Megaprojetos em tempo recorde: como China foi de cenário de pobreza a referência global em infraestrutura

Ataque com drones da Ucrânia provoca incêndio em refinaria de petróleo na Rússia
De Nova York a Xangai: uma viagem nos trilhos da disputa entre EUA e China
A experiência de sair de um aeroporto e chegar ao centro da cidade em poucos minutos ajuda a traduzir o ritmo das transformações urbanas na China. Em Xangai, um trem de levitação magnética — que não toca os trilhos — pode atingir mais de 400 km/h e conecta diferentes pontos da metrópole em questão de minutos.
Mais do que uma inovação tecnológica, o sistema virou símbolo de um modelo de desenvolvimento baseado em três pilares: velocidade, escala e planejamento.
Veja acima o vídeo da série 'Entre Dois Mundos', no Fantástico.
Nas últimas décadas, o país asiático saiu de um cenário de pobreza para se tornar referência global em infraestrutura. Aeroportos, linhas de metrô e estações ferroviárias são construídos em ritmo acelerado e, muitas vezes, replicados em diferentes regiões com padrões semelhantes — como peças de um grande sistema.
Segundo especialistas, a lógica por trás desse avanço está na capacidade de planejar e executar projetos de longo prazo sem interrupções políticas. Com o mesmo grupo no poder há décadas, o país consegue alinhar decisões estratégicas e manter continuidade nas obras, algo mais difícil em democracias com alternância de governo e disputas políticas.
A escala também é um fator determinante. Grandes projetos são pensados para atender milhões de pessoas e replicados em diversas cidades, o que reduz custos por unidade. Na prática, isso significa que obras complexas podem ser concluídas em poucos anos e com orçamento menor do que projetos semelhantes em países ocidentais.
A combinação entre velocidade e escala impacta diretamente o custo final. Especialistas explicam que quanto mais rápido uma obra é concluída, menores são os gastos com atrasos, revisões e mudanças de projeto — um problema comum em grandes empreendimentos ao redor do mundo.
Além disso, o uso intensivo de dados tem ganhado espaço no planejamento urbano chinês. Informações sobre deslocamento, consumo e comportamento da população ajudam autoridades a tomar decisões sobre onde investir e como expandir a infraestrutura, tratando as cidades como sistemas dinâmicos em constante adaptação.
Apesar dos avanços, o modelo também levanta questionamentos. A rapidez na execução muitas vezes vem acompanhada de decisões centralizadas, que podem incluir a realocação de moradores para dar lugar a novos projetos. Em alguns casos, famílias são transferidas para áreas mais distantes, com compensações financeiras ou novos imóveis — um processo que nem sempre ocorre sem resistência.
Especialistas destacam que esse é o principal dilema do modelo chinês: a capacidade de transformar rapidamente o espaço urbano, mas com menor peso para decisões individuais. Em contrapartida, países com processos mais participativos enfrentam maior lentidão, custos elevados e entraves políticos.
China ou EUA: quem vai liderar o futuro? Série estreia mostrando as diferenças entre Xangai e Nova York
China constrói mais rápido e barato que os EUA; veja comparação entre Xangai e Nova York
Trem mais rápido do mundo na China
Reprodução/TV Globo
Hoje, cidades como Xangai se tornaram vitrines desse modelo, reunindo arranha-céus, sistemas de transporte modernos e obras que impressionam pela escala. Ao mesmo tempo, expõem um debate mais amplo sobre o futuro das metrópoles: até que ponto é possível equilibrar eficiência, custo e participação social no desenvolvimento urbano.
A resposta, ainda em construção, ajuda a explicar por que a infraestrutura se tornou peça central na disputa global por influência e desenvolvimento no século 21.
O que explica avanço acelerado da infraestrutura na China
o que explica avanço acelerado da infraestrutura na China

Ninguém é dono de imóvel na China? Entenda o sistema em que a terra é do Estado e moradores podem ser realocados

Na China, governo é dono da terra e moradores vivem sob concessão de 70 anos; entenda
Como mostrado na série "Entre Dois Mundos", do Fantástico, na China, ninguém é dono definitivo da terra onde vive. No sistema chinês, toda a terra pertence ao Estado. Quem compra um apartamento recebe uma concessão de uso válida por 70 anos.
Esse modelo tem impacto direto na forma como as cidades se desenvolvem. Em Xangai, por exemplo, bairros inteiros podem ser demolidos e reconstruídos em poucos anos. Quando o governo decide que uma área será transformada — seja para abrir uma avenida, erguer prédios comerciais ou modernizar a região — os moradores têm duas opções: aceitar uma indenização financeira ou trocar o imóvel por outro indicado pelo governo.
Foi o que aconteceu com a senhora Wang e o filho, Lawrence. Eles moravam perto do centro de Xangai, em um apartamento pequeno, até serem informados de que a região seria demolida para dar lugar a novos empreendimentos. A decisão veio do governo. Em troca, a família recebeu um imóvel novo, localizado a cerca de uma hora e meia da antiga casa — agora maior, com três quartos e infraestrutura moderna.
“A maioria das pessoas aceita a mudança”, conta Lawrence. Segundo ele, muitos moradores veem a realocação como uma oportunidade de melhorar de vida, já que os novos apartamentos costumam ser mais espaçosos e novos.
Mas há quem não concorde. Os mais velhos, que passaram a vida inteira no mesmo bairro, sentem o peso da ruptura.
"Acontece com algumas pessoas mais velhas, que moram no mesmo lugar desde a infância, com vizinhos antigos, amigos e parentes por perto. Se você muda para um lugar novo, essas relações se rompem", diz Wang.
China ou EUA: quem vai liderar o futuro? Série estreia mostrando as diferenças entre Xangai e Nova York
Esse modelo é uma das engrenagens que explicam a rapidez das obras chinesas. Com um único partido no poder há décadas, o país consegue planejar e executar grandes projetos sem os embates políticos, disputas judiciais e interesses privados comuns em democracias ocidentais.
Em Xangai, bairros inteiros são redesenhados como peças de um grande quebra-cabeça urbano. Quarteirões antigos cercados por arranha-céus indicam que sua vez de desaparecer pode chegar a qualquer momento.
É o preço da coordenação estatal: projetos avançam rapidamente, mas as vontades individuais contam pouco. Um contraste direto com cidades como Nova York, onde a propriedade privada e a resistência de moradores podem atrasar obras por décadas.
LEIA TAMBÉM:
Megaprotejos em tempo recorde: como China foi de cenário de pobreza a referência global em infraestrutura
China constrói mais rápido e barato que os EUA; veja comparação entre Xangai e Nova York
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
De Nova York a Xangai: uma viagem nos trilhos da disputa entre EUA e China

Líderes do Golfo se reúnem na Arábia Saudita para discutir respostas aos ataques do Irã

Ataque com drones da Ucrânia provoca incêndio em refinaria de petróleo na Rússia
Desde o início da guerra, o Irã tem atacado bases americanas e posições estratégicas no Kuwait, Catar e refinaria de petróleo do Bahrein
Jornal Nacional/ Reprodução
A Arábia Saudita vai sediar nesta terça-feira (28), uma reunião extraordinária do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). Será o primeiro encontro presencial de líderes da região desde que seus países passaram a integrar diretamente o conflito com o Irã, há dois meses.
Segundo uma autoridade do Golfo, que falou sob condição de anonimato, o objetivo é elaborar uma resposta aos milhares de ataques com mísseis e drones lançados pelo Irã contra países do bloco desde o início da guerra. O conflito começou em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o território iraniano.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
A guerra provocou danos a infraestruturas energéticas estratégicas em todos os seis países do GCC. Empresas ligadas aos EUA, além de instalações civis e bases militares, também foram alvo.
Os ataques diminuíram após o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã em 8 de abril. Ainda assim, capitais do Golfo seguem em alerta diante do risco de retomada dos confrontos, enquanto negociações entre Washington e Teerã por um acordo permanente seguem sem resultado.
ATAQUE — Irã ataca complexo de gás no Catar e causa danos extensos em Ras Laffan.
O emir do Catar, o príncipe herdeiro do Kuwait e o rei do Bahrein confirmaram presença na reunião, segundo agências estatais. Ainda não está claro quem representará Omã e os Emirados Árabes Unidos, os outros integrantes do GCC ao lado da Arábia Saudita, onde fica a sede do bloco.
A atuação do GCC na guerra tem sido alvo de críticas dos Emirados Árabes Unidos, que consideram a resposta do grupo insuficiente.
“É verdade que, do ponto de vista logístico, os países do GCC se apoiaram, mas politicamente e militarmente, acredito que a posição foi a mais fraca da história”, afirmou Anwar Gargash, alto funcionário dos Emirados, durante uma conferência no país na segunda-feira.
“Eu esperava uma posição fraca como essa da Liga Árabe, e não me surpreende. Mas não esperava isso do GCC — e isso me surpreende.”

Quem em Teerã influencia as negociações entre os EUA e o Irã

Desde 8 de abril, os Estados Unidos buscam um acordo com o Irã para encerrar a guerra. No entanto, as conversações, conduzidas por meio de mediadores, estão estagnadas.
O impasse se agravou no fim de semana passado, depois que o ministro do Exterior do Irã, Abbas Araghchi, deixou o Paquistão sem demonstrar qualquer intenção de dialogar com Washington, que, por sua vez, cancelou a viagem a Islamabad dos enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Segundo o portal de notícias Axios, o Irã apresentou aos EUA uma nova proposta de negociação para reabrir o Estreito de Ormuz, pôr fim à guerra e adiar as negociações sobre o programa nuclear iraniano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, vê a razão para o impasse na situação caótica da política interna iraniana.
"O Irã está tendo grandes dificuldades para descobrir quem realmente é o seu líder", escreveu ele na quinta-feira passada (23/04) na rede social Truth Social. Haveria uma disputa de poder entre os "linhas-duras" e os "moderados, que nem são tão moderados assim, mas que vêm ganhando aceitação".
No mesmo dia, a emissora CNN informou que os militares dos EUA estariam planejando, entre outras ações, ataques direcionados contra líderes militares iranianos específicos, bem como contra outras pessoas que, na avaliação americana, estariam sabotando ativamente as negociações.
No topo dessa lista deve estar Ahmad Vahidi, que desde março de 2026 está à frente da Guarda Revolucionária do Irã.
Ahmad Vahidi, comandante-chefe da Guarda Revolucionária
Como comandante-chefe da Guarda Revolucionária do Irã, Vahidi, de 68 anos, sucedeu Mohammad Pakpour, que foi morto em 28 de fevereiro de 2026 junto com vários comandantes de alto escalão da Guarda Revolucionária, durante uma reunião com o então líder supremo, Ali Khamenei.
Vahidi não é um desconhecido nem no Irã nem fora do país. Desde 2007, a Interpol, uma organização internacional de cooperação policial criminal, o procura por seu suposto envolvimento no atentado a bomba contra o centro comunitário judaico Amia (Asociación Mutual Israelita Argentina), em Buenos Aires.
Investigadores argentinos consideram Vahidi um dos mentores daquele ataque, que deixou 85 mortos e mais de 300 feridos. À época do atentado, Vahidi era comandante da Força Quds, uma unidade de elite da Guarda Revolucionária do Irã que é responsável por operações no exterior.
Vahidi ingressou na Guarda Revolucionária aos 20 anos e fez carreira durante a Guerra Irã-Iraque (que ocorreu entre 1980 e 1988). Posteriormente tornou se comandante da Força Quds, cargo que ocupou até 1997.
Ele é considerado um aliado próximo dos linha duras. Sob o presidente Mahmoud Ahmadinejad (2009 2013), foi ministro da Defesa. Sob o presidente Ebrahim Raisi, Vahidi foi ministro do Interior entre 2021 e 2024.
Durante o movimento de protesto Mulher, Vida, Liberdade, após a morte da mulher curda iraniana Jina Mahsa Amini sob custódia policial em 2022, Vahidi foi considerado uma das figuras centrais na repressão dos protestos e um defensor ferrenho da obrigatoriedade do uso do véu.
Segundo fontes iranianas, Vahidi também faria parte do círculo interno das pessoas que mantêm contato direto com o novo líder supremo da revolução islâmica, Mojtaba Khamenei.
Na avaliação dos think tanks americanos Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) e Critical Threats Project (CTP), a atual situação no Irã indica que Vahidi pode se fortalecer na disputa interna de poder mais do que o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, que é associado ao campo moderado, o qual defende negociações diretas com os EUA.
Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento
Ghalibaf é um dos políticos mais influentes do país, também com ligações estreitas com a Guarda Revolucionária. Desde 2020, ele é o presidente do Parlamento iraniano.
Nascido em 1961, juntou se à Guarda Revolucionária após a revolução. Durante a guerra entre o Irã e o Iraque, foi comandante da Guarda Revolucionária e posteriormente ascendeu ainda mais no aparato de segurança.
Como presidente do Parlamento, ele conduziu as primeiras negociações diretas com os EUA no Paquistão. Ainda não está claro se continuará exercendo esse papel.
Conflitos internos com forças ultrarradicais sobre o rumo das negociações são oficialmente negados. Na disputa interna de poder, Ghalibaf teria alertado internamente de forma contundente sobre a influência de figuras como Saeed Jalili, que, segundo ele, "destruirão o Irã". De acordo com o portal iraniano de notícias Jamaran, um assessor do presidente do Parlamento negou essas informações.
Said Jalili, o linha dura
A emissora americana Fox News informou em 26 de abril que Jalili, um "ultralinha dura que zombou de Trump", estaria prestes a assumir as negociações sobre as questões nucleares. Não há confirmação oficial do Irã sobre uma mudança na equipe de negociação.
Jalili, que nasceu em 1965, é um dos linhas-duras mais conhecidos do sistema político iraniano e rejeita qualquer aproximação com o Ocidente. Como muitos de sua geração, alistou se voluntariamente no Exército durante a Guerra Irã-Iraque e perdeu parte da perna direita em combate. Após a guerra, iniciou sua carreira no Ministério do Exterior em 1989.
Mais tarde, trabalhou no gabinete do líder supremo e foi, de 2007 a 2013, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e, simultaneamente, chefe negociador do programa nuclear. Nesse papel, conduziu as negociações com o Ocidente numa direção cada vez mais confrontacional, contribuindo para novas sanções da ONU contra o Irã.
Após as recentes declarações de Trump, posicionou se de forma demonstrativa ao lado do governo e apoiou a linha oficial iraniana. Jalili e outros dirigentes publicaram nas redes sociais mensagens praticamente idênticas, afirmando: "No nosso Irã não existem linhas duras nem moderados".
A mensagem continuava: "Todos nós somos 'iranianos' e 'revolucionários', e com a unidade de ferro entre povo e Estado, em completa lealdade ao Líder Supremo da Revolução, obrigaremos o agressor criminoso a se arrepender".
Mojtaba Khamenei, o líder supremo do Irã
O líder supremo é Mojtaba Khamenei, nascido em 1969, segundo filho do ex-líder supremo iraniano Ali Khamenei. Após a morte do pai, em fevereiro de 2026, ele foi escolhido pela Assembleia dos Peritos, composta por 88 membros, como sucessor e novo líder supremo.
Desde que assumiu o cargo, em 8 de março de 2026, seus apoiadores aguardam um sinal público. Até hoje, porém, não há vídeo oficial nem gravação de áudio dele. Ao contrário de seu pai ou do líder da Revolução, o aiatolá Ruhollah Khomeini, Mojtaba não é conhecido como orador e sempre atuou nos bastidores.
Muitos se perguntam se ele de fato sobreviveu ao ataque com cerca de 30 mísseis contra os complexos residenciais e de escritórios de seu pai.
Segundo uma reportagem do New York Times, ele estaria gravemente ferido e sendo tratado num local secreto, sem comunicação eletrônica e sob a supervisão de um pequeno círculo de médicos de confiança. De acordo com a reportagem, o presidente Masoud Pezeshkian, cirurgião cardíaco, também estaria envolvido em seu tratamento.
Masoud Pezeshkian, o presidente
Pezeshkian é presidente do Irã desde julho de 2024. Nascido em 1954 em Mahabad, é cirurgião cardíaco de formação e foi ministro da Saúde entre 2001 e 2005, durante o governo do presidente Mohammad Khatami. Mais tarde, foi por muitos anos deputado por Tabriz e, de 2016 a 2020, vice-presidente do Parlamento.
No sistema político do Irã, o presidente está hierarquicamente abaixo do líder supremo, que detém o controle efetivo sobre as Forças Armadas, a Guarda Revolucionária, o Judiciário e a política externa estratégica.
Pezeshkian enfatiza repetidamente a necessidade de negociações com os EUA e defende "conversas justas e em pé de igualdade". Ele apoia oficialmente Ghalibaf, que, como presidente do Parlamento, estabeleceu os primeiros contatos diretos nas negociações com os EUA no Paquistão.
Abbas Araghchi, o ministro do Exterior
Araghchi também reforça essa mensagem em suas declarações públicas. Nascido em 1962, Araghchi é ministro do Exterior do Irã desde 2024 e o rosto público das negociações com os EUA.
Ainda adolescente, participou da Revolução Iraniana e lutou na Guerra Irã-Iraque como membro da Guarda Revolucionária. Araghchi ingressou no Ministério do Exterior em 1989 e foi, entre outros cargos, embaixador na Finlândia (1999-2003) e no Japão (2007-2011), além de ter ocupado diversas vezes os cargos de vice-ministro e porta voz do ministério. Em 2015, foi o chefe negociador do Irã nas conversações que levaram ao Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA), conhecido como o acordo nuclear iraniano.
Nos últimos dias, Araghchi viajou para o Paquistão e Omã e, nesta segunda feira (27/04), para a Rússia, para manter conversações. Ao mesmo tempo, encontra se no centro de intensas atividades diplomáticas.
A agência de notícias iraniana Fars, próxima à Guarda Revolucionária, informou ainda que o Irã teria enviado "mensagens escritas" ao governo dos EUA por meio do Paquistão. Essas mensagens tratariam das "linhas vermelhas da República Islâmica do Irã", incluindo o programa nuclear e o Estreito de Ormuz. Segundo a reportagem, porém, esses temas não fazem parte das negociações oficiais.

Ataque com drones da Ucrânia provoca incêndio em refinaria de petróleo na Rússia

Ataque com drones da Ucrânia provoca incêndio em refinaria de petróleo na Rússia
Incêndio após ataque em refinaria de petróleo de Tuapse, na Rússia
MÍDIA SOCIAL/via REUTERS
Um ataque com drones ucranianos provocou um grande incêndio em uma refinaria de petróleo russa na cidade de Tuapse nesta terça-feira (28), disseram autoridades. Este foi o terceiro ataque ao porto no Mar Negro em menos de duas semanas.
As Forças Armadas da Ucrânia confirmaram que realizaram a ação, a mais recente de uma série intensificada de ataques da guerra entre os países com o objetivo de interromper a indústria petrolífera da Rússia e reduzir as receitas que ajudam Moscou a financiar a guerra na Ucrânia.
Imagens nas redes sociais mostraram uma densa fumaça preta saindo da área da refinaria. A agência estatal de defesa do consumidor orientou os moradores a permanecerem em casa e manterem as janelas fechadas.
Após um ataque anterior, em 20 de abril, uma “chuva preta” caiu sobre a cidade, deixando um resíduo oleoso.
A refinaria havia interrompido a produção em 16 de abril devido a danos causados por drones ao porto, o que impossibilitou o escoamento da produção, disseram fontes do setor à Reuters. Pelo menos três pessoas morreram nos ataques, segundo autoridades, e um deles provocou um derramamento de petróleo no mar.
Tuapse também é um destino turístico de praia bastante popular.
O chefe do distrito de Tuapse, Sergei Boyko, ordenou nesta terça-feira que moradores que vivem perto da refinaria evacuassem a área de ônibus em direção a uma escola local.
Moradores expressam revolta após ataque
Nas redes sociais, alguns moradores manifestaram indignação e questionaram por que as defesas aéreas não foram reforçadas para evitar um terceiro ataque consecutivo.
Em um chat local, alguns reclamaram que as autoridades em Moscou estariam sendo indiferentes à situação da população.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que as autoridades estão “trabalhando intensamente” para combater os ataques de drones ucranianos.
Em sua coletiva diária, Peskov foi questionado sobre a possibilidade de declarar emergência ambiental e sobre a necessidade de evacuar moradores para evitar exposição a emissões tóxicas.
Ele respondeu que medidas estão sendo adotadas no nível apropriado e que não tinha mais comentários a acrescentar.
A Ucrânia intensificou os ataques contra alvos energéticos russos desde março, enquanto as negociações mediadas pelos Estados Unidos sobre a guerra estão paralisadas, com Washington focado principalmente no conflito com o Irã.
A refinaria de Tuapse tem capacidade anual de produção de cerca de 12 milhões de toneladas métricas, ou 240 mil barris por dia, produzindo nafta, diesel, óleo combustível e gasóleo de vácuo.