De ICE para NICE: Trump apoia mudar sigla da agência que caça imigrantes para nome que significa ‘legal’

Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington
Casa Branca posta imagem em defesa da mudança da sigla ICE para NICE
Reprodução
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoiou a ideia dada por uma usuária de redes sociais de mudar a sigla do ICE, a agência de Imigração e Fronteira dos EUA, para NICE, segundo postou a Casa Branca nesta segunda-feira (27).
Horas depois do post, a Casa Branca divulgou um pôster com a proposta do novo nome (veja acima).
➡️ A sugestão foi a de que o governo dos Estados Unidos mudasse o nome da agência para Fiscalização Nacional de Imigração e Alfândega, nome que, em inglês, vira o acrônimo NICE. Atualmente, a agência se chama Fiscalização de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês).
O acrônimo sugerido também vira a palavra "nice", que, em inglês, significa "legal".
Nesta segunda, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, postou uma reportagem da rede de TV norte-americana Fox News reportando que Trump apoiava a ideia. No fim de semana, o presidente norte-americano repostou em sua rede social Truth Social a ideia de uma usuária da rede social X e disse: "Ótima ideia. Faça isso".
Postagem do presidente dos EUA, Donald Trump, apoiando ideia de transformar a sigla ICE em NICE, em 25 de abril de 2026.
Reprodução/ Truth Social
No entanto, nem Trump, nem Leavitt haviam informado, até a última atualização desta reportagem, se a mudança será de fato aplicada.
Separação pelo ICE é a foto do ano do World Press Photo
👉 O ICE é a agência que vem aplicando, desde o início da nova gestão de Trump na Casa Branca, a política do presidente dos EUA de caçar e prender imigrantes nos Estados Unidos.
Mas, ao longo do ano passado, quando as ações começaram, as operações dos agentes do ICE foram angariando críticas até por parte da própria base de apoio a Trump.
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NÃO USAR: Segundo Marcelo, "eles (ICE) estão fazendo o que querem hoje em dia". Protestos massivos marcaram o mês de janeiro em Minneapolis (Minnesota) e em todo o país após ações da agência que resultaram em mortes de cidadãos, pressionando o governo de Donald Trump.
Stephen Maturen/Getty Images/DW

‘Comprem agora’: ministro espanhol alerta que guerra pode disparar preço de passagens aéreas

Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington
Avião da Ryanair no aeroporto de Eindhoven, na Holanda
REUTERS/Piroschka van de Wouw
Enquanto líderes mundiais evitam tratar publicamente dos impactos econômicos diretos da guerra no Oriente Médio, um ministro europeu decidiu quebrar o silêncio.
Na segunda‑feira (27), o ministro espanhol da Indústria e do Turismo, Jordi Hereu, fez um alerta incomum à população: comprar passagens aéreas o quanto antes, antecipando uma escalada de preços tida como inevitável, impulsionada pelo encarecimento do petróleo e do querosene de aviação.
Impulsionada pela guerra envolvendo os Estados Unidos e o Irã, a ameaça de subida meteórica no preço do querosene pode provocar uma alta generalizada das tarifas aéreas, sobretudo no início do verão no hemisfério norte.
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A advertência, feita em entrevista ao jornal econômico Expansion, colocou no centro do debate um tema sobre o qual governos e companhias vinham falando apenas em tom técnico – ou evitando deliberadamente: o risco concreto de aumento abrupto do transporte aéreo, e até de cancelamentos em cadeia por falta de combustível.
Turismo recorde, mas com base frágil
A Espanha vive um paradoxo. Em 2025, o país recebeu um número recorde de 97 milhões de turistas, alta de 3,5% em relação a 2024, consolidando‑se como um dos principais destinos turísticos do mundo.
Segundo Jordi Hereu, o país poderia manter um ritmo de crescimento semelhante em 2026, sustentado pela forte demanda internacional.
Mas esse cenário otimista começa a ser tensionado por um fator externo sobre o qual o setor não tem controle: o custo do combustível de aviação.
O ministro foi explícito ao afirmar que a alta do querosene ameaça elevar as tarifas aéreas e pressionar negativamente a demanda, sobretudo em voos de média e longa distância.
“Comprem agora”
A recomendação feita por Hereu foi direta e pouco usual para um integrante de governo:
“O que recomendamos é que as pessoas comprem seus bilhetes desde já, porque é verdade que as companhias aéreas estão usando atualmente querosene comprado há algum tempo. Existe, portanto, um risco real de flutuação dos preços.”
O ministro acrescentou que já é evidente que os preços subiram e que isso pode afetar a disposição dos consumidores em viajar, apesar da força do turismo espanhol.
Ele afirmou ainda que autoridades espanholas e europeias estão tomando medidas para evitar uma escassez de combustível, sinalizando que o problema já é tratado como estrutural, e não hipotético.
Segundo a organização europeia Transport & Environment, a alta recente do petróleo já acrescentou mais de US$ 100 (cerca de € 85) ao custo de voos de longa distância com origem na Europa.
Esse aumento tende a ser repassado ao preço final das passagens, alimentando uma espiral de reajustes em plena temporada alta.
As companhias aéreas, até agora, vinham absorvendo parte do impacto graças a contratos de compra antecipada de combustível. Mas esse amortecedor tem data de validade.
Companhias começam a cancelar voos
O cenário deixou o plano teórico e entrou na prática. A Transavia, companhia de baixo custo do grupo Air France‑KLM, confirmou que vai ajustar sua malha aérea em maio e junho para otimizar custos diante da disparada do preço do querosene, consequência direta da guerra no Oriente Médio.
A empresa informou que será obrigada a cancelar parte dos voos previstos para maio e junho de 2026, ainda que essas cancelamentos representem menos de 2% da programação total nesse período.
Segundo a Transavia, os clientes afetados estão sendo avisados individualmente por SMS e e‑mail, com direito, conforme a escolha, a remarcação sem custo, crédito ou reembolso integral. Para a maioria dos voos cancelados, uma alternativa de remarcação em até 24 horas está sendo oferecida.
Em declaração à AFP no domingo, confirmando informação divulgada pela rádio RMC, um porta‑voz da companhia afirmou que, “em razão do contexto geopolítico atual no Oriente Médio e de suas repercussões sobre o preço do combustível de aviação, a Transavia França está adaptando sua programação de voos e é obrigada a proceder ao cancelamento de vários voos previstos para os meses de maio e junho de 2026”.
Ryanair alerta: junho é o ponto crítico
O diretor‑executivo da Ryanair, Michael O’Leary, afirmou que não se espera escassez de querosene em maio na Europa, mas que junho já é uma incógnita. Segundo ele, as próprias petroleiras admitem não conseguir garantir totalmente o fornecimento para esse período.
O’Leary foi direto ao associar os preços elevados à condução do conflito:
“Enquanto a guerra no Oriente Médio continuar e Trump continuar a lidar com isso tão mal, os preços do combustível permanecerão necessariamente mais altos.”
Segundo o executivo, 10% a 20% do abastecimento da Ryanair está em risco. Ele destacou que o Reino Unido é o país mais exposto a cancelamentos, por depender em parte de fornecimento do Kuwait, diretamente impactado pelo bloqueio de Ormuz.
A França, por ora, afirma não enfrentar dificuldades imediatas de abastecimento, mas o governo admitiu que poderá liberar parte de seus estoques estratégicos se surgirem problemas de volume.
A declaração foi feita pela porta‑voz do governo francês, Maud Bregeon, em 19 de abril.
Mesmo assim, a incerteza cresce, principalmente em relação ao mês de junho.
Dependência europeia do Golfo e o bloqueio do estreito de Ormuz
O problema estrutural é conhecido: a Europa importa normalmente cerca de metade do seu querosene dos países do Golfo. Desde o início da guerra entre os Estados Unidos e o Irã, no fim de fevereiro, essa dependência se tornou um ponto crítico.
O estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% de toda a produção mundial de hidrocarbonetos, está bloqueado por Teerã, interrompendo fluxos logísticos essenciais para o abastecimento energético global — e, por consequência, para a aviação civil.
Em Bruxelas, o comissário europeu Dan Jorgensen reconheceu que a União Europeia está se aproximando “muito rapidamente” de uma potencial crise de abastecimento, com o risco concreto de um verão marcado por passagens mais caras e cancelamentos de voos.
Com AFP

‘Sobrevivente designado’: Casa Branca diz que conversou sobre linha de sucessão de Trump antes de jantar com tiros

Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington
Falta de segurança e sem identificação: as falhas no evento de Trump
Antes do jantar do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com correspondentes, a Casa Branca cogitou nomear um "sobrevivente designado" — uma pessoa que assumiria a presidência dos EUA se toda a cúpula do governo morresse.
A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou nesta segunda-feira (27) que o governo Trump discutiu sobre essa possibilidade, mas acabou descartando apontar quem seria o sobrevivente designado (leia mais abaixo).
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"Essas conversas (sobre determinar um sobrevivente designado) de fato aconteceram", disse Leavitt. "Mas havia vários membros do gabinete nas linhas de sucessão que não compareceram ao jantar por motivos pessoais, de modo que designar um sobrevivente não era necessário".
Na entrevista, Leavitt também confirmou que o governo Trump se reunirá para discutir o aumento da proteção e da segurança de Trump.
Ela disse que a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, convocará uma reunião com autoridades do Departamento de Segurança Interna, do Serviço Secreto dos EUA e da equipe de operações da Casa Branca para "garantir a segurança e a proteção do presidente".
➡️ O atirador foi identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos. Ele foi preso após a tentativa de ataque e compareceu nesta segunda-feira (27) à primeira audiência sobre o caso, em um tribunal de Washington. Allen foi denunciado por três crimes, incluindo tentar matar o presidente. Ele pode pegar prisão perpétua.
Sobrevivente designado
O sobrevivente designado é uma figura criada na Guerra Fria que assume nada menos que a presidência da maior potência mundial em caso de uma hecatombe ou um atentado terrorista que matasse todas as autoridades.
Nos EUA, a linha de sucessão presidencial se estende por uma série de mais de uma dezena de nomes. A tradição de se escolher um sobrevivente designado teve início nos anos 1950 e remonta à Guerra Fria entre os Estados Unidos e a então União Soviética.
Em caso de morte ou impedimento do presidente, quem assume é o vice-presidente – nos EUA, o vice também exerce o cargo de presidente do Senado, apesar de não ser um senador.
O número dois da linha sucessória é o Presidente da Câmara dos Deputados, seguido pelo presidente “pro tempore” do Senado (um senador escolhido pela Casa que assume a liderança desta em caso de ausência do vice-presidente).
Em seguida, vêm os secretários do Executivo: primeiro o secretário de Estado, seguido pelo do Tesouro, da Defesa, advogado-geral, do Interior etc.
A identidade do sobrevivente designado só foi tornada pública a partir dos anos 1980. Desde então, o ranking mais alto a ser escolhido para a função foi o advogado-geral, sétimo na linha sucessória.
Tiros no jantar dos correspondentes
Veja o que ocorreu e tudo o que se sabe até agora sobre o episódio:
Na noite de sábado, Donald Trump participava de um jantar em um hotel em Washington com os correspondentes estrangeiros que são credenciados na Casa Branca. O evento anual é o encontro mais tradicional entre o presidente dos EUA e esses jornalistas, e seria o primeiro da atual gestão de Trump;
No começo do evento, sons de tiros foram ouvidos do salão. Cinegrafistas que registravam o evento capturaram o barulho dos disparos;
Agentes de segurança então entraram rapidamente no local e retiraram Trump, a primeira-dama, Melania Trump, e o vice-presidente, JD Vance, que estavam em uma mesa no palco do salão. Outras autoridades do alto escalão, como os secretários de Estado e de Guerra e o diretor do FBI, também foram retirados;
Os jornalistas foram mantidos no local para checagens de segurança — uma equipe da TV Globo também participava do jantar;
A polícia local então informou que o suspeito dos disparos tentou invadir o salão, mas foi interceptado por agentes do Serviço Secreto. Depois, o próprio Trump divulgou, em sua rede social Truth Social, um vídeo em que um homem consegue furar um bloqueio de agentes de segurança;
O atirador chegou a disparar contra um dos agentes, mas o tiro atingiu o colete à prova de balas do oficial, que passa bem, segundo o Serviço Secreto. Ninguém mais foi ferido.
A imprensa que estava no local, incluindo a da TV Globo, relatou que o esquema de segurança e revista para a entrada no jantar não foi rigoroso, mesmo com a cúpula do governo Trump presente. A equipe da TV Globo que foi ao evento afirmou ter passado por apenas uma checagem de segurança;
O suspeito foi identificado como Cole Tomas Allen, 31 anos, um cidadão dos Estados Unidos nascido na cidade de Torrance, na Califórnia. Allen, segundo as autoridades, é engenheiro mecânico, desenvolvedor de jogos e ex-professor particular.
Antes do crime, ele escreveu uma carta com críticas a Trump, e a principal suspeita da polícia é de que o atirador alvejava o presidente dos EUA. Ele portava uma espingarda, uma pistola e facas, também segundo as investigações.
A polícia também descobriu que Allen estava hospedado no próprio hotel do evento. Ele foi preso e, nesta segunda, passará pela primeira audiência.
Trump também disse que, aparentemente, o atirador agiu sozinho, como um "lobo solitário". A polícia local confirmou a informação. Ainda não se sabe a motivação para o ataque;
O presidente dos EUA também usou o episódio para voltar a defender seu projeto para a construção de um salão de festas "ultrassecreto" dentro da Casa Branca, que tem recebido críticas pelo custo, estimado em cerca de R$ 2 bilhões. O jantar dos correspondentes com Trump sempre acontece no hotel de Washington onde ocorreu o episódio de sábado.
O jantar foi adiado e ocorrerá dentro de 30 dias, segundo o presidente norte-americano.
FALTA DE SEGURANÇA E SEM IDENTIFICAÇÃO: as falhas no evento de Trump que terminou em pânico em Washington
Homem é detido no chão por agentes de segurança em imagem divulgada por Donald Trump após tiros disparados em jantar de correspondentes da Casa Branca com presidente dos EUA, em Washington, nos EUA, em 25 de abril de 2026.
Reprodução/ Truth Social
Trump é retirado de evento após tiros
Reuters
Trump é retirado de jantar da Casa Branca após barulho
Reuters

Rei Charles III chega aos EUA em meio a crise diplomática e tensão após tiroteio em jantar com Trump

Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington
Rei Charles III chega aos Estados Unidos mesmo após tiroteio em jantar no sábado (25)
O rei Charles III e a rainha Camila chegam aos Estados Unidos nesta segunda-feira (27) para uma visita oficial que inclui encontro com o presidente Donald Trump.
A viagem, de quatro dias, ocorre em meio a um momento de tensão entre Londres e Washington — aliados históricos — e dois dias após um homem armado invadir, no sábado (25) à noite, um jantar com a imprensa com a intenção de atirar em Trump.
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Rei Charles III da Inglaterra e Camilla chegam a Washington para visita de Estado aos EUA
Nathan Howard/Reuters
Planejada antes da guerra com o Irã, a visita também marca os 250 anos da independência americana.
A agenda foi definida antes da ofensiva liderada por Trump e pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, contra o Irã. Veja o cronograma abaixo.
Apesar do incidente de segurança no fim de semana, a programação foi mantida, com reforço na proteção do monarca.
Veja a agenda da visita do rei Charles III aos EUA , segundo a AFP:
Após a chegada em Washington, Charles III e a rainha Camila participam de um chá privado com Donald Trump e a primeira-dama Melania Trump, e seguem para uma recepção no jardim da Casa Branca.
Na terça-feira, o rei será recebido com honras militares e terá um encontro privado com Trump, inicialmente sem a presença da imprensa. À tarde, fará um discurso no Congresso americano e, à noite, participará de um banquete oficial.
Na quarta-feira, o casal segue para Nova York, onde prestará homenagem às vítimas dos atentados de 11 de setembro e participará de um evento com representantes das indústrias criativas.
Na quinta-feira, a agenda continua no estado da Virgínia, em celebrações pelos 250 anos da independência americana.
Avião com o rei Charles pousa em base aérea dos Estados Unidos, em 27 de abril de 2026
Reuters
Viagem ocorre em meio a crise diplomática
O momento da visita do monarca inglês aos EUA é considerado delicado. Historiadores britânicos classificam o momento como a pior crise anglo-americana em um século, segundo a AFP.
Trump tem feito críticas públicas ao primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer. Já chamou os porta-aviões britânicos de “brinquedos” e afirmou que o premiê “não é Winston Churchill”.
Um dos pontos de atrito envolve a soberania das Ilhas Malvinas. Um e-mail vazado do Pentágono indicou que os EUA poderiam rever o apoio ao Reino Unido no tema.
O governo britânico reagiu, reiterando que o arquipélago pertence ao país desde 1833, apesar da disputa com a Argentina.
Embora a Casa Branca não tenha comentado oficialmente o vazamento, o documento é visto como pressão sobre aliados da OTAN que, na avaliação de Trump — como Reino Unido e Espanha —, estariam contribuindo menos do que o esperado na guerra contra o Irã.
Além disso, Trump é alinhado politicamente com o presidente argentino Javier Milei.

Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington

Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington
Atirador tenta invadir jantar de gala para assassinar Donald Trump e integrantes do governo dos EUA
"Não consigo me imaginar em uma profissão mais perigosa", declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poucas horas depois de se ver envolvido em outro grave incidente de segurança.
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Mesmo com um pequeno exército de agentes do Serviço Secreto americano que, possivelmente, transformam o presidente na pessoa mais protegida do mundo, mantê-lo a salvo está se mostrando uma tarefa árdua.
Primeiramente, em 2024, Trump sofreu uma tentativa de assassinato em Butler, no Estado americano da Pensilvânia, quando uma bala atingiu sua orelha de raspão.
Apenas 64 dias depois, ele voltou a ser alvo de um agressor, quando jogava no seu campo de golfe, na Flórida.
Agora, depois que novos disparos interromperam o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca no hotel Hilton da capital americana, Washington DC, a segurança de Trump está novamente sob questionamento.
O motivo e o alvo exato do suposto atirador — Cole Tomas Allen, de 31 anos — ainda não foram esclarecidos. Mas aumentam os questionamentos sobre como um homem armado conseguiu se aproximar tanto do presidente americano.
Allen foi acusado formalmente de três crimes:
Tentativa de assassinato do presidente dos Estados Unidos e for condenado, o réu poderá pegar pena de até prisão perpétua em penitenciária federal;
Transporte interestadual de arma de fogo com a intenção de cometer um crime. Em caso de condenação, a pena prevista é de até 10 anos de prisão federal;
Disparo de arma de fogo durante a prática de um crime violento. Se for considerado culpado, o réu poderá ser condenado a até 10 anos de prisão federal.
A polícia informou que os agentes de segurança e o suspeito trocaram disparos em um andar do hotel, exatamente acima do local onde Trump estava reunido com outros convidados.
Uma das incógnitas é se foram implementadas medidas de segurança suficientes no hotel que abrigava alguns dos políticos, diplomatas e jornalistas mais influentes de Washington.
O correspondente-chefe da BBC na América do Norte, Gary O'Donoghue, estava presente no jantar.
Ele declarou que as ruas em torno do Washington Hilton Hotel ficaram fechadas por horas, mas a segurança no local em si "não era particularmente grande".
"O homem na porta do lado de fora deu apenas uma olhada rápida no meu ingresso, a uma distância que devia ser de uns dois metros", escreveu ele.
Donald Trump, minutos antes do tiroteio no jantar com a imprensa
Nathan Howard/Getty Images via BBC
As entradas para o jantar tinham impressos apenas os números da mesa, não os nomes dos convidados. Em nenhum momento, foi solicitada a identificação para entrar no hotel.
Os convidados que se dirigiam ao jantar desciam por escadas rolantes dos lobbies principais, antes de passarem pelo controle de segurança em uma área localizada um andar acima das entradas do salão de baile. E, no início do jantar, eles desciam por um lance de escada para entrar.
As imagens das câmeras de segurança publicadas por Trump nas redes sociais mostram o suspeito atravessando um dos pontos de controle, antes que os agentes do Serviço Secreto abrissem fogo. As autoridades declararam que ele portava uma espingarda, uma pistola e várias facas.
O suspeito trocou disparos com os agentes antes de ser detido.
O jornalista Wolf Blitzer, da rede americana CNN, declarou ter visto o suspeito disparar várias vezes com uma arma "muito perigosa".
Posteriormente, o presidente publicou uma foto de um homem sem camisa no chão, com as mãos algemadas às costas e rodeado por agentes do Serviço Secreto.
O procurador-geral em exercício dos Estados Unidos, Todd Blanche, declarou à rede americana NBC News que, aparentemente, o objetivo era atingir integrantes do governo, "provavelmente incluindo o presidente".
A polícia indicou que Cole Tomas Allen era hóspede do Washington Hilton, que continuou funcionando como hotel, mesmo abrigando algumas das pessoas mais poderosas do mundo.
O hotel fechou suas portas ao público horas antes do início do evento de sábado. O acesso ficou restrito aos hóspedes e às pessoas que tinham ingressos para o jantar ou para as recepções realizadas no local.
Quando Trump se sentou no salão de baile, um amplo aparato de segurança, incluindo equipes de contra-ataque fortemente armadas, se encarregou de proteger a sala, momentos depois dos disparos ocorridos no lado externo.
O ex-embaixador britânico em Washington, Kim Darroch, já havia comparecido a jantares de correspondentes anteriormente e criticou o aparato de segurança.
"Se você estivesse ali [como hóspede do hotel] e quisesse irromper no jantar com más intenções, precisaria apenas evitar um controle de segurança… e sairia no salão de baile", declarou ele ao programa de TV Sunday with Laura Kuenssberg, da BBC.
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'Edifício não particularmente seguro'
Muitas perguntas surgiram sobre a segurança em torno do presidente Trump, após o ocorrido no sábado
Andrew Harnik/Getty Images via BBC
O próprio Trump declarou posteriormente que o Hilton "não é um edifício particularmente seguro".
Ele destacou que o incidente demonstrou a importância do novo salão de baile da Casa Branca, atualmente em construção, cuja obra é objeto de litígio.
"Na verdade, é uma sala maior e muito mais segura", segundo Trump. "É à prova de drones. Tem vidros à prova de balas. Precisamos do salão de baile."
O presidente também elogiou a "coragem" do Serviço Secreto, que escoltou a ele e ao vice-presidente J.D. Vance para fora de cena, afirmando que eles fizeram "um grande trabalho".
Especialistas em segurança presidencial e policial destacaram que o fato de o atacante nunca ter chegado ao salão de baile indica que as medidas de segurança funcionaram.
O ex-agente do Serviço Secreto Jeffrey James, que trabalhou na proteção de Trump durante seu primeiro mandato, destacou que o agressor foi detido em "ponto de controle perimetral externo" e nunca chegou ao piso onde estava o presidente. Ele também elogiou a comunicação entre os agentes.
Questionado pelo programa Today, da BBC Rádio 4, se as imagens mostravam alguma demora na retirada de Trump de cena, James afirmou que os agentes utilizaram uma "pausa tática" de vários segundos, para se assegurarem de não cair em uma emboscada.
O ex-agente especial do FBI, Jeff Kroeger, havia declarado anteriormente à BBC que "é exatamente para isso que o Serviço Secreto é treinado".
Quando ouviram os disparos, eles "convergiram em torno do presidente", criando uma "barreira corporal", explicou ele.
Outro ex-agente do Serviço Secreto, Barry Donadio, declarou à BBC que, aparentemente, não havia "falta de agentes, oficiais e policiais" no evento.
Ao comentar sobre como poderia alterar a segurança, especialistas indicaram esperar medidas mais rigorosas para os eventos de Trump a partir de agora, como um perímetro mais amplo.
Agentes do Serviço Secreto faziam a segurança do local
Getty Images via BBC
O tiroteio de sábado é o mais recente episódio de violência política ocorrido nos Estados Unidos. E os dados indicam que ela vem aumentando.
Em 2023, a polícia do Capitólio americano investigou mais de 8 mil ameaças, o que representa um aumento de 50% em relação a 2018.
O assassinato de Charlie Kirk (1993-2025), ocorrido no Estado de Utah, expôs ainda mais as profundas divisões políticas existentes nos Estados Unidos.
O comentarista conservador foi vítima de tiroteio enquanto discursava em um evento da organização Turning Point USA, em um ato de violência filmado e distribuído via internet.
Meses antes, a ex-deputada estadual democrata de Minnesota Melissa Hortman (1970-2025) e seu marido Mark foram mortos a tiros. Já o esposo da ex-presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, foi atacado com um martelo. Paul Pelosi foi hospitalizado com fratura do crânio.
Entre outros presidentes que foram alvos de tentativas de assassinato, encontra-se o ex-presidente republicano Ronald Reagan (1911-2004), que foi ferido a bala por John Hinckley Jr. em 1981.
Reagan sofreu perfuração de pulmão, mas sobreviveu. O atentado ocorreu em frente ao Washington Hilton, o mesmo hotel que recebeu o jantar de sábado passado (25/4).
Questionado sobre a frequência dos ataques durante seus eventos, Trump respondeu que havia "estudado assassinatos" e que presidentes anteriores também foram alvo de ataques, como Abraham Lincoln (1809-1865).
"São figuras importantes e lamento dizer que me sinto honrado por isso, mas é que fiz muito [pelos Estados Unidos]", concluiu o presidente.
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