‘Serviço Secreto fez exatamente o que deveria e agiu rápido’; ex-agentes explicam resposta a ataque em jantar com Trump

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A reação dos agentes que protegiam o presidente Donald Trump durante o ataque a tiros em um jantar em Washington, no sábado (25), seguiu o protocolo esperado e evitou um desfecho mais grave, segundo ex-integrantes das forças de segurança americanas.
“Eles fizeram exatamente o que deveriam fazer e o fizeram rapidamente, evitando qualquer incidente mais grave para o presidente”, afirmou Barry Donadio, ex-agente do Serviço Secreto que já atuou no hotel onde ocorreu o evento.
Na avaliação dele, o ponto central é o tempo de resposta. As imagens do momento do ataque indicam que os agentes tiveram poucos segundos para agir diante da tentativa de avanço do suspeito.
“Não houve muito tempo para reagir, talvez dois segundos. A intenção dele parecia ser atravessar o posto de controle, chegar o mais perto possível do presidente e atirar”, disse.
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Barreiras sucessivas impedem aproximação
O presidente dos EUA , Donald Trump , a primeira-dama Melania Trump e a correspondente sênior da CBS News na Casa Branca, Weijia Jiang, participam do jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca
REUTERS/Jonathan Ernst
Donadio descreve que a segurança em eventos com a presença do presidente é estruturada em camadas — um modelo que busca justamente impedir que ameaças avancem além dos primeiros filtros.
“Haverá diferentes níveis de segurança: anéis internos, externos e intermediários, com pontos de controle como os de um aeroporto”, explicou.
Nesse tipo de operação, equipes distintas atuam de forma integrada: há grupos dedicados exclusivamente ao presidente, à primeira-dama e a outras autoridades, além da segurança própria do evento. A sobreposição desses times cria redundâncias que aumentam a capacidade de reação.
Para o ex-agente, o fato de o suspeito ter sido contido ainda na área de controle de acesso indica que essas barreiras funcionaram como planejado.
“Eles agiram corretamente. Conseguiram deter o atirador e salvar a vida do presidente”, afirmou.
Proteção prioriza retirada da autoridade
A lógica de atuação em situações como essa não é necessariamente neutralizar o agressor com disparos, mas garantir a retirada segura da pessoa protegida.
“O objetivo inicial é tirar a pessoa protegida do perigo e, normalmente, não se volta a atirar no agressor, a menos que seja seguro fazê-lo”, disse Dennis Franks, ex-agente do FBI.
Segundo ele, decisões sobre o uso de força letal levam em conta o ambiente ao redor. Em locais fechados e com grande circulação de pessoas, o risco de atingir terceiros pode limitar a reação.
“Nem sempre é possível disparar com segurança sem o risco de ferir outras pessoas”, afirmou.
Trump é retirado de evento após tiros
Reuters
Evento com muitas autoridades aumenta complexidade
Outro ponto destacado pelos especialistas é o perfil do evento, que reuniu um número elevado de autoridades e figuras públicas — fator que amplia a complexidade da operação de segurança.
“Se tantas figuras públicas vão comparecer, é preciso avaliar o local e os procedimentos. Caso haja risco, devem ser adotadas medidas adicionais ou até escolher outro espaço”, disse Franks.
Ele ressalta que esse tipo de análise envolve desde a estrutura física do local até os sistemas de triagem e monitoramento, como detectores de metal, cães farejadores e vigilância por câmeras.
Donald Trump gesticula enquanto discursa na Sala de Imprensa James Brady, na Casa Branca, após uma ameaça não especificada, durante o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca
AP/José Luis Magana
Investigação busca entender acesso e motivação
Paralelamente à avaliação da resposta, autoridades investigam como o suspeito conseguiu entrar armado no hotel e quais eram suas intenções.
Para Daniel Brunner, também ex-agente do FBI, a apuração deve avançar em duas frentes: a reconstrução do que ocorreu no local e o histórico do indivíduo.
“Eles vão verificar como ele entrou, como fez a reserva e por que não foi identificado antes. Também vão analisar suas motivações, histórico, deslocamentos e possíveis influências”, afirmou.
Segundo ele, esse tipo de investigação inclui análise de registros, dispositivos eletrônicos e conexões pessoais, com o objetivo de determinar se o ataque tinha como alvo direto o presidente ou outra pessoa presente.

‘Atirador provavelmente tinha Trump e outras autoridades como alvo’, diz procurador-geral interino dos EUA

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O procurador-geral interino dos EUA, Todd Blanche, afirmou neste domingo (26) que as autoridades acreditam que o suspeito do ataque durante o jantar com correspondentes na Casa Branca neste sábado (25) tinha como alvo integrantes do governo e o próprio Donald Trump.
“Parece que ele, de fato, pretendia atingir pessoas que trabalham na administração, provavelmente incluindo o presidente”, disse Blanche ao programa Meet the Press, da NBC News.
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O homem disparou uma espingarda contra um agente do Serviço Secreto em um posto de controle no hotel Washington Hilton antes de ser imobilizado e preso. Trump e a primeira-dama Melania Trump foram retirados às pressas do jantar.
O suspeito será acusado em um tribunal federal na segunda-feira (27) por agressão a um agente federal, disparo de arma de fogo e tentativa de homicídio contra um agente federal, disse Blanche , acrescentando que não sabia se havia alguma ligação do ataque com o Irã.
O procurador-geral interino também acrescentou que o suspeito provavelmente viajou de trem de Los Angeles até Chicago e, depois, para Washington, D.C. e que ele agiu sozinho.
Além disso, Blanche acredita que o suspeito tenha comprado duas armas de fogo nos últimos anos. Ele também informou que foram encontradas mensagens escritas sobre o caso, mas não deu mais detalhes.
Blanche também afirmou está confiante de que o rei Charles III estará seguro durante sua visita de Estado aos EUA nesta semana.
Trump é retirado de evento após tiros
Reuters
O que se sabe sobre o caso
Trump participava de um jantar com jornalistas e foi retirado às pressas pelo Serviço Secreto após barulhos de tiros. O evento ocorria em um hotel em Washington;
Um suspeito foi detido. Segundo a agência de notícias AP, ele se chama Cole Tomas Allen, tem 31 anos e mora na Califórnia;
Trump disse que, aparentemente, ele agiu sozinho, como um "lobo solitário". A polícia local confirmou a informação. Ainda não se sabe a motivação para o ataque;
A polícia afirma que ele estava armado com uma espingarda, uma pistola e facas;
Um agente de segurança que usava colete à prova de balas foi atingido ao tentar conter o suspeito;
Além de Trump, estavam no evento o vice-presidente J.D. Vance; a primeira-dama, Melania Trump; e o secretário de Estado, Marco Rubio. Todos foram retirados em segurança;
Inicialmente, Trump afirmou que o evento poderia continuar, mas o Serviço Secreto vetou.

Homem que tentou atirar em Trump é desenvolvedor de jogos e professor premiado

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Veja quem é o suspeito de atirar em jantar com Donald Trump
Preso após o tiroteio nas proximidades do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, em Washington, Cole Tomas Allen, de 31 anos, é professor particular e desenvolvedor de jogos da Califórnia.
Ele foi detido no sábado (25), após o episódio que levou o presidente Donald Trump a ser retirado do evento por agentes de segurança.
Leia também: Segurança fraca, 'momento traumático' e investigações ao suspeito: o que se sabe sobre tiros em jantar de gala nos EUA
Registros públicos e perfis profissionais indicam que Allen tem formação em tecnologia. Ele concluiu mestrado em ciência da computação pela California State University, Dominguez Hills e se formou em engenharia mecânica pelo California Institute of Technology, em 2017.
Um professor da universidade onde ele estudou descreveu o ex-aluno como dedicado e participativo.
Em relato à Associated Press, afirmou que Allen costumava se sentar nas primeiras fileiras, acompanhava as aulas com atenção e enviava dúvidas com frequência. “Ele era um aluno excelente”, escreveu.
O docente também disse ter ficado surpreso com a notícia.
'Professor do mês'
Homem é detido no chão por agentes de segurança em imagem divulgada por Donald Trump após tiros disparados em jantar de correspondentes da Casa Branca com presidente dos EUA, em Washington, nos EUA, em 25 de abril de 2026.
Reprodução/ Truth Social
Segundo currículo, Allen trabalhava havia cerca de seis anos na C2 Education, empresa de preparação acadêmica para estudantes que pretendem ingressar no ensino superior. Em 2024, foi citado como “professor do mês” em uma publicação da companhia.
Além da atuação como tutor, mantinha projetos próprios na área de tecnologia. Ele desenvolveu um protótipo de freio de emergência para cadeiras de rodas durante a faculdade, apresentado em reportagem de TV local.
Também criou jogos digitais, incluindo um título baseado em conceitos de química molecular publicado na plataforma Steam, e mencionava estar trabalhando em um novo jogo ambientado no espaço.
Donald Trump gesticula enquanto discursa na Sala de Imprensa James Brady, na Casa Branca, após uma ameaça não especificada, durante o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca
AP/José Luis Magana
Doação ao Partido Democrata
Dados federais de financiamento de campanha indicam que Allen fez uma doação de R$ 124 (25 dólares) a um comitê de ação política ligado ao Partido Democrata, em apoio à candidatura de Kamala Harris à presidência em 2024.
Até a última atualização, autoridades não haviam divulgado a motivação do ataque nem detalhado as circunstâncias do crime. A empresa onde ele trabalhava não respondeu a pedidos de posicionamento.
Trump escapou ileso
O tiroteio ocorreu na noite de sábado (25), nas proximidades do jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, realizado em Washington. O evento reuniu autoridades, jornalistas e o presidente Donald Trump.
Segundo autoridades, o homem abriu fogo perto do local, atingindo agentes de segurança. Trump e a primeira-dama, Melania Trump, foram retirados às pressas por agentes do Serviço Secreto.
O suspeito foi detido no local. Ele estava armado com uma espingarda, uma pistola e facas, de acordo com informações divulgadas por autoridades.
Como funcionava a segurança no evento
O jantar é considerado um dos eventos mais sensíveis do calendário político dos Estados Unidos e opera com esquema reforçado de segurança. O acesso ao local é restrito, com checagem de credenciais e passagem por detectores de metal.
Dentro do salão, o presidente permanece em uma área isolada, protegida por agentes e equipes de resposta rápida. O sistema é organizado em camadas, com níveis crescentes de proteção à medida que se aproxima do chefe de Estado.
Autoridades afirmaram que o esquema funcionou ao impedir que o suspeito chegasse até o presidente.
*Com Associated Press, Reuters e AFP.
Trump: atirador é homem que vive na Califórnia

Salão de Pequim: marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari; VÍDEO

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marca de luxo da BYD mostra supercarro elétrico mais veloz que Ferrari
A Denza, marca de luxo da BYD, apresentou o Denza Z no Salão do Automóvel de Pequim. O supercarro entrega mais de 1.000 cv de potência e acelera de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos.
Embora seja um modelo chinês, o Denza Z carrega forte influência alemã. O projeto é assinado pelo designer Wolfgang Egger, ex-Audi, e essa herança europeia aparece em vários detalhes do carro.
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Isso fica evidente no visual, que lembra uma mistura de modelos da Maserati e da Ferrari, e também no volante, que remete aos carros da Porsche.
Denza Z
André Fogaça/g1
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
Exibido na cor verde-claro durante o salão, o modelo pode ser conversível ou cupê e também conta com uma configuração voltada para uso em pistas.
Sob a carroceria, o Denza Z reúne o que há de mais avançado na eletrificação da chinesa. São três motores elétricos, que garantem tração integral e somam mais de 1.000 cv de potência, permitindo acelerações extremamente rápidas — a BYD não divulgou a potência exata.
A BYD não informa o tempo exato, mas o fato de a aceleração ser inferior a 2 segundos já coloca o Denza Z à frente da Ferrari SF90 Stradale, que até então era considerada a mais rápida da marca italiana, com 0 a 100 km/h em 2,5 segundos.
O modelo tem quatro bancos e acabamento em fibra de carbono, material que também está presente no console central elevado.
A identidade chinesa também se revela na central multimídia, que tem aspecto flutuante e dimensões generosas, semelhantes às vistas em modelos da BYD.
O Denza Z é equipado com a suspensão magnética DiSus-M, a versão mais avançada do sistema de direção semi-autônoma da BYD e um conjunto de baterias compatível com o carregamento mais rápido oferecido pela marca.
Denza Z
Com esse sistema, o Denza Z leva apenas 9 minutos para passar de 10% a 97% de carga da bateria.
Denza Z estreia primeiro fora da China
Apesar de ter sido apresentado no Salão do Automóvel de Pequim, o lançamento mundial do supercarro está marcado para julho, na Inglaterra, durante o Goodwood Festival of Speed.
Só depois o Denza Z será lançado na China. Segundo a BYD, o supercarro chegará ao Brasil no segundo semestre de 2026.

Como suas roupas velhas podem ir parar neste deserto no Chile

Como suas roupas velhas podem ir parar neste deserto no Chile
Calcula-se que cerca de 39 mil toneladas de roupas velhas sejam descartadas no deserto do Atacama, no Chile, todos os anos
AFP via Getty Images
As roupas velhas encaminhadas para reciclagem, seja no Reino Unido, na América do Norte ou em outras partes do mundo, têm grande chance de acabarem sendo descartadas ilegalmente no deserto do Atacama, no Chile.
O país sul-americano é um dos maiores importadores de roupas usadas do mundo. Mas as peças que não são revendidas vêm sendo descartadas há anos em grandes pilhas, no deserto seco e estéril do norte chileno.
Agora, após uma mudança da legislação, uma empresa local está tomando ações para enfrentar o problema.
O Chile importa 123 mil toneladas de roupas usadas todos os anos, segundo estimativas do governo. A zona franca do porto de Iquique, no norte do país, é a principal porta de entrada deste tipo de produto.
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Empresas locais e das cidades vizinhas podem importar, armazenar e vender mercadorias, com isenção das taxas alfandegárias e do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
Conhecida pela sigla Zofri, a zona franca foi criada em 1975, para promover o desenvolvimento sócio-econômico do norte chileno. E as roupas usadas passaram a ser um dos maiores produtos de importação.
Contêineres repletos de roupas continuam chegando a Iquique dos Estados Unidos, Canadá, Europa e Ásia. Elas são vendidas localmente ou exportadas para outros países latino-americanos.
O gerente-geral da Zofri, Felipe González, conta que existem cerca de 50 empresas de importação de roupas na região, que ajudam a impulsionar a economia local.
"É um setor que oferece a maior parte do trabalho às mulheres da região", explica ele. "Cerca de 10% delas trabalham com tecidos."
"As mulheres ajudam a classificar as roupas em diferentes categorias, segundo sua qualidade. Não é um trabalho altamente especializado, de forma que é acessível a pessoas sem muitas qualificações."
As roupas de pior qualidade acabam em La Quebradilla, um enorme mercado a céu aberto, perto da cidade de Alto Hospicio. Ela fica a cerca de meia hora de distância de Iquique, subindo a montanha, ainda dentro da zona franca.
Ali, é possível encontrar filas e mais filas de barracas, com pilhas de roupas em exibição sobre folhas de plástico.
As barracas vendem de tudo, desde camisetas até calças jeans e vestidos. Os preços são baixos, a partir de 500 pesos chilenos (US$ 0,54, cerca de R$ 2,70). Turistas e moradores locais invadem o local, especialmente no fim de semana, em busca de pechinchas.
Grande parte das roupas de segunda mão são vendidas em um mercado a céu aberto no norte do Chile
BBC
As roupas criam empregos para a economia da região, mas a grande questão é o que acontece com as peças que não são vendidas.
Elas não podem ser lançadas no aterro sanitário local, que só pode ser usado para resíduos domésticos, não para importações comerciais.
Os comerciantes deveriam optar por uma dentre três alternativas: exportar as roupas, pagar os impostos para vendê-las no Chile, fora da zona franca, ou enviá-las para uma empresa autorizada de tratamento de resíduos.
Como todas estas opções custam dinheiro, comerciantes inescrupulosos, na verdade, queimam as roupas ou as descartam no deserto do Atacama, próximo dali.
As duas medidas são ilegais e as maiores estimativas indicam que cerca de 39 mil toneladas de roupas são descartadas desta maneira todos os anos.
O descarte das roupas é uma dor de cabeça para a prefeitura de Alto Hospicio.
Miguel Painenahuel trabalha no setor de planejamento da cidade. Ele afirma que é difícil monitorar e impedir o descarte.
"Alto Hospicio é rodeada pelo deserto e pelos morros, que são de fácil acesso para os caminhões poderem descartar as roupas", explica ele.
"A prefeitura tem patrulhas com carros e câmeras, para acompanhar o que acontece e multar os culpados." Mas ele reconhece que "existem tantos caminhões descartando roupas que é muito difícil acompanhar tudo! Não temos recursos suficientes."
Oportunidade de negócio
Em outros lugares, surgiu uma solução para transformar o descarte de roupas em uma oportunidade comercial.
Luis Martínez é o diretor-executivo do Centro Tecnológico de Economia Circular (CircularTec), em Iquique. Trata-se de uma organização particular chilena, destinada a promover o reuso de recursos, em vez de descartá-los.
Recentemente, Martínez liderou um projeto para examinar qual a melhor forma de remodelar e reutilizar roupas velhas que não foram vendidas.
"Não queremos que o deserto do Atacama fique famoso como uma atração turística onde os visitantes podem observar montanhas de roupas", explica ele.
Martínez apresenta uma fábrica que está sendo construída para encontrar novos usos para as roupas descartadas.
"Ela é administrada por uma empresa privada e, segundo nossas projeções, poderá lidar com uma grande parte do estoque indesejado", ele conta.
O empresário Bekir Conkur está construindo a fábrica em questão no deserto quente e varrido pelo vento, a cerca de 20 minutos de carro de Alto Hospicio.
Originariamente da Turquia, Conkur trabalha no Chile há mais de 15 anos. Ele é um dos maiores importadores de produtos têxteis da região e sua empresa traz cerca de 50 contêineres de roupas todos os meses.
Ele afirma que deseja encontrar uma solução para o problema de descarte das roupas: "Acho que esta fábrica irá ajudar."
Conkur detalha o que a fábrica poderá fazer quando entrar em operação, daqui a alguns meses.
"A fábrica que estamos construindo não precisará de água, nem de substâncias químicas", explica ele.
"Usaremos máquinas que transformarão as roupas em fibras, depois em feltro, que será usado em objetos como colchões, mobília, interior de automóveis e isolamento. Acho que teremos capacidade de processar 20 toneladas por dia."
Bekir Conkur está construindo uma fábrica para reciclar as roupas indesejadas
BBC
Conkur reconhece que um dos motivos que o levou a este investimento foi atender a uma mudança de legislação que está em andamento no Chile.
Em julho do ano passado, os tecidos foram acrescentados à Lei de Responsabilidade Estendida do Produtor já vigente no país. A legislação responsabiliza as empresas que vendem produtos físicos pelo que acontece com eles no final da sua vida útil.
Para as empresas que vendem roupas, isso significa que as marcas da moda, varejistas e importadores precisarão financiar e organizar a coleta, reuso, reciclagem ou descarte adequado dos produtos têxteis, sem que este custo recaia sobre os governos locais ou o Ministério do Meio Ambiente do Chile.
No momento, o governo está trabalhando para definir os detalhes específicos do setor de vestuário. Mas, para Conkur, esta é uma grande oportunidade de negócio.
Ele investiu na nova fábrica US$ 7 milhões (cerca de R$ 35 milhões) e espera recuperar este valor absorvendo o estoque de roupas indesejado do Chile e, no futuro, de outros países espalhados pelo mundo.