Salão de Pequim: GWM Tank 300 ganha motor híbrido plug-in flex no Brasil, por R$ 342.000

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GWM Tank 300
Fabio Tito/g1
A GWM anunciou, neste sábado (25), durante Salão do Automóvel de Pequim, o Tank 300 equipado com motor híbrido plug-in flex. Trata-se do primeiro veículo do mundo a utilizar esse tipo de conjunto, que chega custando R$ 342.000, R$ 3 mil acima da versão a gasolina – R$ 339.000.
A chegada desse tipo de motorização não surpreende, já que, desde 2024, a GWM informava ter iniciado o desenvolvimento de seu primeiro motor híbrido flex. Naquele momento, a previsão era estrear o conjunto no SUV Haval H6.
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Em entrevista ao g1, Ricardo Bastos, diretor de relações institucionais e governamentais da GWM Brasil, explicou que a escolha do Tank 300, em vez do Haval H6, como modelo de estreia, se deu pela quantidade de versões disponíveis do veículo.
“No H6 você tem híbrido plug-in e híbrido pleno em mais de uma configuração, o que aumenta a complexidade da transição do modelo”, apontou.
O executivo apontou que, neste momento, já não existe estoque do Tank 300 movido apenas a gasolina. “Todos os carros do estoque já são flex”, disse.
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
No Brasil, o Tank 300 é vendido em uma única configuração, que combina um motor 2.0 turbo a gasolina com um sistema elétrico capaz de percorrer até 75 quilômetros no modo totalmente elétrico, sem consumo de combustível.
O modelo aposta em um visual robusto, com proposta mais tradicional, mas traz claras referências a concorrentes já conhecidos do público.
GWM Tank 300 inaugura segunda invasão chinesa ao Brasil
As principais referências estão:
O estepe traseiro sem cobertura, instalado em uma tampa de porta-malas que abre para a direita e tem maçaneta vertical, remete diretamente ao Jeep Wrangler;
As lanternas traseiras lembram as do Land Rover Defender 90;
Os parabarros sobre as rodas e os faróis redondos trazem inspiração nos modelos aventureiros da Jeep e do Mercedes Classe G;
O acabamento interno, com saídas de ar redondas, relógio analógico e detalhes cromados sobre as grelhas dos alto-falantes, também segue o estilo da Mercedes;
Já os faróis, embora redondos, são “cortados” por listras iluminadas muito semelhantes às do Ford Bronco.
O Tank 300 segue à risca a cartilha de um verdadeiro 4×4. Começa pela construção em chassi sobre carroceria, que torna o conjunto mais firme e resistente, especialmente fora do asfalto.
No uso off-road, o sistema funciona de forma semelhante: um bloqueio central distribui a força do motor para as rodas traseiras — e ainda é possível travar os diferenciais dianteiro e traseiro para reforçar o desempenho 4×4 e garantir tração mesmo em terrenos difíceis.
O Tank 300 também conta com um piloto automático adaptativo, desenvolvido para uso fora de estrada, e uma interface especial na central multimídia. Nesse último caso, o carro exibe dados como inclinômetro, bússola, pressão atmosférica, altitude, ângulo de esterço das rodas e inclinação longitudinal e lateral.
Além disso, o veículo conta com uma entrada de ar do motor elevada, ideal para enfrentar ruas ou trechos alagados. A altura livre do solo de 22,2 cm e da suspensão, macia na medida certa para o off-road, ajudam a absorer os solavancos — inclusive no asfalto irregular — sem perder a estabilidade.
*Essa reportagem está em atualização.

Delegações do Irã e dos EUA viajam ao Paquistão em meio a chance de nova rodada de negociações

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Com Paquistão como mediador, Irã e EUA se movimentam para nova rodada de negociações
Delegações do Irã e dos Estados Unidos estarão no Paquistão neste fim de semana, em meio à possibilidade de uma nova rodada de negociações entre os dois países. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chegou à capital, Islamabad, na sexta-feira (24). Já os representantes dos EUA devem iniciar a viagem neste sábado (25).
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O porta-voz da chancelaria iraniana afirmou que não há planos de reunião direta com os americanos. Segundo ele, as posições de Teerã serão repassadas diretamente ao governo do Paquistão, que está mediando o contato entre os dois países.
Os enviados especiais dos EUA, Steve Witkoff e Jared Kushner, também viajarão para Islamabad. Antes do comunicado iraniano, a Casa Branca havia informado que os dois participariam de conversas com Araghchi a partir de sábado.
A secretária de imprensa dos Estados Unidos, Karoline Leavitt, disse que as autoridades norte-americanas viram avanços recentes do Irã e esperam novos progressos no fim de semana.
Enquanto isso, o presidente Donald Trump afirmou à Reuters que o Irã pretende apresentar uma proposta para atender às exigências americanas, mas disse não conhecer os detalhes.
Ao ser questionado sobre com quem Washington negocia, respondeu: “Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”.
Fontes no Paquistão afirmaram que equipes americanas de logística e segurança já estão em Islamabad para organizar possíveis negociações. O governo paquistanês confirmou a chegada do chanceler iraniano e reforçou a presença militar no centro da capital.
A última rodada de negociações deveria ter sido retomada na terça-feira (21), mas não ocorreu. O Irã disse que não estava pronto, e a delegação americana não deixou Washington. No mesmo dia, Trump prorrogou o cessar-fogo entre os dois países para permitir a retomada das conversas.
Mural anti-EUA é visto em Teerã, capital do Irã, em 11 de abril de 2026. Guerra no Oriente Médio está na sexta semana.
Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Situação em Ormuz
O tráfego marítimo segue paralisado no Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo. A região está sob um duplo bloqueio, de Irã e Estados Unidos.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse na sexta-feira que a reabertura de Ormuz é “vital para o mundo”. Enquanto isso, o mercado de petróleo fechou em alta, com otimismo sobre a retomada das conversas de paz.
Trump afirmou que tem “todo o tempo do mundo” para negociar a paz com o Irã, enquanto mantém a pressão militar. Um terceiro porta-aviões, o USS George H.W. Bush, opera perto da região.
No Líbano, o cessar-fogo está sob pressão. Trump anunciou na quinta-feira (23) uma prorrogação de três semanas na trégua, após conversas entre representantes israelenses e libaneses em Washington.
“Iniciamos um processo para alcançar uma paz histórica entre Israel e Líbano, e parece evidente que o Hezbollah tenta sabotá-lo”, disse nesta sexta-feira o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.
O Hezbollah, apoiado pelo Irã, afirmou que a prorrogação não faz “sentido”, diante dos “atos de hostilidade” de Israel. O grupo extremista também pediu que o governo libanês se retire das negociações diretas com Israel.
*Com Reuters e AFP.
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Trump já gastou mais de R$ 100 bilhões em menos de 2 meses só com mísseis contra o Irã; veja modelos e valores

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Míssil sendo disparado de sistema de defesa aéreo Patriot
Reprodução/Raytheon Technologies
Na próxima terça-feira (28), a guerra entre Estados Unidos e Irã completará dois meses. Entre cessar-fogos e bombardeios, ambos os países têm gastado muito dinheiro no conflito, sobretudo com armamentos.
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Nestes 55 dias desde o início do conflito (sendo 38 até o cessar-fogo, que não foi totalmente cumprido), estima-se que Donald Trump já gastou pouco mais de US$ 20 bilhões em armamentos (cerca de R$ 100 bilhões), segundo dados estimados pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
Para efeito de comparação, o valor supera o PIB de alguns países ao redor do mundo, como Guiana, Montenegro e outras nações de menor porte.
Na última terça-feira (21), o CSIS fez um levantamento do estoque bélico dos EUA, analisando sete tipos de armas consideradas essenciais e usadas na ofensiva contra os iranianos.
Entre elas, estão os mísseis Tomahawk, de longo alcance e alta precisão, além de sistemas de defesa antiaérea.
Segundo o levantamento, os EUA podem ter usado mais da metade do estoque pré-guerra em quatro dos sete modelos analisados.
O estudo também aponta que os níveis anteriores ao conflito já eram considerados baixos para um eventual confronto com uma potência militar equivalente, como a China.
Veja abaixo a estimativa do instituto:
Estoque de armas essenciais dos EUA
LEIA MAIS: De mísseis de fragmentação ao bombardeiro do 'juízo final': relembre as armas utilizadas na guerra do Irã
Além dos mísseis
Fontes do The New York Times, no entanto, projetam que o gasto total dos norte-americanos com o conflito já ultrapassou US$ 28 bilhões (R$ 140 bilhões).
O Departamento de Defesa não divulgou oficialmente quantas munições foram utilizadas.
Apesar de já terem gasto boa parte de seu poderio bélico, segundo o CSIS, os EUA ainda têm mísseis suficientes para sustentar a guerra, mas podem ficar em posição vulnerável em caso de novos conflitos. Aliados como a Ucrânia também podem ser afetados, já que dependem do fornecimento de armamento norte-americano.
O estudo aponta ainda que, mesmo com o esgotamento desses armamentos de ponta, o país poderia seguir operando com outros tipos de armas.
Essas alternativas, porém, têm menor alcance, o que aumentaria o risco das operações, já que exigiriam lançamentos em posições mais próximas do alvo.
Antes mesmo do início da ofensiva, o nível dos estoques já preocupava autoridades de defesa norte-americanos. Poucos dias antes da guerra, o Washington Post revelou que o arsenal dos EUA estava em baixa por causa do apoio aos conflitos na Ucrânia e em Israel.
No início de março, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a escassez de armamentos de ponta, mas afirmou que o país tem estoques "praticamente ilimitados" de armas de médio e médio-alto alcance.
"Guerras podem ser travadas 'para sempre' e com muito sucesso, usando apenas esses suprimentos", disse.
O governo também fechou acordos recentes com a indústria de defesa para ampliar a produção. Ainda assim, segundo o CSIS, a reposição é lenta. Algumas armas levam meses para ficar prontas, e poucas unidades devem ser entregues no curto prazo.
"Historicamente, esse prazo era de cerca de 24 meses, mas, como os pedidos de munição passaram a superar a capacidade de produção nos últimos anos, os prazos de entrega se estenderam para 36 meses ou mais. A produção de todo o lote leva mais 12 meses. No total, são cerca de 52 meses — mais de quatro anos", diz.
A situação do Irã
Míssil iraniano cruza o espaço aéreo israelense em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, visto de Ashkelon, Israel, em 7 de abril de 2026
Amir Cohen/Reuters
Uma reportagem da rede americana CBS News publicada na quarta-feira (22) apontou que o Irã pode ter mais capacidade militar do que os Estados Unidos admitem publicamente. As informações foram obtidas com fontes do governo americano com conhecimento no assunto.
Oficialmente, Trump afirma que os EUA "aniquilaram" a Marinha e a Força Aérea do Irã.
O secretário de Guerra, Pete Hegseth, disse no início de abril que os EUA tinham "dizimado" as Forças Armadas iranianas, deixando-as "ineficazes em combate por muitos anos".
Os EUA afirmaram ter reduzido em 90% a capacidade de mísseis balísticos e drones do Irã, enquanto Israel diz ter atingido mais de 70% dos lançadores iranianos.
Autoridades ouvidas pela CBS News afirmaram, no entanto, que o Irã ainda mantém metade do arsenal de mísseis balísticos e sistemas de lançamento intacta. Não está claro o tamanho do estoque, mas há indícios de que parte das armas esteja escondida em cavernas ou bunkers.
Na terça-feira, por exemplo, o Irã realizou um desfile militar em Teerã e exibiu mísseis balísticos nas ruas (assista abaixo). Entre os modelos apresentados estava o Khorramshahr-4, um dos mais avançados do arsenal do país, com alcance estimado em cerca de 2.000 quilômetros.
Irã exibe mísseis balísticos em desfile militar em Teerã
Ainda assim, as forças iranianas têm demonstrado sinais de enfraquecimento.
Dados obtidos pela emissora NBC News apontam que o número de lançamentos de mísseis e drones iranianos caiu drasticamente em relação aos primeiros dias da guerra.
No fim de março, os EUA sobrevoaram o Irã com bombardeiros B-52, o que indica limitações na defesa aérea do país.
Ainda assim, um relatório feito pelo chefe da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA, o tenente-general da Marinha James Adams, aponta que o Irã ainda tem capacidade de causar danos e continua representando um risco. O documento foi entregue a um comitê da Câmara dos EUA.
"O Irã mantém milhares de mísseis e drones de ataque de uso único capazes de ameaçar forças dos Estados Unidos e de parceiros em toda a região, apesar das perdas sofridas tanto por desgaste quanto pelo uso em combate", diz.
Por outro lado, Adams afirmou que as forças terrestres e aéreas iranianas têm equipamentos ultrapassados e treinamento limitado. Isso, somado aos danos causados pelos ataques dos EUA e de Israel, as torna "quase certamente incapazes de derrotar um adversário tecnologicamente superior".
Donald Trump
AP/Julia Demaree Nikhinson
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‘Fugi descalça, vestida de noiva’: a lembrança traumática do último casamento em Chernobyl, 40 anos após pior acidente nuclear da história

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"Não conseguimos ser um sem o outro", diz Iryna após 40 anos de casamento
BBC
Era pouco depois da meia-noite. Iryna Stetsenko tinha terminado de fazer as unhas para o casamento, abriu a porta da varanda e tentava acalmar o nervosismo para conseguir dormir.
Em um apartamento próximo, cheio de convidados, seu noivo, Serhiy Lobanov, dormia em um colchão na cozinha.
Então, um "estrondo" quebrou o silêncio, conta Iryna. "Era como se muitos aviões estivessem passando sobre nós, tudo vibrava e o vidro das janelas tremia."
Serhiy diz que "sentiu um tremor, como se algum tipo de onda tivesse passado", pensou que pudesse ser um leve terremoto e voltou a dormir.
A jovem de 19 anos, professora em formação, e o engenheiro de usina, de 25, aguardavam ansiosos pela vida de casados na recém-construída cidade soviética de Pripyat. Eles não tinham ideia de que o pior acidente nuclear da história estava acontecendo a menos de 4 km dali.
O reator quatro danificado, retratado aqui três dias após a explosão, emitiu material radioativo altamente perigoso
SHONE/GAMMA/Gamma-Rapho via Getty Images
O reator número quatro da usina de Chernobyl — no que hoje é o norte da Ucrânia — havia explodido, liberando material radioativo que se espalharia por grandes áreas da Europa.
Quarenta anos depois, os restos altamente radioativos da usina estão em uma zona de guerra. O casal agora vive em Berlim, após ter reconstruído a vida pela segunda vez — desta vez para fugir de um conflito, e não de um desastre nuclear.
Mas, na manhã de 26 de abril de 1986, Serhiy lembra de ter acordado por volta das 6h, cheio de entusiasmo, ao perceber que o dia do seu casamento amanhecia com um céu lindamente ensolarado.
Ele tinha tarefas a cumprir — levar roupa de cama para o apartamento de um amigo, onde ele e Iryna planejavam passar a noite, e comprar flores.
Trabalhadores da usina nuclear de Chernobyl, fotografados em 1983
Sovfoto/Universal Images Group/Shutterstock
Ele conta que viu soldados com máscaras de gás do lado de fora e homens lavando a rua com uma solução espumosa. Alguns conhecidos do seu trabalho na usina nuclear disseram que haviam sido chamados com urgência porque "algo tinha acontecido", mas não sabiam o quê.
Ao olhar da sacada do apartamento do amigo, em um prédio alto, ele viu fumaça saindo do reator número quatro.
Mais tarde, ficaria claro que bombeiros e trabalhadores da usina haviam passado a noite expostos a níveis letais de radiação, tentando conter um grande incêndio tóxico.
"Fiquei um pouco apreensivo", diz ele. Usando seus conhecimentos técnicos, pegou um pano, molhou e colocou na entrada do apartamento como precaução, para reter poeira radioativa.
Em seguida, correu até o mercado. De forma incomum para uma manhã de sábado, o local estava vazio — então ele escolheu cinco tulipas para o buquê.
Iryna, que estava com a mãe no apartamento da família, conta que o telefone tocou a noite toda. A mãe parecia "alarmada", diz ela, com vizinhos ligando para avisar que "algo terrível" havia acontecido — mas sem muitos detalhes.
As informações eram rigidamente controladas na União Soviética. Elas ligaram o rádio, mas não havia qualquer menção a um incidente.
Pela manhã, a mãe entrou em contato com as autoridades: "Disseram para ela não entrar em pânico, que todos os eventos planejados na cidade deveriam continuar."
Oficialmente, tudo seguia como se nada tivesse acontecido. As crianças foram enviadas para a escola.
Iryna e Serhiy descrevem a sensação de tensão e incerteza que sentiram durante o casamento
Arquivo pessoal
Mais tarde naquele dia, os noivos e os convidados seguiram em fila de carros até o Palácio da Cultura, conhecido por sediar tanto eventos cerimoniais quanto discotecas populares.
Eles fizeram seus votos sobre um pano bordado com seus nomes e depois seguiram com os convidados para um café próximo.
Mas o banquete de casamento teve um clima "triste", nada festivo, diz Serhiy. "Todos entendiam que algo havia acontecido, mas ninguém sabia os detalhes."
Para a primeira dança, haviam ensaiado uma valsa tradicional. Mas, à medida que crescia a percepção de que uma tragédia estava em curso, "desde os primeiros passos perdemos o ritmo", lembra Iryna. "Apenas nos abraçamos e ficamos nos movendo assim, abraçados."
A preocupação com o ocorrido ofuscou a primeira dança do casal
Arquivo pessoal
Depois — exaustos, mas finalmente marido e mulher — eles voltaram para o apartamento do amigo.
Mas, segundo Serhiy, nas primeiras horas da manhã de domingo, outro amigo bateu à porta, avisando que eles precisavam correr para um trem de evacuação, que partiria às 5h.
A única roupa extra que Iryna tinha era um vestido leve para o segundo dia das comemorações, então ela voltou a vestir o vestido de noiva para correr até o apartamento da mãe e trocar de roupa. Além disso, os sapatos haviam causado bolhas nos pés. "Eu estava de vestido de noiva, correndo descalça pelas poças", conta Iryna.
Ainda estava escuro quando, do trem, eles viram o brilho do reator destruído. Era "como se você estivesse olhando para o olho de um vulcão", diz Serhiy.
Quando veio o anúncio oficial, a evacuação foi descrita como "temporária".
"Saímos por três dias, mas acabamos indo embora para o resto da vida", acrescenta.
"Vimos o teto desabar", diz Nikolai Solovyov, que estava de plantão na usina quando o reator explodiu
BBC
A União Soviética foi duramente criticada pela demora em revelar a dimensão do desastre. Só dois dias após a explosão — depois que níveis de radiação foram detectados na Suécia — admitiu que um acidente havia ocorrido. Levou mais de duas semanas até que o líder soviético Mikhail Gorbachev se pronunciasse publicamente.
Um teste de segurança havia dado terrivelmente errado. Uma estimativa citada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e pela Organização Mundial da Saúde indica que as explosões liberaram 400 vezes mais material radioativo do que a bomba de Hiroshima.
Nikolai Solovyov trabalhava como engenheiro-chefe na sala de turbinas no momento do acidente.
"Foi como um terremoto debaixo de nós", lembra. "Vimos o teto desabar… Uma onda de ar veio em nossa direção trazendo toda aquela poeira preta… E a sirene começou a tocar."
Ele diz que ele e seus colegas correram para o local achando que um gerador havia explodido — sem imaginar que poderia ser o próprio reator.
Um deles checou os monitores e disse que os níveis de radiação estavam "fora de escala", recorda Nikolai.
Eles encontraram outro colega em cima de uma das turbinas, aparentemente ileso, mas vomitando — um sinal de doença causada por radiação. "Ele foi um dos primeiros a morrer", diz.
Helicópteros foram usados ​​para lançar materiais sobre o reator a fim de conter a contaminação
PhotoXpress/ZUMA Press/Shutterstock
O número oficial de mortos no incidente é de 31 pessoas — duas morreram na explosão, enquanto 28 faleceram nas semanas seguintes devido à síndrome aguda da radiação, e uma por parada cardíaca.
O impacto mais amplo do desastre é controverso e difícil de determinar. Na época, não foi realizado um estudo médico abrangente de longo prazo.
Em 2005, um estudo de várias agências da Organização das Nações Unidas concluiu que cerca de 4 mil pessoas poderiam morrer em decorrência do acidente. Outras estimativas sugerem que o número pode chegar a dezenas de milhares.
Uma operação foi lançada para impedir que o reator exposto continuasse liberando radiação.
Helicópteros despejaram areia e outros materiais sobre a estrutura. As autoridades mobilizaram centenas de milhares de pessoas de toda a União Soviética para conter o desastre.
Um grande número de "liquidadores" foi mobilizado para remover os detritos radioativos
SERGEI SUPINSKY/AFP via Getty Images)
Níveis extremos de radiação fizeram com que máquinas parassem de funcionar, e parte do trabalho precisou ser feita manualmente.
Jaan Krinal e Rein Klaar foram enviados da Estônia, então parte da União Soviética, e integraram um grupo encarregado de remover destroços do telhado do reator três.
"Você usava placas de chumbo — uma na frente, outra nas costas e uma entre as pernas. Era pesado, 20 kg ou mais", diz Jaan.
"Na cabeça, um capacete de construção soviético padrão — óculos de proteção, luvas e um dosímetro [para medir radiação] no bolso", acrescenta.
Rein lembra que eram enviados para trabalhar em intervalos de apenas um minuto, para limitar a exposição. "Ninguém sabia exatamente o que estava acontecendo… Não havia tempo para pensar", diz.
Rein Klaar (à esquerda) e Jaan Krinal foram enviados para trabalhar em turnos curtos no telhado do reator três
BBC
Enquanto a limpeza começava, Iryna e Serhiy estavam hospedados na casa da avó dela, a cerca de 300 km de distância, na região de Poltava, a leste de Kyiv.
Poucos dias depois da chegada, médicos que monitoravam os evacuados para detectar exposição à radiação deram uma notícia inesperada: Iryna estava grávida de três meses.
Ela lembra de ter chorado ao descobrir que os médicos alertavam que a radiação poderia afetar os bebês ainda não nascidos e recomendavam que mulheres expostas considerassem o aborto: "Eu tinha medo de ter o bebê e medo de interromper a gravidez."
Mas uma médica compreensiva a incentivou a seguir com a gestação, e Iryna deu à luz uma menina saudável, Katya. Décadas depois, Katya também se tornou mãe — e hoje Serhiy e Iryna têm uma neta de 15 anos.
Iryna descobriu que estava grávida alguns dias após a evacuação e deu à luz Katya ainda em 1986
Arquivo pessoal
O casal acredita que o acidente nuclear afetou sua saúde, embora isso não tenha sido confirmado por médicos.
Iryna precisou substituir os dois joelhos e acredita que a radiação pode ter enfraquecido seus ossos. Eles também acham que a radiação pode ter contribuído para um ataque cardíaco que Serhiy sofreu em 2016, uma semana após visitar sua antiga cidade, Pripyat.
Jaan, que lidera uma organização de ex-"liquidadores" da Estônia, diz que alguns tiveram problemas de saúde, mas não observaram "câncer por toda parte", como temiam inicialmente. Ele afirma que, em 1991, 51 liquidadores estonianos morreram, incluindo 17 que tiraram a própria vida.
Nikolai, o engenheiro de turbinas, era casado e tinha dois filhos na época do acidente. Ele voltou a trabalhar na usina e se aposentou recentemente. Seu filho mais novo ingressou nas forças armadas da Ucrânia após a invasão em larga escala pela Rússia em 2022, mas está desaparecido em combate desde setembro de 2023.
O Palácio da Cultura, onde o casamento aconteceu, encontra-se agora abandonado e em ruínas
BBC
A própria usina nuclear exige monitoramento e manutenção constantes.
Um sarcófago de concreto sobre o reator quatro foi concluído em apenas sete meses após o acidente. Mas a estrutura tornou-se instável e, em 2016, um novo escudo metálico de £1,3 bilhão (US$ 1,8 bilhão) foi instalado sobre ele para conter vazamentos.
A radiação em grande parte da chamada "zona de exclusão" ao redor da usina está hoje em níveis suficientemente baixos para visitas de curta duração, mas ninguém pode viver ali legalmente. Ainda existem pontos com níveis perigosamente altos de radiação, tanto dentro quanto nas proximidades do reator destruído, além de áreas como a "Floresta Vermelha", que foi fortemente contaminada.
Os edifícios de Pripyat — que já foi vista como um símbolo de otimismo juvenil e da tecnologia soviética — hoje estão em ruínas e abandonados, incluindo o Palácio da Cultura onde Serhiy e Iryna fizeram seus votos.
Dentro da nova cúpula, a chaminé do reator quatro permanece como uma ruína impressionante, coberta por uma estrutura bruta de concreto cinza, sob o domo metálico brilhante, alto o suficiente para abrigar a Estátua da Liberdade.
O drone incendiou o escudo do reator quatro ao atingi-lo em 2025
IAEA HANDOUT/EPA-EFE/REX/Shutterstock
Em 2022, forças russas avançaram sobre o complexo da usina com tanques, fizeram funcionários reféns por cinco semanas, instalaram minas e cavaram trincheiras.
E, no ano passado, um drone abriu um buraco no novo escudo de proteção. A Ucrânia acusou a Rússia de atacar a usina — o que o Kremlin negou. Os níveis de radiação não aumentaram, mas a Agência Internacional de Energia Atômica afirma que o escudo perdeu sua "função primária de segurança".
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Serhiy e Iryna se mudaram para a Alemanha em 2022, depois que o apartamento da filha deles em Kyiv foi atingido por um míssil. O casamento, iniciado em meio à incerteza e à tragédia, continua sendo um ponto de apoio.
"Acho que realmente tivemos que passar por algumas dificuldades na vida para entender que… realmente não podemos viver um sem o outro."
"Depois de 40 anos, posso dizer com certeza que somos como linha e agulha", diz Iryna. "Fazemos tudo juntos."
Reportagem adicional de Paul Harris e Ellie Jacobs

A campanha contra o voto feminino nos EUA

A campanha contra o voto feminino nos EUA
A campanha contra o voto feminino nos EUA
"Que direito você tiraria das mulheres?", pergunta um apresentador de podcast. "Eu eliminaria o direito ao voto de centenas de grupos, das mulheres, com certeza", responde o influenciador de ultradireita Nick Fuentes.
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Nem parece sério, mas é real: cresce o número de vozes nos Estados Unidos que defendem o fim do direito ao voto feminino.
"Um voto por família, mas decidido pelo marido." Essa é a opinião defendida pela Igreja de Cristo do pastor Doug Wilson, que integra a Comunhão de Igrejas Evangélicas Reformadas.
A ideia da "feliz submissão das esposas aos maridos" também é pregada nos púlpitos e nas redes sociais pelo pastor Dale Partridge.
Em fevereiro, ele publicou no Instagram que "as mulheres votam de forma emocional", que "a política nacional está feminizada", e defendeu o fim da 19ª Emenda.
A 19ª Emenda transformou os EUA em uma democracia plena ao garantir o direito de voto às mulheres há 126 anos.
Agora, o governo Trump propôs uma reforma eleitoral que cria obstáculos burocráticos ao voto de mulheres casadas que adotaram o sobrenome do marido.
Não é o fim da 19ª Emenda, mas representa uma grande dificuldade para o exercício desse direito.
Ativistas como Nick Fuentes, que ganham espaço entre a ultradireita frustrada com promessas não cumpridas de Trump, estão levando esse discurso para a chamada "machosfera", que domina diversas redes sociais.
E pior: não é um discurso exclusivamente masculino.
A comentarista política conservadora Helen Andrews escreveu um artigo sobre os perigos do que chama de "a grande feminização institucional", um argumento que abre caminho para a exclusão.
E o jornal "The New York Times" publicou uma reportagem sobre mulheres que acreditam que elas próprias deveriam perder o direito ao voto. Essas mulheres são adeptas do patriarcado bíblico e apoiam apenas um voto por domicílio.
Esse repúdio público ao voto feminino surge num momento em que, nos círculos mais conservadores, as mulheres têm sido responsabilizadas pela instabilidade econômica e no mercado de trabalho, pelas leis que protegem o aborto nos estados e pelo avanço de políticos com agendas progressistas.
Lembrando que, nos EUA, as mulheres tendem a votar mais em candidatos do Partido Democrata.
Mulheres sufragistas na França, durante as campanhas do movimento que lutou pelo direito ao voto feminino, em 1930
Keystone-France/Gamma-Keystone via Getty Images