Israel quer retomar guerra contra o Irã, mas aguarda decisão de Trump, diz TV

Portugal enfrenta revolta de ‘golden visas’ após mudanças na lei da nacionalidade
Israel quer retomar guerra contra o Irã, mas aguarda decisão de Trump, diz TV Segundo a estatal israelense Kan, Trump vai discutir o assunto com autoridades após voltar da China. O Irã acusou os Emirados Árabes de estarem diretamente envolvidos na guerra contra o país. 'Participaram dos ataques', afirmou o chanceler iraniano nesta quinta (14), durante cúpula do Brics.. Na China, Donald Trump e Xi Jinping concordaram que o Irã não pode ter uma arma nuclear e que o Estreito de Ormuz "deve permanecer aberto", segundo a Casa Branca. . O Irã afirmou que permitiu a travessia de 30 embarcações pela via; segundo a imprensa iraniana, a China teve autorização para que seus navios passassem. . Na quarta (13), um navio com bandeira indiana naufragou no Golfo Pérsico. Nesta quinta (14), a Índia afirmou que a embarcação sofreu um ataque "inaceitável".. Líbano e Israel retomaram as negociações de paz nos Estados Unidos, às vésperas do fim de um cessar-fogo marcado por ataques israelenses que deixaram centenas de mortos.

‘Não serei muito mais paciente’: afirma Trump sobre o Irã

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Donald Trump em visita a China em maio de 2026.
Brendan Smialowski / Pool / AFP
O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que não seria muito mais paciente com o Irã enquanto pressionava Teerã a chegar a um acordo com Washington.
"Não serei muito mais paciente", disse Trump em uma entrevista exibida na noite de quinta-feira (14) na Fox News. "Eles deveriam fazer um acordo", afirmou o presidente.
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Durante a entrevista, Trump ainda disse que Xi Jinping, presidente da China, provavelmente tem habilidade para influenciar o Irã. "Os líderes do Irã com quem estamos lidando são razoáveis", completou.
Sobre o enriquecimento de Urânio do Irã, o presidente dos EUA falou que é possível enterrar o estoque, porém, prefere "recebê-lo". Isso seria um "ato de relações públicas do que qualquer outra coisa", disse.
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Guerra já custou US$ 29 bilhões
A guerra dos Estados Unidos contra o Irã já custou US$ 29 bilhões – o equivalente a cerca de R$ 142 bilhões – aos cofres norte-americanos, afirmou nesta terça-feira (12) um alto funcionário do Pentágono.
Jules Hurst, que está exercendo as funções de controlador do orçamento gasto no confronto, falou a legisladores dos EUA e afirmou que esse valor inclui reparos e substituição de equipamentos atualizados, além de custos operacionais.
A soma é US$ 4 bilhões acima da declarada, há pouco menos de duas semanas, pelo secretário de Guerra dos EUA, Pete Hegseth, durante uma sabatina no Congresso, na primeira vez que o governo dos EUA falou publicamente sobre os custos da guerra.
Pete Hegseth afirmou que os EUA obtiveram 'vitória militar com V maiúsculo'
Getty Images via BBC
No dia 29 de abril, Hegseth foi questionado sobre a proposta de Orçamento de 2027 das Forças Armadas, que o governo Trump propõe elevar para US$ 1,5 trilhão (cerca de R$ 7,5 trilhões). Ele confirmou que o presidente pretende levar a proposta adiante e argumentou que os EUA precisam "construir um Exército que nossos adversários temam".
O secretário e o chefe das Forças Armadas também defenderam necessidade de mais drones, de sistemas de defesa antimísseis e de navios de guerra. E Hegseth negou que o conflito seja um "atoleiro", diante de críticas tanto de democratas quanto de republicanos de que a guerra esteja durando mais que o previsto.
"A guerra com o Irã não é um atoleiro, e as críticas dos legisladores democratas dos EUA representam uma vitória de propaganda para o Irã", declarou.
Congressistas acusam o governo Trump de não consultar o Legislativo antes de iniciar o conflito, que atualmente está em um período de cessar-fogo. Deputados chegaram a tentar aprovar resoluções para limitar os poderes do presidente dos EUA na guerra, mas as medidas não passaram.
O presidente dos EUA, Donald Trump, classificou nesta segunda-feira (11) como “estúpida” e "lixo" a mais recente proposta apresentada pelo Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio e afirmou que o cessar-fogo entre os dois países, em vigor há mais de um mês, está “por um fio”.
Nesta terça-feira, um porta-voz do Parlamento iraniano afirmou que o regime vai avaliar a possibilidade de enriquecer urânio a 90% de pureza, suficiente para construir uma ogiva nuclear, caso os Estados Unidos retomem os ataques na guerra.
*Com informações da Reuters.

EUA planejam indiciar Raúl Castro, ex-presidente de Cuba

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Raúl Castro em 1º de maio de 2025 em Havana, Cuba
Norlys Perez / Reuters
Os Estados Unidos planejam indiciar o presidente cubano Raúl Castro, disse um funcionário do Departamento de Justiça dos EUA na noite de quinta-feira (14).
O momento da possível acusação, que precisaria ser aprovada por um grande júri, não ficou imediatamente claro, mas a fonte oficial disse que parece iminente.
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Trump posta mapa da Venezuela como 51º estado dos EUA
A possível acusação contra o ex-presidente de Cuba e irmão de Fidel Castro, de 94 anos, deverá se concentrar na queda de aeronaves, disse a fonte oficial sob condição de anonimato. A queda de avião que pode motivar o indiciamento do ex-líder cubano seria o abate fatal, em 1996, de aviões operados pelo grupo humanitário Irmãos ao Resgate.
Representantes do ministério das relações exteriores de Cuba e do Departamento de Justiça dos EUA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
A notícia do indiciamento ocorre em meio a tensões intensificadas entre Washington e Havana. O governo Trump descreveu o atual governo de Cuba, liderado por comunistas, como corrupto e incompetente, e está pressionando por uma mudança de regime.
O presidente Donald Trump tem acumulado pressão sobre a ilha, impondo efetivamente um bloqueio ao ameaçar com sanções os países que a fornecem combustível, provocando apagões e desferindo golpes em sua economia.
A Procuradoria dos EUA para o Distrito Sul da Flórida tem supervisionado um esforço para examinar possíveis acusações criminais contra altos funcionários do governo cubano.
Autoridades de ambos os países reconheceram no início deste ano que estavam em negociações, mas as tratativas pareceram fracassar em meio ao contínuo bloqueio de combustível por parte dos EUA.
No entanto, na quinta-feira, o governo cubano confirmou que se encontrou com o chefe da CIA, John Ratcliffe.
Avião do governo dos EUA avistado no Aeroporto Internacional de Havana nesta quinta-feira (14)
REUTERS/Norlys Perez
Ratcliffe disse a oficiais de inteligência em Cuba que os EUA estavam dispostos a se engajar em questões de segurança econômica se Cuba fizesse "mudanças fundamentais", disse um funcionário da CIA.
Os Estados Unidos já utilizaram anteriormente casos criminais contra figuras políticas estrangeiras para justificar ações militares.
Em janeiro, quando os militares dos EUA atacaram a Venezuela, o governo Trump descreveu a incursão como uma "operação de aplicação da lei" para levar o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, a Nova York para enfrentar acusações criminais.
Em março, Trump ameaçou que Cuba "é a próxima" depois da Venezuela.
EUA oferece auxílio humanitário a Cuba
O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou nesta quinta-feira (14) que o levantamento do "bloqueio" imposto pelos Estados Unidos seria "uma forma mais fácil" de ajudar a ilha, após a oferta de auxílio humanitário de 100 milhões de dólares (R$ 498 milhões) feita por Washington.
Imagens de satélite mostram apagão em Cuba após colapso no fornecimento de energia; FOTO
Cuba está submetida, desde o fim de janeiro, a um bloqueio energético dos Estados Unidos e enfrenta há vários dias uma crise energética muito grave, que provoca cortes de eletricidade e uma crescente exasperação da população.
"Os danos poderiam ser aliviados de uma maneira mais fácil e rápida com o levantamento ou o afrouxamento do bloqueio, pois se sabe que a situação humanitária é friamente calculada e induzida" por Washington, escreveu Díaz-Canel no X.
O anúncio acontece depois de o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, dizer nesta quarta-feira (14), que estava considerando aceitar a ajuda de 100 milhões de dólares oferecida pelos Estados Unidos sob a condição de que seja distribuída através da Igreja católica.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, em 16 de janeiro de 2026
REUTERS/Norlys Perez
"Estamos dispostos a escutar as características da oferta e a forma como se materializaria", respondeu, nesta quinta, o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, no X.
Os Estados Unidos afirmam que a situação em Cuba se deve à má gestão econômica interna.
Nesta quarta-feira (14), o leste de Cuba sofreu um apagão maciço e Havana foi cenário de panelaços de protesto na noite passada, após o anúncio do governo de que suas reservas de combustível "se esgotaram" devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos.
Os apagões, habituais há meses, se agravaram nas últimas horas. Segundo dados oficiais compilados pela AFP, 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia na última terça-feira.
Devido à asfixia do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, as reservas de combustível de Cuba já "se esgotaram", informou o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, em declarações à televisão estatal na quarta-feira.
*Com informações da French Press e Reuters.

Mesmo com banquete e troca de elogios, visita de Trump à China termina com impasses em temas sensíveis

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Donald Trump e Xi Jinping se reúnem em Pequim para encontro histórico
A visita do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à China termina nesta sexta-feira (15). O norte-americano foi recebido por Xi Jinping com uma grande cerimônia em Pequim e um banquete oficial. Na prática, porém, temas sensíveis entre os dois países continuam sem solução.
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▶️ Contexto: Essa foi a segunda vez em menos de um ano que Trump e Xi se encontraram presencialmente. Ao contrário da reunião de outubro de 2025, poucos anúncios concretos sobre avanços foram feitos.
Xi sinalizou interesse em ampliar a cooperação entre China e Estados Unidos em áreas que vão do comércio ao turismo.
O líder chinês também afirmou que vai abrir ainda mais as portas para empresas americanas envolvidas na abertura econômica do país.
Segundo a China, os dois países traçaram uma agenda para direcionar a relação bilateral pelos próximos três anos.
Trump, por sua vez, anunciou que a China concordou em comprar aviões americanos e disse que os dois países terão um “futuro fantástico”, com relações cada vez melhores.
Apesar de Trump ter passado dois dias na China, o primeiro encontro foi o mais decisivo para a relação entre os dois países. Foi na reunião bilateral no Grande Salão do Povo que houve troca de elogios, mas também alertas.
O início da reunião foi aberto à imprensa, com Xi sendo o primeiro a discursar. O líder chinês adotou um tom cordial ao exaltar as relações com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que deixou sinais da tensão entre os dois países.
O presidente chinês afirmou que o mundo está diante de uma nova encruzilhada e que os interesses em comum entre China e Estados Unidos superam as diferenças.
Xi também citou a chamada “armadilha de Tucídides” ao questionar se China e Estados Unidos conseguirão evitar um confronto entre grandes potências.
A expressão é usada para descrever o risco de guerra quando uma potência emergente desafia uma potência dominante.
“Devemos ser parceiros, não rivais. Devemos ajudar uns aos outros a ter sucesso, prosperar juntos e encontrar a forma adequada para que grandes países convivam na nova era”, afirmou Xi.
Enquanto isso, Trump pareceu improvisar no discurso e elogiou a cerimônia de recepção, com direito a tapete vermelho, desfile militar e crianças pulando.
O presidente americano classificou o encontro como “uma honra como poucas” já vividas e disse acreditar em um futuro positivo para a cooperação entre as duas potências.
Trump também chamou Xi de “grande líder” e “amigo”. Segundo ele, respeita a China e o trabalho realizado pelo presidente chinês.
“Você é um grande líder. Digo isso a todo mundo. Às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas digo mesmo assim porque é verdade. Eu só digo a verdade.”
Depois da troca cordial, a reunião foi fechada para a imprensa.
Impasses
Xi Jinping e Donald Trump em Pequim, em 14 de maio de 2026
Reuters
Segundo a imprensa chinesa, Xi Jinping deixou claro na reunião a portas fechadas que o principal ponto de atrito entre China e EUA é Taiwan. O líder chinês disse que, se o tema não fosse conduzido de maneira adequada, os dois países poderiam entrar em choque e até em um possível conflito.
Taiwan é um dos principais pontos de tensão entre as duas potências.
A China considera a ilha parte do território chinês, enquanto os EUA atuam para garantir a autonomia da região.
Nos últimos anos, os EUA forneceram armas a Taiwan, o que irritou Pequim.
Em resposta, o governo chinês ampliou a presença militar no entorno da ilha, o que também provocou críticas americanas.
A informação circulou na imprensa internacional e foi vista como uma linha vermelha imposta por Xi durante o encontro.
Um posicionamento público da Casa Branca só veio horas depois, quando o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que seria um “erro terrível” se a China tentasse tomar Taiwan à força.
Em entrevista à rede americana NBC, Rubio afirmou que a posição dos EUA sobre a autonomia da ilha não mudou. Segundo ele, os Estados Unidos seguem adotando uma “ambiguidade estratégica” sobre o tema nas interações com o governo chinês.
O secretário de Estado também afirmou que a venda de armas americanas para Taiwan “não teve destaque” nas conversas com os chineses.
Além de Taiwan, a situação no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e as tensões na Península Coreana também foram discutidas por Trump e Xi, segundo a imprensa chinesa. A questão do Irã chamou mais atenção.
A Casa Branca afirmou que os dois líderes concordaram que o Estreito de Ormuz precisa ser reaberto e que Xi demonstrou interesse em comprar petróleo americano para reduzir a dependência da produção do Oriente Médio.
Em entrevista à Fox News, Trump disse que Xi garantiu que a China não fornecerá “equipamentos militares” ao Irã.
O presidente dos EUA também afirmou que Xi demonstrou incômodo com a cobrança de taxas do Irã para embarcações passarem pelo Estreito de Ormuz.
Já segundo Rubio, Trump não pediu ajuda à China em relação à guerra no Irã.
Até a publicação desta reportagem, também não havia informações sobre discussões envolvendo armas nucleares. Antes do encontro uma autoridade do governo chinês disse à Reuters que Xi não tem interesse em discutir o tema neste momento.
Banquete e mais elogios
Púlpito decorado com flores em banquete de Estado com presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, em Pequim, na China, em 14 de maio de 2026.
REUTERS/Evan Vucci
Após a reunião bilateral, Trump e Xi visitaram o Templo do Céu, em Pequim. O passeio durou menos de uma hora. Os dois líderes foram vistos sorrindo para fotos e trocando algumas palavras. O presidente americano disse que a reunião no Grande Salão do Povo tinha sido “ótima”.
Mais tarde, Xi ofereceu um banquete para Trump. Os dois voltaram a trocar elogios. O presidente chinês disse que a visita do norte-americano a Pequim foi histórica e que os dois tiveram uma “troca de opiniões profunda”.
Já Trump voltou a chamar Xi de “amigo” e disse que as discussões foram extremamente positivas e construtivas. Segundo o presidente americano, a relação entre Estados Unidos e China “é uma das mais importantes da história mundial”.
Antes do retorno para Washington, Trump ainda deve participar nesta sexta de um chá e um almoço com Xi Jinping. Os dois também devem fazer uma fotografia oficial do encontro.
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Portugal enfrenta revolta de ‘golden visas’ após mudanças na lei da nacionalidade

Portugal enfrenta revolta de ‘golden visas’ após mudanças na lei da nacionalidade
Passaporte português.
Getty Images/iStockphoto
Com regras mais rígidas, a nova Lei da Nacionalidade em Portugal abalou a confiança em um dos programas de residência por investimento mais conhecidos da Europa: os golden visas, vistos especiais criados depois da crise econômica de 2008 para atrair investimento estrangeiro e gerar empregos.
Com as mudanças, que duplicaram o tempo para obtenção da nacionalidade, centenas de investidores estão prontos para processar o Estado português.
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Muitos investidores estrangeiros em Portugal estão cancelando pedidos de obtenção da cidadania após as novas exigências na Lei da Nacionalidade. Mais de 500 detentores dos vistos golden – na maioria americanos, mas também há brasileiros – pretendem entrar com uma ação judicial coletiva contra o Estado português pela quebra de confiança na legislação.
Eles alegam que o governo de Portugal não cumpriu os contratos celebrados quando aumentou os prazos para a obtenção da nacionalidade.
De acordo com as novas regras, o tempo mínimo de residência legal no país para pedido de nacionalidade passa de cinco para sete anos no caso de brasileiros, cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da União Europeia; e de cinco para dez anos para os demais estrangeiros.
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Esta “puxada de tapete” está atingindo todos aqueles que apesar de terem dado entrada no pedido de autorização de residência, não haviam ainda conseguido atingir o prazo de cinco anos.
Os detentores desses “passaportes dourados” se sentem enganados, e dispõem de recursos financeiros para acionar o Estado na Justiça. Em contraste, a dura realidade dos imigrantes comuns – entre eles milhares de brasileiros – é marcada por um impacto profundo em suas vidas, ao verem adiado o sonho da cidadania portuguesa.
A advogada Ana Pacheco Araújo, especialista em imigração e direito internacional, explica à RFI: “É legítimo que o Estado altere a legislação conforme considere oportuno. O problema está na ausência de um regime transitório claro, já que a lei entra em vigor no dia seguinte à sua publicação no Diário da República, sem uma regulamentação com prazo definido e efetivamente cumprido. Ou seja, é preciso ter a segurança jurídica e que o princípio da confiança seja respeitado”, conclui.
Os 'Passaportes dourados'
Portugal lançou os golden visas (ARI – Autorização de Residência para Investimento) em 2012, para atrair capital estrangeiro de fora da União Europeia.
Desde então, mais de 12 mil investidores chineses, brasileiros, americanos, russos, entre outras nacionalidades, se beneficiaram deste regime ganhando a cidadania portuguesa em troca de bilhões de euros injetados em terras lusas.
No início eram basicamente investimentos no mercado imobiliário português, mas a compra de imóveis para obter os golden visas não é mais válida, pois este programa foi responsável pela explosão dos preços das moradias em Portugal e dificultou o acesso à habitação para residentes locais.
Em 2023, o governo português mudou as regras para cumprir as diretrizes europeias e o foco passou a ser investimentos financeiros em fundos e capital de risco.
Atualmente, quem busca a cidadania portuguesa através dos vistos dourados deve investir no mínimo € 500 mil (R$ 2.92 milhões, na cotação atual) em fundos de investimentos destinados à capitalização de empresas.
A geração de empregos e a criação de pelo menos dez postos de trabalho no país é outra possibilidade; ou então, apoio à produção artística, recuperação ou manutenção do patrimônio cultural nacional no valor de pelo menos € 250 mil (R$ 1.46 milhão, na cotação atual) ou ainda a injeção de € 500 mil em projetos de investigação científica.
A União Europeia sempre criticou os golden visas ao ressaltar que eles apresentam riscos de segurança, corrupção e evasão fiscal. Não são poucos os casos com suspeita de dinheiro de origem ilícita. A preocupação de Bruxelas é que ao obter a cidadania de um dos países do bloco ganha-se também o direito de circular livremente pelo espaço Schengen.
Portugal dificulta concessão de cidadania para imigrantes, inclusive brasileiros
Jornal Nacional/ Reprodução
A nova lei
O decreto da nova Lei da Nacionalidade promulgado na semana passada pelo presidente António José Seguro foi aprovado por dois terços do Parlamento português. Agora, o governo tem um prazo de três meses para fazer alterações no chamado Regulamento de Nacionalidade Portuguesa, e indicar quais serão as regras legais para obtenção da cidadania.
Em sua nota de promulgação, Seguro pediu que os processos pendentes não sejam afetados e que ninguém seja prejudicado pela morosidade do Estado. A vida real, no entanto, mostra justamente o contrário. Há mais de 100 mil processos de cidadania/residência parados na Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), e em alguns casos, a espera por uma resposta já dura mais de quatro anos.