O que foi a Revolução Cultural e como ela moldou a história da China há 60 anos?

Ataque em escola militar na Nigéria deixa 17 policiais mortos
"A mensagem de Mao era: 'Rebelem-se contra o seu professor, contra o seu mestre, contra o líder do seu partido, contra o seu superior, contra os patrões das fábricas. A rebelião é justificada.'"
Getty Images
A Revolução Cultural, cujo início está completando 60 anos esta semana, foi um dos períodos mais sombrios da história chinesa.
Em 1966, o líder comunista Mao Tsé-Tung ordenou uma campanha nacional para expurgar do governo, da educação e das artes elementos considerados contrarrevolucionários, influências capitalistas e pensamento burguês.
Mao declarava guerra ao passado, às "velhas ideias" e aos "velhos costumes".
E a batalha não seria travada apenas pela polícia ou pelas agências de segurança, mas por cidadãos comuns — especialmente os jovens — contra seus concidadãos.
"A mensagem de Mao era: 'Rebelem-se contra seus professores, contra seus líderes partidários, contra seus superiores, contra os gerentes das fábricas. A rebelião é justificada'", explica o historiador Yafeng Xia, professor da Universidade de Long Island, nos EUA.
A campanha, que oficialmente durou até 1976, transformou completamente a sociedade chinesa e deixou profundas cicatrizes políticas e culturais que ainda estão presentes no país hoje.
A ascensão de Mao e o fracasso do Grande Salto Adiante
A campanha do Grande Salto Adiante de Mao mobilizou milhões de trabalhadores e camponeses em condições extremas, causando uma catástrofe econômica e humanitária
Getty Images
Mao Tsé-Tung chegou ao poder em 1949, após derrotar as tropas nacionalistas do Kuomintang e estabelecer a República Popular da China, inspirado pelo marxismo.
Após séculos de dinastias imperiais, a China entrou no século 20 com um profundo atraso econômico e marcada por invasões de potências estrangeiras.
As desigualdades entre ricos e pobres, entre áreas rurais e urbanas e entre homens e mulheres eram enormes.
Em 1958, Mao lançou o chamado Grande Salto Adiante, um ambicioso programa concebido para industrializar rapidamente a economia agrária da China e alcançar o Ocidente em poucos anos.
A agricultura foi coletivizada e metas consideradas inatingíveis foram impostas, juntamente com políticas econômicas erráticas que, em última análise, se mostraram contraproducentes.
No início da década de 1960, a economia e a agricultura chinesas entraram em colapso.
Essa situação, combinada com diversos desastres naturais, levou a uma das maiores fomes da história, na qual estima-se que entre 20 e 40 milhões de pessoas morreram.
O Grande Salto Adiante deixou para trás imagens de camponeses exaustos e famintos
Getty Images
"Mao sabia que havia ocorrido enormes erros políticos", afirma Yafeng Xia.
Segundo explica o historiador, em 1961 o dirigente deu um passo atrás e outros líderes, como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping, ficaram à frente da recuperação econômica.
Em 1964, a economia chinesa parecia estar melhorando.
Mas Mao nunca admitiu completamente ter cometido erros.
De acordo com Xia, o líder também temia que seus sucessores o culpassem pelo fracasso do Grande Salto Adiante e da Grande Fome.
Em 1965, ele começou a preparar seu retorno político rotulando líderes como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping (que foi demitido e enviado para trabalhar em uma fábrica de tratores) como "seguidores do capitalismo", uma acusação extremamente grave dentro da retórica comunista chinesa.
O início da Revolução Cultural
Em 16 de maio de 1966, há exatos 60 anos, Mao emitiu uma diretiva com o objetivo de eliminar seus oponentes políticos e, ao mesmo tempo, revitalizar ideologicamente a sociedade.
Segundo o historiador, Mao acreditava que muitos funcionários dos governos central, provinciais e locais haviam se corrompido e não serviam mais ao povo — ou os considerava seguidores dos líderes que ele havia expurgado anteriormente.
"Mao realmente acreditava que estava realizando uma nova revolução comunista, que era necessária uma revolução política constante", observa o historiador.
Camponeses chineses recitam trechos do Pequeno Livro Vermelho de Mao antes de começarem o dia
Getty Images
A mobilização foi massiva: camponeses, operários e, especialmente, estudantes foram convocados a se rebelar contra seus superiores e qualquer pessoa em posição de autoridade.
Tudo isso se desenrolou em meio a uma campanha massiva de culto à personalidade em torno de Mao.
Imagens de milhares de jovens reunidos na Praça Tiananmen, em Pequim, segurando o Pequeno Livro Vermelho de Mao, são um dos símbolos definidores daquela época.
A Guarda Vermelha e a destruição dos 'Quatro Velhos'
O movimento juvenil mais emblemático da Revolução Cultural foi a Guarda Vermelha, composta por milhões de estudantes do ensino médio e universitários que surgiram por todo o país para impor os ensinamentos de Mao.
"Para esses jovens, Mao era Deus. Tudo o que ele dizia era certo", explica Xia.
O regime chinês doutrinava os jovens para idolatrarem Mao
Getty Images
A campanha dirigia-se contra o que o regime chamava de os "Quatro Velhos": as velhas ideias, a velha cultura, os velhos costumes e os velhos hábitos.
Os guardas vermelhos percorreram a China com o objetivo de destruir as tradições consideradas incompatíveis com a revolução.
Professores, intelectuais e aqueles rotulados como inimigos do Estado eram arrancados de suas casas, amarrados, interrogados, humilhados publicamente e espancados, às vezes até a morte.
Por quase uma década, as universidades ficaram paralisadas e os hospitais funcionaram apenas parcialmente.
Templos, lojas, casas, livros e grande parte do patrimônio cultural da China também foram destruídos.
A violência também atingiu famílias comuns: Xia lembra que seus pais trabalhavam para uma empresa estatal em uma pequena cidade na província de Jiangsu.
Segundo relata, pessoas que não simpatizavam com sua mãe a denunciaram e ela passou dois anos na prisão.
Seu pai, que inicialmente havia respondido ao chamado revolucionário de Mao, acabou sendo perseguido após 1968.
Desfile de membros da Guarda Vermelha em 1967.
Getty Images
Caos e campo
Em 1968, o movimento havia saído do controle e a China estava mergulhada em uma atmosfera de violência e caos que alguns comparavam a uma guerra civil.
Estima-se que centenas de milhares de pessoas morreram em expurgos e lutas pelo poder.
Mao acabou concluindo que a situação era insustentável e decidiu conter a Guarda Vermelha.
Muitos desses jovens eram estudantes urbanos que viajavam pelo país sem realizar nenhum trabalho produtivo, explica Xia.
A solução de Mao foi enviá-los para o campo para trabalhar como agricultores e "aprender com os camponeses".
Camponeses chineses em 1970
Getty Images
Cerca de 16 milhões de jovens foram realocados para áreas rurais, permitindo que as cidades recuperassem alguma aparência de calma.
Embora a história oficial chinesa considere que a Revolução Cultural tenha durado de 1966 a 1976, os três primeiros anos foram os mais radicais e violentos.
A partir de 1969, Mao continuou a expurgar membros do governo e das forças armadas e consolidou seu poder apoiando-se em figuras consideradas radicais, como sua esposa, Jiang Qing.
Juntamente com Zhang Chunqiao, Wang Hongwen e Yao Wenyuan, Jiang formou o grupo que mais tarde seria conhecido como a "Gangue dos Quatro" ou "Bando dos Quatro".
A morte de Mao e o legado da Revolução Cultural
Mao morreu em setembro de 1976.
Após sua morte, o Partido Comunista Chinês o apresentou como um "grande herói" e tentou distanciá-lo dos excessos e horrores da Revolução Cultural, considerada catastrófica no país.
Os novos líderes processaram aqueles que consideravam intelectualmente responsáveis pelas atrocidades, especialmente a Gangue dos Quatro, cujos membros foram condenados à prisão perpétua.
Segundo Xia, o Partido Comunista não podia se dar ao luxo de uma condenação total de Mao, pois isso teria colocado em questão a própria legitimidade do regime.
Portanto, os sucessores de Mao sustentaram que o líder estava velho e doente, e que havia sido manipulado em seus últimos anos.
Retratos de Mao ainda são exibidos em locais públicos, como a Praça Tiananmen em Pequim
Getty Images
Com o tempo, porém, alguns dos erros do líder foram oficialmente reconhecidos.
Deng Xiaoping (já reabilitado) resumiu essa visão com uma frase que se tornaria famosa: Mao "estava certo 70% das vezes e errado 30% das vezes".
Deng, que se tornou o líder supremo em 1978, liderou uma mudança de rumo que ajudaria a moldar a China contemporânea.
O aparato repressivo do Estado permaneceu, mas o país começou a reconciliar duas ideias que dividiram o mundo durante grande parte do século 20: o comunismo político e a abertura econômica capitalista.
Em um país governado por um partido comunista, o capitalismo deixou de ser visto como uma contradição.
Décadas depois, a figura de Mao continua gerando divisões na China.
Segundo Xia, muitos cidadãos ainda idealizam aquela época e acreditam que, durante o maoísmo, "os funcionários geralmente não eram corruptos".
"Mais de 50% dos chineses ainda acreditam que Mao foi um grande líder", afirma o historiador.
No entanto, ele ressalta: "pessoas mais instruídas sabem o que aconteceu durante a Revolução Cultural".

Dois caças colidem e caem durante apresentação nos EUA; veja VÍDEO

Ataque em escola militar na Nigéria deixa 17 policiais mortos
Aviões colidem durante show aéreo em Idaho, nos EUA
Dois caças EA-18 colidiram e caíram durante uma apresentação para o público sobre uma base área da Força Aérea, nos Estados Unidos, neste domingo (17), segundo a emissora local Idaho News.
Anúncios no local afirmam que todos os tripulantes envolvidos no incidente conseguiram acionar seus paraquedas e estão bem. O resto do show foi cancelado.
Vídeos publicados nas redes sociais mostram o momento em que as aeronaves se encostam e começam a cair após uma série de pequenas explosões. É possível ver quando quatro paraquedas são acionados.
A queda gera uma explosão e muita fumaça preta.
A Base Aérea de Mountain Home foi fechada e a área foi isolada após o incidente — cuja gravidade não foi especificada — durante o show Gunfighter Skies Air. Equipes de resgate estão no local e uma investigação já foi iniciada.
Não há informações imediatas sobre feridos ou mortos, segundo a assessoria de imprensa da 366ª Ala de Caça da Força Aérea, segundo a agência de notícias Associated Press.
De acordo com os organizadores, o festival atrai um grande público com demonstrações de voo e saltos de paraquedas em uma celebração da história da aviação e das capacidades militares modernas. Os Thunderbirds, esquadrão de demonstração da Força Aérea americana, eram a principal atração dos dois dias de evento.
O Serviço Nacional de Meteorologia informou que havia boa visibilidade no momento do acidente, com rajadas de vento de até 47 km/h.
Caças usados na apresentação do Mountain Home Air Force Base Gunfighters
Divulgação

Ebola: o que saber sobre surto na República Democrática do Congo

Ataque em escola militar na Nigéria deixa 17 policiais mortos
Agentes de saúde durante um surto de Ebola no ano de 2022 em Uganda
Getty Images via BBC
A declaração de emergência de interesse internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS) não significa que o surto de Ebola na República Democrática do Congo seja os estágios iniciais de uma pandemia ao estilo Covid.
O risco que o Ebola representa para o mundo inteiro permanece baixo.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
A maioria dos surtos de Ebola tende a ser pequena, mas os especialistas querem evitar um surto como o de 2014-16. Na época, quase 30 mil pessoas no oeste da África foram infectadas, o maior surto da doença já registrado no continente.
O Brasil não teve nenhum caso registrado na época, apenas suspeitas que foram descartadas.
Vídeos em alta no g1
A atual guerra civil no país africano está dificultando o controle do vírus, e a doença vem se espalhando há semanas. Já há 80 mortes confirmadas e 250 casos suspeitos na República Democrática do Congo.
Em Uganda, uma pessoa foi infectada e outra morreu pelo vírus da doença.
A espécie de Ebola envolvida é rara, então há menos ferramentas e conhecimento para deter um vírus que mata cerca de um terço das pessoas infectadas.
Existe risco significativo para países vizinhos como Uganda, Sudão do Sul e Ruanda, considerados de alto risco devido às estreitas ligações comerciais e de viagens com a República Democrática do Congo.
“A situação é complexa o suficiente para exigir coordenação internacional”, diz a Dra. Amanda Rojek, do Instituto de Ciências Pandêmicas da Universidade de Oxford.
Em 2017, surto na República Democrática do Congo matou quatro pessoas
Getty Images via BBC
No entanto, a República Democrática do Congo tem uma vasta experiência em lidar com surtos de Ebola e a resposta é “significativamente mais forte hoje do que há uma década”, diz Daniela Manno, da London School of Hygiene & Tropical Medicine.
O ebola é uma doença grave e mortal, embora seja rara. O vírus Ebola infecta principalmente morcegos que comem frutas, mas as pessoas podem ser infectadas se entrarem em contato próximo com animais.
Este surto está sendo causado pela espécie Bundibugyo de Ebola — é uma das três espécies conhecidas por causar surtos, mas é relativamente desconhecida.
O Bundibugyo causou apenas dois surtos antes — em 2007 e 2012 — no qual matou cerca de 30% das pessoas infectadas.
O vírus Bundibugyo apresenta uma série de desafios. Não há vacinas ou tratamentos medicamentosos aprovados para o Bundibugyo, embora existam algumas experimentais, ao contrário de outras espécies do vírus Ebola.
E os testes para determinar se alguém tem a infecção não parecem funcionar bem. Os resultados iniciais do surto foram negativos para o vírus Ebola, e ferramentas de laboratório mais sofisticadas foram necessárias para confirmar que Bundibugyo estava envolvido.
Lidar com Bundibugyo é “uma das preocupações mais significativas” neste surto, diz a professora Trudie Lang, da Universidade de Oxford.
Acredita-se que os sintomas apareçam entre dois e 21 dias após a infecção.
No começo é como uma gripe: febre, dor de cabeça e cansaço. Mas, à medida que o Ebola progride, causa vômitos, diarreia e faz com que os órgãos do corpo não funcionem. Alguns pacientes desenvolvem hemorragias internas e externas.
Sem medicamentos aprovados destinados a combater o vírus Bundibugyo, o tratamento depende de “cuidados otimizados”, incluindo o controle da dor e dos fluidos e da nutrição. O cuidado precoce aumenta as chances de sobrevivência.
O ebola se espalha por meio de fluidos corporais infectados, como sangue e vômito, mas isso normalmente só se manifesta após os sintomas aparecerem.
O primeiro caso registrado foi de uma enfermeira que desenvolveu sintomas em 24 de abril. Desde então, foram necessárias três semanas para confirmar a existência do surto.
“A transmissão contínua ocorreu por várias semanas e o surto foi detectado muito tarde, o que é preocupante”, disse Anne Cori, do Imperial College London.
Isso significa que as autoridades de saúde estão atrasadas na contenção do surto, o que, segundo a OMS, aponta para algo “potencialmente muito maior do que o que está sendo detectado e relatado atualmente”.
O principal método será identificar quem está infectado e para quem a pessoa pode ter transmitido o vírus.
Também haverá esforços para evitar que o Ebola se espalhe por hospitais e outros centros de tratamento, lugar em que os pacientes estão na fase mais infecciosa. Outra tarefa é garantir um enterro seguro dos mortos pela doença.
O número de infectados e o conflitos militar em curso na República Democrática do Congo, que já tirou de casa 250 mil pessoas, são um desafio.
“Muitas das áreas afetadas são cidades com minas, onde a população é flutuante. Essa mobilidade aumenta o risco à medida que as pessoas se movem entre comunidades e cruzam fronteiras”, diz Lang.
Se esse surto pode ser contido rapidamente ou se transformar em uma repetição do que aconteceu há pouco mais de uma década, será determinado pela resposta agora.

Robôs x robôs: o que operação na Ucrânia revela sobre a guerra do futuro

Ataque em escola militar na Nigéria deixa 17 policiais mortos
Os robôs poderão superar o número de soldados humanos no campo de batalha na Ucrânia
UNITED24 via BBC
Os robôs poderão superar o número de soldados humanos no campo de batalha na Ucrânia. Essa é a previsão feita por uma fabricante de armamentos de origem britânica e ucraniana em entrevista à BBC.
A previsão foi feita depois de o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmar em abril que o país havia retomado territórios ocupados pelas forças russas pela primeira vez em uma operação realizada apenas com robôs e drones.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Os dois lados da guerra passaram a usar amplamente sistemas aéreos e terrestres não tripulados, o que, segundo analistas, acelerou de forma significativa o desenvolvimento de tecnologias militares.
O avanço dessas tecnologias também intensificou o debate sobre o futuro das guerras e as consequências para os soldados.
Em um vídeo divulgado em abril para apresentar os novos armamentos robóticos desenvolvidos pela Ucrânia, Zelensky afirmou que uma posição inimiga havia sido tomada "exclusivamente por plataformas não tripuladas: robôs terrestres e drones".
Vídeos em alta no g1
As Forças Armadas ucranianas não divulgaram detalhes da operação.
No entanto, a declaração de Zelensky ocorreu após outra afirmação feita em fevereiro de que um único robô terrestre teria sido usado para conter um avanço russo durante 45 dias.
Parte dos armamentos envolvidos é atribuída à UFORCE, startup militar fundada por ucranianos e britânicos.
A empresa cresceu rapidamente e recentemente alcançou o chamado status de "unicórnio", termo usado para startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,6 bilhões).
A BBC News visitou a sede da UFORCE em Londres, no Reino Unido. O local não possui identificação externa e opera de forma discreta, medida que, segundo a empresa, busca reduzir riscos de possíveis ações de sabotagem por parte da Rússia.
Um representante da companhia se recusou a comentar a batalha envolvendo robôs mencionada pelo presidente da Ucrânia, mas afirmou que drones aéreos, terrestres e marítimos desenvolvidos pela UFORCE já estão sendo usados em operações de combate.
"Não posso entrar em detalhes sobre a operação nem sobre como a UFORCE esteve envolvida, mas já realizamos mais de 150 mil missões de combate bem-sucedidas desde a invasão russa em larga escala, em 2022", afirmou Rhiannon Padley, diretora de parcerias estratégicas da UFORCE no Reino Unido.
Ela acrescentou que confrontos entre robôs devem se tornar cada vez mais frequentes, com sistemas não tripulados podendo até superar o número de soldados humanos no campo de batalha.
A Rússia também vem utilizando robôs projetados para transportar explosivos até posições ucranianas. Analistas avaliam que os avanços nessa tecnologia tendem a transformar a forma como as guerras serão travadas no futuro.
"Vejo a Ucrânia como uma grande referência para o futuro da defesa nacional e da indústria armamentista", afirmou Melanie Sisson, pesquisadora do centro de estudos Brookings Institution, nos Estados Unidos. "É um exemplo impressionante de como a necessidade impulsiona a inovação."
A UFORCE faz parte de um grupo crescente das chamadas empresas de defesa "Neo-Prime", que desafiam gigantes tradicionais do setor, como BAE Systems, Boeing e Lockheed Martin.
Outra empresa do grupo é a Anduril, companhia americana de tecnologia militar que realizou, em fevereiro, o primeiro voo de teste de um caça sem piloto.
Embora a maioria dos drones ainda seja operada remotamente por humanos, empresas como a Anduril vêm incorporando cada vez mais inteligência artificial (IA) a sistemas de armamentos.
Os drones terrestres da UFORCE usam softwares desenvolvidos para auxiliar na definição de alvos, enquanto a Anduril afirma que alguns de seus sistemas conseguem executar de forma autônoma a etapa final de um ataque.
O governo dos EUA também vem defendendo publicamente a adoção acelerada de IA pelas Forças Armadas.
Em janeiro, o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, afirmou que o país precisa se tornar "uma força militar que tenha a IA como prioridade".
A China também vem ampliando o uso de sistemas militares com IA, segundo uma avaliação publicada no ano passado pelo Departamento de Defesa dos EUA.
Analistas afirmam que um cenário em que robôs enfrentam diretamente outros robôs no campo de batalha pode ser difícil de evitar.
"Drones ucranianos e russos já combatem entre si", afirmou Jacob Parakilas, do centro de estudos RAND Europe. "Ver isso se expandir para guerras terrestres e marítimas parece extremamente provável — talvez inevitável."
A Anduril já garantiu bilhões de dólares em investimentos e contratos militares com o governo dos Estados Unidos
BBC
Grupos de direitos humanos, porém, alertam que o aumento da autonomia em sistemas de armamentos levanta sérias preocupações sobre responsabilização.
"Os militares adotam IA para acelerar processos como a identificação de alvos. Mas delegar decisões de vida ou morte a máquinas traz riscos profundos do ponto de vista ético e dos direitos humanos", afirmou Patrick Wilcken, da Anistia Internacional.
Os fabricantes de armamentos argumentam que manter "um humano no comando" responde a esse tipo de preocupação, insistindo que a decisão de usar força continua sendo responsabilidade de militares.
"Seres humanos precisam de descanso e comida, e em situações de combate essas necessidades nem sempre são atendidas", afirmou Rich Drake, diretor-geral da Anduril Industries no Reino Unido. "Os sistemas computacionais permitem reduzir erros ao longo do que chamamos de cadeia de ataque."
Embates sobre uso militar de IA
O uso de IA em operações militares teve um caso emblemático em 2026.
Em julho de 2025, a Anthropic, uma empresa de inteligência artificial do Vale do Silício americano, assinou um contrato de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1,1 bilhão) com o Pentágono (o Departamento de Defesa), o primeiro desse tipo: um laboratório de IA que integra seus modelos em fluxos de trabalho de missão em redes sigilosas.
O CEO da Anthropic, Dario Amodei, justificou isso em um texto publicado em janeiro de 2026. Ele escreveu que a Anthropic apoiava as forças militares e de inteligência dos EUA porque "a única maneira de responder a ameaças autocráticas é igualá-las e superá-las militarmente".
Amodei acrescentou: "A formulação a que cheguei é que devemos usar IA para a defesa nacional em todas as suas formas, exceto aquelas que nos tornariam mais parecidos com nossos adversários autocráticos".
Consequentemente, o contrato da Anthropic com o Pentágono estabeleceu duas "linhas vermelhas": o Claude não poderia ser usado para vigilância doméstica em massa ou para armas totalmente autônomas.
Esses limites invioláveis não são arbitrários; eles se baseiam em um documento da empresa que serve como sua "alma". Seu objetivo declarado é "prevenir catástrofes em larga escala", incluindo a possibilidade de a IA ser usada por um grupo humano para "tomar o poder de forma ilegítima e não colaborativa".
Amodei também argumentou perante o Pentágono que "os sistemas de IA de última geração simplesmente não são confiáveis ​​o suficiente para alimentar armas totalmente autônomas".
As restrições impostas pela Anthropic levaram a um embate com o Pentágono, que tratou a empresa como se fosse inimiga do Estado. Mesmo assim, sua tecnologia de IA continuou sendo usada porque as Forças Armadas dos EUA não podiam se dar ao luxo de ficar sem ela.
O Pentágono exigia que a Anthropic concedesse acesso irrestrito à sua tecnologia para "todos os usos legais". Mas em resposta, Amodei declarou, referindo-se a essas exigências: "Não podemos, em sã consciência, atender ao pedido deles."
A Anthropic acabou perdendo contratos com o Pentágono.
Mas horas depois do anúncio de encerramento do contrato, a concorrente OpenAI (conhecida pelo ChatGPT) chegou a um acordo com o Pentágono.

Ataque em escola militar na Nigéria deixa 17 policiais mortos

Ataque em escola militar na Nigéria deixa 17 policiais mortos
Pelo menos 17 policiais foram mortos no estado de Yobe, no nordeste da Nigéria, depois que supostos militantes islâmicos atacaram uma escola militar especializada que também treina policiais, informou o porta-voz da polícia nacional na noite de sábado (16).
A Nigéria vem lutando contra uma insurgência islâmica no nordeste do país há mais de 18 anos.
📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça
Os 17 policiais foram mortos na sexta-feira durante um ataque à Escola das Forças Especiais do Exército Nigeriano em Buni Yadi, no estado de Yobe, disse o porta-voz da polícia Anthony Okon Placid em um comunicado.
"Os oficiais, que estavam passando por treinamento operacional especializado na instituição, perderam suas vidas quando os militantes lançaram um ataque coordenado contra a instalação a partir de várias direções", disse Placid.
Vídeos em alta no g1
Ele disse que vários soldados também foram mortos, embora não tenha informado o número de baixas militares.
O exército nigeriano não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
A violência no nordeste da Nigéria começou com a revolta do Boko Haram em 2009. Posteriormente, o grupo militante se dividiu, dando origem à Província da África Ocidental do Estado Islâmico, que intensificou os ataques às bases militares e ao pessoal de segurança.
Mais de 20 pessoas morreram após desabamento de escola na Nigéria
AP