China pede trégua no Oriente Médio; Trump fala em consenso contra armas nucleares no Irã

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O presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), posa para fotos com o presidente da China, Xi Jinping, durante uma visita ao Jardim Zhongnanhai, em Pequim, em 15 de maio de 2026.
Evan Vucci / Pool / AFP
A China pediu uma trégua duradoura na guerra do Oriente Médio e instou a que se reabram as rotas marítimas "o mais rápido possível", diante do bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz.
Em comunicado nesta sexta-feira (15), o Ministério das Relações Exteriores de Pequim defendeu um cessar-fogo abrangente para facilitar o restabelecimento da paz e da estabilidade na região do Golfo.
O comunicado ocorre durante a visita de Donald Trump a Xi Jinping. Nesta sexta-feira, os dois presidentes se encontraram para o último encontro antes do retorno de Trump aos Estados Unidos. Logo que chegou no Jardim de Zhongnanhai, Trump teria dito que a China concordou que o Irã não pode ter armas nucleares.
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Segundo a chancelaria chinesa, a reabertura das rotas responde a apelos da comunidade internacional. "Resolvemos muitos problemas diferentes que outras pessoas não teriam conseguido resolver", afirmou Trump sobre as conversas com o líder chinês.
Trump disse também que fez "acordos comerciais fantásticos" com a China. Antes de ir embora, Trump e sua comitiva tomaram um chá aberto à imprensa e um almoço fechado.
Visita termina com impasses em temas sensíveis
Donald Trump e Xi Jinping se reúnem em Pequim para encontro histórico
▶️ Contexto: Essa foi a segunda vez em menos de um ano que Trump e Xi se encontraram presencialmente. Ao contrário da reunião de outubro de 2025, poucos anúncios concretos sobre avanços foram feitos.
Xi sinalizou interesse em ampliar a cooperação entre China e Estados Unidos em áreas que vão do comércio ao turismo.
O líder chinês também afirmou que vai abrir ainda mais as portas para empresas americanas envolvidas na abertura econômica do país.
Segundo a China, os dois países traçaram uma agenda para direcionar a relação bilateral pelos próximos três anos.
Trump, por sua vez, anunciou que a China concordou em comprar aviões americanos e disse que os dois países terão um “futuro fantástico”, com relações cada vez melhores.
Apesar de Trump ter passado dois dias na China, o primeiro encontro foi o mais decisivo para a relação entre os dois países. Foi na reunião bilateral no Grande Salão do Povo que houve troca de elogios, mas também alertas.
O início da reunião foi aberto à imprensa, com Xi sendo o primeiro a discursar. O líder chinês adotou um tom cordial ao exaltar as relações com os Estados Unidos, ao mesmo tempo em que deixou sinais da tensão entre os dois países.
O presidente chinês afirmou que o mundo está diante de uma nova encruzilhada e que os interesses em comum entre China e Estados Unidos superam as diferenças.
Xi também citou a chamada “armadilha de Tucídides” ao questionar se China e Estados Unidos conseguirão evitar um confronto entre grandes potências.
A expressão é usada para descrever o risco de guerra quando uma potência emergente desafia uma potência dominante.
“Devemos ser parceiros, não rivais. Devemos ajudar uns aos outros a ter sucesso, prosperar juntos e encontrar a forma adequada para que grandes países convivam na nova era”, afirmou Xi.
Enquanto isso, Trump pareceu improvisar no discurso e elogiou a cerimônia de recepção, com direito a tapete vermelho, desfile militar e crianças pulando.
O presidente americano classificou o encontro como “uma honra como poucas” já vividas e disse acreditar em um futuro positivo para a cooperação entre as duas potências.
Trump também chamou Xi de “grande líder” e “amigo”. Segundo ele, respeita a China e o trabalho realizado pelo presidente chinês.
“Você é um grande líder. Digo isso a todo mundo. Às vezes as pessoas não gostam que eu diga isso, mas digo mesmo assim porque é verdade. Eu só digo a verdade.”
Depois da troca cordial, a reunião foi fechada para a imprensa.
Impasses
Xi Jinping e Donald Trump em Pequim, em 14 de maio de 2026
Reuters
Segundo a imprensa chinesa, Xi Jinping deixou claro na reunião a portas fechadas que o principal ponto de atrito entre China e EUA é Taiwan. O líder chinês disse que, se o tema não fosse conduzido de maneira adequada, os dois países poderiam entrar em choque e até em um possível conflito.
Taiwan é um dos principais pontos de tensão entre as duas potências.
A China considera a ilha parte do território chinês, enquanto os EUA atuam para garantir a autonomia da região.
Nos últimos anos, os EUA forneceram armas a Taiwan, o que irritou Pequim.
Em resposta, o governo chinês ampliou a presença militar no entorno da ilha, o que também provocou críticas americanas.
A informação circulou na imprensa internacional e foi vista como uma linha vermelha imposta por Xi durante o encontro.
Um posicionamento público da Casa Branca só veio horas depois, quando o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que seria um “erro terrível” se a China tentasse tomar Taiwan à força.
Em entrevista à rede americana NBC, Rubio afirmou que a posição dos EUA sobre a autonomia da ilha não mudou. Segundo ele, os Estados Unidos seguem adotando uma “ambiguidade estratégica” sobre o tema nas interações com o governo chinês.
O secretário de Estado também afirmou que a venda de armas americanas para Taiwan “não teve destaque” nas conversas com os chineses.
Além de Taiwan, a situação no Oriente Médio, a guerra na Ucrânia e as tensões na Península Coreana também foram discutidas por Trump e Xi, segundo a imprensa chinesa. A questão do Irã chamou mais atenção.
A Casa Branca afirmou que os dois líderes concordaram que o Estreito de Ormuz precisa ser reaberto e que Xi demonstrou interesse em comprar petróleo americano para reduzir a dependência da produção do Oriente Médio.
Em entrevista à Fox News, Trump disse que Xi garantiu que a China não fornecerá “equipamentos militares” ao Irã.
O presidente dos EUA também afirmou que Xi demonstrou incômodo com a cobrança de taxas do Irã para embarcações passarem pelo Estreito de Ormuz.
Já segundo Rubio, Trump não pediu ajuda à China em relação à guerra no Irã.
Até a publicação desta reportagem, também não havia informações sobre discussões envolvendo armas nucleares. Antes do encontro uma autoridade do governo chinês disse à Reuters que Xi não tem interesse em discutir o tema neste momento.
Banquete e mais elogios
Púlpito decorado com flores em banquete de Estado com presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, em Pequim, na China, em 14 de maio de 2026.
REUTERS/Evan Vucci
Após a reunião bilateral, Trump e Xi visitaram o Templo do Céu, em Pequim. O passeio durou menos de uma hora. Os dois líderes foram vistos sorrindo para fotos e trocando algumas palavras. O presidente americano disse que a reunião no Grande Salão do Povo tinha sido “ótima”.
Mais tarde, Xi ofereceu um banquete para Trump. Os dois voltaram a trocar elogios. O presidente chinês disse que a visita do norte-americano a Pequim foi histórica e que os dois tiveram uma “troca de opiniões profunda”.
Já Trump voltou a chamar Xi de “amigo” e disse que as discussões foram extremamente positivas e construtivas. Segundo o presidente americano, a relação entre Estados Unidos e China “é uma das mais importantes da história mundial”.
Antes do retorno para Washington, Trump ainda deve participar nesta sexta de um chá e um almoço com Xi Jinping. Os dois também devem fazer uma fotografia oficial do encontro.
*Com informações da AFP e Reuters.
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Cuba diz que diretor da CIA se reuniu com ministro do Interior após avião dos EUA ser visto em Havana

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Avião do governo dos EUA avistado no Aeroporto Internacional de Havana nesta quinta-feira (14)
REUTERS/Norlys Perez
O governo de Cuba afirmou nesta quinta-feira (14) que uma delegação dos Estados Unidos liderada pelo diretor da CIA, John Ratcliffe, se reuniu com autoridades cubanas no Ministério do Interior, em Havana.
Segundo comunicado divulgado pela mídia estatal Cubadebate, Ratcliffe se encontrou com seu homólogo cubano e ambos os lados demonstraram interesse em ampliar a cooperação bilateral entre as agências de segurança e aplicação da lei.
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“Ambos os lados também ressaltaram seu interesse em desenvolver a cooperação bilateral entre as agências de aplicação da lei, visando a segurança de ambos os países, bem como a segurança regional e internacional”, afirmou o governo cubano.
O comunicado também diz que Cuba afirmou à delegação americana que “não representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos”.
A declaração foi divulgada no mesmo dia em que um avião do governo dos EUA foi visto no aeroporto internacional de Havana (veja na imagem acima).
Segundo uma testemunha da Reuters, a aeronave deixou o local na tarde desta quinta-feira. Pessoas embarcando com bagagens também foram vistas antes da decolagem.
A movimentação acontece dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que Washington e Havana “iriam conversar”, em meio ao aumento das tensões entre os dois países.
Crise energética e oferta de US$ 100 milhões dos EUA
Imagens de satélite mostram apagão em Cuba após colapso no fornecimento de energia; FOTO
Também nesta quarta-feira (14), o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, afirmou que o levantamento do "bloqueio" imposto pelos Estados Unidos seria "uma forma mais fácil" de ajudar a ilha do que a oferta de auxílio humanitário de 100 milhões de dólares (R$ 498 milhões) feita por Washington.
O anúncio acontece depois de o ministro das Relações Exteriores cubano, Bruno Rodríguez, dizer nesta quarta-feira (14) que estava considerando aceitar a ajuda de 100 milhões de dólares oferecida pelos EUA sob a condição de que seja distribuída através da Igreja católica.
As declarações acontecem em meio a uma grava crise energética em Cuba, que está submetida, desde o fim de janeiro, a um bloqueio energético dos Estados Unidos.
Nesta quarta-feira (14), o leste de Cuba sofreu um apagão maciço e Havana foi cenário de panelaços de protesto na noite passada, após o anúncio do governo de que suas reservas de combustível "se esgotaram".
Os apagões, habituais há meses, se agravaram nas últimas horas. Segundo dados oficiais compilados pela AFP, 65% do território cubano sofreu cortes simultâneos de energia na última terça-feira.
Devido à asfixia do bloqueio energético imposto pelos Estados Unidos, as reservas de combustível de Cuba já "se esgotaram", informou o ministro de Energia e Minas, Vicente de la O Levy, em declarações à televisão estatal na quarta-feira.

É #FATO: Cena de girafa com pescoço entalado em zoológico na China não é inteligência artificial

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É #FATO: vídeo de girafa com pescoço preso em muro de zoológico na China não foi feito por IA
Reprodução/Redes sociais
Circula nas redes sociais um vídeo que mostra uma girafa com o pescoço preso em uma estrutura de pedra dentro de um zoológico na China, enquanto funcionários e visitantes tentam quebrar o muro para libertá-la. Nas imagens, o animal aparece com o pescoço dobrado em um ângulo incomum, enquanto pessoas usam martelos e ferramentas para destruir parte da cerca. É #FATO.
Selo Fato (Horizontal)
g1
Pela aparência da cena, muitos usuários sugerem que o vídeo seria produzido por inteligência artificial ou manipulado digitalmente. "O Globo" verificou que o episódio realmente aconteceu e não há indícios de uso de inteligência artificial (IA) ou deepfake na gravação.
Como é o post?
O conteúdo viralizou em diferentes plataformas em formato de vídeo curto, com milhões de visualizações e comentários. Nas legendas, usuários descrevem a cena como "surreal" e afirmam que parecia impossível que fosse real, justamente pelo enquadramento incomum da girafa e pela forma como o pescoço do animal aparece preso entre as pedras.
Em muitos compartilhamentos, a gravação é apresentada como se fosse uma cena gerada por IA, com frases como "isso não pode ser real" e "parece vídeo feito por inteligência artificial".
O vídeo mostra o momento em que a girafa enfia a cabeça em uma abertura de uma cerca de pedra e fica presa. Em seguida, funcionários tentam quebrar a estrutura com martelos e, depois, utilizam uma serra para concluir o resgate.
Por que é #FATO?
A gravação é verdadeira e registra um incidente ocorrido no dia 15 de outubro no Parque Florestal de Nantong, na província de Jiangsu, na China.
Segundo relatos publicados pelo "Xiaoxiang Morning Post" e pelo "Jimu News", o caso aconteceu por volta do meio-dia na área de exibição das girafas do parque. Enquanto circulava pelo local, o animal colocou a cabeça em uma abertura da cerca de pedra, ficou preso e acabou caindo no chão, com o pescoço dobrado em quase 90 graus.
Testemunhas relataram que a girafa permaneceu presa por cerca de 10 minutos sem conseguir se soltar. Vídeos gravados no local mostram o animal com olhos avermelhados e respiração acelerada, o que aumentou a preocupação de visitantes e funcionários.
Inicialmente, a equipe tentou abrir a cerca manualmente, sem sucesso. Depois, usou um martelo para golpear a estrutura, mas como havia barras de aço reforçando a pedra, foi necessário recorrer a uma serra para cortar a cerca e libertar o animal. O resgate durou aproximadamente 10 minutos.
Como foi feita a checagem?
A verificação foi feita com análise visual do vídeo e consulta à plataforma Hive Moderation, ferramenta usada para identificar possíveis sinais de manipulação por IA, deepfake ou edição sintética. Confira:
Infográfito da plataforma Hive Moderation não apontou uso de IA em vídeo de girafa que ficou com pescoço preso na China
Captura de tela
O resultado apontou que não há vestígios de IA no conteúdo, reforçando que as imagens são autênticas e registram um acontecimento real.
Além disso, a cena foi localizada em reportagens publicadas pela imprensa chinesa, que detalharam o incidente, o local exato e o processo de resgate.
Por que houve duvida?
A principal razão da desconfiança foi o aspecto visual do vídeo. O ângulo do pescoço da girafa, a posição do animal e a movimentação intensa de pessoas quebrando o muro fizeram muitos internautas acreditarem que se tratava de uma montagem digital.
Como vídeos gerados por IA têm se tornado cada vez mais comuns nas redes, cenas incomuns como essa frequentemente passam a ser questionadas.
Neste caso, porém, trata-se de uma situação real registrada por testemunhas no zoológico.
Contexto adicional
No dia seguinte ao incidente, em 16 de outubro, o jornal "The Paper" informou que o parque se pronunciou em sua conta oficial nas redes sociais. Segundo a administração, "a girafa estava apenas brincando demais e se divertindo muito" e o animal "não se feriu".
O zoológico também afirmou que reportaria o problema no projeto da cerca às autoridades responsáveis, mas não apresentou cronograma nem detalhes sobre possíveis mudanças estruturais.
A declaração, porém, gerou forte repercussão entre internautas e ativistas de direitos dos animais.
As principais críticas se concentraram em dois pontos: o método de resgate e a própria estrutura da cerca.
Especialistas e veterinários apontaram que o uso de martelos em uma estrutura de aço reforçado poderia causar lesões secundárias na coluna cervical e na cabeça da girafa, seja pela vibração, seja por fragmentos projetados durante a quebra. Normas internacionais, segundo esses profissionais, recomendam o uso de expansores hidráulicos, ferramentas específicas de corte ou até sedação controlada para reduzir riscos.
Também houve questionamentos sobre o desenho da cerca. Como girafas são animais naturalmente curiosos e costumam esticar o pescoço para explorar o ambiente, especialistas defendem que cercas e recintos devem ser planejados levando esse comportamento em consideração.
A justificativa de que tudo aconteceu por "travessura" do animal foi vista por muitos como uma tentativa de transferir a responsabilidade e evitar discutir falhas estruturais do zoológico.
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Posição estratégica, venda de armas e chips: Por que Taiwan é tão importante para EUA e China

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Por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China
Começou ontem (13) e deve ir até sexta-feira (15) a reunião entre Donald Trump e Xi Jinping, em Pequim. Entre os assuntos discutidos, uma pequena ilha deve ser uma das principais pautas entre as duas potências: Taiwan.
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Localizada ao sul da China, a ilha um dos territórios mais sensíveis do atual cenário geopolítico mundial — e um dos mais estratégicos para potências mundiais.
A China considera Taiwan uma província “rebelde” e afirma que a ilha faz parte de seu território. Já os Estados Unidos, embora não reconheçam formalmente a independência taiwanesa, atuam para preservar a autonomia da região.
Trump afirmou nesta segunda-feira (11) que pretende discutir com Xi Jinping a venda de armas americanas para a ilha, tema que irrita Pequim há anos. Segundo ele, “Taiwan sempre aparece durante as conversas com a China”.
A seguir, entenda por que Taiwan é tão importante para China e EUA.
➡️​Localização estratégica e disputa histórica
Taiwan
g1/Alberto Correa
Taiwan fica em uma posição considerada estratégica no centro das rotas marítimas e militares da Ásia.
“Para os Estados Unidos, Taiwan funciona como um pilar estratégico para conter a expansão militar chinesa na região do Indo-Pacífico e preservar o equilíbrio regional construído pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial”, explica o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin.
Segundo ele, a ilha ocupa uma posição decisiva na chamada “primeira cadeia de ilhas”, um arco estratégico que vai do Japão até as Filipinas e limita o acesso da marinha chinesa ao Oceano Pacífico.
“Se a China controlasse Taiwan, teria maior facilidade para projetar poder naval e aéreo sobre rotas marítimas fundamentais”, afirma.
A ilha tem cerca de 23 milhões de habitantes e funciona, na prática, como um Estado independente: possui Constituição própria, governo eleito democraticamente, Forças Armadas e passaportes próprios.
Apesar disso, é reconhecida oficialmente como país por apenas 12 nações. O Brasil e os EUA, por exemplo, não fazem parte desse grupo.
Nas últimas décadas, China e Taiwan mantiveram uma espécie de equilíbrio: Pequim evitava uma invasão direta, enquanto Taipei não declarava independência formal.
Mas a tensão aumentou nos últimos anos, especialmente sob o governo Xi Jinping e após a posse de Lai Ching-te, em 2024. Desde então, a China ampliou exercícios militares ao redor da ilha e intensificou a pressão diplomática para isolar Taiwan.
➡️ Coração da fabricação de chips
Para além da localização, Taiwan também ocupa um papel central na economia mundial por causa da fabricação de semicondutores, os chamados chips.
Eles são usados em celulares, computadores, carros, aviões, cartões bancários, eletrodomésticos e sistemas de inteligência artificial.
Embora os EUA abriguem gigantes da tecnologia como Apple, Amazon e Microsoft, a maior parte dos chips mais avançados do planeta é fabricada em Taiwan.
A ilha produz cerca de 90% dos semicondutores mais sofisticados do mundo, segundo o The New York Times. Por isso, uma eventual interrupção da produção teria impacto global.
“Se aquela ilha for bloqueada e essa capacidade for destruída, será um apocalipse econômico”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, de acordo com o jornal norte-americano.
Fábrica de chips da TSMC, a maior produtora do mundo no setor, sediada em Taiwan
Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., Ltd.
Taiwan investiu no ramo a partir dos anos 70, deixando de ser uma região conhecida pela produção agrícola e se transformando no centro de exportação dos chips mais avançados do mundo.
A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), maior fabricante de chips do mundo, fica na ilha. A empresa fornece componentes para gigantes como Apple e Nvidia, responsável por chips usados em sistemas de inteligência artificial.
O domínio taiwanês se tornou ainda mais estratégico em meio à corrida global pela liderança em inteligência artificial.
“A China vem se aproximando da vanguarda tecnológica, e isso gera preocupação nos Estados Unidos, que ainda dependem do know-how de Taiwan”, afirma Brustolin.
Por isso, Taiwan se tornou não apenas um ponto de disputa territorial, mas também uma peça-chave na corrida tecnológica e militar entre China e Estados Unidos.
➡️​ Venda de armas e apoio militar dos EUA
Taiwan testa sistema de lançamento de mísseis fornecido pelos EUA
REUTERS / AGÊNCIA DE NOTÍCIAS MILITAR DE TAIWAN
Embora não mantenham relações diplomáticas formais com Taiwan, os EUA são o principal aliado internacional da ilha e seu maior fornecedor de armas.
A relação é baseada na chamada Lei de Relações com Taiwan, aprovada pelo Congresso dos EUA em 1979. A legislação regula a relação não oficial entre EUA e a ilha e permite que Washington forneça equipamentos “defensivos” para garantir a segurança da ilha.
Ao mesmo tempo, os EUA reconhecem oficialmente a política de “Uma Só China”, segundo a qual Pequim é o único governo chinês legítimo.
Isso criou uma situação chamada de “ambiguidade estratégica”: Washington não afirma claramente se defenderia Taiwan em caso de invasão chinesa, mas também não descarta essa possibilidade.
“Existe uma ambiguidade dos Estados Unidos em relação a Taiwan. Ao mesmo tempo em que reconhecem a soberania chinesa, os EUA se reservam o direito de fornecer armas para Taiwan e até defender a ilha”, explica Brustolin.
Nos últimos anos, porém, o apoio militar americano aumentou. No primeiro governo Trump, os EUA venderam mais de US$ 18 bilhões em armamentos para Taiwan, segundo centro de pesquisas norte-americano o Council on Foreign Relations.
Em dezembro de 2025, Taiwan aprovou um pacote de US$ 11,1 bilhões para a compra de armas dos EUA, incluindo sistemas de foguetes Himars, mísseis antitanque Javelin, drones e peças militares.
A China reagiu imediatamente e realizou novos exercícios militares ao redor da ilha. Em outras ocasiões, Pequim já afirmou que as manobras servem como “aviso aos separatistas”.
China mobiliza quantidade recorde de navios de guerra e deixa Japão e Taiwan em alerta
Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30).
Reuters/Evelyn Hockstein

Mineradores lançam dinamite contra polícia em meio a protestos na Bolívia

Mineradores lançam dinamite contra polícia em meio a protestos na Bolívia
Mineradores durante protesto na Bolívia, em 14 de maio de 2026
Aizar Raldes/AFP
Explosões foram ouvidas nesta quinta-feira (14) durante confrontos entre policiais e mineradores em La Paz, capital da Bolívia. Segundo a agência France-Press, manifestantes lançaram dinamite contra policiais ao tentar avançar em direção à Plaza Murillo, onde fica a sede do governo boliviano.
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Os mineradores participavam de uma marcha que pede a renúncia do presidente Rodrigo Paz. O grupo também cobra maior acesso a explosivos e combustível, além da revisão de contratos e novas regras para o setor de mineração.
Os confrontos ocorrem em meio ao agravamento da crise econômica e social no país. Seis meses após assumir o cargo com ampla vitória eleitoral, Paz enfrenta pressão crescente de diferentes setores.
A Bolívia vive escassez de dólares, queda na produção doméstica de energia e falta de combustíveis. A inflação acumulada em 12 meses chegou a 14% em abril, na pior crise econômica do país em 40 anos.
Nos últimos dias, protestos de operários, professores, caminhoneiros, camponeses e grupos indígenas se espalharam pelo país. As categorias pedem reajustes salariais, medidas contra a inflação e criticam possíveis privatizações de empresas públicas.
Mineradores protestam contra o governo de Rodrigo Paz, na Bolívia
Aizar Raldes/AFP
Na terça-feira (12), a polícia registrou 67 bloqueios de estradas em diferentes regiões. Segundo a imprensa local, a paralisação provocou aumento no preço de alimentos em mercados da capital.
Na ocasião, Paz afirmou que os bloqueios agravam o desabastecimento.
“São os bloqueadores que aumentam o preço dos produtos (…), que geram desemprego (…), que não permitem que a gasolina e o diesel cheguem à sua casa”, disse o presidente em vídeo publicado nas redes sociais.
Também na terça-feira, grupos ligados ao ex-presidente Evo Morales iniciaram uma marcha de cerca de 180 quilômetros entre Oruro e La Paz para exigir a saída de Paz do cargo.
Morales, que governou o país entre 2006 e 2019, é considerado foragido pela Justiça boliviana em um caso de suposto abuso de menor.
Autoridades bolivianas acusam setores da oposição de estimular os protestos e o aumento da tensão social.
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