Rússia faz teste final de míssil com alcance de 35.000 km, chamado de ‘Satanás’ pela Otan

Quem poderia substituir Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido
Rússia faz teste final de míssil com alcance de 35.000 km chamado de 'Satanás' pela Otan
A Rússia anunciou nesta terça-feira (12) que fez o teste final de seu míssil balístico intercontinental Sarmat, que tem capacidade nuclear, alcance de até 35 mil quilômetros e pode viajar pelos dois polos e chegar à Europa em menos de dez minutos, segundo Moscou.
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O comandante das forças de mísseis estratégicos da Rússia, Sergei Karakayev, anunciou que o teste, a etapa final antes da utilização do míssil, foi concluído com sucesso.
O presidente russo, Vladimir Putin, disse que planeja colocar o Sarmat em operação até o fim deste ano.
Momento em que o Sarmat, míssil balístico intercontinental russo com capacidade nuclear e de atravessar os dois polos é lançado em teste final, em 12 de maio de 2026.
Ministério da Defesa da Rússia via Reuters
👉 O RS-28 Sarmat faz parte de uma série de outros mísseis apresentados em 2018 como "invisíveis" por Vladimir Putin. Segundo Putin, o Sarmat é capaz de "derrotar todos os sistemas antiaéreos modernos".
O Sarmat foi apelidado pela Otan de "Satanás" por conta de seu alcance e velocidade, além da capacidade de desviar dos radares.
O míssil tem capacidade de transportar dez ou mais ogivas nucleares, de acordo com um relatório do Serviço de Pesquisa do Congresso dos Estados Unidos.
Segundo o governo russo, o Sarmat é o míssil mais poderoso com a maior distância do mundo para atingir alvos, o que aumenta significativamente o poder de combate das forças nucleares estratégicas do país.
“O Sarmat é o míssil mais poderoso com o maior alcance de destruição de alvos do mundo, o que aumentará significativamente o poder de combate das forças nucleares estratégicas de nosso país”, afirmou o Ministério da Defesa.
Momento do lançamento do míssil russo balístico intercontinental Sarmat, durante teste final, em 12 de maio de 2026.
Reprodução/ g1
Este foi o segundo teste do RS-28 Sarmat, e também o final, segundo a Rússia. Um primeiro teste foi feito em 2018, e um segundo, em 2022.
Veja, abaixo, imagens do lançamento do Sarmat em teste em 2022:
Rússia testa míssil intercontinental
Imagem do Ministério da Defesa da Rússia mostra lançamento de míssil intercontinental balístico Sarmat em exercício na base de Plesetsk, em 2022
Ministério da Defesa da Rússia/AP Photo
Rússia tem o mais vasto arsenal de mísseis do mundo, com capacidade para chegar à Europa e aos EUA; veja principais
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Presidente do México hesita em plano de reduzir ano letivo em 40 dias para a Copa do Mundo

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Presidente do México, Claudia Sheinbaum, diz que seu governo tem um plano para lidar com tarifas dos EUA sobre produtos mexicanos em coletiva de imprensa em 3 de março de 2025.
REUTERS/Luis Cortes
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, parece ter recuado da ideia anunciada por seu ministro da Educação de iniciar as férias escolares mais de um mês antes do previsto no meio do ano devido ao calor e à Copa do Mundo, dizendo que a proposta ainda não é definitiva, em meio à indignação de associações de pais.
"Muitos mexicanos adoram futebol, estamos ansiosos pela Copa do Mundo, então essa proposta foi feita para antecipar as férias, mas também temos que levar em conta os dias letivos das crianças", disse Sheinbaum a jornalistas em sua coletiva de imprensa diária pela manhã, acrescentando que "ainda não há um cronograma definido" para a redução no calendário escolar.
A redução do ano letivo foi anunciada em uma postagem no X na quinta-feira pelo secretário de Educação, Mario Delgado, afirmando que o Conselho Nacional de Autoridades Educacionais fez a "modificação" em resposta a uma onda de calor no país, assim como à realização da Copa do Mundo.
"Será assegurado que todas as disposições do currículo sejam cumpridas e que o progresso escolar de todos os alunos seja mantido", escreveu Delgado, sem detalhar como isso seria feito.
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De acordo com o calendário proposto, o ano escolar mexicano terminaria em 5 de junho em vez de 15 de julho. As escolas iniciariam o novo ano acadêmico em 31 de agosto, um dia antes do que o adotado em 2025.
"Usar a Copa do Mundo da Fifa como argumento para encurtar o calendário escolar é inaceitável. A educação de nossos filhos não pode ser sacrificada por um evento esportivo que ocorrerá em apenas três dos 2.500 municípios do país", disse a União Nacional de Associações de Pais do México em comunicado, acrescentando que as altas temperaturas não são novidade.
Cidade do México, Monterrey e Guadalajara sediarão um total de 13 jogos da Copa do Mundo em junho e julho. O fechamento das escolas poderia aliviar o tráfego e o congestionamento nessas cidades para as centenas de milhares de turistas que devem chegar ao país.
Na semana passada, o influente sindicato dos professores do México também ameaçou entrar em greve durante o jogo de abertura da Copa do Mundo, sob o argumento de que há muito tempo exige salários melhores e mudanças na lei das aposentadorias dos professores.
De acordo com dados oficiais, cerca de 90% dos alunos no México frequentam escolas públicas, enquanto aproximadamente 10% frequentam instituições privadas, que não estão sujeitas ao novo calendário letivo anunciado pelo ministro da educação.
Atualmente, o México enfrenta uma grave onda de calor, com temperaturas em áreas do país chegando a 45°C. O calor nesta época do ano não é incomum e normalmente começa a se dissipar em junho, com a chegada da estação das chuvas.

Eleições no Peru: após um mês de contagem, esquerdista e ultradireitista disputam vaga no 2º turno

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À esquerda, Roberto Sánchez, representante de uma coalizão de esquerda; à direita, Rafael López Aliaga, expoente da direita conservadora
Montagem
Esquerda e extrema direita disputam por poucas centenas de votos uma vaga no segundo turno das eleições presidenciais no Peru.
Após um mês de contagem, a apuração dos votos do primeiro turno chegou a 99,76% das urnas nesta terça-feira (12), segundo anunciou a autoridade eleitoral do país. O processo foi atrasado por denúncias de fraude.
Na atual contagem, o candidato da esquerda, Roberto Sánchez, aparece com 12% dos votos, só 0,09 ponto percentual à frente de Rafael López Aliaga, da extrema direita — a diferença representa algumas centenas de votos, segundo autoridades eleitorais do país.
Já a direitista Keiko Fujimori está em primeiro lugar, com 17,17% dos votos, e irá ao segundo turno, que acontece em junho.
👉 O primeiro turno aconteceu em 12 de abril, mas a apuração dos votos não foi concluída até agora por conta de uma série de irregularidades encontradas em atas eleitorais, que tiveram de ser examinadas por juízes (leia mais abaixo).
Candidato ultraconservador oferece recompensa de R$ 29 mil por provas de fraude eleitoral no Peru
Por que a apuração está demorando?
Eleição no Peru tem investigados por corrupção e propostas radicais
O atraso de um mês na contagem dos votos no Peru ocorreu, principalmente, por conta da contestação em massa de atas eleitorais, que, segundo as denúncias, apresentavam irregularidades e tiveram de ser examinadas pelos juízes eleitorais.
A denúncia bloqueou quase um milhão de votos distribuídos em 5.143 atas, que precisaram ser revisados individualmente. "Geralmente o processo de revisão de cada ata leva quase três dias", declarou à AFP Yessica Clavijo, secretária-geral do Júri Nacional de Eleições (JNE), a autoridade eleitoral do país.
As atas podem ser contestadas por diversos tipos de erros, como inconsistências nos números ou dados incompletos ou ilegíveis, algo comum em uma votação recorde com 35 candidatos e cinco eleições simultâneas. Quando as anomalias não podem ser corrigidas, a lei prevê uma recontagem de votos em vez da anulação das atas.
"O objetivo das impugnações em massa, inclusive em zonas onde o candidato que reclama está em desvantagem, é tirar votos do adversário e alongar todo o processo", disse à agência de notícias AFP o cientista político Fernando Tuesta.
O processo eleitoral também foi marcado por falhas logísticas e episódios que aumentaram a desconfiança pública. Houve atraso na entrega de materiais eleitorais, o que impediu cerca de 50 mil pessoas de votar no dia oficial e forçou a extensão da votação por mais 24 horas — uma medida inédita no país;
Além disso, cerca de 1.200 cédulas foram encontradas em um contêiner de lixo em Lima, o que levou o Ministério Público a abrir investigações e realizar buscas em instalações do órgão responsável pelas eleições.
Apesar das denúncias, missões internacionais de observação, como a da União Europeia, afirmaram não haver provas concretas de fraude, embora tenham apontado “falhas graves” no processo.
Mas, em meio à demora, o chefe do órgão e mais dois ministros renunciaram a seus cargos, e novas tensões políticas ampliaram a crise no país. Segundo JNE, os resultados finais só devem ser anunciados a partir de 15 de maio.
A crise ocorre em um contexto de instabilidade política crônica no Peru, que teve oito presidentes em apenas dez anos.
A complexidade também aumentou porque os eleitores votaram simultaneamente em cinco eleições diferentes, o que multiplicou o volume de dados a serem conferidos.
Eleição no Peru tem investigados por corrupção e propostas radicais

Prefeita de cidade na Califórnia renuncia após admitir ser agente da China

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Eileen Wang, prefeita de Arcadia, na Califórnia, nos Estados Unidos. Foto de abril de 2025.
Divulgação/Prefeitura de Arcadia
A prefeita de uma cidade de 50 mil habitantes na Califórnia, dos Estados Unidos, renunciou na segunda-feira (11) após admitir ser uma agente da China.
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Eileen Wang, de 58 anos, concordou em se declarar culpada perante a Justiça norte-americana por disseminar propaganda em nome do governo chinês. Wang é ré em uma acusação federal que alega que ela atuou como agente estrangeira da China.
Wang renunciou ao cargo de prefeita e também do conselho municipal de Arcadia horas após o caso se tornar público, segundo o gabinete do administrador da cidade, Dominic Lazzaretto. Ela havia assumido em fevereiro em um sistema de rodízio.
Arcadia é uma cidade que fica no subúrbio de Los Angeles, a cerca de 20 km da metrópole, e tem grande população sino-americana. A cidade, com cerca de 53 mil habitantes, tem maioria asiática e uma alta concentração de residentes de origem chinesa.
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Wang compareceu perante a um juiz federal na segunda e, com o auxílio de um intérprete de mandarim, ela foi informada da data da audiência em que se declarará culpada formalmente.
A política fechou um acordo judicial com o Departamento de Justiça dos EUA, no qual ela concorda em se declarar culpada de uma única acusação criminal: atuar como agente de um governo estrangeiro. (Leia mais abaixo)
“Indivíduos em nosso país que, de forma encoberta, executam ordens de governos estrangeiros minam nossa democracia”, disse o procurador federal Bill Essayli ao anunciar o caso.
O gabinete de Dominic Lazzaretto disse em comunicado que nenhum recurso financeiro ou funcionário da prefeitura esteve envolvido. “Queremos deixar claro: esta investigação diz respeito à conduta individual, e as acusações são por ações que cessaram após a Sra. Wang tomar posse em dezembro de 2022”, afirmou.
Um comunicado divulgado pelos advogados de Wang afirma que ela “pede desculpas e lamenta os erros que cometeu em sua vida pessoal”.
Agente da China
Sob Xi Jinping, os planos quinquenais da China têm como foco o "desenvolvimento de alta qualidade"
Grigory Sysoev/RIA Novosti/Pool/Anadolu via Getty Images/BBC
No acordo judicial, Wang admitiu ter promovido propaganda favorável à China “sob direção e controle” de autoridades do governo chinês entre o fim de 2020 e 2022, quando foi eleita para um mandato de quatro anos no conselho municipal de Arcadia.
A acusação prevê pena de até 10 anos de prisão federal. A fiança foi fixada em US$ 25 mil (cerca de R$ 123 mil).
Especificamente, ela ajudou a operar um site chamado “U.S. News Center”, que se apresentava como uma fonte legítima de notícias para a comunidade local majoritariamente de origem chinesa, mas que, na prática, funcionava como porta-voz do governo de Pequim, segundo o acordo.
Wang recebia e executava instruções de autoridades chinesas para publicar conteúdo pró-China no site, incluindo artigos que contestavam relatos de abusos de direitos humanos contra uigures na região chinesa de Xinjiang.
Ao responder a uma mensagem de texto elogiosa de um funcionário do governo chinês reconhecendo seu trabalho, Wang escreveu “Obrigado, líder”, ainda de acordo com o acordo judicial.
Segundo o documento, Wang trabalhou em estreita colaboração com um associado chamado Yaoning “Mike” Sun, que ela já havia descrito publicamente como seu noivo e que chegou a ser listado brevemente como conselheiro financeiro de campanha.
Sun, de 65 anos, foi condenado em fevereiro a quatro anos de prisão após se declarar culpado, em outubro de 2025, de uma acusação de atuar como agente ilegal de um governo estrangeiro.
Entre os contatos de Wang com o governo de Pequim, promotores alegaram a participação de uma figura do Partido Comunista Chinês chamada John Chen, que, segundo documentos judiciais, era um membro de alto nível do aparato de inteligência chinês e se reuniu pessoalmente com o presidente chinês Xi Jinping.
Chen foi condenado em novembro de 2024 a 20 meses de prisão após um acordo semelhante de confissão de culpa.

Quem poderia substituir Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido

Quem poderia substituir Keir Starmer como primeiro-ministro do Reino Unido
Premiê britânico resiste à pressão e diz que não pretende renunciar
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, está sob forte pressão. Apesar de ter dito a ministros de seu governo, nesta terça-feira (12), que não irá renunciar, ele enfrenta grande resistência dentro do próprio partido, o Trabalhista.
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Mais de 80 parlamentares governistas afirmaram em uma carta que ele não é a pessoa certa para liderar o país e vencer as próximas eleições nacionais, e defendem que ele deixe o cargo e seja substituído.
Mas quem poderia ocupar o posto do premiê britânico? A agência de notícias Reuters fez uma lista dos nomes cotados para substituir Starmer:
Wes Streeting
O secretário de Saúde britânico, Wes Streeting
REUTERS/Jack Taylor
Streeting, de 43 anos, atua como ministro da Saúde e Assistência Social desde que o Partido Trabalhista chegou ao poder em julho de 2024 – um cargo que o coloca no comando do Serviço Nacional de Saúde (NHS), financiado pelo Estado e com um orçamento superior a 200 bilhões de libras.
Streeting é visto como um centrista dentro do Partido Trabalhista e defende a contenção fiscal em linha com a abordagem adotada por Starmer. Ele também apoiou a política do governo de aumentar o financiamento da defesa.
Streeting era visto como um protegido de Peter Mandelson, o ex-embaixador do Reino Unido nos EUA, nomeado por Starmer e posteriormente demitido devido a suas ligações com o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. Streeting afirmou sentir vergonha de ter conhecido Mandelson, mas negou que fossem amigos próximos.
Em seu primeiro ano como ministro da saúde, ele aprovou um aumento salarial de 22% para médicos residentes ao longo de dois anos, numa tentativa de pôr fim a um impasse salarial. Desde então, os médicos retomaram a greve.
Streeting representa um distrito eleitoral no leste de Londres desde 2015. A disputa pela vaga é acirrada e, em 2024, ele venceu por apenas 528 votos, o que torna o distrito vulnerável para a próxima eleição.
Ele descreve sua criação como sendo da classe trabalhadora e seria o primeiro primeiro-ministro abertamente gay da Grã-Bretanha. Filho de pais adolescentes, ele contou como seu avô e sua avó passaram um tempo na prisão, e sua mãe nasceu enquanto sua avó estava encarcerada.
Ele frequentou a Universidade de Cambridge – uma educação que, segundo ele, financiou com trabalhos no comércio varejista – e é ex-presidente da União Nacional de Estudantes.
Andy Burnham
Andy Burnham, sentado à mesa com crianças, ao lado de Keir Starmer
PAUL ELLIS/Pool via REUTERS
Burnham, de 56 anos, é o prefeito de Manchester, no norte da Inglaterra, e um dos políticos mais influentes do Partido Trabalhista.
Atualmente, ele está impedido de concorrer a qualquer cargo de liderança por não ser membro do parlamento, mas tem feito esforços recentes para retornar.
Em janeiro, ele foi impedido de concorrer a uma vaga na Câmara dos Comuns pelo Comitê Executivo Nacional do Partido Trabalhista. Seus apoiadores, que tendem a vir da ala esquerda do partido, acusaram Starmer e seus aliados de vetar a candidatura de um potencial rival pela liderança.
Burnham foi brevemente vice-ministro das Finanças do Reino Unido no governo do ex-primeiro-ministro Gordon Brown, na década de 2000, e concorreu duas vezes à liderança do partido, tendo perdido por larga margem para o veterano da esquerda Jeremy Corbyn em 2015.
Ele se tornou prefeito de Manchester em 2017, mas continua sendo uma figura influente para alguns grupos de centro-esquerda dentro do Partido Trabalhista, particularmente aqueles que criticam a postura mais centrista de Starmer.
Ele tentou tranquilizar os investidores, garantindo que estariam seguros sob sua visão econômica, após ter sido citado dizendo que a Grã-Bretanha precisava parar de estar "endividada com o mercado de títulos". Ele afirmou que seus comentários foram mal interpretados.
Angela Rayner
Angela Rayner entre Keir Starmer e Andy Burnham
PAUL ELLIS/Pool via REUTERS
Uma das figuras mais reconhecidas do partido, Rayner, de 46 anos, renunciou ao cargo de vice-primeira-ministra, vice-líder do Partido Trabalhista e secretária de Habitação em 2025, após admitir que havia pago menos impostos do que o devido na compra de um imóvel e ter sido considerada culpada de violar o código de conduta ministerial.
A questão ainda não foi totalmente resolvida com as autoridades, o que dificulta qualquer possível candidatura à liderança. Recentemente, ela pediu o retorno de Burnham ao parlamento, o que pode indicar que ela própria não se candidatará.
Ela é vista como mais próxima das raízes sindicais e de esquerda do partido do que o centrista Starmer. Quando esteve no cargo, defendeu leis que ampliaram os direitos dos trabalhadores, apoiou aumentos do salário mínimo e pediu maiores investimentos públicos.
Embora publicamente tenha concordado com os apelos do Partido Trabalhista por contenção fiscal, reportagens da mídia em maio de 2025, quando ela ainda era ministra, afirmaram que ela havia defendido impostos mais altos e, desde que deixou o governo, tem pedido "medidas ousadas" para proteger os britânicos dos efeitos da guerra com o Irã.
Rayner cresceu em relativa pobreza num conjunto habitacional social na cidade de Stockport, perto de Manchester. Mãe adolescente, trabalhou como cuidadora e dirigente sindical antes de entrar para o parlamento em 2015.
Ela atribui a essa experiência o mérito de lhe proporcionar uma compreensão autêntica das dificuldades enfrentadas pelos britânicos mais pobres, e é considerada por muitos no Partido Trabalhista como uma comunicadora eficaz, cuja trajetória lhe permite alcançar setores do partido que Starmer – londrino e ex-advogado de direitos humanos – não consegue.
Ed Miliband
O secretário de Energia britânico, Ed Miliband
REUTERS/Jack Taylor
O Ministro da Energia, Miliband, de 56 anos, é um dos ministros mais antigos do gabinete de Starmer e tem sido associado a um possível retorno à liderança do partido, após um período anterior na oposição, entre 2010 e 2015. Ele afirmou que essa experiência o "imunizou" contra a vontade de repetir o feito.
Ele tem sido o principal defensor, no governo, da implementação de políticas de energia líquida zero.
Ele já havia atuado no governo de 2006 a 2010, sob as administrações de Tony Blair e Gordon Brown, e derrotou tanto seu irmão David quanto Burnham na eleição para a liderança do partido em 2010, oferecendo uma visão mais de centro-esquerda para o partido do que seu irmão centrista.
Shabana Mahmood
Shabana Mahmood
Dan Kitwood/Pool via REUTERS
Parlamentar desde 2010, Mahmood, de 45 anos, ascendeu rapidamente na hierarquia ministerial e foi promovida a ministra do Interior em setembro, após ter atuado como ministra da Justiça. Ela é a primeira mulher muçulmana a ocupar qualquer um dos cargos.
Considerada à direita do partido, ela tem defendido uma postura mais rígida em relação à imigração, que, segundo ela, é fundamental para enfrentar o partido de direita Reform UK e abordar as preocupações dos eleitores sobre o tema.
No entanto, críticos afirmam que sua postura rígida significa que o Partido Trabalhista está perdendo o apoio dos progressistas que tradicionalmente o apoiavam para alternativas de esquerda, como os Verdes. Ela também é impopular entre a ala esquerda do partido.
Al Carns
Eleito recentemente em 2024, o ministro adjunto da Defesa, Al Carns, de 46 anos, tem sido apontado como um candidato externo que poderia se mostrar popular entre outros parlamentares de primeiro mandato que desejam uma voz nova.
Ele serviu nos Royal Marines e é um veterano do Afeganistão, tendo aconselhado vários ministros da Defesa do Partido Conservador em assuntos militares antes de entrar para a política.
No ano passado, ele fez parte de uma equipe que escalou o Monte Everest em menos de sete dias, testando o uso de gás xenônio para ajudar a acelerar a aclimatação.
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A pressão vivida por Starmer
Starmer defendeu sua permanência como primeiro-ministro durante uma reunião de gabinete de emergência na residência oficial, e disse que o partido deveria se concentrar em reerguer o governo, porque sua renúncia neste momento apenas traria mais caos ao país.
Só nesta terça, quatro ministros pediram demissão do cargo.
"Eu assumo a responsabilidade por esses resultados eleitorais, e assumo a responsabilidade por entregar a mudança que prometemos. (…) O Partido Trabalhista tem um processo para desafiar um líder e esse processo não foi acionado. O país espera que continuemos governando. É isso que estou fazendo e o que devemos fazer como gabinete", afirmou Starmer, segundo um comunicado divulgado pelo seu gabinete.
Primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer.
REUTERS/Jaimi Joy
Além disso, segundo a BBC, o premiê também disse aos ministros que o mecanismo dentro do Partido Trabalhista para provocar sua sucessão não foi ativado e desafiou seus ministros a encontrarem um possível sucessor para rivalizar com ele pelo cargo.
Um dos ministros disse na saída após o encontro que "nada foi acionado", em possível referência ao mecanismo de sucessão. Um outro ministro afirmou à emissora britânica BBC que "não havia clima" para um desafio direto a Starmer pelo cargo de premiê.
O encontro entre Starmer e seus principais ministros ocorre em meio a uma crise sem precedentes do atual governo britânico. O premiê vem enfrentando diversos pedidos de renúncia nos últimos dias, e segundo a BBC, ao menos 81 dos 403 parlamentares trabalhistas já pediram que ele entregue o cargo imediatamente ou apresente um prazo para deixar o governo —esse número é o mínimo necessário para desafiar o premiê, porém é preciso haver um nome em consenso para o candidato.
O "Telegraph", citando fontes de dentro do gabinete de Starmer, disse que os seis ministros que pediriam sua renúncia são:
A ministra do Interior, Shabana Mahmood;
O ministro da Defesa, John Healey
O ministro da Energia, Ed Miliband;
A ministra da Cultura, Lisa Nandy;
A ministra das Relações Exteriores, Yvette Cooper;
e o ministro da Saúde, Wes Streeting.
O secretário da Habitação, Steve Reed, estava dentro da reunião e publicou nas redes sociais uma mensagem de apoio a Starmer ainda durante o encontro. "Essa instabilidade traz consequências para a vida das pessoas. Aqueles que mais serão prejudicados são os que nos elegeram há menos de dois anos. Devemos nos unir em torno do primeiro-ministro", afirmou.
Em meio à crise, uma ministra e dois parlamentares do partido de Starmer renunciaram nesta terça-feira e pediram que o premiê fizesse o mesmo. Miatta Fahnbulleh, ministra júnior do departamento de Habitação, disse que nem ela nem o público acreditam que ele seja capaz de guiar o país em meio aos desafios atuais. Já Alex Davies-Jones disse que "o país falou, e precisamos ouvir". Jess Phillips afirmou que Starmer "é um bom homem, mas percebeu que isso não é o suficiente".
Apesar das renúncias, autoridades de alto escalão ainda permanecem no governo britânico. Fontes afirmaram à BBC que mais renúncias de membros do governo Starmer devem renunciar ainda nesta terça.
Em meio à turbulência política no Reino Unido, o rei Charles III fará na quarta-feira (13) um discurso do Estado da União no Parlamento, evento em que o governo britânico se alinha para as pautas que serão prioridade do legislativo para o próximo ano.
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