Novo Toyota RAV4 abre mão de ser plug-in para encarar chineses e dobrar as vendas; será possível?

Como China sintoniza com novas gerações para tornar suas marcas objeto de desejo no mundo todo
Toyota quer vender o dobro de RAV4 no Brasil
É raro ver uma montadora claramente dar um passo para trás em tecnologia — claramente pois as marcas há muito tempo fazem isso de maneira velada.
Alguns carros deixam de ter suspensão independente na traseira ou perdem pacotes de segurança. Tem carro até que primeiro veio com freio de estacionamento eletrônico e depois adotou a antiquada alavanca.
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A Toyota não foi tão sutil. O novo RAV4 chega ao Brasil e abandona mesmo a tecnologia plug-in lançada em 2024, que durou só aquele ano. A meta é ter duas versões com preços competitivos: o preço inicial do modelo caiu para R$ 317.190 na versão S e ficou em R$ 349.290 na versão topo SX.
O SUV permanece, então, exclusivamente um híbrido convencional, sem possibilidade de carregamento das baterias na tomada. Pelo menos, subiram a potência do conjunto e, claro, o desempenho.
Nova geração do Toyota RAV4
Divulgação / Toyota
A explicação pela estratégia está do outro lado do globo, bem perto do Japão. As marcas chinesas lançam no Brasil utilitários esportivos híbridos e elétricos com preços agressivos.
As novidades chegam com valores abaixo dos R$ 300 mil, com garantia estendida e já com boa rede de lojas. Como o RAV4 híbrido plug-in iria concorrer nesse cenário? Lançado há dois anos, já custava R$ 400 mil.
Para reforçar a mensagem de que o RAV4 faz sentido para o bolso, a Toyota deixou o preço da primeira revisão lá embaixo. Se o cliente fizer uma revisão a cada 12 meses, em cinco anos o custo mensal com a manutenção do SUV será de R$ 85.

Desplugado
A Toyota apresentou o novo RAV4 no Brasil e os executivos disseram que a meta é vender o dobro de 2025. Declaração rara de se ouvir, pois poucas fábricas projetam vendas publicamente.
Foram emplacadas 2.981 unidades do SUV da Toyota em 2025. Então, estamos falando de vender 6 mil RAV4 em todo 2026.
Para se ter uma ideia, a BYD já vendeu 1.546 unidades do Song Plus Premium DM-i só nos três primeiros meses de 2026. O SUV é um híbrido plug-in e custa R$ 299 mil.
Nova geração do Toyota RAV4
Divulgação / Toyota
Ao menos, traz uma boa lista de equipamentos. Na prática, a versão topo de linha acrescenta equipamentos supérfluos, mas interessantes. Aquecimento nos bancos traseiros, head-up display e teto solar panorâmico podem não ser motivo para pagar R$ 350 mil.
No entanto, quem procura equipamentos de segurança e tecnologia talvez fique balançado. O RAV4 topo de linha tem câmera 360 graus, farol alto adaptativo e sensor de chuva. Confira a tabela.

Tradicional bem feito
Ao entrar no RAV4 a sensação é de segurança nas decisões. A Toyota torce o braço e não se rende a desenhos espalhafatosos. Nada de telas para comando de tudo nem controles exóticos para itens simples, como os retrovisores.
No console central, os botões enormes e fáceis de ler ajustam os modos de condução, câmera e assistente de descida. Logo abaixo, o porta-copos e, talvez, a única concessão da Toyota: uma alavanca tímida de câmbio.
Outras marcas já optaram por essa solução minimalista, que não libera espaço no console e nem facilita a operação do câmbio. O volante vem com comandos claros e bons de operar com a ponta dos dedões.
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O ar-condicionado se ajusta na tela, mas pelo menos os comandos não somem depois e o mapa fica sempre visível. A versão topo SX tem sistema GPS integrado e tela maior.
O espaço no banco traseiro é bom, com saídas de ar e boa visibilidade, mas alguns clientes vão descartar o Toyota por não ter opção de sete lugares.
Porta-malas tem abertura elétrica e, na versão topo, tem o sistema de aproximação, que abre sozinho ao passar o pé por baixo do para-choque.
Cortes de espada
Nova geração do Toyota RAV4
Divulgação / Toyota
O design do RAV4 anterior era mais rechonchudo, com para-lamas inflados e simpáticos. O novo RAV4 parece que foi esculpido a golpes precisos de espada.
O capô tem vincos agudos, o para-choque dianteiro tem cortes abruptos e a grade parece que foi furada com estocadas de katana. O conceito usado no farol, segundo a marca, é chamado de "hammerhead" (cabeça de martelo, em inglês).
Na lateral, a filosofia afiada continua e as rodas de 20 polegadas completam o visual esportivo. A traseira mais comportada tem as lanternas picotadas por dentro.
O resultado agrada, mas atribuir beleza é uma questão individual. Não houve alterações significativas nas medidas. Só a altura cresceu 1 cm.
Filosofia mantida
O SUV manteve uma qualidade da geração anterior, o entrosamento entre motor a combustão, câmbio e motores elétricos. O que o motorista quer é não perceber o que está acontecendo, uma transição suave entre os motores.
Agora a potência combinada é de 239 cv, antes o conjunto entregava 222 cv. Essa é a quinta geração deste sistema híbrido full da Toyota. O consumo na rodovia, medido pelo Inmetro, é de 14,1 km/l. Mas, em nosso breve contato, o SUV conseguiu média de 16 km/l.
A cabine tem boa vedação acústica, a direção comunica bem e não fica hesitosa com os assistentes de faixa e ponto cego. Ao testar o RAV4 dá para perceber as décadas que a Toyota passou afinando o modelo.
Nova geração do Toyota RAV4
Divulgação / Toyota
No teste na estrada, por uma mudança de rota do GPS, passamos por uma descida íngreme e lameada. Acabara de chover e a trilha de terra estreita estava impregnada pelo que parecia ser uma cobertura de caramelo.
O RAV4 começou a patinar na descida e a virar sozinho. Um balé em câmera lenta. A traseira ameaçou beijar o barranco. O pé vai no freio com sutileza, e é acionado o assistente de declive (com botão grande e fácil de operar).
Pronto, o Toyota assume e vai freando cada roda de maneira independente. O SUV fica alinhado e desce o tobogã de lama a 10 km/h. Isso que é bom: eletrônica que ajuda, sem incomodar quando não é chamada.
Pelo produto e pela história, a Toyota deve alcançar o objetivo de vender o dobro de RAV4 no Brasil. Mesmo abrindo mão da tecnologia plug-in, a marca sabe que seu cliente vai buscar o SUV.

Quem é o suspeito de ataque em jantar com Trump

Como China sintoniza com novas gerações para tornar suas marcas objeto de desejo no mundo todo
Homem é detido no chão por agentes de segurança em imagem divulgada por Donald Trump após tiros disparados em jantar de correspondentes da Casa Branca com presidente dos EUA, em Washington, nos EUA, em 25 de abril de 2026.
Reprodução/ Truth Social
O suspeito de ter atirado durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca na noite deste sábado, 25/04, foi identificado como Cole Tomas Allen, segundo a imprensa americana.
Segundo a CBS News, parceira da BBC nos Estados Unidos, ele disse às autoridades que tinha como alvo autoridades ligadas ao presidente americano Donald Trump.
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Citando duas fontes não identificadas, a CBS afirma também que entre cinco e oito tiros foram disparados durante o incidente.
O homem de 31 anos seria morador de Torrance, na Califórnia, nos subúrbios a sudoeste de Los Angeles.
A CBS News afirma que Allen trabalhava como tutor em Torrance após se formar no prestigiado Instituto de Tecnologia da Califórnia.
A polícia informou que ele era hóspede do hotel Washington Hilton, onde o jantar acontecia, e portava várias armas — incluindo revólveres e facas.
Allen está recebendo tratamento hospitalar após o incidente e deve ser formalmente acusado na segunda-feira. Ele irá responder por uso de arma de fogo durante crime violento e agressão a agentes federais.
Trump foi tirado às pressas do local
O presidente americano Donald Trump foi retirado às pressas do hotel em Washington neste sábado (25/4), após tiros serem ouvidos no local, onde ele discursaria no tradicional jantar com os correspondentes da Casa Branca.
Ele deu uma entrevista coletiva em que informou que um homem munido com diversas armas abriu fogo e tentou entrar no local do evento antes de ser detido pela segurança.
Um agente ficou ferido na ação, mas foi salvo pelo colete à prova de balas e está bem, segundo o presidente americano.
"Minha impressão é que ele era um lobo solitário maluco", disse Trump. "Essas pessoas são loucas. São pessoas loucas, e precisam ser contidas."
O tumulto foi percebido por volta das 20h35 no horário local (21h25 em Brasília), quando Trump e a primeira-dama Melania já estavam no local do evento, no hotel Hilton Washington, na capital americana.
Um barulho alto foi ouvido e, em seguida, vários membros do serviço secreto escoltaram o presidente, que já estava na mesa principal, para fora do local enquanto pessoas gritavam "abaixem-se, abaixem-se".

Segurança fraca, ‘momento traumático’ e investigações ao suspeito: o que se sabe sobre tiros em jantar de gala nos EUA

Como China sintoniza com novas gerações para tornar suas marcas objeto de desejo no mundo todo
Veja o momento em que agentes de segurança retiram Trump de evento após estrondos
Os detalhes sobre o ataque a tiros em um jantar de jornalistas correspondentes da Casa Branca nos Estados Unidos, ainda estavam vindo à tona neste domingo (26), à medida em que as autoridades apuram o incidente. O evento contava com a presença do presidente Donald Trump e outras autoridades do governo norte-americano.
O que se sabe até o momento é que a segurança do jantar de gala foi fraca e que o suspeito está sendo investigado pelo FBI e será formalmente acusado pela Justiça dos EUA na segunda-feira (27).
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O ataque ocorreu durante o jantar de gala que ocorria em um hotel em Washington D.C., capital dos EUA, na noite de sábado. Trump e outras autoridades de alto escalão do governo dos EUA foram evacuados rapidamente pelo Serviço Secreto. O presidente norte-americano chamou o incidente de "momento traumático" e elogiou o trabalho dos agentes de segurança. (Leia mais abaixo)
Falhas na segurança
Correspondente Raquel Krähenbühl relata o que viu no jantar
O esquema de segurança do jantar de gala era fraco, relatou a repórter da TV Globo Raquel Krahenbuhl, que estava presente no evento. Segundo Raquel, não houve revista aos convidados.
"A segurança nesses jantares normalmente não é reforçada. Todo mundo que tem um convite entra facilmente, (…) não teve raio-x, não teve nada. Aqui teve vários eventos paralelos que ocorreram antes do jantar. Aí, quando vai para o salão do jantar a gente tem que passar por uma revista, (…) mas isso já é vários andares mais para cima no hotel", afirmou Raquel.
Segundo a repórter, os tiros ocorreram antes do bloqueio de segurança que dava acesso ao salão principal.
Ainda segundo Raquel, os tiros foram ouvidos quando os convidados tinham acabado de começar a comer. Nesse momento, os convidados rapidamente começaram a se esconder debaixo das mesas e agentes do Serviço Secreto entraram no salão com armamentos pesados. No "momento surreal", alguns chegaram até a fazer barricadas com cadeiras, segundo uma correspondente da rede britânica BBC.
Investigação do FBI: suspeito hospedado em hotel, armas utilizadas e motivação
Homem aparece rodeado de agentes do Serviço Secreto após tiros em jantar onde estava Donald Trump
Associated Press
O suspeito foi identificado pelas autoridades como Cole Allen, de 31 anos, um morador da Califórnia. A polícia de Washington D.C. afirmou que Allen estava armado com uma espingarda, uma pistola e diversas facas. Trump o chamou de "lobo solitário e doente".
Um vídeo de câmera de segurança compartilhado por Trump mostrou Allen correndo em alta velocidade para passar pelo bloqueio de segurança em direção ao salão do jantar. No entanto, ele foi derrubado por agentes do Serviço Secreto e preso ainda do lado de fora.
Ele estava hospedado no hotel e acredita-se que ele chegou ao andar do evento pelo elevador, segundo a polícia de Washington. Houve troca de tiros entre o suspeito e agentes de segurança, e Allen disparou ao menos um dos tiros ouvidos pelos presentes. Um agente do Serviço Secreto foi atingido em seu colete à prova de balas e está bem de saúde.
O FBI iniciou ainda durante a madrugada buscas em uma casa ligada a Allen em Torrence, na Califórnia, onde ele mora. A polícia local disse também acreditar que Allen agiu sozinho.
Carros do FBI com agentes armados em buscas na casa de Cole Allen, em Torrence, na Califórnia, suspeito de realizar ataque a tiros em jantar de gala em que presidente Donald Trump estava presente em 25 de abril de 2026.
REUTERS/Daniel Cole
Ainda não se sabe, até a última atualização desta reportagem, as suas motivações para o ataque. No entanto, ele teria admitido aos agentes após ser preso que queria atirar em integrantes do governo Trump, segundo a CBS News.
Allen aparecerá em um tribunal federal já na próxima segunda-feira (27), onde será formalmente acusado na Justiça dos EUA por dois crimes, segundo a procuradora Jeanine Pirro:
Uso de arma de fogo durante a prática de um crime violento;
Agressão a um agente federal com o uso de uma arma perigosa.
'Momento traumático', diz Trump
Donald Trump, a primeira-dama, Melania Trump, e a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, antes do tiroteio no jantar com correspondentes da Casa Branca
REUTERS/Jonathan Ernst
Trump falou em coletiva de imprensa na Casa Branca sobre o incidente no jantar de gala. Ele chamou o incidente de "inesperado" e falou aos jornalistas achar inicialmente que o barulho dos tiros era uma bandeja caindo.
"Era um barulho muito alto e estava muito de longe. A [primeira-dama] Melania percebeu rapidamente que havia algo errado. (…) Quero agradecer, claro, à primeira-dama. Foi um momento traumático também para ela, muitas coisas acontecendo ali em cima, muito rapidamente no palco, mas o tempo de reação foi muito bom", disse.
Trump disse não saber se o ataque teve motivações políticas, mas disse achar que ele era o alvo —ele sofreu duas tentativas de assassinato nos últimos dois anos. "Ser presidente é uma profissão perigosa", disse.
O presidente norte-americano elogiou a rapidez e eficácia dos agentes de segurança para deter o suspeito.
Tiros em jantar de gala nos EUA
Agentes de segurança após relato de tiros no jantar de correspondentes da Casa Branca, em Washington
REUTERS/Jonathan Ernst
Trump foi retirado na noite deste sábado (25) do jantar de jornalistas correspondentes que cobrem a Casa Branca após tiros serem ouvidos no local.
O evento anual ocorreu em um hotel em Washington e reunia centenas de convidados, entre jornalistas e autoridades. Jornalistas da TV Globo também estavam no jantar.
Mais tarde, em coletiva na Casa Branca, Trump confirmou que um agente foi baleado.
Trump disse não saber se o ataque teve motivações políticas, mas disse achar que ele era o alvo —ele sofreu duas tentativas de assassinato nos últimos dois anos. "Ser presidente é uma profissão perigosa", disse o líder norte-americano.
Veja abaixo o que se sabe até o momento sobre o ataque a tiros no jantar de gala:
Trump participava de um jantar com jornalistas correspondentes da Casa Branca, mas foi retirado às pressas pelo Serviço Secreto após participantes ouvirem tiros;
O evento ocorreu em um hotel em Washington D.C., capital dos EUA. Não havia revista, seguranças apenas chegaram ingressos na entrada, segundo a repórter da TV Globo Raquel Krahenbuhl;
Testemunhas relataram vários disparos e barulhos de explosões, segundo agências de notícias internacionais;
O autor do ataque foi preso pelo Serviço Secreto e enviado para avaliação em um hospital na cidade;
Também estavam no evento o vice-presidente J.D. Vance, a primeira-dama Melania Trump e o secretário de Estado Marco Rubio. Todos foram evacuados em segurança;
O evento foi adiado por até 30 dias, apesar de pedidos de Trump para que fosse retomado;
A organização do evento informou que não há feridos;
O suspeito do ataque estaria hospedado no hotel onde o jantar ocorria, segundo a polícia local.

Vori-vori: prato paraguaio que superou a picanha em ranking internacional é tradição de família brasileira

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Vori-vori: família de brasiguaios mantém tradição paraguaia viva em Campo Grande MS
Na cozinha de casa, em Campo Grande, Maria Helena Lopes, de 86 anos, mantém há décadas o preparo do Vori-vori, receita que aprendeu ainda na infância e que atravessou a fronteira com a história da própria família. O prato, tradicional do Paraguai, vai além da alimentação: representa identidade, memória e a presença da imigração paraguaia em Mato Grosso do Sul, legado que hoje ganha projeção internacional ao liderar o ranking do TasteAtlas. Veja o vídeo acima.
A família, formada por brasiguaios (paraguaios e brasileiros), cresceu na região de Bela Vista, município de Mato Grosso do Sul que faz divisa com Bella Vista Norte, no Paraguai. Para eles, o prato vai além de um caldo com bolinhas de milho: representa uma forma de preservar identidade, memória e união.
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Preparado com técnica e poucos ingredientes, o prato exige equilíbrio entre o caldo de frango e as bolinhas de milho com queijo, consideradas a base da identidade da receita.
Além do valor cultural, o vori-vori também marca a história da comunidade paraguaia em Mato Grosso do Sul e contribuiu para a formação da Colônia Paraguaia em Campo Grande. O recente reconhecimento internacional reforça a importância do prato típico, consumido no dia a dia no país vizinho. Mais do que alimento, o vori-vori faz parte da identidade cultural do Paraguai e se torna uma memória afetiva para paraguaios e descendentes que vivem no estado, como a família Lopes.
🔍O ranking do TasteAtlas lista os 100 melhores pratos do mundo e faz parte de uma enciclopédia gastronômica dos Estados Unidos, sendo baseado em avaliações de usuários da plataforma, que atribuem notas às receitas de diferentes países, como a picanha brasileira, que ficou em 15º lugar na edição 2025/2026.
Infográfico – local e história do prato Vori-Vori.
g1-MS/Débora Ricalde
História marcada por trabalho e convivência familiar
A receita representa apenas parte do que o Vori-vori significa para a família Lopes. Maria Helena é uma entre 18 irmãos, sendo nove homens e nove mulheres. Três nasceram no Paraguai e os demais nasceram antes da criação de Mato Grosso do Sul, estado criado há 48 anos, em 11 de outubro de 1977.
Ela nasceu em Bonito, mas foi criada em Bela Vista, onde a família vivia em uma chácara às margens do rio Apa. “Lá a gente tinha de tudo. Todo mundo trabalhava, todo mundo plantava, todo mundo colhia. Todo mundo foi criado assim”, recorda.
Segundo ela, o pai não tinha relógio e o tempo do preparo era contado pela sombra do sol na casa. A mãe produzia linguiça e queijo, enquanto o pai fazia melado. O avô ajudava no cuidado da horta.
“De tudo o que pensar, na nossa casa tinha. Porque dava para sustentar todo mundo”, lembra.
Prato Vori-vori, feito por Maria Helena, em Campo Grande (MS).
Alison Lima/TV Morena
Prato ajudou a fundar a Colônia Paraguaia
Com o tempo, o Vori-vori passou a ter também ligação com a história da comunidade paraguaia em Mato Grosso do Sul. Maria Helena conta que o marido esteve entre os primeiros envolvidos na criação da Colônia Paraguaia no ano de 1973, em Campo Grande.
Segundo o Censo de 2022, Mato Grosso do Sul está entre os estados com maior número de residentes paraguaios no Brasil. O levantamento considera paraguaios que moravam no Paraguai até 2017 e imigraram para o estado. Ao todo, são 3.065 paraguaios, número que coloca Mato Grosso do Sul atrás apenas de São Paulo e Paraná.
Para arrecadar dinheiro, ela passou a cozinhar e vender pratos típicos, como chipa, sopa paraguaia e Vori-vori.
“Eu fazia chipa, sopa, Vori-vori para vender e arrecadar dinheiro. Íamos para a exposição com paneladas de Vori e Locro para conseguir arrecadar dinheiro e fazer a colônia”, conta.
Ela afirma que foram cerca de cinco anos de mobilização até que o projeto da construção da Colônia Paraguaia fosse concluído. “Batalhamos uns cinco anos direto para poder arrecadar dinheiro e levantar a colônia. Colocamos em pé. O primeiro barracão foi nós que fizemos”, relembra.
🔍 A Associação Colônia Paraguaia de Campo Grande é uma entidade sem fins lucrativos que preserva e fomenta a cultura paraguaia (música, dança, gastronomia) para mais de 80 mil imigrantes e descendentes. A associação procura valorizar a língua guarani e fortalecer os costumes tradicionais.
Thais Libni e Maria Helena provando Vori-vori em Campo Grande
Débora Ricalde/TV Morena
Receita atravessa gerações na família Lopes
Na casa da família Lopes, o preparo começa pelo tempero do frango. Maria Helena conta que, nesta versão, foi utilizado um pacote de filezinho de frango, temperado com antecedência. “O melhor é temperar de um dia para o outro”, ensina.
Na mistura, entram sal, vinagre e alho. No dia seguinte, ela doura o frango na panela e, na mesma gordura, refoga os temperos. Nesta preparação, foram usados cebola, pimentão e orégano. Em seguida, o frango vai para a panela de pressão com água, onde ferve por cerca de 10 minutos.
Enquanto isso, Maria Helena prepara as bolinhas, feitas com farinha de milho hidratada e queijo ralado. Para um pacote de farinha, ela utiliza cerca de uma xícara de queijo curado, que ajuda a dar liga e sabor.
A recomendação é usar aos poucos a água do caldo para hidratar e amassar a massa até atingir o ponto ideal. “Não pode ficar nem muito mole, nem muito duro”, explica.
Após o frango ferver e a massa ficar pronta, as bolinhas são colocadas na panela e cozinham por mais 10 minutos. Maria Helena lembra que a farinha é pré-cozida e, por isso, não exige tanto tempo de cozimento. Ela também evita colocar sal diretamente na massa, já que o queijo costuma ser salgado.
Prato simples, mas com técnica
Apesar de parecer uma receita básica, o Vori-vori exige atenção ao preparo. Segundo a chef Camila Willig, docente do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) de Campo Grande, o prato se destaca pela combinação entre poucos ingredientes e técnica.
Conforme explica a chef, por ser de origem paraguaia, o nome segue a grafia do espanhol: tradicionalmente escrito com a letra “B”, mas pronunciado com som de “V”. No Brasil, o prato passou por adaptação e ficou conhecido com grafia e pronúncia iguais.
“O Vori-vori é um prato de poucos ingredientes, mas com técnica e equilíbrio. Ele representa bem a chamada ‘cozinha de afeto’, onde tradição e identidade cultural pesam tanto quanto técnica”, explica.
Para ela, o ponto principal está no equilíbrio entre o caldo e as bolinhas. “O caldo precisa ser bem estruturado, geralmente com frango caipira, enquanto as bolinhas de farinha de milho soboró e queijo trazem textura e identidade. Um não funciona sem o outro”, afirma.
Camila destaca ainda que a farinha de milho soboró é indispensável. “Ela define o prato. Sem ela, o Vori-vori perde completamente sua identidade”, destaca.
A chef alerta que um dos erros mais comuns é substituir a soboró por fubá comum, além de preparar bolinhas grandes demais ou deixar o caldo ralo, sem tempo suficiente para apurar. “Esse prato pede tempo. É preciso respeitar o ponto das bolinhas, que devem ficar macias, não densas”, orienta.
🔍🌽 A farinha de milho saboró é um tipo de fubá tradicional, muito utilizado na região de fronteira com o Paraguai. É um ingrediente à base de milho, ideal para receitas que pedem textura consistente.
Variações brasileiras sem perder a base tradicional
Camila Willig explica que, na região de fronteira, o Vori-vori pode receber adaptações comuns, especialmente em Mato Grosso do Sul. Entre as mudanças estão o uso mais intenso de alho e cebola, a inclusão de cheiro-verde e caldos mais encorpados.
Mesmo com variações, o prato mantém suas características principais.
“Ele já nasceu como uma mistura cultural, muito ligada à herança indígena, pelo uso do milho, e influências espanholas, pelas carnes e técnicas de cozimento. É um prato símbolo do Paraguai”, afirma.
Ela sugere que o Vori-vori pode ser servido sozinho ou acompanhado de arroz branco. Já para a família de Maria Helena, o acompanhamento mais comum é a mandioca, considerada indispensável no costume paraguaio.
Orgulho nacional
O Vori-vori, um dos pratos mais tradicionais do Paraguai, foi reconhecido como Patrimônio Cultural Gastronômico em 2017, junto ao locro e ao jopara. O título foi concedido pela Direção Nacional de Propriedade Intelectual (DINAPI) e pela Secretaria Nacional de Cultura, com o objetivo de preservar essas receitas como parte da identidade do país.
Além disso, a Junta Municipal de Assunção declarou o prato como patrimônio gastronômico e criou o Dia Nacional do Vori-vori, celebrado em 14 de abril. A data está ligada ao reconhecimento internacional do prato como um dos mais saborosos do mundo.
Como fazer o Vori-vori
Ingredientes para as bolinhas:
200 g queijo caipira curado;
10 g sal refinado;
200 g farinha de milho soboró.
Ingredientes para o caldo:
1 unid. frango caipira;
20 g de sal refinado;
10 g de alho in natura;
5 g de pimenta do reino em pó;
3 litros de água;
30 ml de óleo de soja;
150 g de cebola nacional.
Modo de preparo:
Caldo
Cortar o frango, temperar com sal e pimenta do reino;
Aqueça uma panela, coloque o óleo e frite os pedaços de frango até dourar;
Adicione a cebola e o alho e frite até dourar;
Acrescente a água e deixe cozinhar até o frango ficar macio;
Retire o frango da panela e reserve;
Reserve o caldo do cozimento (cerca de 2 litros).
Bolinhas
Ralar o queijo e misturar com a farinha de milho, ajuste o sal e acrescente o caldo aos poucos até dar liga na massa e vc conseguir fazer as bolinhas;
Enrolar em formato de bolinhas de maneira que fiquem bem firme. Resserve.
Finalização
Na panela do caldo, arrumar os pedaços de frango ocupando o fundo da panela;
Acomodar as bolinhas sobre o frango com cuidado para cozinhar sem mecher até que as bolinhas estejam cozidas sem desmanchar;
Finalize com cheiro verde e sirva em seguida.
Prato paraguiao eleito o melhor do mundo pelo Tasteatlas
Tasteatlas/Reprodução
Veja vídeos de Mato Grosso do Sul

Como China sintoniza com novas gerações para tornar suas marcas objeto de desejo no mundo todo

Como China sintoniza com novas gerações para tornar suas marcas objeto de desejo no mundo todo
Os bonecos Labubu, da Pop Mart, viraram um fenômeno global com investimento mínimo em publicidade.
Getty Images via BBC
Se você entrar em praticamente qualquer shopping center de Singapura, provavelmente irá encontrar filas no lado de fora das lojas, com nomes chamativos e marcas com cores brilhantes.
Lojas chinesas como Chagee, Molly Tea e Mixue vêm atraindo multidões, não só na Ásia, mas cada vez mais em cidades como Sydney, na Austrália, Londres e Los Angeles, nos Estados Unidos.
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Ao lado das marcas de moda, lojas de brinquedos e das gigantes de produtos esportivos, as cadeias de lojas de chá estão liderando uma nova onda: empresas chinesas estão deixando de fabricar produtos de baixo custo para se tornar marcas de consumo conhecidas globalmente.
Estabelecidas no segundo maior mercado consumidor do mundo, essas empresas já têm escala de produção e força operacional. Mas a concorrência doméstica está se intensificando e, por isso, a expansão para o exterior se tornou uma necessidade.
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Paralelamente, elas estão entrando em mercados onde a percepção do Made in China ainda é associada a produtos baratos e de baixa qualidade.
"A China passou da fase de economia de replicação", explica Tim Parkinson, da consultoria Storytellers China. "Seus produtos, agora, atendem às expectativas de uma nova geração de exigentes consumidores globais."
Fábrica do mundo
A China, há muito tempo, é a oficina do mundo, fabricando produtos para as empresas ocidentais. E, neste processo, os fornecedores aprenderam não só a produzir, mas a criar a sua marca, distribuir os produtos e vendê-los em escala.
Empresas como a Miniso se beneficiaram deste tipo de know-how. A varejista vende brinquedos e produtos de merchandising da Disney, Marvel e Warner Bros e, agora, opera lojas em mais da metade dos países do mundo.
"Os consumidores não se preocupam especificamente com a origem da marca", explica o gerente geral de mercados internacionais da Miniso, Vincent Huang. "Eles estão mais preocupados com a experiência da compra, como o design, o custo-benefício e a diversão."
Neste modelo, os contratos de licenciamento e a relativa velocidade para levar os produtos da fábrica para as prateleiras das lojas são fundamentais.
A Miniso tem lojas espalhadas por mais de 100 países.
Getty Images via BBC
Além dos produtos de consumo, a BYD superou a Tesla como o maior fabricante de veículos elétricos (VEs) do mundo.
A empresa se beneficiou da aposta na tecnologia certa logo no início da corrida pelos VEs. Além disso, o vasto mercado doméstico chinês ajudou a empresa a produzir em escala e melhorar sua rentabilidade.
Agora, a BYD está se expandindo para além dos carros, desenvolvendo sistemas de carregamento ultrarrápido. Em questão de minutos, eles aumentam o alcance dos veículos em centenas de quilômetros.
Esta expansão faz parte de um projeto de construção de todo um ecossistema em torno dos veículos da empresa.
O apoio governamental ajudou a acelerar o setor de VEs da China, com subsídios e incentivos que promoveram a demanda. Mas esta estratégia gerou críticas da Europa e dos Estados Unidos.
Autoridades ocidentais alegaram que este tipo de apoio traz benefícios desleais para as empresas chinesas. Pequim rejeita a acusação e afirma que o crescimento reflete a inovação e o poderio industrial chinês.
A empresa Anta é outro exemplo. Ela tem cerca de 13 mil lojas espalhadas pelo mundo e se tornou a terceira maior marca de artigos esportivos do planeta, atrás apenas da Nike e da Adidas.
A empresa começou dominando o vasto mercado doméstico chinês e fez crescer sua pegada com aquisições globais de marcas internacionais estabelecidas, como a Salomon, Wilson e, mais recentemente, uma participação de 29% da Puma.
O sudeste asiático como plataforma de lançamento
Antes de entrar nos mercados ocidentais, muitas empresas chinesas usaram o sudeste asiático como campo de testes.
Com mais de 650 milhões de consumidores jovens e cada vez mais afluentes, a região oferece escala e diversidade, enquanto a concorrência das marcas ocidentais estabelecidas mantém os altos padrões.
A cadeia de restaurantes Haidilao abriu sua primeira loja no exterior em 2012, em Singapura. Agora, ela é a maior rede de hotpot do mundo, com 1,3 mil restaurantes em 14 países.
"A história do Haidilao não é apenas de um restaurante de sucesso", explica o vice-presidente da Haidilao International, Zhou Zhaocheng. "Ela é um reflexo de 30 anos de transformação econômica e internacionalização da China."
O alcance global da rede se baseia em uma marca forte, ecossistema robusto e base de clientes fiéis, segundo Zhou.
Ele observa que cada mercado internacional é complexo, moldado por diferentes culturas, sistemas jurídicos e hábitos de consumo. Por isso, adaptar os alimentos, menus e serviços a cada país é essencial.
A rede, agora, busca a certificação halal na Indonésia e na Malásia, uma medida que poderá abrir mercados de maioria muçulmana em todo o Oriente Médio.
Outras marcas também estão progredindo rapidamente.
A loja de sorvetes e bubble tea Mixue opera mais lojas pelo mundo que o McDonald's ou o Starbucks. Já a Molly Tea se expandiu internacionalmente poucos anos depois da sua fundação.
Mais de 70% das empresas chinesas em operação no sudeste asiático pretendem ampliar ainda mais sua atuação, segundo a empresa de pesquisa de mercado Euromonitor International.
A região também abriga alguns dos mercados de smartphones em maior crescimento do mundo, com as redes sociais turbinando a popularidade desses produtos. E os bonecos Labubu, da empresa Pop Mart, se tornaram um fenômeno global com investimento mínimo em publicidade tradicional.
Nos Estados Unidos, as vendas da Pop Mart cresceram em 900% desde 2024. Mas, nos últimos meses, as ações da empresa caíram sensivelmente, devido aos receios sobre a manutenção do seu crescimento no futuro.
Ainda assim, a companhia continua valendo mais do que a soma das gigantes americanas dos brinquedos Hasbro e Mattel, e da empresa japonesa Sanrio, dona da marca Hello Kitty.
Guerras de preços
Em chinês, esta ofensiva rumo ao exterior tem o nome de chū hǎi (出海) — "sair para o mar", em português. É uma necessidade cada vez maior para as empresas da China, devido às pressões do mercado doméstico.
A lenta economia do país, sua intensa concorrência e o declínio da taxa de natalidade mudaram os hábitos de consumo das pessoas. Tudo isso reduziu o crescimento do país, levando as companhias a partir para o mercado externo.
As próprias marcas estrangeiras estão sentindo as mudanças. A fatia de mercado da Starbucks na China, por exemplo, caiu em mais da metade desde 2019.
A rede local Luckin Coffee detém, agora, quatro vezes mais lojas no país do que a sua concorrente norte-americana. Seu modelo de compra pelo celular mantém a rapidez do serviço e os baixos custos.
Em novembro passado, a Starbucks anunciou um acordo de venda do controle acionário das suas operações na China para a empresa Boyu Capital, com sede em Hong Kong.
Em 2020, um grande escândalo de contabilidade em 2020 fez com que a Luckin fosse retirada do índice Nasdaq. Ainda assim, a empresa continua se expandindo na China e no exterior, em locais como Singapura, Malásia e Nova York, nos Estados Unidos — e estaria planejando seu retorno ao mercado de ações americano.
A Mixue tem hoje mais lojas que o McDonald's e a Starbucks.
Getty Images via BBC
O desafio do soft power chinês
Analistas afirmam que a percepção em torno das empresas chinesas também parece estar mudando.
O Made in China, antes, era sinônimo de produtos baratos. Agora, eles são cada vez mais vistos como inovadores e com design moderno.
"Marcas como a BYD combinam alta qualidade com narrativa emocional e adaptação local", afirma o especialista em marketing Foo Siew-Ting.
Ainda assim, permanecem os desafios.
Tarifas de importação, avaliações políticas e receios em relação à segurança de dados continuam a dificultar a expansão chinesa, como ocorreu nos casos da Huawei e do TikTok.
Permanece em dúvida se marcas chinesas em rápido crescimento, como a Shein e a Temu, poderão manter o ritmo nos mercados ocidentais.
Ainda assim, o rumo é claro. As empresas chinesas não são mais definidas pelos baixos preços. Elas estão inovando e aproveitando as tendências de consumo.
Elas estão estabelecendo marcas, se adaptando aos mercados locais, competindo palmo a palmo e, às vezes, ultrapassando os concorrentes globais estabelecidos.
Com colaboração de Jaltson Akkanath Chummar.