Irã negocia construção de novas unidades de usina nuclear com a Rússia, diz mídia estatal

Presidente da Venezuela encerra Lei de Anistia para presos políticos dois meses após implementar medida
Esta imagem de satélite fornecida pela Maxar Technologies e tirada em 1º de janeiro de 2025 mostra os reatores de Bushehr, 1.200 quilômetros (750 milhas) ao sul de Teerã. Israel atacou o Irã em uma série de ataques aéreos em 13 de junho, atingindo 100 alvos, incluindo instalações nucleares e militares de Teerã, e matando o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o chefe da Guarda Revolucionária do Irã e importantes cientistas nucleares.
AFP
O embaixador do Irã em Moscou, Kazem Jalali, afirmou que Teerã mantém negociações constantes com a Rússia para acelerar a construção e a conclusão das novas unidades da usina nuclear de Bushehr, segundo a agência de notícias semioficial iraniana Fars News Agency.
Em entrevista à agência de notícias estatal russa RIA Novosti nesta sexta-feira (24), Jalali disse esperar que o avanço das obras ocorra com mais rapidez e destacou que os dois países seguem em contato para garantir a continuidade do projeto.
“Estamos constantemente em contato e esperamos que sejam criadas condições para que os funcionários da Rosatom possam realizar seu trabalho”, afirmou.
➡️ Declaração ocorre em meio a um cessar-fogo que já dura duas semanas entre Irã e Estados Unidos. Uma das principais demandas do presidente dos EUA, Donald Trump, para o fim da guerra é o Irã abrir mão de seu programa nuclear.
A usina de Bushehr é o principal complexo nuclear em operação no Irã e depende da cooperação técnica da estatal russa Rosatom para a expansão de suas unidades.
Jalali também comentou a possibilidade de o Irã cobrar tarifas de embarcações que cruzam o Estreito de Ormuz e afirmou que países considerados aliados, como a Rússia, poderão receber isenções.
Segundo o diplomata, o Ministério das Relações Exteriores iraniano já trabalha para garantir essas exceções a nações classificadas por Teerã como “países amigos”.
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Usina já foi atacada antes
O regime do Irã acusou Israel e Estados Unidos de bombardearem áreas próximas à uma usina nuclear no início do mês. Autoridades do país afirmam que foi a quarta vez, desde o começo da guerra, que a área em volta da usina foi atingida por explosivos.
Um funcionário morreu e a Rússia, que dá apoio operacional ao complexo, determinou a retirada de quase 200 trabalhadores.
O governo iraniano acusa os Estados Unidos e Israel de estarem por trás do ataque.
Irã ataca países do Oriente Médio e acusa EUA e Israel de atingirem área próxima de usina nuclear
Em junho de 2025, a usina de Bushehr foi atacada diretamente, o que poderia ter causado uma catástrofe nuclear, alertou Conselho de Segurança da ONU o chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi. A fala ocorreu após afirmar que não foram detectadas emissões de radiação pelos bombardeios de Israel, mas o "perigo" existe.
Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, expressou profunda preocupação com o incidente. Disse que instalações nucleares não podem nunca ser atacadas e cobrou que, no local, as atividades militares sejam restritas.

Dez ficam feridos após tornados atingirem Oklahoma nos EUA, diz mídia local

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Tornado atinge norte do Oklahoma nos EUA
Pelo menos 10 pessoas ficaram feridas após tornados atingirem o norte de Oklahoma na quinta-feira (23), informou a KOCO News, afiliada da ABC News.
Segundo a reportagem, equipes de emergência realizavam operações de busca e resgate depois que um tornado causou danos significativos, afetando a Base Aérea de Vance, localizada em Enid, Oklahoma.
*Essa matéria está em atualização.
Oklahoma registra feridos após tornados atingirem o norte do estado
Koco/ ABC via Reuters
Com informações da Reuters.

Trump faz ‘limpa’ no alto escalão militar em meio a guerra; veja os principais exonerados desde o início do mandato

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John Phelan
AP Photo/Alex Brandon
A demissão do secretário da Marinha dos EUA, John Phelan, nesta semana, é a mais recente de uma série de exonerações de altos oficiais militares durante o governo do presidente Donald Trump.
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Uma reformulação tão ampla da liderança da Defesa dos EUA é incomum na história do país. Ela tem se tornado mais intensa desde o início da guerra contra o Irã, momento em que mudanças de comando militar não costumam ocorrer, já que os combates impõem grandes demandas operacionais.
Phelan era um doador de campanha de Trump sem experiência relevante na área. Autoridades do Pentágono afirmaram que ele havia se indisposto com a liderança militar ao propor suas ideias diretamente ao presidente, contornando seus superiores diretos.
Outras demissões, contudo, foram mais relevantes. No início do mandato, Trump exonerou Charles Q. Brown, então chefe das Forças Armadas indicado por Joe Biden, segundo afro-americano a ocupar a posição de liderança no Pentágono. Um dia antes, o republicano havia reclamado de nomeações do governo estarem atreladas a supostas "questões de diversidade" no governo anterior.
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Veja quem são os principais nomes demitidos por Trump e seu secretário da Guerra, Pete Hegseth:
John Phelan, secretário da Marinha dos EUA
Segundo autoridades ouvidas pelo jornal "Wall Street Journal", John Phelan foi demitido do cargo após meses de tensões crescentes com Pete Hegseth. Os principais líderes do Pentágono teriam ficado especialmente irritados no ano passado, quando Phelan apresentou diretamente a Trump a ideia de um novo navio de guerra, sem passar por Hegseth.
Doador de campanha de Trump, John C. Phelan nunca havia servido nas Forças Armadas nem ocupado um cargo civil de liderança na Marinha antes de ser indicado por Trump para o posto, pouco antes do republicano iniciar seu segundo mandato.
Randy George, chefe do Estado-Maior do Exército
Randy George
Reuters e X/@WestPoint_USMA
Em 2 de abril, Hegseth demitiu George sem apresentar justificativa. Dois oficiais americanos disseram que a decisão estava ligada a tensões entre Hegseth e o Secretário do Exército, Daniel Driscoll.
George deixou o cargo enquanto as Forças Armadas dos EUA reforçavam suas tropas no Oriente Médio em meio à guerra entre EUA e Israel contra o Irã.
Ao mesmo tempo, o general David Hodne, que liderava o Comando de Transformação e Treinamento do Exército, e o major-general William Green, que chefiava o Corpo de Capelães do Exército, também foram demitidos.
Timothy Haugh, general
Haugh, diretor da Agência de Segurança Nacional (NSA), foi demitido por Trump em 3 de abril de 2025, em uma onda de demissões na área de segurança nacional que, segundo fontes, incluiu mais de uma dúzia de funcionários do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Nenhum motivo foi dado para as demissões.
Charles Q. Brown, chefe do Estado-Maior Conjunto
Charles Q. Brown, que chefiava as Forças Armadas dos EUA, foi demitido na sexta-feira (21).
SAUL LOEB / AFP
General da Força Aérea, Brown foi demitido por Trump em 21 de fevereiro de 2025, em uma reformulação sem precedentes da liderança militar dos EUA, na qual outros cinco almirantes e generais também foram afastados.
Brown, o segundo oficial negro a se tornar o principal conselheiro militar uniformizado do presidente, cumpria um mandato de quatro anos, que terminaria em setembro de 2027.
A almirante Lisa Franchetti, a primeira mulher a liderar um ramo das Forças Armadas como chefe de operações navais, foi demitida juntamente com Brown.
Jeffrey Kruse, tenente-general
Kruse, que chefiava a agência de inteligência do Pentágono, foi demitido por Hegseth em 22 de agosto de 2025. Hegseth também ordenou a remoção do chefe da Reserva da Marinha dos EUA e do comandante do Comando de Guerra Naval Especial, disse um oficial americano à Reuters na época. Nenhum motivo foi dado para as demissões.
Linda Fagan, almirante
A Comandante da Guarda Costeira, Almirante Linda Fagan, testemunhando durante uma audiência em 2024.
Graeme Sloan/Sipa USA/Via Reuters
Fagan, comandante da Guarda Costeira dos EUA, foi demitida em 21 de janeiro de 2025, o primeiro dia completo do segundo mandato de Trump. Fagan foi a primeira mulher a liderar um ramo das Forças Armadas dos EUA.
Um dos motivos foi o foco "excessivo" de Fagan em políticas de diversidade, equidade e inclusão, disse um oficial que falou à imprensa sob condição de anonimato.
Fagan estava à frente da Guarda Costeira desde 2022 e anteriormente ocupou cargos como o de vice-comandante da força.
"Ela serviu em todos os continentes, desde as neves da Ilha de Ross, na Antártica, até o coração da África, de Tóquio a Genebra, e em muitos portos ao longo do caminho", destacou uma versão arquivada de sua biografia, que já não está disponível no site da Guarda Costeira.

Golpe militar ou união inabalável? Entenda a guerra de narrativas sobre quem está mandando no Irã

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IA acelera guerra de memes entre EUA e Irã
Em meio a um cessar-fogo que já dura duas semanas, Irã e Estados Unidos travam uma nova guerra: a de narrativas. Enquanto o presidente norte-americano fala em divisão na liderança iraniana, Teerã diz que o país está unido e acusa adversários de promover uma propaganda mentirosa.
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Na terça-feira (21), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o governo do Irã está “seriamente fragmentado” e, por isso, suspenderia ataques ao país até que líderes iranianos apresentem uma proposta unificada nas negociações de paz.
Nos dias seguintes, Trump insistiu no tema. Na quinta-feira (23), ele disse em uma rede social que o Irã enfrentava dificuldades para definir quem era o líder do país.
“Eles simplesmente não sabem! A briga interna entre os ‘linha-dura’, que vêm perdendo FEIO no campo de batalha, e os ‘moderados’, que não são tão moderados assim (mas estão ganhando respeito!), é uma LOUCURA!”, publicou.
👉 As declarações de Trump vão ao encontro de informações apuradas pela imprensa americana com membros da cúpula do regime iraniano. Na quinta-feira, o jornal The New York Times publicou uma reportagem afirmando que generais da Guarda Revolucionária estão comandando o país.
A crise de poder no Irã começou logo após o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando um ataque conjunto de EUA e Israel matou o então líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.
Em uma tentativa de demonstrar unidade e agilidade, em menos de 10 dias o Irã anunciou que Mojtaba Khamenei, filho do aiatolá, havia sido escolhido como novo líder supremo.
Por outro lado, Mojtaba também se feriu no ataque e segue sob cuidados médicos, apesar de estar lúcido. Um mês após ser nomeado, ele ainda não fez nenhuma aparição pública nem divulgou vídeos, áudios ou imagens.
Mojtaba está em um local secreto para se recuperar e tem feito apenas declarações por escrito, divulgadas nas redes sociais e pela imprensa estatal. Segundo o NYT, o líder iraniano quer evitar aparecer vulnerável e pode precisar de cirurgia plástica para reparar ferimentos no rosto.
Ainda de acordo com o jornal, Mojtaba participa das discussões do governo, mas são membros da Guarda Revolucionária que vêm tomando as principais decisões em temas de segurança, guerra e diplomacia.
A Guarda Revolucionária sempre teve papel central no regime iraniano. Os integrantes são classificados como “linha-dura” e, segundo o New York Times, acreditam que podem derrotar Estados Unidos e Israel na guerra.
De outro lado estão os mais moderados, que integram o chamado governo civil. Fazem parte desse grupo o presidente Masoud Pezeshkian — que defendia uma aproximação com os EUA quando foi eleito — e o chanceler Abbas Araghchi. Segundo o jornal, essa ala foi rebaixada a decisões internas.
Um sinal dessa divisão veio a público no sábado (18), quando Araghchi anunciou a reabertura do Estreito de Ormuz.
A declaração foi criticada e desautorizada por uma agência estatal ligada à Guarda Revolucionária, que a classificou como “de extremo mau gosto”.
Ao mesmo tempo, Araghchi perdeu espaço nas negociações de paz com os EUA.
No lugar, o Irã passou a indicar como principal negociador o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, ex-general da Guarda Revolucionária.
Na quinta-feira, a rede de TV israelense C14 afirmou que generais da Guarda Revolucionária teriam promovido um “golpe militar silencioso” e isolado o líder supremo, que teria perdido poderes executivos.
Reação iraniana
Cerimônia em Teerã marca os 40 dias da morte de Ali Khamenei, em 9 de abril de 2026
Majid Asgaripour/WANA via Reuters
Oficialmente, o Irã nega estar com o governo fragmentado. Assim que Trump passou a afirmar que o país não tinha um líder definido, a imprensa estatal e integrantes da cúpula passaram a defender a unidade e acusar “inimigos” de propaganda.
1️⃣ Na quarta-feira (22), Seyyed Mehdi Tabatabaei, vice da área de comunicações do gabinete do presidente iraniano, disse que eram falsas as alegações de desentendimento e divisão entre as principais autoridades do país.
Em comunicado divulgado pela PressTV, emissora ligada ao regime, ele afirmou que a narrativa de desunião faz “parte de um jogo político e de propaganda bem planejado pelos inimigos do Irã”. Segundo Tabatabaei, há unidade e consenso “incomparáveis e exemplares”.
“Em vez de fabricar mentiras, deveriam parar de quebrar promessas, praticar intimidação e hipocrisia. A porta para negociações baseadas em justiça, dignidade e racionalidade permanece aberta.”
Nas horas seguintes, a emissora continuou publicando mensagens sobre união nacional.
Em um post no Telegram, em inglês, na quinta-feira, a PressTV afirmou que o Irã estaria com “todas as cartas” nas mãos.
O país está “vitorioso no campo de batalha, unido internamente e armado com ativos estratégicos inegociáveis, o que lhe permite ditar termos e buscar concessões do inimigo”, diz a publicação.
2️⃣ O líder supremo Mojtaba Khamenei também divulgou mensagem no mesmo sentido. Ele elogiou a “extraordinária unidade” entre os iranianos e afirmou que é o “inimigo” que enfrenta fissuras.
“A operação midiática do inimigo, ao mirar a mente e o psicológico da população, busca prejudicar a unidade e a segurança nacional. Não permitamos que, por descuido, essa intenção maligna se concretize”, disse.
3️⃣ Mais tarde, foi a vez do presidente do Irã se manifestar nas redes sociais. No X, Masoud Pezeshkian afirmou que não existem “linha-dura” ou “moderados” no país, em resposta às declarações de Trump.
“Somos todos iranianos e revolucionários. Com a unidade inabalável entre nação e Estado e a obediência ao Líder Supremo, faremos o agressor se arrepender.”
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Presidente da Venezuela encerra Lei de Anistia para presos políticos dois meses após implementar medida

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Delcy Rodríguez é a presidente interina da Venezuela
Getty Images
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (23) que a anistia “chega ao fim”, dois meses depois de a lei ter sido sancionada por ela. Segundo organizações não governamentais, o país ainda tem 473 presos políticos.
Delcy não deu detalhes nem explicou em que consiste o “fim” da Lei de Anistia, sancionada em 19 de fevereiro. Ela afirmou que os casos que “estavam expressamente excluídos” no texto poderão ser atendidos em outros espaços, como o Programa governamental para a Paz e Convivência Democrática e a Comissão para a Reforma da Justiça Penal, instalada nesta quinta-feira.
Perdão aos presos políticos
Poucos dias antes de se completar um mês desde que assumira o poder após a derrubada de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos, Delcy Rodríguez anunciou a anistia geral.
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"Decidimos colocar em marcha uma lei de anistia geral que cubra todo o período de violência política de 1999 até o presente", informou Rodríguez em um discurso no Supremo Tribunal.
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Rodríguez também anunciou o fechamento da famosa prisão Helicoide, em Caracas, denunciada por ativistas como um centro de tortura de opositores do chavismo.
"Decidimos que as instalações de Helicoide, que hoje servem como centro de detenção, serão transformadas em um centro social, esportivo, cultural e comercial para a família policial e para as comunidades vizinhas", disse Rodríguez em um discurso perante a Suprema Corte.
Em 2022, um relatório das Nações Unidas alegou que as agências de segurança do Estado venezuelano submeteram a tortura detentos da famosa prisão, originalmente projetada como um shopping center. O governo rejeitou as conclusões da ONU.
Famílias e defensores dos direitos humanos há muito tempo exigem a anulação das acusações e condenações contra detentos considerados presos políticos. Políticos da oposição, membros dissidentes das forças de segurança, jornalistas e ativistas de direitos humanos são frequentemente alvo de acusações como terrorismo e traição, que suas famílias consideram injustas e arbitrárias.
Antes do anúncio da normativa, familiares de presos no Helicoide realizaram vigílias e acamparam durante a noite em frente à prisão, exigindo a libertação de seus parentes.
Prisão El Helicoide, em Caracas
RONALDO SCHEMIDT / AFP
Entre os defensores de longa data das libertações e da anistia está a ganhadora do Prêmio Nobel da Paz e líder da oposição, Maria Corina Machado, que tem vários aliados próximos presos.
Com informações da EFE via Reuters.