Trump chega à China para visita oficial; SIGA

Posição estratégica, venda de armas e até chips: por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China
Trump chega à China para visita oficial; SIGA Chegada de presidente dos EUA está prevista para ocorrer por volta das 9h desta quarta (13). Esse será o segundo encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping em menos de um ano. Conflitos globais, armas nucleares e inteligência artificial estão no radar. O presidente dos EUA, Donald Trump, deve chegar logo mais à China para visita oficial de três dias. Seu avião estava se aproximando do território chinês na manhã desta quarta (13).. A viagem de Trump à China acontece em meio a tensões globais, com foco em Irã, Rússia e guerra na Ucrânia.. O encontro ocorre em meio a tensões entre os países, incluindo acusações sobre testes nucleares e disputas envolvendo Taiwan.. Na área de tecnologia, os EUA querem discutir a disputa sobre inteligência artificial e a produção de chips.. No comércio, os países vivem uma trégua temporária após uma guerra tarifária, e uma prorrogação no acordo pode ser anunciada.

ENTREVISTA: Baldy diz que BYD quer ser líder de mercado até 2030 e vê ‘medo’ na reação de rivais

Posição estratégica, venda de armas e até chips: por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China
BYD quer ser a marca que mais vende carros do Brasil em 2030
Em entrevista exclusiva ao g1, o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy, foi direto ao ponto: a meta é vender 600 mil carros por ano e colocar a marca no topo das vendas no Brasil até o fim desta década.
A declaração é ousada, mas o desempenho recente da empresa indica que a meta não deve ser subestimada. A BYD iniciou as vendas de carros no Brasil em 2022, com os modelos Tan e Han, e sequer figurava entre as 21 fabricantes que mais venderam veículos no país.
No ano seguinte, chegou o hatch Dolphin. A partir daí, a trajetória mudou.
Em 2023, foram 17.937 unidades vendidas e o 15º lugar, à frente de RAM (16.951) e BMW (15.108).
Em 2024, a marca registrou 76.811 emplacamentos e alcançou o 10º lugar, superando Caoa Chery (60.929), Ford (48.311) e Citroën (33.885).
Em 2025, foram 112.814 unidades vendidas e o 8º lugar, à frente de Honda (103.460) e Nissan (77.808).

Com pouco mais de 100 mil unidades vendidas no ano passado, a BYD precisa multiplicar seus emplacamentos por seis para atingir a meta da diretoria. A Fiat, líder em 2025, registrou 533.710 veículos emplacados — volume 4,7 vezes maior que o da chinesa.
Aos poucos, porém, a montadora vai incomodando as líderes: nas vendas no varejo — quando o carro é vendido com intermediação da concessionária — o BYD Dolphin Mini foi o veículo mais vendido do Brasil neste ano, superando modelos populares como Volkswagen Tera, Chevrolet Onix e Hyundai Creta.
Veja os 10 carros mais vendidos no varejo, entre janeiro e abril de 2026:
BYD Dolphin Mini: 18.052 emplacamentos;
Hyundai Creta: 17.197 emplacamentos;
Volkswagen Tera: 15.495 emplacamentos;
Fiat Strada: 14.461 emplacamentos;
Chevrolet Tracker: 14.349 emplacamentos;
Volkswagen Nivus: 13.683 emplacamentos;
BYD Song: 13.495 emplacamentos;
Volkswagen Polo: 12.778 emplacamentos;
Hyundai HB20: 11.217 emplacamentos;
Chevrolet Onix: 11.142 emplacamentos.
A tendência é de aceleração com o início da operação plena da fábrica de Camaçari (BA).
“Quando a gente fala que vai fabricar 600 mil carros em solo brasileiro, é para atender a América Latina, sim, mas o nosso objetivo é que a gente possa chegar até 2030 como marca número 1 de vendas de carros aqui no mercado brasileiro”, afirma Baldy.
No Brasil, apenas um complexo industrial tem capacidade semelhante: a fábrica da Stellantis, em Betim (MG), que pode produzir até 650 mil veículos por ano e reúne marcas como Fiat e Peugeot. Além de atender ao mercado interno, o complexo também exporta para mais de 30 países.
Para Baldy, a unidade de Camaçari deve cumprir papel semelhante em menos de cinco anos.
Ao g1, o político que virou executivo também faz críticas a concorrentes e à Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), com quem trava uma disputa sobre carga tributária e concorrência desde a chegada da empresa ao país.
Veja a entrevista de Alexandre Baldy, na íntegra, no vídeo abaixo.
g1 Carros entrevista Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil
A seguir, clique nos links para assistir aos cortes com os principais destaques.
Embate com a Anfavea sobre Importação;
Marcas tradicionais deram 'tapa na cara' do consumidor;
BYD Dolphin Mini custa menos para manter que uma moto;
Críticas ao boicote ao Salão do Automóvel;
Polêmica sobre tecnologia de carregamento e "ignorância".
g1 entrevista o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy
Kaique Mattos / g1
Embate com a Anfavea sobre Importação
Embate com a Anfavea sobre Importação
Até a publicação desta reportagem, a BYD concentra a produção em kits que chegam quase prontos do exterior. Esses conjuntos são montados na fábrica da empresa na Bahia e, depois, os veículos são entregues aos clientes.
“É impraticável qualquer indústria automobilística vir para o Brasil investir bilhões de reais e não começar pelo regime de montagem. Não existe, não existiu”, aponta Baldy.
Esse tipo de montagem tinha carga tributária menor em comparação aos impostos pagos por outras montadoras no Brasil, o que gerou atritos no setor. O tema motivou uma carta assinada por fabricantes, com apoio da Anfavea.
“O presidente da Anfavea esteve lá na nossa inauguração. Eles sabe o tamanho do nosso investimento. Então, quer dizer, nós somaremos à Anfavea sendo contrários ao regime de montagem”, disse
A pressão surtiu efeito: o governo antecipou a recomposição do imposto de importação, que passou a 35% para todos. A BYD afirma que pretende avançar para a fabricação completa dos veículos, mas ainda não informou quando isso deve ocorrer.
“Você começa com o regime de montagem, como é conhecido como SKD. Aí você ultrapassa esse momento e vai para um regime de mais a fabricação de alguns componentes, até você chegar na fabricação completa, e esta é a motivação do nosso investimento no Brasil”, aponta o executivo.
Segundo Baldy, os kits devem chegar cada vez menos prontos, com a inclusão gradual de etapas realizadas no Brasil, como soldagem, moldagem de peças e pintura.
Volte para o início.
Marcas tradicionais deram 'tapa na cara' do consumidor
Marcas tradicionais deram 'tapa na cara' do consumidor
Baldy afirmou que a chegada da BYD ao Brasil provocou reação das montadoras tradicionais, principalmente por causa da estratégia de preços mais baixos. Na prática, o lançamento do Dolphin desencadeou um “efeito dominó” nos preços de alguns carros elétricos.
Baldy deu outro nome ao fenômeno. “Eu não vou dizer que seja de indignação, isso é medo, porque quando nós chegamos no Brasil, foi um tapa na cara, promovido pelos nossos concorrentes”, disse Baldy.
Alguns modelos tiveram redução de preço, especialmente após a chegada do Dolphin Mini:
Renault Kwid E-Tech: de R$ 149.990 para R$ 99.990;
JAC E-JS1: de R$ 164.900 para R$ 154.900;
Caoa Chery iCar: de R$ 149.990 para R$ 139.990;
Peugeot e-2008: de R$ 259.990 para R$ 159.990.
“Qual que é a sensação do consumidor em relação a esse tipo de atitude. Então nós promovemos no Brasil um verdadeiro chacoalho na indústria automobilística”, aponta Baldy.
g1 entrevista o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy
Kaique Mattos / g1
Volte para o início.
BYD Dolphin Mini custa menos para manter que uma moto
BYD Dolphin Mini custa menos para manter que uma moto
Em uma das declarações mais polêmicas da entrevista, Baldy afirmou que o Dolphin Mini tem custo de uso menor do que motocicletas populares.
“O nosso BYD Dolphin Mini, é mais econômico que andar numa moto. Se você comparar com uma moto, seja uma Honda Biz ou uma Honda CG, é mais barato você dirigir um BYD Dolphin Mini. Você gasta com 20.000 km R$ 380 para fazer uma revisão”, apontou o executivo.
O carro, porém, exige um investimento inicial muito mais alto: o Dolphin Mini custa R$ 119.990 — valor suficiente para comprar nove unidades da Honda Biz zero quilômetro, cada uma por R$ 13.240.
g1 entrevista o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy
Kaique Mattos / g1
Volte para o início.
Críticas ao boicote ao Salão do Automóvel
Críticas ao boicote ao Salão do Automóvel
O Salão do Automóvel de São Paulo ficou sete anos sem ser realizado e retornou em 2025 com formato semelhante ao das edições anteriores, mas com menos marcas de destaque do setor.
Participaram empresas como BYD, Denza, Caoa Chery e Changan, além de Fiat, Jeep, Peugeot, RAM, GAC, Geely, Honda e Hyundai, mas as ausências chamaram ainda mais atenção.
Ficaram de fora marcas tradicionais como Ford, Chevrolet, Volkswagen, Nissan, Audi, Porsche, Mercedes-Benz e BMW.
Para Baldy, a postura de grandes marcas — que pedem mudanças fiscais ao governo e depois não participam do evento — foi “ridícula”.
“Quando é para reclamar em benefício de proteção própria, tudo se une ali na Anfavea e correm para fazer os pleitos que são necessários no governo. Então, acho que isso é um pouco desleal”.
Volte para o início.
Polêmica sobre tecnologia de carregamento e "ignorância"
Polêmica sobre tecnologia de carregamento e "ignorância"
Até fevereiro de 2026, a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) aponta a existência de 21.061 eletropostos no Brasil. Desse total, 14.582 são de recarga lenta, em que um carro elétrico leva cerca de oito horas para completar a carga.
Os carregadores rápidos representam menos da metade do total, com 6.479 pontos no país. Neles, os veículos conseguem recarregar em menos de uma hora.
Apesar do crescimento no número de pontos, ainda há grandes regiões sem infraestrutura de recarga, e poucas marcas investem na expansão da rede.
Na década passada, o grupo Volkswagen criou rotas com carregadores, como na Rodovia Dutra, que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. Mais recentemente, a Volvo avançou ao conectar outros centros urbanos.
Baldy rebate as críticas de que a BYD não investiu. “aqueles que comentam ou que fazem esse tipo de comentário ou desconhecem a tecnologia ou são ignorantes”, disse.
g1 entrevista o vice-presidente sênior da BYD, Alexandre Baldy
Kaique Mattos / g1
Ele destacou a chegada de carregadores ultrarrápidos ao Brasil, com a promessa de recuperar cerca de 400 quilômetros de autonomia em apenas cinco minutos de recarga.
“As nossas concessionárias Denza terão os carregadores super rápidos instalados já nesse ano de 2026 e outros pontos que nós estamos hoje discutindo para serem hubs de carregamento para oferecerem inclusive este nosso carregador super rápido”, disse Baldy.
Os modelos da Denza, submarca de luxo da BYD, são compatíveis com esses carregadores ultrarrápidos.
Volte para o início.

Eileen Wang: quem é a prefeita de cidade dos EUA que renunciou após admitir ser agente da China

Posição estratégica, venda de armas e até chips: por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China
EUA acusam prefeita de ser agente da China
Eileen Wang, prefeita de uma cidade de 50 mil habitantes na Califórnia, dos Estados Unidos, renunciou ao cargo na segunda-feira (11) após admitir ser uma agente da China.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
▶️ Contexto: Arcadia é uma cidade localizada no subúrbio de Los Angeles, na Califórnia, a cerca de 20 km da metrópole. O município tem uma das maiores proporções de moradores de origem asiática nos Estados Unidos, com forte presença da comunidade sino-americana.
Wang foi eleita em 2022 para integrar o conselho municipal de Arcadia, com mandato de quatro anos.
Antes da eleição, segundo promotores, ela promoveu propaganda favorável ao governo chinês “sob direção e controle” de autoridades de Pequim.
Após o avanço das investigações, a prefeita se tornou ré em um processo federal que a acusa de atuar como agente estrangeira.
Ela firmou um acordo judicial com o Departamento de Justiça dos EUA e concordou em se declarar culpada da acusação.
Eileen Wang tem 58 anos e construiu a carreira política a partir da atuação comunitária no Vale de San Gabriel, região com forte presença de imigrantes asiáticos no sul da Califórnia.
Segundo o jornal Los Angeles Times, ela surgiu nos últimos anos como uma liderança local em ascensão e recebeu apoio de figuras políticas regionais antes de ser eleita.
Em entrevista ao jornal em 2024, Wang afirmou ter se mudado da China para o sul da Califórnia cerca de 30 anos atrás. Ela disse que escolheu viver em Arcadia por causa das escolas públicas da cidade e pelo desejo de participar mais ativamente da comunidade local.
Filha de médicos, Wang também atuou como educadora e empresária. Ela manteve por mais de 15 anos um serviço educacional privado voltado a estudantes da região.
Antes da eleição, participou de associações comerciais, clubes comunitários e iniciativas locais de segurança e eventos culturais, construindo a imagem pública de liderança comunitária voltada à educação e à integração entre moradores.
Em Arcadia, o cargo de prefeito é definido por sistema rotativo entre os cinco integrantes do conselho, do qual Wang fazia parte. As autoridades locais afirmaram que uma nova liderança para a cidade será escolhida em breve.
LEIA TAMBÉM
Trump posta mapa da Venezuela como 51º estado dos EUA
Trump chama jornalista de 'burra' ao responder pergunta sobre custo de obra na Casa Branca
Globopop: clique para ver vídeos do palco do g1
Acusações
Eileen Wang, prefeita de Arcadia, na Califórnia, nos Estados Unidos. Foto de abril de 2025.
Divulgação/Prefeitura de Arcadia
Wang admitiu ter promovido propaganda favorável ao governo chinês “sob direção e controle” de autoridades de Pequim entre o fim de 2020 e 2022. A acusação federal prevê pena máxima de até 10 anos de prisão. A fiança foi fixada em US$ 25 mil (cerca de R$ 123 mil).
Segundo o acordo judicial, ela ajudou a operar o site “U.S. News Center”, apresentado como um portal de notícias voltado à comunidade local majoritariamente de origem chinesa.
Para os promotores, porém, a plataforma funcionava como veículo de divulgação de posições alinhadas ao governo de Pequim.
De acordo com o documento, Wang recebia orientações de autoridades chinesas sobre conteúdos a serem publicados, incluindo artigos que contestavam denúncias internacionais de violações de direitos humanos contra uigures na região de Xinjiang.
Em uma troca de mensagens citada na investigação, após receber elogios de um funcionário do governo chinês pelo trabalho realizado, Wang respondeu: “Obrigado, líder”.
Os promotores afirmam ainda que ela atuou em colaboração com Yaoning “Mike” Sun, de 65 anos, a quem já havia descrito publicamente como noivo e que chegou a ser listado brevemente como conselheiro financeiro de campanha.
Sun foi condenado em fevereiro a quatro anos de prisão após se declarar culpado, em outubro de 2025, de atuar como agente ilegal de um governo estrangeiro.
A investigação também menciona contatos com John Chen, identificado nos autos como integrante do aparato ligado ao Partido Comunista Chinês. Segundo documentos judiciais, ele teria se reunido pessoalmente com o presidente chinês Xi Jinping.
Chen foi condenado em novembro de 2024 a 20 meses de prisão após firmar acordo semelhante de confissão de culpa.
VÍDEOS: mais assistidos do g1

‘Me sinto expulso de Lisboa’, diz brasileiro que vive em Portugal

Posição estratégica, venda de armas e até chips: por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China
"Sinto-me expulso de Lisboa", diz brasileiro que vive em Portugal
O aumento acelerado dos aluguéis em Lisboa tem pressionado moradores e imigrantes e transformado o acesso à moradia em um dos principais problemas de Portugal. Na capital, o custo para alugar um imóvel já supera, em média, o salário dos trabalhadores.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
É nesse cenário que o brasileiro Jorge afirma que se sente “expulso” da cidade. Ele chegou ao país em 2017, trabalha com marketing e recebe cerca de 2 mil euros por mês (R$ 11,5 mil) — acima da média salarial portuguesa. Mesmo assim, não consegue mais pagar um aluguel na capital.
“Eu fui expulso praticamente do bairro que eu morava e agora me sinto expulso, de certa forma, de Lisboa”, conta.
Sem conseguir arcar com um aluguel próprio, Jorge encontrou uma solução provisória: passou a morar em um quarto na casa de um amigo. O caso não é isolado.
Os salários em Lisboa não acompanham a alta dos aluguéis. Desde 2020, os preços subiram 42%, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Na prática, um imóvel que custava 1 mil euros há seis anos hoje sai por cerca de 1.420 euros (R$ 8,1 mil).
Dados do Conselho Europeu mostram que o custo da moradia já supera a renda dos moradores. Em média, é necessário 116% do salário para pagar o aluguel na cidade — a pior taxa da Europa.
Especialistas apontam vários fatores para a escalada dos preços. O turismo tem pressionado o mercado, com imóveis sendo convertidos em hospedagens de curto prazo. A chegada de nômades digitais e o retorno de expatriados também aumentam a demanda por moradia.
Diante desse cenário, moradores têm ido às ruas para protestar. Jorge participa das manifestações e cobra ações do governo português.
“E esse é o nosso objetivo. É pressionar o governo, é fazer com que eles se movam e que eles olhem para a habitação como um problema de emergência nacional”, explica.
“Sentimos que… a confiança de que a gente consegue fazer uma mudança, conseguimos transformar esse mercado ou transformar isso, que é hoje, um mercado, transformar naquilo que é de fato de direito. O direito de ter uma casa para viver.”
Uma das alternativas seria ampliar a oferta de moradias sociais. Hoje, esse tipo de habitação ainda é limitado em Portugal, especialmente quando comparado a outros países europeus. Ao mesmo tempo, o mercado de imóveis de luxo segue em expansão.
A crise afeta diretamente brasileiros, que formam a maior comunidade estrangeira no país. Muitos acabam deixando Portugal ou passando a viver em condições precárias.
*Com informações da DW.
LEIA TAMBÉM
Trump posta mapa da Venezuela como 51º estado dos EUA
Prefeita de cidade na Califórnia renuncia após admitir ser agente da China
Globopop: clique para ver vídeos do palco do g1
A capital Lisboa é a cidade que mais atrai estrangeiros em Portugal
Skitterphoto/Creative Commons
VÍDEOS: mais assistidos do g1

Posição estratégica, venda de armas e até chips: por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China

Posição estratégica, venda de armas e até chips: por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China
Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30).
Reuters/Evelyn Hockstein
Taiwan será um dos temas mais delicados discutidos no encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em Pequim, entre quarta-feira (13) e sexta (15).
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Armas nucleares, Taiwan e inteligência artificial: o que esperar do encontro entre Trump e Xi Jinping na China
Vídeos em alta no g1
A ilha na costa chinesa é um dos territórios mais sensíveis do atual cenário geopolítico mundial – e um dos mais estratégicos para potências mundiais.
Ela é considerada uma província "rebelde" pela China, que afirma que ela faz parte do próprio território. Já os Estados Unidos, apesar de formalmente não reconhecerem a independência de Taiwan, atuam para garantir a autonomia da região.
Trump afirmou nesta segunda-feira (11) que pretende discutir com Xi Jinping a venda de armas americanas para Taiwan, tema que irrita Pequim há anos. Segundo ele, “Taiwan sempre aparece durante as conversas com a China”.
Nesta terça-feira (12), às vésperas da reunião entre Trump e Xi, o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, agradeceu aos EUA pela ajuda no fortalecimento de suas defesas e afirmou que Taipei não cederá à pressão chinesa.
Entenda abaixo por que Taiwan é tão importante na disputa de poder entre EUA e China.
➡️​Localização estratégica e disputa histórica
Taiwan
g1/Alberto Correa
Taiwan fica em uma posição considerada estratégica no centro das rotas marítimas e militares da Ásia.
“Para os Estados Unidos, Taiwan funciona como um pilar estratégico para conter a expansão militar chinesa na região do Indo-Pacífico e preservar o equilíbrio regional construído pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial”, explica o professor de Relações Internacionais da UFF e pesquisador de Harvard Vitelio Brustolin.
Segundo ele, a ilha ocupa uma posição decisiva na chamada “primeira cadeia de ilhas”, um arco estratégico que vai do Japão até as Filipinas e limita o acesso da marinha chinesa ao Oceano Pacífico.
“Se a China controlasse Taiwan, teria maior facilidade para projetar poder naval e aéreo sobre rotas marítimas fundamentais”, afirma.
A ilha tem cerca de 23 milhões de habitantes e funciona, na prática, como um Estado independente: possui Constituição própria, governo eleito democraticamente, Forças Armadas e passaportes próprios.
Apesar disso, é reconhecida oficialmente como país por apenas 12 nações. O Brasil e os EUA, por exemplo, não fazem parte desse grupo.
Nas últimas décadas, China e Taiwan mantiveram uma espécie de equilíbrio: Pequim evitava uma invasão direta, enquanto Taipei não declarava independência formal.
Mas a tensão aumentou nos últimos anos, especialmente sob o governo Xi Jinping e após a posse de Lai Ching-te, em 2024. Desde então, a China ampliou exercícios militares ao redor da ilha e intensificou a pressão diplomática para isolar Taiwan.
➡️​Venda de armas e apoio militar dos EUA
Embora não mantenham relações diplomáticas formais com Taiwan, os EUA são o principal aliado internacional da ilha e seu maior fornecedor de armas.
A relação é baseada na chamada Lei de Relações com Taiwan, aprovada pelo Congresso dos EUA em 1979. A legislação regula a relação não oficial entre EUA e a ilha e permite que Washington forneça equipamentos “defensivos” para garantir a segurança da ilha.
Ao mesmo tempo, os EUA reconhecem oficialmente a política de “Uma Só China”, segundo a qual Pequim é o único governo chinês legítimo.
Isso criou uma situação chamada de “ambiguidade estratégica”: Washington não afirma claramente se defenderia Taiwan em caso de invasão chinesa, mas também não descarta essa possibilidade.
“Existe uma ambiguidade dos Estados Unidos em relação a Taiwan. Ao mesmo tempo em que reconhecem a soberania chinesa, os EUA se reservam o direito de fornecer armas para Taiwan e até defender a ilha”, explica Brustolin.
Nos últimos anos, porém, o apoio militar americano aumentou. No primeiro governo Trump, os EUA venderam mais de US$ 18 bilhões em armamentos para Taiwan, segundo centro de pesquisas norte-americano o Council on Foreign Relations.
Em dezembro de 2025, Taiwan aprovou um pacote de US$ 11,1 bilhões para a compra de armas dos EUA, incluindo sistemas de foguetes Himars, mísseis antitanque Javelin, drones e peças militares.
A China reagiu imediatamente e realizou novos exercícios militares ao redor da ilha. Em outras ocasiões, Pequim já afirmou que as manobras servem como “aviso aos separatistas”.
China mobiliza quantidade recorde de navios de guerra e deixa Japão e Taiwan em alerta
➡️ Coração da fabricação de chips
Além da disputa militar, Taiwan ocupa um papel central na economia mundial por causa da fabricação de semicondutores, os chamados chips.
Eles são usados em celulares, computadores, carros, aviões, cartões bancários, eletrodomésticos e sistemas de inteligência artificial.
Embora os EUA abriguem gigantes da tecnologia como Apple, Amazon e Microsoft, a maior parte dos chips mais avançados do planeta é fabricada em Taiwan.
A ilha produz cerca de 90% dos semicondutores mais sofisticados do mundo, segundo o The New York Times. Por isso, uma eventual interrupção da produção teria impacto global.
“Se aquela ilha for bloqueada e essa capacidade for destruída, será um apocalipse econômico”, afirmou o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, de acordo com o jornal norte-americano.
Taiwan investiu no ramo a partir dos anos 70, deixando de ser uma região conhecida pela produção agrícola e se transformando no centro de exportação dos chips mais avançados do mundo.
Fábrica de chips da TSMC, a maior produtora do mundo no setor, sediada em Taiwan
Taiwan Semiconductor Manufacturing Co., Ltd.
A Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC), maior fabricante de chips do mundo, fica na ilha. A empresa fornece componentes para gigantes como Apple e Nvidia, responsável por chips usados em sistemas de inteligência artificial.
O domínio taiwanês se tornou ainda mais estratégico em meio à corrida global pela liderança em inteligência artificial.
“A China vem se aproximando da vanguarda tecnológica, e isso gera preocupação nos Estados Unidos, que ainda dependem do know-how de Taiwan”, afirma Brustolin.
Por isso, Taiwan se tornou não apenas um ponto de disputa territorial, mas também uma peça-chave na corrida tecnológica e militar entre China e Estados Unidos.