Passageiro posta selfie na quarentena após 41 dias embarcado em navio com surto de hantavírus: ‘Estou bem’

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Jake Rosmarin em quarentena após ser evacuado de navio com surto de hantavírus
Reprodução/Tiktok
Alguns dos passageiros evacuados do cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus, relataram nas redes sociais nesta segunda-feira (11) como foi o retorno para casa após dias de incerteza em alto-mar.
Depois de 41 dias de viagem e nove dias após o primeiro teste positivo para a doença, os passageiros começaram a ser repatriados e colocados em quarentena sob orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS).
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VÍDEO: Passageiro mostra interior de cruzeiro antes de mortes por possível surto de hantavírus
Repatriação de passageiros de navio com hantavírus termina nesta segunda (11)
“Passando aqui rapidinho para avisar a todos que estou bem”, disse o criador de conteúdo norte-americano Jake Rosmarin em uma publicação no TikTok. Ele apareceu em uma foto na Unidade Nacional de Quarentena de Omaha, em Nebraska, nos Estados Unidos (veja acima).
“O voo de repatriação ocorreu sem problemas, e cheguei em segurança. Foram dias muito longos, mas espero poder voltar a dar mais atualizações em breve”, afirmou.
O MV Hondius, da empresa holandesa Oceanwide Expeditions, começou a evacuar os passageiros em Tenerife, nas Ilhas Canárias, neste domingo (10), após dias de impasse sobre onde seria autorizado o desembarque.
A operação foi cercada por medidas sanitárias rigorosas. O navio sequer atracou no porto: passageiros foram retirados em botes infláveis e levados diretamente para aeronaves enviadas por seus países de origem. Passageiros espanhóis foram transportados em um avião militar para um hospital em Madri.
Emin Yogurtcuoglu e Melike Güner a bordo do Emin Yogurtcuoglu e Melike Güner.
Redes sociais
Entre os passageiros estavam os exploradores da vida marinha e documentaristas turcos Emin Yogurtcuoglu e Melike Güner, que compartilharam nas redes sociais relatos emocionados sobre a experiência.
“Graças a Deus, voltamos ao nosso país”, escreveu Güner após desembarcar na Turquia. Segundo ela, os dois permanecerão 42 dias em quarentena sob supervisão do Ministério da Saúde turco.
No mesmo dia, o casal anunciou que seus testes para hantavírus deram negativo.
“Ainda assim, continuaremos em quarentena durante todo o processo, por precaução”, disse Yogurtcuoglu. “Espero que nada aconteça durante a quarentena também e que, em breve, possamos voltar a saltar como golfinhos.”
Ao falar sobre os dias no navio, Yogurtcuoglu descreveu a situação como algo “que parecia um filme” e disse que pretende transformar a experiência em um livro.
O desembarque coincidiu com o aniversário de Güner. Em uma homenagem publicada nas redes sociais, ele relembrou como os dois enfrentaram juntos os momentos mais tensos da viagem.
"Mais importante ainda: durante a crise do vírus mortal, nós protegemos e cuidamos um do outro. Enquanto o medo se espalhava ao nosso redor, tentamos espalhar confiança, união e companheirismo"
“Melike se tornou uma das pessoas mais especiais ao meu lado durante essa jornada. Nos meus momentos mais difíceis, ela sempre me manteve forte.”
Passageiros do navio ligado ao surto de hantavírus: Jake Rosmarin (à esquerda) e Emin Yogurtcuoglu e Melike Güner (à direita).
Reprodução/Redes sociais
Evacuação de passageiros
O navio de cruzeiro MV Hondius deixou nesta segunda-feira (11) Tenerife, nas Ilhas Canárias, após evacuar mais de 100 de seus passageiros em uma complexa operação iniciada no domingo, e navega rumo à Holanda com uma tripulação reduzida e o corpo de uma vítima fatal.
"Missão cumprida; acabamos de concluir a operação e o navio já zarpou", disse a ministra da Saúde espanhola, Monica Garcia.
Três pessoas morreram durante o surto: um casal holandês e um cidadão alemão. O hantavírus é geralmente transmitido por roedores selvagens, mas, em casos raros, pode haver transmissão entre pessoas após contato próximo.
A Organização Mundial da Saúde informou nesta segunda-feira (11) que há sete casos confirmados da cepa andina do hantavírus e outros dois casos suspeitos.
Entre os infectados está uma passageira francesa que testou positivo após o desembarque nas Ilhas Canárias. Segundo a ministra da Saúde da França, Stephanie Rist, o estado de saúde dela estava piorando.
Mapa mostra trajetória e cronologia de surto de hantavírus em navio de cruzeiro, em abril de 2026.
arte/g1

A crise que coloca em risco o cargo do primeiro-ministro britânico

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No Reino Unido, partido do primeiro-ministro sofre dura derrota nas eleições regionais
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, está tentando manter seu cargo após os resultados desastrosos do Partido Trabalhista nas últimas eleições locais do país.
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Até a noite desta segunda-feira (11), 71 dos 403 parlamentares trabalhistas pediram publicamente que Starmer renuncie imediatamente ou apresente um prazo para deixar o comando do governo.
A crise política começou depois das eleições municipais e regionais realizadas no início de maio.
O Partido Trabalhista — que voltou ao poder em julho de 2024, após 14 anos de governos conservadores — perdeu cerca de 1.500 cadeiras de vereadores e viu o partido de direita Reform UK crescer de forma significativa.
"Sei que as pessoas estão frustradas com a situação do Reino Unido, frustradas com a política e algumas também estão frustradas comigo", afirmou Starmer nesta segunda, durante um discurso em que tentou recuperar apoio político.
"Sei que há pessoas que duvidam de mim, e sei que preciso provar que elas estão erradas, e vou fazer isso", acrescentou.
Starmer também prometeu que seu governo vai reconstruir as relações com a Europa.
A derrota nas urnas foi vista como uma espécie de teste da popularidade do premiê, que caiu bastante desde que assumiu o cargo, há menos de dois anos.
O governo enfrenta dificuldades para entregar o crescimento econômico prometido, melhorar os serviços públicos, reformar o sistema de assistência social e, entre outras coisas, reduzir o custo de vida da população.
Além disso, embora o Partido Trabalhista tenha defendido a permanência do Reino Unido na União Europeia no referendo de 2016, a legenda evita retomar esse debate, que ainda divide profundamente o país.
Apesar da pressão crescente para deixar o cargo, o primeiro-ministro afirma que pretende liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições gerais, previstas para 2029.
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'Extrema vulnerabilidade'
Primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anuncia construção de submarinos de propulsão nuclear para reforçar frota britânica em 2 de junho de 2025.
Andy Buchanan/Pool via REUTERS
Durante o discurso do primeiro-ministro, o clima era de nervosismo diante da importância do que está em jogo, afirmou o editor de política da BBC, Chris Mason.
Segundo ele, tem sido uma verdadeira "montanha-russa de emoções".
Os acontecimentos estão se acelerando rapidamente, e Keir Starmer se encontra em uma situação de "extrema vulnerabilidade", afirmou Chris Mason.
A escolha de um novo líder para substituir Starmer só pode acontecer caso ele renuncie ou se deputados do Partido Trabalhista lançarem oficialmente uma candidatura contra ele.
Para tentar destituir o atual líder, um candidato precisa ter o apoio de pelo menos 20% dos deputados trabalhistas. Além disso, os parlamentares devem comunicar formalmente a candidatura ao secretário-geral do partido.
Os candidatos ao cargo de primeiro-ministro precisam ser deputados do partido que está no governo, o que impede que políticos de outras legendas disputem a liderança.
O mau desempenho eleitoral do Partido Trabalhista fortaleceu o Reform UK, partido situado à direita no espectro político britânico e liderado pelo político populista Nigel Farage.
Analistas afirmam que o crescimento do Reform UK pode aproximar o Reino Unido de uma tendência já observada em outros países europeus, como França, Alemanha e Holanda, onde partidos populistas de direita tiveram um crescimento acelerado nas eleições dos últimos anos.
Outro fenômeno revelado pelas eleições locais no Reino Unido foi o enfraquecimento do tradicional bipartidarismo. Os votos passaram a se dividir entre cinco ou mais forças políticas diferentes, numa das maiores transformações da política britânica no último século.
Para o cientista político britânico John Curtice, os resultados mostram que "a política no Reino Unido está fragmentada" e que o eleitorado se encontra altamente polarizado.
Oposição promete deportações em massa
Bandeiras do Reino Unido em frente ao Big Ben, em foto de junho de 2022
AP Photo/Frank Augstein
Em meio à crise enfrentada pelo Partido Trabalhista, o porta-voz de assuntos internos do Reform UK, Zia Yusuf, afirmou há alguns dias que um eventual governo liderado pelo partido teria como prioridade máxima a criação de um órgão responsável por coordenar a deportação de imigrantes em situação irregular.
Segundo ele, os agentes desse órgão seriam responsáveis por "localizar, deter e deportar todos os imigrantes ilegais".
Eles também seriam mantidos em instalações modulares antes da realização de até cinco voos diários de deportação.
Yusuf afirmou ainda que seria necessário adotar medidas para proteger a cultura britânica, incluindo novas regras para impedir que igrejas sejam transformadas em mesquitas.
O líder do partido, Nigel Farage, aproveitou o momento para destacar que a derrota do Partido Trabalhista superou suas expectativas e afirmou que "o melhor ainda está por vir". Segundo ele, os resultados indicam que o Reform UK está no caminho para vencer as eleições gerais previstas para 2029.
Mas, como ainda faltam pouco mais de três anos para a próxima eleição nacional, o cenário político do país segue indefinido e ainda não há clareza sobre quem comandará o Reino Unido no futuro.
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Seis corpos são encontrados em contêiner na fronteira entre EUA e México

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Vagões de trem da Union Pacific estão estacionados em um pátio ferroviário em Laredo, Texas, domingo, 10
KGNS via AP
Agentes federais estão investigando as mortes de seis pessoas, que acredita-se serem imigrantes, encontradas dentro de um contêiner em um pátio ferroviário da Union Pacific perto da fronteira com o México, em Laredo, Texas, no domingo (10), como um "potencial evento de contrabando humano".
Um funcionário da Union Pacific encontrou os corpos de seis pessoas dentro de um contêiner na tarde de domingo, informou Jose Baeza, oficial de informações públicas do Departamento de Polícia de Laredo.
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A Dra. Corinne Stern, médica legista do Condado de Webb, está realizando as autópsias e concluiu a de uma mulher mexicana de 29 anos que morreu de hipertermia, ou insolação.
“Eu determinei que foi uma morte acidental”, disse ela, acrescentando acreditar que os outros também morreram de insolação, mas que não poderia dar o veredito sobre a causa da morte até concluir as demais autópsias.
Stern estima que levou até oito horas para que as pessoas sucumbissem à enfermidade.
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“Com base no meu exame na cena e no que sei da investigação, eu realmente acredito que eles estavam mortos em menos de oito horas”, disse Stern.
Stern encontrou cartões de identificação e celulares que indicam que os falecidos podem ser do México e de Honduras, mas impressões digitais foram coletadas e compartilhadas com a Patrulha de Fronteira dos EUA para ajudar a confirmar as identidades e nacionalidades através do Programa de Estrangeiros Desaparecidos.
O escritório do médico legista também entrou em contato com o consulado mexicano após identificar a mulher.
A unidade de Investigações de Segurança Interna disse em um comunicado que está “investigando ativamente este caso como um potencial evento de contrabando humano com assistência do Departamento de Polícia de Laredo e dos Texas Rangers”.
“Foi uma cena horrível”, disse Stern, observando também que mortes de imigrantes são uma ocorrência comum na região de 10 condados que seu escritório cobre. “Esta primavera tem sido mais movimentada do que no mesmo período do ano passado”, disse a médica legista, referindo-se ao número de mortes de migrantes registradas por seu escritório no ano passado.
Os encontros na fronteira diminuíram no final do governo Biden e atingiram números recordes de baixa sob o segundo governo Trump. Cerca de 40 pessoas foram encontradas diariamente em março cruzando ilegalmente por agentes da Patrulha de Fronteira em Laredo, tornando-se o terceiro setor mais movimentado entre os nove ao longo da fronteira sul, de acordo com as estatísticas da agência.
O histórico de viagem do contêiner não era conhecido, e a investigação criminal ainda não determinou por que as pessoas que morreram não saíram do contêiner.
“A Union Pacific está entristecida com este incidente e está trabalhando em estreita colaboração com as autoridades para investigar”, disse a empresa ferroviária em um comunicado.
Laredo é um porto terrestre de entrada movimentado para o comércio na fronteira EUA-México e um nexo comum para o movimento ilegal de pessoas.
No ano passado, dois contrabandistas foram condenados à prisão perpétua pelo que continua sendo a tentativa de contrabando humano mais mortal do país através da fronteira EUA-México. Eles foram condenados em conexão com as mortes de 53 migrantes encontrados na traseira de um caminhão trator superaquecido no Texas em 2022.
O contrabando em trens que cruzam a fronteira é uma preocupação de longa data, em parte porque os trens que seguem para os Estados Unidos frequentemente desaceleram ou param no México antes de cruzar a fronteira. Isso cria uma oportunidade para contrabandistas ou imigrantes subirem a bordo ou esconderem drogas ou outros itens de contrabando em um trem antes que ele entre na América.
A Union Pacific trabalha com as autoridades há anos para combater o contrabando de drogas e invasores que tentam cruzar a fronteira em trens. Como parte desse esforço, a ferrovia instalou portais de inspeção que escaneiam os trens e tiram fotos para ajudar a detectar quaisquer anormalidades que sugiram contrabando ou imigrantes a bordo.

Emirados Árabes fizeram ataques secretos contra o Irã, diz jornal

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Fumaça densa sobe perto do aeroporto de Dubai após ataque com drone; voos são suspensos
Os Emirados Árabes conduziram ataques secretos contra o Irã, informou o jornal norte-americano The Wall Street Journal nesta segunda-feira (11). Um dos bombardeios atingiu uma refinaria de petróleo iraniana no início de abril.
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Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o ataque de abril aconteceu na mesma época em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo com o Irã. A refinaria atingida fica na ilha de Lavan, no Golfo Pérsico.
À época, o Irã disse que a refinaria havia sido atingida por um “ataque inimigo”. Como resposta, forças iranianas dispararam mísseis e drones contra os Emirados Árabes e o Kuwait.
Segundo o jornal, os Estados Unidos não se importaram com o ataque, já que o cessar-fogo ainda não tinha começado. O governo norte-americano também avaliou de forma positiva o apoio de países do Golfo na ofensiva contra o Irã.
Os Emirados Árabes estiveram entre os principais alvos do Irã durante a guerra. Segundo o WSJ, mais de 2,8 mil mísseis e drones foram disparados contra o país. O número é maior do que o de ataques contra Israel.
Os ataques iranianos impactaram vários setores dos Emirados Árabes, incluindo o turismo, já que parte dos bombardeios atingiu cidades como Dubai e Abu Dhabi.
Suspeitas sobre a participação dos Emirados Árabes na ofensiva foram levantadas ainda em março, segundo o jornal, quando um caça que não pertencia aos Estados Unidos nem a Israel foi visto sobrevoando o Irã.
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Trump chama proposta do Irã de estúpida e lixo e diz que cessar-fogo está por um fio
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Uma vista geral do luxuoso Hotel Burj al-Arab na área de Jumeirah, em Dubai, Emirados Árabes Unidos
Karim Sahib/Reuters
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Volkswagen é condenada a pagar R$ 15 milhões por fraudar controle de emissão de poluente em quase 20 mil caminhonetes

Volkswagen é condenada a pagar R$ 15 milhões por fraudar controle de emissão de poluente em quase 20 mil caminhonetes
Volkswagen Amarok V6 3.0 turbodiesel
Volkswagen/Divulgação
A Justiça Federal condenou a Volkswagen a pagar R$ 15 milhões por danos morais coletivos decorrentes de fraudes no controle de emissão de poluentes em quase 20 mil caminhonetes Amarok produzidas entre 2011 e 2012.
A ação civil pública foi movida pelo Ministério Público Federal (MPF), que acusa a montadora de instalar um software capaz de burlar testes ambientais para obter autorização de venda dos veículos no país.
Segundo a sentença, mais de 17 mil unidades da picape Amarok saíram de fábrica com um programa que identificava quando o veículo estava sendo submetido a testes laboratoriais de emissão de poluentes. O sistema, então, reduzia artificialmente os níveis de óxidos de nitrogênio para enquadrá-los nos limites exigidos pelas normas ambientais. Na prática, os veículos emitiam poluentes acima do permitido.
De acordo com o processo, a taxa chegava a cerca de 1,1 grama por quilômetro, acima do limite de 1 g/km estabelecido pelo Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve).
Na decisão, a 12ª Vara Cível Federal de São Paulo afirmou que a fraude representou uma “grave violação à confiança pública e ao sistema de controle ambiental”.
“A introdução dos veículos no mercado nacional ocorreu mediante fraude à autoridade ambiental federal, o que, por si só, representa grave violação à confiança pública e ao sistema de controle ambiental”, destacou a sentença.
O g1 procurou a Volkswagen e aguarda posicionamento.
Segundo estimativas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), a circulação das caminhonetes irregulares provocou a emissão de 2,7 mil toneladas de óxidos de nitrogênio acima do permitido entre 2011 e 2016.
Em 2017, a Volkswagen realizou um recall para atualizar o software dos veículos, mas, segundo o processo, menos de 30% das unidades vendidas passaram pela campanha.
Recurso para aumentar indenização
O MPF já recorreu da decisão e pede que a indenização seja dobrada para R$ 30 milhões. Para os procuradores, o valor fixado pela Justiça não é proporcional à gravidade da conduta da empresa.
No recurso, o MPF argumenta que a fraude no licenciamento ambiental, por si só, já seria suficiente para configurar o dano coletivo, independentemente da quantificação exata das emissões.
“A pretensão não depende da precisa quantificação das emissões, pois a fraude no licenciamento, por si só, já vicia a comercialização, o trânsito e as emissões das Amaroks que carregavam o dispositivo de fraude”, afirmou o órgão.
O Ministério Público também sustentou que a montadora agiu “com dolo e perversidade tecnológica”.
“A necessidade de majoração ampara-se no fato de que a apelada [Volkswagen] agiu com dolo e perversidade tecnológica. Ao vender veículos a diesel sabidamente mais poluentes burlando os testes, a empresa operou sob a lógica da privatização dos lucros e socialização dos prejuízos”, diz o recurso.
Embora tenha reconhecido a existência da fraude, a sentença apontou que os danos ambientais teriam sido comprovados de forma efetiva em apenas 24% da frota comercializada, referentes à versão 90 KW da Amarok. Segundo a decisão, perícias apresentaram divergências em relação à versão 120 KW, o que impediria a comprovação segura das emissões acima do limite nesses veículos.
O caso faz parte do escândalo internacional conhecido como “Dieselgate”, que revelou manipulações em sistemas de controle de emissões de veículos a diesel produzidos pela Volkswagen em diversos países.
No Brasil, além da condenação judicial, a empresa já havia sido multada em R$ 46 milhões pelo Ibama em razão das irregularidades.
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