Falta de segurança e sem identificação: as falhas no evento de Trump que terminou em pânico em Washington

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Falta de segurança e sem identificação: as falhas no evento de Trump
Um jantar tradicional que reúne autoridades e jornalistas na capital dos Estados Unidos terminou em pânico após a tentativa de invasão de um homem armado. O episódio expôs uma série de falhas de segurança no evento que contava com a presença do presidente Donald Trump, integrantes do governo e cerca de 2.500 convidados.
O suspeito foi identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos. De acordo com a imprensa americana, ele enviou um manifesto à família pouco antes do ataque. No texto, ele zombava justamente da falta de segurança do hotel.
Em reportagem ao Fantástico, a correspondente Raquel Krähenbühl, que estava no jantar, relatou que não havia nenhum tipo de revista ou barreira de segurança nas entradas do evento. Os convidados também não precisavam apresentar documento de identidade para entrar no local.
Bastava portar o convite físico. No papel, a orientação era direta: "Por favor, apresente este ingresso para entrar na recepção e no salão de festas".
O evento acontecia em um salão localizado dois andares abaixo da entrada principal do hotel. Só nesse percurso intermediário os convidados passavam pelo raio-x de segurança.
Foi justamente nesse andar que o atirador acabou preso, perto da escada que dava acesso à porta central do salão.
Procurado pela reportagem, o hotel informou que a coordenação da segurança do evento é de responsabilidade do Serviço Secreto, em colaboração com a polícia local e a equipe de segurança do próprio estabelecimento.
Histórico e revisão de protocolos
Este não é o primeiro incidente envolvendo segurança em eventos com presidentes americanos. Após atentados anteriores — como o que atingiu Ronald Reagan em 1981 — protocolos foram revisados e reforçados.
Desta vez, representantes da Associação dos Correspondentes da Casa Branca indicaram que novas mudanças devem ser implementadas. A tendência é que futuras edições do jantar tenham controle mais rigoroso de acesso, incluindo identificação obrigatória e inspeções completas já na entrada do local.
Evento cancelado e falhas questionadas
Apesar de Trump afirmar que o jantar deve voltar a acontecer em até 30 dias, especialistas em segurança apontam que o episódio levanta questionamentos sérios sobre protocolos adotados em eventos oficiais — especialmente quando jornalistas, autoridades e familiares estão expostos em um mesmo ambiente, sem identificação rígida ou controle efetivo de acesso.
O jantar dos Correspondentes da Casa Branca acontece desde 1921 e simboliza uma celebração da liberdade de imprensa. Desta vez, no entanto, o evento terminou expondo que, por trás do glamour e da tradição, a negligência em medidas básicas de segurança quase resultou em uma tragédia de proporções ainda maiores.
Falta de segurança e sem identificação: as falhas no evento de Trump que terminou em pânico em Washington
Reprodução/TV Globo
Veja a reportagem completa no vídeo abaixo:
Atirador tenta invadir jantar de gala para assassinar Donald Trump e integrantes do governo dos EUA

Trump diz que não estava preocupado durante ataque em jantar

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que "não estava preocupado" ao ser retirado de um jantar de correspondentes da Casa Branca, quando um atirador tentou invadir o local.
"Eu não estava preocupado. Eu entendo como é a vida. Vivemos em um mundo louco", disse Trump no domingo (26/4) em entrevista ao programa 60 Minutes da CBS News, um dia após o incidente em um hotel de Washington.
A imprensa americana identificou Cole Tomas Allen, de 31 anos, como o suspeito, que foi preso depois que a polícia disse que ele abriu fogo perto de um posto de segurança durante o evento. Ele deve comparecer ao tribunal na segunda-feira.
A força-tarefa de investigação criminal e antiterrorismo do FBI está investigando o incidente.
O procurador-geral dos EUA, Todd Blanche, disse que o suspeito "provavelmente" tinha como alvo funcionários de alto escalão da Casa Branca, com base em descobertas "preliminares". A motivação do suposto atirador ainda está sendo investigada.
Trump estava acompanhado no evento de sábado por membros de alto escalão de seu governo, incluindo o vice-presidente J.D. Vance, o secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr., a secretária de imprensa Karoline Leavitt e o assessor Stephen Miller.
Depois de ser retirado às pressas do palco para um local seguro, Trump disse mais tarde a repórteres em uma coletiva de imprensa no sábado: "Não consigo imaginar que exista alguma profissão mais perigosa".
Em um comunicado divulgado no domingo, a Casa Branca afirmou que Trump "segue sem medo" após sobreviver, junto com membros do gabinete, a "uma tentativa de assassinato com disparo de tiros".
A presidente da Associação de Correspondentes da Casa Branca, Weijia Jiang, classificou o ataque como "assustador".
No domingo, Jiang, que estava sentada ao lado de Trump no jantar, agradeceu ao Serviço Secreto pelas ações que "protegeram milhares de convidados".
No domingo, Trump disse à Fox News que o suspeito "guardava muito ódio no coração há algum tempo" e afirmou que sua família sabia que ele tinha "problemas". Ele acrescentou que o suspeito tinha um "manifesto" e sugeriu que ele era "fortemente anticristão".
A imprensa americana noticiou, citando fontes policiais, que Allen tinha um histórico de postagens anti-Trump nas redes sociais.
Por volta das 20h35 no horário local (21h35 no horário de Brasília) de sábado (25/4), tiros foram disparados no saguão do hotel Washington Hilton. O jantar dos correspondentes da Casa Branca estava acontecendo no salão de baile do hotel, em um andar abaixo.
O presidente, a primeira-dama Melania Trump e o vice-presidente foram retirados às pressas do local pela segurança.
Um vídeo de agentes do Serviço Secreto retirando J.D. Vance do evento momentos antes da evacuação de Trump circulou nas redes sociais, com alguns espectadores questionando o momento em que isso ocorreu.
Em entrevista ao programa de notícias 60 Minutes no domingo, Trump disse que "não facilitou" a sua evacuação pelos agentes.
"Eu queria ver o que estava acontecendo… e naquele momento começamos a perceber que talvez fosse um problema sério."
Em certo momento, Trump disse que seus agentes de segurança pediram que ele se protegesse e "por favor, deitasse no chão". Ele elogiou sua equipe de segurança.
Autoridades disseram que houve troca de tiros entre policiais e o suposto agressor, que foi interceptado. Ele não foi atingido, mas foi levado ao hospital para avaliação.
A polícia disse que ele portava duas armas de fogo, além de facas.
A CBS News teve acesso a um documento que se acredita estar ligado ao suspeito, Cole Allen. Outros veículos de imprensa dos EUA também noticiaram o mesmo documento.
O texto afirma que o atirador queria atacar membros do governo Trump "do mais alto ao mais baixo escalão" e que, embora hóspedes e funcionários do hotel não fossem os alvos pretendidos, eles seriam atacados se necessário para atingir as autoridades.
Segundo relatos, o irmão do atirador contatou a polícia no Estado de Connecticut após receber o texto. O departamento de polícia de New London, Connecticut, disse que foi contatado poucas horas após o tiroteio e notificou imediatamente as autoridades federais.
A BBC News não verificou de forma independente o suposto documento, que foi descrito como um manifesto e teria sido enviado a familiares do suspeito antes da tentativa de ataque.
Confusão generalizada
Na entrevista ao 60 Minutes no domingo, Trump ficou irritado com a jornalista Norah O'Donnell depois que ela perguntou sobre o conteúdo relatado dos supostos escritos, que incluem uma referência a um "pedófilo, estuprador e traidor" sem mencionar nenhum indivíduo pelo nome.
Trump disse que O'Donnell "deveria ter vergonha de si mesma por ler isso, porque eu não sou nenhuma dessas coisas".
Um policial que foi baleado e ferido durante o incidente recebeu alta do hospital. Seu colete à prova de balas "nos ajudou a evitar uma possível tragédia", disse o chefe de comunicações do Serviço Secreto, Anthony Guglielmi, à BBC.
Vários repórteres da BBC estavam presentes no jantar e descreveram cenas de confusão generalizada após o som de tiros.
Gary O'Donoghue, correspondente-chefe da BBC na América do Norte, disse ter ouvido "sons altos".
"Em instantes, pensei: 'Esse é o som grave e abafado que armas semiautomáticas fazem'", disse ele.
A sala foi brevemente isolada, antes de ser anunciado que o evento seria remarcado, e os participantes foram retirados do local.
Blanche disse à CBS News que os investigadores acreditam que o suspeito viajou para a capital de trem – de Los Angeles para Chicago, antes de seguir para Washington.
Allen se descreve na plataforma LinkedIn como engenheiro mecânico, desenvolvedor de jogos e professor. Ele é de Torrance, no Estado da Califórnia, onde um endereço que se acredita estar ligado a ele está sendo revistado.
Ele será formalmente acusado em um tribunal federal nesta segunda-feira (27/4) por agressão a um agente federal e uso de arma de fogo durante um crime violento, disseram as autoridades.
O presidente fez um pronunciamento na Casa Branca após o ataque. Vestindo um smoking, ele falou para uma sala cheia de jornalistas também de traje formal e elogiou o Serviço Secreto, dizendo que todos na sala deviam a eles uma "enorme gratidão".
Embora tenha criticado a mídia durante seus dois mandatos como presidente, inclusive na entrevista ao programa 60 Minutes, Trump também reservou um momento para agradecer à imprensa pela "cobertura responsável" do ataque.
Ele também pediu que as pessoas "resolvam suas diferenças pacificamente".
Ele usou o incidente para reforçar seu argumento a favor da construção de um novo salão de baile na Casa Branca, escrevendo no Truth Social que isso não teria acontecido "com o Salão de Baile Ultrassecreto Militarmente em construção".
O projeto polêmico enfrentou diversos desafios legais.
Esta é a terceira vez que Trump enfrenta uma ameaça de assassinato. Ele foi levemente ferido em julho de 2024, durante um comício em Butler, Pensilvânia. Em setembro de 2024, um suspeito armado foi visto escondido nos arbustos de seu clube de golfe em West Palm Beach, na Flórida.
Trump estava participando do Jantar dos Correspondentes da Casa Branca pela primeira vez como presidente. Sua última participação havia sido em 2011, como cidadão comum.
Após o incidente, o ex-presidente Barack Obama disse: "É nossa obrigação rejeitar a ideia de que a violência tenha qualquer lugar em nossa democracia."
"É também um lembrete impactante da coragem e do sacrifício que os agentes do Serviço Secreto dos EUA demonstram todos os dias." Sou grato a eles – e agradeço que o agente que foi baleado esteja bem."
Líderes mundiais também condenaram o incidente.
O presidente Lula usou as redes sociais para se solidarizar com Trump pelo episódio.
"Minha solidariedade ao presidente Donald Trump, à primeira-dama Melania Trump e a todos os presentes no jantar com correspondentes em Washington. O Brasil repudia veementemente o ataque de ontem à noite. A violência política é uma afronta aos valores democráticos que todos devemos proteger", escreveu.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, disse estar "chocado" com o ataque, acrescentando: "Qualquer ataque às instituições democráticas ou à liberdade de imprensa deve ser condenado nos termos mais fortes possíveis."
Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, disse estar "aliviado" por Trump e a primeira-dama, juntamente com os presentes, estarem em segurança.
O premiê australiano, Anthony Albanese, também disse estar "satisfeito em saber" que os presentes no local estavam em segurança.
* Kayla Epstein contribuiu para esta reportagem.

EUA matam 3 pessoas em ataque a embarcação no Oceano Pacífico

Irã oferece aos EUA um acordo para reabrir Ormuz, mas adia negociações nucleares; diz site
EUA realizam ataque a embarcação no Pacífico e matam três
Os Estados Unidos da América (EUA) realizam novo ataque a embarcação que transitava no Oceano Pacífico neste domingo (26). Segundo o Comando Sul do exército americano, três homens morreram no ataque. Veja a ação no vídeo acima.
O Comando Sul dos EUA (Southcom), responsável pelas operações militares americanas na América Latina, afirmou nas redes sociais que a embarcação atingida navegava por rotas conhecidas do tráfico de drogas e participava de operações ligadas ao narcotráfico.
O governo americano afirma estar em guerra contra o que chama de “narcoterroristas” na região. Até o momento, porém, não apresentou provas públicas que relacionem as embarcações atacadas ao tráfico de drogas.
EUA matam 3 pessoas em ataque a embarcação no Oceano Pacífico
Reprodução / X

Irã oferece aos EUA um acordo para reabrir Ormuz, mas adia negociações nucleares, diz site

Irã oferece aos EUA um acordo para reabrir Ormuz, mas adia negociações nucleares; diz site
Trump diz estar aberto a negociação com Irã, mesmo por telefone
Segundo apuração do site de notícias Axios, o Irã apresentou uma nova proposta aos Estados Unidos para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar a guerra, adiando, no entanto, futuras negociações sobre seu programa nuclear. Ainda segundo a publicação, o movimento contornaria o impasse acerca das concessões, abrindo caminho para um acordo mais rápido.
Entretanto, Donald Trump já sinalizou que deseja manter o bloqueio naval. À Fox News, disse que está sufocando as exportações de petróleo do Irã, na esperança de que isso leve Teerã a ceder nas próximas semanas. Especula-se que, nesta segunda-feira (27), a cúpula da Casa Branca realize uma reunião para tratar do assunto.
O fim de semana foi marcado por frustrações na resolução do conflito: após a visita do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, ao Paquistão, a mídia iraniana negou que ele negociaria diretamente com Washington. Foi então que o presidente americano cancelou novamente sua comitiva.
“Não vejo sentido em enviá-los em um voo de 18 horas na situação atual. É muito tempo. Podemos fazer isso igualmente bem por telefone. Os iranianos podem nos ligar se quiserem. Não vamos viajar só para ficar sentados lá”, disse Trump ao mesmo portal no sábado (25).
A nova proposta, que teria sido apresentada aos EUA por meio de mediadores paquistaneses, partiria de um cessar-fogo prorrogado por um longo período ou do fim permanente da guerra. Segundo a proposta, as negociações nucleares só começariam em uma fase posterior, após a abertura do estreito e o levantamento do bloqueio.
Segundo o Axios, a Casa Branca recebeu a proposta, mas não está claro se os EUA estão dispostos a analisá-la.
Abbas Araqchi, ministro de Relações Exteriores do Irã, em 17 de dezembro de 2025
Reuters/Ramil Sitdikov/Pool/Foto de arquivo

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Reuters/Ramil Sitdikov/Pool/Foto de arquivo