à decisão.
Outras condenações
Em janeiro, Yeol foi condenado a cinco anos de prisão por crimes relacionados à obstrução da justiça.
A condenação foi o desfecho do primeiro de oito julgamentos criminais aos quais Yoon responde na Justiça sul-coreana — o ex-presidente foi acusado de tentativa de golpe ao impor a lei marcial na Coreia do Sul em dezembro de 2024 (relembre abaixo).
A sentença é menor do que os dez anos de prisão solicitados pela Promotoria contra o ex-líder conservador de 65 anos, cuja tentativa de golpe contra o Parlamento mergulhou o país em uma crise política que levou à sua destituição do cargo.
O ex-presidente foi considerado culpado por não seguir o devido processo legal antes de declarar a lei marcial e por outros crimes relacionados à obstrução de Justiça. São eles:
Excluir funcionários do governo de uma reunião sobre os preparativos para a imposição da lei marcial;
Fabricar um documento oficial relacionado à declaração da lei marcial;
Impedir que investigadores o prendessem, escondendo-se por semanas na residência oficial sob proteção de sua guarda pessoal;
Destruir possíveis provas criminais ao ordenar a eliminação de registros telefônicos oficiais.
"Apesar de ter o dever, acima de todos os outros, de defender a Constituição e observar o Estado de Direito como presidente, o réu demonstrou uma atitude que desrespeitou a Constituição. (…) A culpabilidade do réu é extremamente grave", disse o juiz Baek Dae-hyun. O juiz acrescentou, no entanto, que Yoon não foi considerado culpado de falsificação de documentos oficiais devido à falta de provas.
Relembre o caso
Presidente da Coreia do Sul decreta lei marcial; entenda o termo
Yoon Suk Yeol decretou lei marcial na Coreia do Sul em 3 de dezembro de 2024. Com o decreto, o presidente tentou fechar o Parlamento e limitar os direitos civis da população. No entanto, com a resistência dos legisladores e também da população ao anúncio, a medida foi derrubada horas depois.
Em janeiro de 2025, promotores da Coreia do Sul indiciaram o presidente afastado por insurreição, que é uma das poucas acusações criminais das quais um presidente no país não tem imunidade. O crime é punível com prisão perpétua ou morte, embora ninguém tenha sido executado por esse crime em décadas.
Antes de ir à prisão e se tornar o primeiro presidente sul-coreano em exercício a ser detido, ele resistiu semanas em sua residência graças à proteção do corpo de segurança presidencial.
Em audiências do Tribunal Constitucional sul-coreano, Yoon e seus advogados argumentaram que ele nunca teve a intenção de impor totalmente a lei marcial, mas apenas pretendia que as medidas fossem um aviso para quebrar o impasse político.

‘Chega de bancar o bonzinho’, diz Trump em nova ameaça contra o Irã

‘Chega de bancar o bonzinho’, diz Trump em nova ameaça contra o Irã
Trump fica insatisfeito com última oferta de paz do Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã nesta quarta-feira (29), dizendo que "chega de bancar o bonzinho" e com uma montagem dele segurando um fuzil com explosões ao fundo.
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"O Irã não consegue se organizar. Eles não sabem como assinar um acordo que não seja nuclear. É melhor ficarem espertos logo!", afirmou Trump em publicação na rede social Truth Social.
Além do texto, a publicação de Trump traz uma montagem, que o mostra de óculos escuros segurando um fuzil e com diversas explosões em uma zona de guerra ao fundo, e também traz a legenda "chega de bancar o bonzinho". (Veja na foto abaixo)
A publicação desta quarta-feira se refere a negociações entre Washington e Teerã, intermediadas pelo Paquistão, para finalizar a guerra no Oriente Médio. As tratativas estão estagnadas, com ambos os lados rejeitando propostas do outro e desentendimentos sobre negociações in loco. Além disso, o presidente norte-americano está insatisfeito com a proposta mais recente feita pelo Irã para encerrar o conflito, segundo a Reuters e o "New York Times".
Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaça Irã com montagem de explosões em publicação na rede social em 29 de abril de 2026.
Reprodução/Donald Trump no Truth Social
Ao mesmo tempo, EUA e Irã estão em um período de cessar-fogo, que pode estar com seus dias contados. Não só a publicação de Trump faz alusão a novos ataques, a agência de notícias Reuters revelou na terça-feira que os EUA estão analisando uma possível retomada dos bombardeios contra alvos militares e políticos do Irã.
Em outro âmbito, o governo Trump também avalia possíveis reações do Irã a uma eventual declaração de vitória na guerra. (Leia mais abaixo)
Segundo a Reuters, as opções militares continuam oficialmente em análise. Por outro lado, um funcionário da Casa Branca descreveu como “enorme” a pressão interna para encerrar a guerra.
Segundo uma das fontes, o Irã tem aproveitado o cessar-fogo para recuperar lançadores, munições, drones e outros equipamentos que haviam sido enterrados após bombardeios americanos e israelenses nas primeiras semanas do conflito.
Declaração de vitória
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 28 de abril de 2026
Chris Jackson/Pool via REUTERS
Agências de inteligência dos Estados Unidos estão analisando como o Irã reagiria caso o presidente Donald Trump declare vitória na guerra, segundo três fontes ouvidas pela Reuters.
O estudo foi solicitado por integrantes do alto escalão do governo com o objetivo de avaliar as consequências de um possível afastamento dos EUA no conflito. No radar está o temor de que a guerra provoque grandes perdas para o partido de Trump nas eleições legislativas deste ano.
Uma desescalada rápida poderia aliviar a pressão política sobre o presidente.
Por outro lado, autoridades acreditam que o movimento fortaleceria o Irã, permitindo que o país retome os programas nuclear e de mísseis no futuro.
Aliados americanos na região também poderiam receber novas ameaças.
Nenhuma decisão foi tomada até o momento e não há prazo definido para a conclusão da análise. Trump ainda poderia ampliar novamente as operações militares, segundo a Reuters.
Recentemente, as agências inteligência já avaliaram possíveis reações da liderança iraniana a uma declaração americana de vitória.
Após o início da ofensiva, em 28 de fevereiro, analistas concluíram que, se Trump declarasse vitória e reduzisse a presença militar dos EUA na região, o Irã provavelmente interpretaria a medida como um triunfo próprio, disse uma das fontes.
Por outro lado, caso os EUA declarassem vitória e mantivessem forte presença militar na região, o Irã poderia enxergar o gesto como uma estratégia de negociação, mas não necessariamente como o fim da guerra.
A diretora de assuntos públicos da CIA, Liz Lyons, afirmou que a agência não tem informações sobre a avaliação mencionada. A CIA não respondeu a perguntas específicas da Reuters sobre trabalhos atuais relacionados ao Irã.
O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional se recusou a comentar.
A porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, afirmou que os EUA continuam negociando com o Irã e não serão pressionados a aceitar um acordo ruim. Segundo ela, o presidente só aceitará termos que priorizem a segurança nacional e garantam que o Irã não terá armas nucleares.
Custos políticos elevados
Porta-aviões USS Gerald Ford, da Marinha dos Estados Unidos, em foto de janeiro de 2026.
Divulgação/Marinha dos EUA
Pesquisas de opinião mostram forte rejeição à guerra entre os americanos. Levantamento Reuters/Ipsos divulgado na semana passada apontou que apenas 26% dos entrevistados consideram que a campanha militar valeu o custo, enquanto 25% disseram que ela tornou os EUA mais seguros.
Pessoas familiarizadas com discussões recentes na Casa Branca afirmam que Trump está atento ao impacto político do conflito para ele e para o Partido Republicano.
Vinte dias após o presidente anunciar um cessar-fogo, esforços diplomáticos ainda não conseguiram reabrir totalmente o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.
O Irã bloqueou parcialmente a passagem ao atacar embarcações e instalar minas na região. Cerca de 20% do petróleo mundial passa pelo local.
A interrupção do fluxo elevou os custos de energia no mundo e os preços da gasolina nos Estados Unidos, aumentando a pressão econômica sobre o governo americano.
Uma redução da presença militar dos EUA combinada à suspensão do bloqueio poderia, no futuro, reduzir os preços dos combustíveis. Até agora, porém, os dois lados seguem distantes de um acordo.
No fim de semana, Trump cancelou uma viagem do enviado especial Steve Witkoff e do genro Jared Kushner ao Paquistão para reuniões com autoridades iranianas. O presidente disse que o encontro levaria “tempo demais” e que bastaria o Irã entrar em contato se quisesse negociar.
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