Supercarro brasileiro de R$ 1,5 milhão ganha configurador virtual aberto ao público

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Configurador do Super Veloce Unico, supercarro brasileiro
Divulgação / Super Veloce
Quem cresceu jogando videogame, com títulos como Gran Turismo, Forza ou Need for Speed, conhece a diversão de um configurador de carros.
É ali que o jogador escolhe a pintura, define o interior, testa diferentes rodas e observa o resultado final.
Agora, essa experiência chega ao primeiro supercarro brasileiro. O Unico, da marca Super Veloce, oferece nove opções de tons em fibra de carbono, 11 cores brilhantes e quatro alternativas foscas. O site permite montar o modelo e visualizar o resultado na tela.
O usuário pode selecionar faixas distribuídas pela carroceria e escolher entre 13 cores para pintá-las. O interior, que acomoda apenas o motorista, também pode ser personalizado. Há 11 opções de cores para os acabamentos.
Configurador do Super Veloce Unico, supercarro brasileiro
Divulgação / Super Veloce
O configurador traz ainda quatro modelos de rodas, com quatro opções de cores. Também é possível escolher uma das nove cores disponíveis para as pinças de freio.
Ao final da configuração, o interessado pode solicitar uma cotação à equipe de vendas da Super Veloce. Nesse ponto, a experiência deixa de ser apenas virtual. É preciso ter conta bancária farta. A estimativa é que cada unidade custe cerca de R$ 1,5 milhão. Segundo a empresa, três Unicos já foram encomendados.
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Sem passageiros
O Super Veloce Unico foi apresentado no Salão do Automóvel de São Paulo, em novembro de 2025. A marca foi criada pelo empresário Rafael Espíndola, conhecido pelo Batmóvel adquirido pelo jogador Neymar Jr.
O Unico foi desenvolvido no Brasil ao longo de dois anos. O desenho é assinado por Adhemar Cabral, e a fabricação ocorre na zona sul de São Paulo. Por enquanto, o modelo só pode rodar em pistas fechadas, mas a empresa trabalha para viabilizar a homologação para uso em vias públicas.
Super Veloce Unico, supercarro brasileiro com preço estimado em R$ 1,5 milhão
Divulgação / Super Veloce
O carro é um monoposto, ou seja, transporta apenas o piloto. A ideia não é novidade; modelos como BAC Mono, McLaren Solus e Caparo T1 são exemplos de carros para só uma pessoa.
A estrutura é tubular, feita de aço carbono, com a opção de uso de cromo-molibdênio, material que deixa o conjunto mais rígido.
A carroceria é de fibra de carbono e pesa apenas 40 kg. Em comunicado, a marca afirma que cada detalhe do desenho tem uma função específica, como melhorar a passagem do ar, ajudar no resfriamento do motor ou aumentar a aderência ao solo.
Modelo tem motor 2.0 turbo de 360 cv e chega a 270 km/h
Divulgação / Super Veloce
O motor é um quatro cilindros 2.0 turbo da Ford, com 360 cv e torque de 42 kgfm. Embora os números não impressionem à primeira vista, o peso total do Unico é de apenas 700 kg. Um carro popular 1.0, por comparação, pesa cerca de 1.100 kg.
Com esse conjunto, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em 4,5 segundos e atinge velocidade máxima de 270 km/h. O comprador pode optar por câmbio automático sequencial de seis marchas, com trocas feitas por aletas atrás do volante.
O projeto prioriza a facilidade de condução e a estabilidade em curvas rápidas. A suspensão dianteira e traseira segue o padrão usado em carros de corrida. Os freios são da Brembo, as rodas de 18 polegadas levam a marca americana Apex e os pneus semislick da Yokohama são voltados para uso em autódromos.

EUA negam desejo de substituir Irã por Itália na Copa do Mundo

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O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fala com repórteres no dia das reuniões informativas confidenciais para o Senado e a Câmara dos Representantes dos EUA sobre a situação no Irã
REUTERS/Elizabeth Frantz
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, negou na quinta-feira (23) que o governo Trump esteja buscando excluir o Irã da Copa do Mundo e colocar a Itália em seu lugar, rechaçando uma polêmica envolvendo a guerra no Oriente Médio e o torneio de futebol mais importante do mundo.
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As especulações surgiram após as declarações de um assessor de Donald Trump ao jornal britânico "Financial Times", em que ele disse ter sugerido ao presidente dos EUA e ao mandatário da Fifa, Gianni Infantino, substituir o Irã pela Itália no torneio que acontece de 11 de junho a 19 de julho.
A seleção italiana não se classificou para o torneio após ter sido eliminado na repescagem pela Bósnia. Mesmo assim, a Itália classificou como "vergonhosa" e "ofensiva" a proposta do assessor de Trump.
"Não sei de onde saiu isso, são especulações de que o Irã poderia decidir não vir e que a Itália ocuparia o seu lugar", disse Rubio a jornalistas na Casa Branca.
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A seleção do Irã está no centro das atenções pelas tensões derivadas da guerra com os EUA e as restrições migratórias vigentes. Rubio sustentou que essas medidas não afetam os jogadores, mas há dúvidas sobre o acesso de acompanhantes da delegação e torcedores iranianos ao país durante o torneio, do qual México e Canadá também são coorganizadores.
"O problema com o Irã não seriam seus atletas, mas algumas das outras pessoas que gostariam de trazer consigo, algumas das quais têm vínculos com o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica [o exército ideológico do Irã]. Talvez não possamos deixá-los entrar, mas os próprios atletas certamente poderão", disse o secretário de Estado.
Se os jogadores iranianos "decidirem não vir por iniciativa própria, é porque optaram por não vir. (…) O que não podem fazer é trazer ao nosso país um montão de terroristas fingindo que são jornalistas e preparadores físicos", completou Rubio.
Em meados de março, porém, Trump estimou que a seleção iraniana não estaria "a salvo" se viesse aos Estados Unidos.
O Irã deve disputar suas partidas do Grupo G em Los Angeles, contra Nova Zelândia (16 de junho) e Bélgica (21 de junho), e depois em Seattle, contra o Egito (27 de junho). Está previsto que seu alojamento base seja em Tucson, no Arizona.
Rejeição total na Itália
Itália é eliminada da Copa do Mundo
REUTERS/Matteo Ciambelli
Enquanto a guerra no Oriente Médio gera dúvidas sobre a participação iraniana, o assessor de Trump Paolo Zampolli disse nesta quinta ao "Financial Times" que havia apresentado este improvável cenário de substituir o Irã pela Itália a Trump e Infantino.
"Sou italiano de nascimento e seria um sonho ver a 'Squadra Azzurra' em um torneio organizado nos Estados Unidos. Com quatro títulos, tem o pedigree para justificar sua inclusão", declarou o assessor do presidente americano.
Em 2022, após o fracasso anterior da 'Azzurra' nas eliminatórias para a Copa do Catar, houve apelos – sem sucesso – à Fifa para que desclassificasse o Irã por conta de violações de direitos humanos relacionadas à sua repressão policial, para que a Itália pudesse voltar a um Mundial.
Os dirigentes italianos, no entanto, descartam essa opção.
"Em primeiro lugar, não é possível. Em segundo lugar, não seria apropriado, você deve se classificar no campo", afirmou o ministro dos Esportes italiano, Andrea Abodi, citado pelas agências italianas Ansa e AGI.
O presidente do Comitê Olímpico Nacional Italiano (CONI), Luciano Buonfiglio, garantiu que se sentiria "ofendido" se a Itália se classificasse dessa maneira. "É preciso conquistar a vaga na Copa do Mundo", frisou, segundo as agências italianas.
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Fifa decide por conta própria
A "Squadra Azzurra" não participará da Copa do Mundo pela terceira vez consecutiva, após ser eliminada pela Bósnia e Herzegovina no final de março, na repescagem das eliminatórias europeias.
Ao ser consultada pela agência de notícias AFP, a entidade máxima do futebol mundial relembrou declarações recentes de Infantino, cuja conivência explícita com Trump tem gerado críticas.
"O Irã estará na Copa" e disputará, como está previsto, suas partidas da primeira fase nos Estados Unidos, afirmou o presidente da Fifa à AFP no final de março.
"O Irã deve vir, representam o seu povo, se classificaram, os jogadores querem jogar", declarou depois, em meados de abril, durante uma conferência econômica em Washington, com a esperança de que o Oriente Médio recuperasse logo uma "situação pacífica".
No início do conflito desencadeado por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, o Irã cogitou um "boicote" à competição, antes de solicitar à Fifa que transferisse suas partidas para o México. A organização descartou essa opção.
O regulamento da Fifa confere à organização a faculdade de decidir por si só as medidas a serem tomadas se uma equipe se retirar do torneio.
"O futebol pertence às pessoas, não aos políticos. A tentativa de excluir o Irã da Copa do Mundo não faz mais do que revelar a falência moral dos Estados Unidos, que teme inclusive a presença de 11 jovens iranianos nos gramados", escreveu nesta quinta-feira, na rede social X, a embaixada iraniana em Roma.

A vida em Teerã em meio à guerra: desemprego, segurança reforçada e apagão de internet

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A vida em Teerã em meio à guerra: desemprego, segurança reforçada e apagão de internet
Getty Images
Em um dia ensolarado de primavera em Teerã, a rua Sanaei Ghaznavi, com sua mistura de lojas que vendem mantimentos e artigos para o lar, além de fast-food e flores, parece um lugar comum.
Em um país onde as vidas são há muito tempo afetadas por crises, é um retrato de um povo que apenas tenta sobreviver ao dia a dia enquanto seu futuro depende de forças além de seu controle.
Para Mohammad, que veste camiseta e jeans, até mesmo abrir a marquise listrada da sapataria de sua família é um ato de esperança.
"Fico feliz em estar aqui", ele nos diz quando entramos em sua pequena loja, repleta de prateleiras cheias de tênis. "Tantas pessoas perderam seus empregos e estão desempregadas."
Na loja, há poucos clientes.
"Tínhamos tantos antes", lamenta de forma melancólica o pai de Mohammad, Mustafa, enquanto explica com orgulho que o negócio de sapatos está em sua família há 40 anos.
Segundo o site iraniano Asr-e Iran, uma estimativa não oficial indica que até 4 milhões de empregos podem ter sido perdidos ou afetados pelo efeito combinado da guerra com os Estados Unidos e Israel e do bloqueio quase total da internet imposto pelo governo no Irã.
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A vida em Teerã em meio à guerra: desemprego, segurança reforçada e apagão de internet
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Caixas com logotipos ocidentais como New Balance e Clarks, se destacam nas prateleiras abarrotadas da loja. "Fabricado na China", observam pai e filho, com naturalidade. "Até as falsificações são caras no Irã", acrescenta Mohammad.
Em um primeiro momento, esperava que eles expressassem apoio ao frágil cessar-fogo ou dissessem que gostariam de ver as negociações com os Estados Unidos se tornarem bem-sucedidas, para que pudessem importar os produtos autênticos e as últimas tendências em calçados.
"Esperamos que a guerra recomece", declara Mohammad ao invés disso, abrindo um sorriso irônico. O pai olha para o filho de 27 anos com um olhar compreensivo. "Olha meus cabelos grisalhos, eu entendo mais do que ele."
"Estamos cansados ​​de viver com uma economia que só piora", diz Mustafa. "Algumas pessoas acreditam que, se a guerra voltar, as coisas acabarão melhorando drasticamente."
Do lado de fora da mercearia da esquina, Shahla, uma senhora idosa usando um lenço claro na cabeça, equilibra um pão em uma prancheta, onde também guarda sua lista de compras e um maço de notas.
Ela para abruptamente ao nos ver passar e compartilha seus pensamentos.
"As pessoas estão pagando três vezes mais por um pão agora", lamenta ela, com os dedos repousando sobre as fatias brancas e macias dentro da embalagem plástica. "As pessoas estão passando por um inferno só para comprar pão."
A vida em Teerã em meio à guerra: desemprego, segurança reforçada e apagão de internet
EPA
Ela olha para a rua arborizada no centro de Teerã, que fica a meio caminho entre o norte abastado, com suas lojas reluzentes e cafés elegantes, e o sul mais pobre e conservador.
"Para quem tem boa condição financeira, tudo bem, mas não para os trabalhadores que ganham pouco", explica Shahla.
Pergunto qual é a mensagem dela para as autoridades envolvidas nas negociações sobre a guerra.
"Parem com isso, já chega", declara ela. "Não acho que algo de bom vá resultar disso para nós, porque Trump só está ameaçando as pessoas."
Enquanto ela se apressa para terminar as compras, um jovem passa carregando um pequeno frasco de vidro com uma pasta verde.
"É manteiga de valak", diz ele, usando a palavra persa para alho-bravo, uma planta que cresce aos pés das montanhas nevadas de Alborz, ao norte do país. "Eu mesmo fiz."
"Estamos apenas tentando viver nossas vidas, fazendo coisas para aproveitar", explica o arquiteto e professor de 45 anos.
Ele não quer se envolver na política "supercomplicada" do Irã e da região em geral, nem em previsões sobre o que pode acontecer a seguir.
Mas ele expressa sua frustração por não conseguir acessar um site de traduções enquanto lia um livro devido ao bloqueio digital, que já está em vigor há mais de 50 dias.
Até mesmo o ministro das Comunicações do Irã, Sattar Hashemi, pediu recentemente o fim da proibição, destacando que cerca de 10 milhões de pessoas, principalmente das classes média e baixa, dependem da conectividade digital para o trabalho. Segundo ele, o acesso à internet seria um "direito público".
As restrições estão sendo flexibilizadas lenta e seletivamente – embora a mensagem das autoridades de segurança seja de que elas permanecerão em vigor enquanto persistirem as "ameaças inimigas".
A vida em Teerã em meio à guerra: desemprego, segurança reforçada e apagão de internet
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A segurança aumentou visivelmente. Sentimos isso também na rua onde conversamos com os moradores de Teerã.
A segurança à paisana — dos voluntários paramilitares Basij ou da Guarda Revolucionária Islâmica — está por toda parte agora.
A uma curta distância de carro, na Praça Ferdowsi, alguns veículos blindados pretos imponentes, ladeados por homens armados e uniformizados, transmitem uma mensagem ainda mais contundente.
Assim como esta rua, aquela praça também leva o nome de um poeta persa muito querido.
Pergunto ao arquiteto qual mudança faria uma grande diferença em sua vida.
"Liberdade", é sua resposta rápida e firme. "Liberdade de pensamento e liberdade para ter um futuro."
Mais adiante na rua, um café popular está lotado de clientes esperando para comprar seus famosos sanduíches grelhados e café gelado. Mesmo nesta crise, a cultura dos cafés de Teerã sobrevive.
Uma fileira de bancos no balcão, junto a uma janela ampla, oferece aos clientes um lugar privilegiado para observar o movimento da rua.
Nesta cidade, os contrastes são gritantes. Mulheres com lenços na cabeça e casacos compridos dividem a calçada com grupos de jovens, homens e mulheres, de calças jeans largas, com piercings e tatuagens.
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Muitas mulheres, jovens e idosas já não cumprem as leis que ditam que se vistam "modestamente" e cubram a cabeça, um legado dos protestos "Mulheres, Vida, Liberdade" que varreram o Irã há alguns anos – e, como todos os protestos, foram reprimidos com força letal.
Pequenas manifestações contra o aumento do custo de vida no final de 2025 transformaram-se em uma onda nacional de protestos antigovernamentais no início deste ano, com milhares de mortos na repressão policial resultante.
A guerra recente está na mente de Ali enquanto ele fuma cigarros Napoli importados com um amigo.
Sua irmã, de cabelo curto e óculos turquesa da moda, se junta a eles.
"Foi assustador durante a guerra", conta Ali. "Nos sentimos sozinhos. Nossas famílias estavam em outras cidades iranianas e não conseguíamos contatá-las."
As perspectivas para o futuro deles também são assustadoras. Sua irmã nos conta que acabou de pedir demissão do emprego de chef porque o dono do restaurante disse que não poderia mais pagar seu salário.
"Eu amo o presidente Tump e odeio o presidente Trump", anuncia Ali. "Eu o amo porque ele disse que ajudaria o povo do Irã. Eu o odeio porque ele não ajudou."
Ao pôr do sol, dirigimos até uma das muitas praças próximas onde apoiadores do governo têm se reunido todas as noites em resposta ao apelo de seus novos líderes para demonstrarem desafio e solidariedade.
Na Praça Vali-e Asr, há uma profusão de bandeiras iranianas tendo como pano de fundo um novo e imponente mural do ex-líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, assassinado por ataques aéreos israelenses nas primeiras horas da guerra, em 28 de fevereiro.
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BBC
Esta noite, fileiras de cadeiras que se estendem por este espaço estão ocupadas para um debate ao ar livre. Entre os temas discutidos, um debate sobre se o falecido líder havia aprovado negociações com os Estados Unidos.
Uma mulher, com o rosto coberto por um véu preto e uma bandeira drapeada sobre os ombros, levanta-se de sua cadeira e contesta veementemente o moderador no palco, que havia informado a multidão que o falecido aiatolá se opôs às negociações com o inimigo, mas depois as aprovou.
"As coisas eram diferentes naquela época", gritou ela, enfatizando que o falecido líder nunca confiou no Ocidente e sabia que seus negociadores estariam errados.
Pouco tempo depois, o assunto muda. Outra mulher pega o microfone e destaca a importância do hijab — o véu que cobre a cabeça das mulheres.
"Mas não devemos ser tão duros com aqueles que não querem usá-lo. Acho que este é um momento que exige união nacional", aconselha ela, num sinal inesperado de abertura.
Uma jovem, também de preto e carregando uma bandeira, aproxima-se de nós para declarar em inglês: "Só negociamos com o presidente Trump a partir da nossa posição de força."
Reyhaneh, de 19 anos, que estuda microbiologia na Universidade de Teerã, também segura uma fotografia do novo líder supremo, Mojtaba Khamenei.
Ela desconversa quando pergunto sobre o fato de ele não ter sido visto em público desde que ele foi gravemente ferido no ataque que matou seu pai.
"Tudo está em suas mãos agora, e no futuro também", insiste ela.
Ao sairmos da praça, ouvimos um rugido repentino.
Um comboio de mulás de turbantes brancos e pretos, em trajes camuflados e com armas presas ao peito, passa rugindo em um desfile de motocicletas — outro momento surpreendente desta noite.
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Nossa jornada nos leva novamente pela rua Sanaei Ghaznavi.
Às 22h30 desta noite quente de primavera, pequenos grupos de jovens ainda estão reunidos perto do restaurante de fast food e do café do outro lado da rua.
Avistamos Mustafa, o vendedor de sapatos, na calçada em frente à sua loja bem iluminada, conversando com alguns amigos.
Havia muitos clientes hoje?
"Não muitos", diz ele, dando de ombros. "Só queremos que esta guerra acabe."
A correspondente internacional chefe da BBC, Lyse Doucet, está reportando de Teerã sob a condição de que nenhum de seus materiais seja utilizado pelo serviço em língua persa da BBC. Essas restrições se aplicam a todas as organizações de mídia internacionais que operam no Irã.
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Novo GWM Ora 5 híbrido promete rodar mais de 1 mil km com tanque cheio; VÍDEO

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GWM Ora 5 promete 1 mil km com tanque cheio
A GWM anunciou o Ora 5 durante o Salão de Pequim, que acontece a partir desta sexta-feira (24) na capital chinesa. O modelo é o primeiro carro híbrido da marca e já foi flagrado em testes no Brasil.
A fabricante não informou a potência total do sistema híbrido, mas confirmou o uso de um motor elétrico combinado a um motor a combustão 1.5 turbo. Uma configuração parecida já é utilizada no Haval H6.
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No Haval H6, esse conjunto híbrido entrega 243 cv de potência e 55 kgfm de torque, utilizando exclusivamente gasolina.
No Ora 5, a autonomia divulgada é de até 1.100 km com um tanque cheio, enquanto o consumo urbano informado é de 22,2 km/l. Assim como no Toyota Corolla híbrido e no Haval H6, o próprio carro gerencia automaticamente o uso do motor elétrico ou do motor a combustão, além de controlar a recarga da bateria.
GWM Ora 5
divulgação/GWM
(O repórter viajou para o evento a convite da Leapmotor e GWM.)
Em termos de tamanho, o Ora 5 segue proporções de SUV. O modelo tem 4,47 metros de comprimento e 2,72 metros de entre-eixos. Para efeito de comparação, ele é cerca de 7 centímetros mais curto que um Jeep Compass e tem um entre-eixos 8 centímetros maior que o do Toyota Corolla Cross.
Ora 5 quer enfrentar Toyota e a própria GWM
Em 2026, o híbrido mais vendido do Brasil é o Toyota Corolla Cross, com 5.950 unidades emplacadas entre janeiro e março, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
O SUV da Toyota registra consumo urbano de até 16,6 km/l com gasolina. Pelos números divulgados pela GWM, o Ora 5 é 33% mais econômico.
O modelo também promete gastar menos combustível que o segundo híbrido mais vendido do período, o Haval H6, que somou 4.478 unidades emplacadas no primeiro trimestre do ano.
De acordo com o Inmetro, o Haval H6 tem consumo urbano de 14,7 km/l com gasolina.

Bloqueio em Ormuz faz empresas gastarem até US$ 4 milhões no Canal do Panamá

Bloqueio em Ormuz faz empresas gastarem até US$ 4 milhões no Canal do Panamá
Trump ordena que Marinha dos EUA ataque barcos que estejam colocando minas em Ormuz
Empresas chegaram a desembolsar até US$ 4 milhões para fazer navios atravessarem o Canal do Panamá, com o Estreito de Ormuz praticamente fechado, segundo a Autoridade do Canal do Panamá, em um movimento que provocou uma mudança sísmica nos fluxos globais de comércio.
Embora a passagem pela hidrovia normalmente ocorra por meio de uma tarifa fixa via reservas, empresas sem reserva podem cruzar pagando uma taxa adicional em leilões por vagas, que são concedidas ao maior lance, em vez de esperar dias na costa da Cidade do Panamá.
Esse valor disparou nas últimas semanas, à medida que Irã e Estados Unidos criaram um gargalo na principal rota marítima do Estreito de Ormuz e a demanda por essas vagas aumentou fortemente. Os navios passaram a utilizar com mais frequência o Canal do Panamá à medida que cargas foram redirecionadas e compradores passaram a buscar fornecedores em outros países para evitar o comércio pela agora arriscada rota do Oriente Médio.
“Com todos os bombardeios, os mísseis, os drones… as empresas estão dizendo que é mais seguro e mais barato cruzar pelo Canal do Panamá”, afirmou Rodrigo Noriega, advogado e analista na Cidade do Panamá. “Tudo isso está afetando as cadeias globais de suprimentos.”
Vista aérea de navio passando pelo Canal do Panamá.
REUTERS/Enea Lebrun
Ao mesmo tempo, segundo Noriega, o governo panamenho está “maximizando o quanto pode ganhar com o Canal do Panamá”.
O preço médio para atravessar o canal varia entre US$ 300 mil e US$ 400 mil, dependendo da embarcação. Antes, para conseguir uma travessia antecipada, empresas pagavam entre US$ 250 mil e US$ 300 mil adicionais. Nas últimas semanas, esse custo extra médio subiu para cerca de US$ 425 mil.
Ricaurte Vásquez, administrador do canal, afirmou que outra empresa, cujo nome não revelou, pagou US$ 4 milhões extras quando seu navio de combustível precisou mudar de destino por causa das tensões geopolíticas em andamento.
Era um navio transportando combustível para a Europa, e ele foi redirecionado para Singapura, porque Singapura está ficando sem combustível”, disse.
Outras petroleiras pagaram mais de US$ 3 milhões além da taxa de travessia para acelerar a passagem diante da disparada dos preços do petróleo.
Irã divulga vídeo do que diz ser apreensão de navios no Estreito de Ormuz em 22 de abril de 2026
Reprodução
Vásquez disse que não houve acúmulo de navios no canal, mas que os custos refletem mudanças de última hora e maior urgência de embarcações que precisam chegar mais rapidamente ao destino em meio ao caos comercial global.
Ele ressaltou que esses custos não representam uma tarifa geral de mercado, mas sim um pedágio temporário assumido pelas empresas.
“Elas decidem até onde estão dispostas a pagar”, disse Vásquez.
Ao mesmo tempo em que lucra mais com o novo movimento comercial, o governo do Panamá também foi atingido pela crise geopolítica.
Na quarta-feira (22), o Ministério das Relações Exteriores do país acusou o Irã de apreender ilegalmente uma embarcação com bandeira panamenha da empresa italiana MSC Francesca no Estreito de Ormuz.
O Panamá, que possui um dos maiores registros navais do mundo, afirmou que o navio foi “tomado à força” pelo Irã. Ainda não estava claro se a embarcação permanecia sob custódia iraniana.
“Isso representa um grave ataque à segurança marítima e constitui uma escalada desnecessária em um momento em que a comunidade internacional defende que o Estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação internacional, sem ameaças ou coerção de qualquer tipo”, afirmou o governo.
Noriega disse que o valor pago pelas empresas para cruzar o Canal do Panamá pode aumentar ainda mais caso o conflito continue, já que os preços do petróleo seguem em forte alta. O barril do petróleo Brent chegou a ultrapassar brevemente US$ 107 nesta semana, ante cerca de US$ 66 há um ano.
“Ninguém realmente previu os efeitos potenciais que essa guerra teria sobre o comércio global”, afirmou.