Como a Ucrânia conseguiu usar a seu favor o tremendo impacto da guerra no Irã

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Como a Ucrânia conseguiu usar a seu favor o tremendo impacto da guerra no Irã.
AFP/Getty Images via BBC
A imagem do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, caminhando sobre o tapete lilás na Arábia Saudita em março, com o rosto sério e vestido de preto, marcou um momento importante e inesperado na guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.
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Ele afirmou, em uma postagem no X, que o objetivo da sua visita era "fortalecer a proteção de vidas".
Zelensky leva sobre seus ombros o peso da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
Ele soube aproveitar sua viagem ao Golfo para demonstrar publicamente o valor e a viabilidade comercial da experiência militar adquirida pelo seu país no campo de batalha, particularmente em relação aos combates com drones.
A Ucrânia afirma ter assinado acordos com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar — três países atingidos por mísseis e drones iranianos nas últimas semanas.
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Seu objetivo é compartilhar conhecimentos e tecnologia de drones, estreitar alianças e se beneficiar de intercâmbios comerciais com países ricos e aliados dos Estados Unidos — e, com um pouco de sorte, também dos acordos de defesa.
"Queremos ajudar [os Estados do Golfo] a se defenderem", declarou Zelensky. "E continuaremos formando este tipo de aliança com outros países."
Nesta reportagem, você vai ver:
Pressão energética
Atacar a infraestrutura
Falta de respeito?
Perspectivas de paz
O ceticismo da Ucrânia
Pressão energética
A primeira impressão era que os impactos do conflito no Irã seriam muito negativos para a Ucrânia.
A guerra no Oriente Médio ameaçava desviar a já vacilante atenção do presidente americano, Donald Trump, dos esforços de paz entre Moscou e Kiev. E, ao mesmo tempo, injetava dinheiro nos cofres russos que financiam a guerra e estavam se esvaziando rapidamente.
Moscou conseguiu vender mais petróleo para mais países, a preços mais altos. Afinal, os navios que transportam o produto do Oriente Médio não conseguem chegar aos seus clientes globais, cruzando o estreito de Ormuz, vizinho ao Irã.
Trump renovou uma exceção às sanções americanas, permitindo que os países comprem petróleo russo sancionado devido ao aumento vertiginoso dos preços no mercado mundial.
Quanto mais dinheiro tiver a Rússia, por mais tempo poderá se prolongar a guerra na Ucrânia. E, teoricamente, com mais intensidade.
Mas Kiev vem desafiando constantemente as expectativas internacionais, desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022. E, agora, surge uma nova surpresa.
A Ucrânia joga com destreza para tentar transformar o impacto da guerra no Irã em vantagem, enquanto procura manter o máximo possível de força, frente às possíveis e esperadas negociações de paz com Moscou.
A Ucrânia joga com destreza para tentar transformar o impacto da guerra no Irã em vantagem, enquanto procura manter o máximo possível de força, frente às possíveis e esperadas negociações de paz com Moscou.
Reuters via BBC
No final de abril, Trump declarou que confiava em poder atingir uma "solução" sobre a Ucrânia de forma "relativamente rápida", após uma conversa "muito boa" com o presidente russo, Vladimir Putin.
"Acredito que 'algumas pessoas' tenham dificultado para que ele chegasse a um acordo", afirmou o presidente americano.
Esta não é a primeira vez que Trump faz comentários positivos sobre Putin, ao mesmo tempo em que critica Zelensky, implícita ou explicitamente, por não assinar um cessar-fogo.
Até o momento, não se materializou nenhuma "solução". Enquanto isso, Zelensky se dedica a fortalecer a Ucrânia o quanto pode. E o oportunismo parece ser uma das suas armas mais poderosas.
Em abril, o presidente ucraniano voltou a visitar a Arábia Saudita. Ele afirma que o país enfrenta o mesmo tipo de ataques com mísseis balísticos e drones iranianos que a Ucrânia recebe da Rússia.
Uma das armas mais poderosas de Moscou é o drone de ataque Shahed-136, de longo alcance e baixo custo, projetado pelo Irã, além da sua própria versão atualizada, o drone Geran.
Um drone Shahed pode custar entre US$ 80 mil e US$ 130 mil (cerca de R$ 400 mil a R$ 650 mil). Mas Zelensky afirma que ele pode ser interceptado com sistemas que custam apenas US$ 10 mil (cerca de R$ 50 mil).
Este valor é muito inferior ao dos mísseis tradicionais de defesa aérea, que custam milhões de dólares.
E, com os avistamentos de drones russos em várias cidades europeias, os sistemas usados pela Ucrânia também chamaram a atenção dos países da Otan.
Enquanto prosseguem os ataques russos contra a Ucrânia, Donald Trump declarou acreditar em um cessar-fogo 'relativamente rápido'.
Nurphoto/Getty Images via BBC
A Ucrânia assinou em abril dois importantes acordos de cooperação com aliados europeus em matéria de defesa.
Um deles foi com a Noruega, no valor de US$ 8,6 bilhões (cerca de R$ 43 bilhões), como parte de um pacote de ajuda de US$ 28 bilhões (cerca de R$ 140 bilhões) até 2030.
O outro foi com a Alemanha. O acordo inclui "diversos tipos de drones, mísseis, software e modernos sistemas de defesa", no valor de US$ 4,7 bilhões (cerca de R$ 23,5 bilhões).
Em relação aos Estados do Golfo, Zelensky afirmou esperar seu apoio na defesa da Ucrânia frente à Rússia.
Este apoio é especialmente importante porque, no momento, os Estados Unidos dispõem de menos material militar para vender aos europeus a fim de ajudar a Ucrânia, já que Washington vem esgotando seus estoques no Oriente Médio.
"Fazemos isso todo o tempo", declarou Trump, questionado sobre o redirecionamento de armas. "Às vezes, tiramos de um lugar e usamos em outro."
"Gostaríamos que os Estados do Oriente Médio também nos dessem a oportunidade de nos fortalecermos", declarou recentemente Zelensky ao jornal francês Le Monde.
"Eles dispõem de certos mísseis de defesa aérea que não temos em quantidade suficiente. Gostaríamos de fazer um acordo a este respeito."
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Atacar a infraestrutura
A Ucrânia também aprendeu uma lição importante com o conflito no Irã, para aplicá-la no seu território: o impacto devastador de atacar as instalações de exportação de petróleo do seu oponente.
Por isso, a infraestrutura energética da Rússia passou a ser um alvo prioritário para os drones de longo alcance fabricados na Ucrânia.
Zelensky afirma que a Rússia está sofrendo perdas "críticas" no seu setor energético, da ordem de bilhões de dólares, mesmo com o recente aumento dos preços mundiais do petróleo.
Os dados sobre a exportação de petróleo indicam que a alta dos preços, aliada à flexibilização das sanções americanas, impulsionou a receita de Moscou, na terceira semana da guerra no Irã, em até 2,3 vezes seus níveis de dezembro a fevereiro.
Mas, na quarta semana, os ataques com drones ucranianos contra a infraestrutura petrolífera reduziram a receita da Rússia em US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões), eliminando cerca de dois terços da receita obtida na semana anterior.
Outra vantagem para a Ucrânia das repercussões da guerra no Irã foi a luz verde finalmente obtida no final de abril para um empréstimo de US$ 105 bilhões (cerca de R$ 525 bilhões), respaldado pela União Europeia. Kiev afirmou que precisava urgentemente deste valor para adquirir e produzir equipamento militar no próximo ano.
'Acredito que algumas pessoas tenham dificultado para que ele chegasse a um acordo', afirmou Donald Trump sobre Vladimir Putin.
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O então primeiro-ministro da Hungria, país membro da UE, bloqueou o empréstimo durante meses.
Viktor Orbán é aliado do Kremlin, mas a Hungria tem agora um novo líder, após a categórica derrota do governo nas eleições húngaras de abril. E Péter Magyar é decididamente menos favorável à Rússia.
Orbán também é admirador e amigo próximo de Donald Trump, o que não o ajudou na campanha eleitoral.
Os eleitores manifestaram sua raiva pela guerra no Irã, que fez os custos da energia dispararem. Este fator contribuiu para a queda de Orbán, permitindo finalmente a liberação do empréstimo da UE para a Ucrânia.
Com estas "vitórias" de Kiev, aliadas à informação divulgada pela Ucrânia de que estaria matando mais soldados inimigos do que os 30 mil que seriam recrutados pela Rússia mensalmente, Zelensky já não se sente em desvantagem e pode estar em melhor posição para buscar um acordo de paz com a Rússia.
A sensação de urgência na Ucrânia vem de muito tempo atrás. As pessoas estão cansadas e sofrendo. O recrutamento de novos soldados tem sido um sério desafio e os que estão no campo de batalha estão desesperados para voltar para casa.
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Falta de respeito?
E sobre as negociações para estabelecer um cessar-fogo sustentável, promovidas com grande alvoroço pelo governo Trump antes do Natal?
Antes da eleição presidencial, Donald Trump declarou diversas vezes que colocaria fim ao conflito na Ucrânia em 24 horas. Mas, depois que assumiu o poder, sua promessa não se tornou realidade.
Uma pista importante é acompanhar os movimentos dos enviados de paz designados por Trump: seu genro Jared Kushner e o ex-magnata do setor imobiliário Steve Witkoff.
Foi proposta repetidamente uma viagem de ambos para Kiev, mas eles estão ocupados com o Oriente Médio. E Zelensky declarou que considera sua ausência uma "falta de respeito".
O presidente ucraniano afirma que as negociações de paz continuam em nível "técnico", mas receia que não ocorram avanços reais antes do final do conflito no Irã, o que ninguém sabe quando irá ocorrer.
Cabe destacar que Kushner e Witkoff nunca visitaram Kiev oficialmente.
Eles foram à capital russa no fim do ano passado, quando ganharam impulso as negociações para o cessar-fogo, e novamente em janeiro.
Witkoff esteve em Moscou oito vezes. Ele costumava fazer muitos negócios privados na Rússia e se reuniu com Putin em diversas ocasiões.
O governo Trump nega manter qualquer tipo de viés em favor da Rússia. Mas a Ucrânia e outros países europeus ficaram perturbados ao lerem a nova Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSS, na sigla em inglês), publicada no final do ano passado.
O documento evita claramente qualificar a Rússia como ameaça para a segurança, diferentemente de como os aliados europeus de Washington na Otan consideram Moscou.
Seu recente sucesso no Golfo indica que Zelensky talvez já não se sinta na defensiva no momento de negociar a paz com a Rússia.
Reuters via BBC
A NSS destaca a importância de pôr fim à guerra na Ucrânia, mas o enfoque não se concentra em estabelecer a paz duradoura para Kiev.
Na verdade, o objetivo declarado no documento é garantir "a estabilidade estratégica" e uma possível associação com a Rússia, liberando recursos para outras prioridades dos Estados Unidos.
Esta postura do governo Trump agrada muito ao Kremlin. Na época da publicação, o porta-voz da Rússia, Dmitry Peskov, alardeou que a NSS, "é coerente, em grande parte", com a visão de Moscou.
Durante o mandato de Trump, os Estados Unidos não criaram, nem mantiveram, sanções econômicas contundentes contra a Rússia que pudessem realmente fazer diferença e obrigar o Kremlin a se sentar à mesa de negociações, sem apresentar uma lista de exigências impossível de aceitar para Kiev ou seus aliados europeus.
Além disso, a ajuda militar e econômica dos Estados Unidos para a Ucrânia se esgotou praticamente por completo. Em vez disso, a Europa vem comprando dos Estados Unidos o material militar que é enviado para Kiev.
Mas, agora, até este abastecimento corre riscos, devido ao conflito com o Irã.
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Perspectivas de paz
Para convencer a Rússia a negociar a paz, o consenso indica que os Estados Unidos são a única potência capaz de fazer Moscou ceder.
Putin não dá sinal de pôr fim às hostilidades por vontade própria no futuro próximo, pelo contrário. Com o mundo distraído com a guerra no Irã, Moscou intensificou seus ataques contra a população e a infraestrutura civil da Ucrânia.
A questão é se estas ações constituem um último arrebato antes que o presidente russo se sente à mesa de negociações ou uma amostra da sua determinação contínua e implacável.
Na sede da UE, em Bruxelas, a maioria suspeita que se trate da segunda opção.
A economia russa pode enfrentar dificuldades, devido às sanções internacionais, mas não foi dizimada. E, agora, está firmemente em pé de guerra.
Pôr fim ao conflito não será fácil. Isso leva os países europeus a recear que, mesmo que se consiga a paz na Ucrânia, a Rússia tente rapidamente desestabilizar algum outro lugar da Europa, atacando até mesmo um país da Otan.
A Holanda, a Alemanha e a própria Otan consideram esta hipótese como uma possibilidade, até mesmo provável.
E, por fim, existe o orgulho e a ambição de Putin. Estaria ele disposto ou capaz de realmente levantar as mãos e admitir a derrota na Ucrânia?
"Se a Rússia tivesse um governo racional, colocaria fim à guerra", afirmou o professor Luke Cooper, pesquisador de relações internacionais da London School of Economics. Ele também é diretor do programa da Ucrânia no consórcio de organizações em favor da paz PeaceRep.
"A economia está estagnada ou em recessão", explica Cooper.
"A Rússia está enviando para morrer um número enorme de homens que poderiam estar trabalhando, a economia civil privada sofre com a imposição da economia de guerra… e o que a Rússia conseguiu? Uma pequena porção de território ucraniano."
"O cessar-fogo, sem dúvida, seria vantajoso se incluísse o alívio das sanções", prossegue o professor. "Mas Putin não pensa nestes termos."
"Tudo gira em torno das decisões de uma só pessoa, com ambições imperiais, que dirige um sistema autocrático."
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O ceticismo da Ucrânia
Enquanto Kiev continua esperando pelo envolvimento dos Estados Unidos, muitas autoridades ucranianas, privadamente, demonstram ceticismo sobre a possibilidade de que o governo Trump tome, algum dia, as medidas desejadas por elas para garantir a paz.
Elas também se questionam se, mesmo no caso de um cessar-fogo, os Estados Unidos ofereceriam garantias de segurança incontestáveis, que são desejadas para evitar que a Rússia simplesmente retorne à Ucrânia algum dia.
Para o assessor do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, Mark Cancian, "é difícil imaginar um conjunto de garantias de segurança que os ucranianos considerem suficientemente confiáveis para assinar um acordo de paz, com a concordância da Rússia, dos Estados Unidos e dos países europeus".
Mas "não há tempo a perder" para os líderes da Europa.
A maioria deles acredita que seria perigoso, para a segurança continental como um todo, que a Rússia sentisse ter obtido uma vitória na Ucrânia, segundo Tom Keatinge, diretor do Centro de Finanças e Segurança do Instituto Real de Serviços Unidos de Estudos de Defesa e Segurança (Rusi, na sigla em inglês).
Apesar da guerra no Oriente Médio, Keatinge afirma que Trump, com sua fama de ser impaciente, poderia deixar de se concentrar no Irã a qualquer momento, se persistirem as dificuldades para chegar a um acordo com Teerã.
Se isso acontecer, ele poderá retomar rapidamente a questão da Rússia e da Ucrânia. E, por este motivo, Keatinge defende que os europeus deveriam tomar, agora, medidas muito mais decisivas na Ucrânia do que fizeram até o momento.
Com o uso repetido da frase "todo o tempo que for necessário", quando o assunto é ajudar a Ucrânia, os críticos perdem muito tempo acusando os líderes europeus de "gerenciar" a guerra, em vez de buscar agressivamente a paz para Kiev.
Privadamente, muitas autoridades de Kiev demonstram ceticismo sobre a possibilidade de que os Estados Unidos, durante o mandato de Donald Trump, chegue a tomar as medidas desejadas por elas garantir a paz na Ucrânia.
Bloomberg/Getty Images via BBC
Apesar de todos os discursos, das visitas a Kiev e do dinheiro gasto em armas para a Ucrânia, quando a questão é mostrar real firmeza em relação a sanções econômicas contundentes, "os europeus ficam esperando os americanos", segundo Keatinge.
"Eles agem com muita timidez, mas a UE é um bloco comercial enorme."
Bruxelas, agora, trabalha no seu 21° pacote de sanções contra a Rússia. Mas o que acontece com os quase US$ 245 bilhões (cerca de R$ 1,2 trilhão) em ativos congelados do Banco Central da Rússia sob jurisdição da UE, principalmente na Bélgica?
Ao negar a destinação desse dinheiro para ajudar a Ucrânia (alegando considerações legais e de reputação), os líderes da UE conceberam o empréstimo de US$ 105 bilhões, com dinheiro dos contribuintes europeus.
Keatinge defende que os líderes europeus poderiam agir contra a Rússia com muito mais impacto. Mas "eles simplesmente não estão dispostos, ou suficientemente unidos, para pisar fundo no acelerador e pôr fim à guerra".
Os líderes europeus desejam sinceramente que o sofrimento na Ucrânia termine e que haja uma paz justa e duradoura nas suas fronteiras. Mas também é verdade que o cessar-fogo no conflito forçaria a tomada de algumas decisões incômodas.
Há menos países favoráveis a acelerar a adesão da Ucrânia à UE, por exemplo, do que eles gostariam de admitir.
E, em relação à chamada Coalizão dos Dispostos, chefiada pela França e pelo Reino Unido e comprometida a agir como "força de segurança" na Ucrânia em caso de término das hostilidades, quais países realmente enviariam tropas em terra e por quanto tempo?
Esta é uma questão especialmente importante se as forças da coalizão não contarem com o apoio aéreo dos Estados Unidos.
No final de abril, Trump chamou de "ridículo" o que ele considera ódio entre Putin e Zelensky.
Washington parece ter subestimado a importância das vendas de tecnologia de drones pela Ucrânia no Golfo. E também não aceitou (ao menos, publicamente) a oferta pública de Zelensky, de compartilhar os conhecimentos de Kiev sobre drones com o governo americano.
Mas o líder ucraniano, vestido de preto, não pareceu se abalar com estes detalhes. Ele segue ocupando as manchetes, esperando que a Ucrânia não caia no esquecimento e que Washington volte a concentrar sua atenção naquela parte do mundo o mais rápido possível.
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Homem acusado de tentar assassinar Trump em jantar na Casa Branca se declara inocente

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Novas imagens mostram como atirador tentou invadir festa com Trump
O homem acusado de tentar assassinar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um evento de gala para jornalistas na Casa Branca no mês passado, declarou-se inocente nesta segunda-feira (11).
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Cole Allen, de 31 anos, não se pronunciou no tribunal, onde se apresentou com o macacão laranja da prisão e algemado na cintura, mas seu advogado de defesa negou todas as acusações contra ele. Entre elas:
tentativa de assassinato do presidente
agressão a um agente federal
crimes relacionados a armas de fogo
Os promotores que lideram a acusação contra o suspeito afirmam que Allen disparou uma espingarda contra um agente do Serviço Secreto dos EUA e invadiu um posto de segurança em um ataque frustrado contra Trump e outros membros de sua administração.
A audiência desta segunda foi a primeira perante o juiz que irá presidir o caso, Trevor McFadden. Há uma semana, outro magistrado pediu desculpas a Allen pelo tratamento que ele recebeu em uma prisão local de Washington D.C.
Cole Tomas Allen foi detido após tentar invadir jantar de correspondentes da Casa Branca com Donald Trump
Truth Social/Divulgação via Reuters
Imagens mostram suspeito tentando invadir jantar
No dia 30 de abril, a Justiça dos Estados Unidos divulgou novas imagens que mostram como um atirador tentou invadir o jantar em Washington. Veja no vídeo acima.
O incidente aconteceu no dia 25, durante um jantar do presidente com jornalistas que cobrem a Casa Branca. O atirador, Cole Allen, de 31 anos, foi contido e preso. Um agente do Serviço Secreto ficou ferido.
As imagens foram divulgadas pela procuradora-geral do Distrito de Colúmbia, Jeanine Pirro, e mostram o momento em que Allen atira contra um agente durante a ação. Antes, ele aparece correndo por um detector de metais.
Autoridades americanas afirmam que o agente foi atingido à queima-roupa enquanto o suspeito corria por um ponto de controle de segurança. O agente revidou com cinco disparos.
O suspeito não foi atingido pelos tiros e acabou caindo após ferir o joelho. Ele foi imobilizado por outros agentes perto da escadaria que leva ao salão onde ocorria o jantar. De acordo com promotores, Allen tentou invadir o evento com a intenção de assassinar Trump.
O caso gerou dúvidas sobre como o agente do Serviço Secreto foi baleado, incluindo a possibilidade de um tiro feito por outro agente. O governo dos EUA nega essa hipótese.
Questionado nesta quinta-feira sobre o disparo, Trump disse: “Disseram que não foi fogo amigo. Não fomos nós”.
O presidente também sugeriu que não vai usar colete a provas de balas em eventos públicos. "Não sei se conseguiria lidar com a ideia de parecer 10 quilos mais pesado", disse.
Allen é acusado de tentativa de assassinato, disparo de arma de fogo durante um crime de violência e transporte ilegal de armas e munições através de fronteiras estaduais.
Imagens mostram atirador correndo entre agentes do Serviço Secreto
US District Court
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Após críticas de Trump, Irã defende sua proposta para encerrar guerra e diz que texto é ‘generoso’

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Donald Trump considera inaceitável resposta iraniana a plano de paz
Após críticas de Donald Trump, o Irã defendeu nesta segunda-feira (11) sua proposta para dar um fim à guerra com os Estados Unidos no Oriente Médio. O Ministério das Relações Exteriores iraniano afirmou que o texto elaborado por Teerã é "legítimo e generoso".
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A defesa, feita pelo porta-voz do ministério, coloca as negociações pelo fim da guerra de volta em um novo impasse. No domingo (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as condições impostas pelo Irã para terminar a guerra são inaceitáveis (leia mais abaixo).
A proposta do Irã rejeitada por Trump é na verdade uma resposta ao último texto que Washington enviou a Teerã.
O porta-voz do ministério afirmou que os EUA continuam mantendo exigências consideradas "irracionais e unilaterais".
“Nosso pedido é legítimo: exigir o fim da guerra, o levantamento do bloqueio e da pirataria (dos EUA no canal) e a liberação dos ativos iranianos que foram injustamente congelados em bancos devido à pressão americana”, disse Baghaei.
“Passagem segura pelo Estreito de Hormuz e o estabelecimento da segurança na região e no Líbano foram outras demandas do Irã, que são consideradas uma oferta generosa e responsável para a segurança regional", afirmou Baghaei.
Esmaeil Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã
Reprodução/Redes Sociais
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Trump classificou propostas como 'inaceitáveis'
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou neste domingo (10) como "totalmente inaceitáveis" as condições do Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio, o que aumenta a probabilidade de que o conflito continue após semanas de negociações.
"Acabei de ler a resposta dos chamados 'representantes' do Irã. Não gosto. TOTALMENTE INACEITÁVEL", escreveu Trump em sua rede Truth Social.
Donald Trump conversa com repórteres na Casa Branca na sexta, 8 de maio.
Elizabeth Frantz / Reuters
Mais cedo no domingo, o Irã havia respondido à última proposta de paz de Washington com uma série de exigências para acabar com a guerra, segundo informações da mídia estatal e da agência iraniana semioficial Tasnim.
Além disso, segundo autoridades ouvidas pelo jornal "The Wall Street Journal", o Irã colocou suas próprias condições sobre a questão nuclear.
➡️ Mais de um mês após a implementação de um cessar-fogo em 8 de abril, não há avanços para colocar um fim definitivo da guerra no Oriente Médio, iniciada com o ataque de 28 de fevereiro de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Veja os principais pontos impostos pelo Irã para encerrar o conflito:
Iraniana caminha ao lado de mural com a ilustração da bandeira do Irã, em Teerã, no dia 5 de maio de 2026
Majid Asgaripour/Wana/Reuters
Fim da guerra e segurança
O Irã defende a necessidade de acabar com a guerra em todas as frentes (incluindo a guerra travada entre Israel e Hezbollah no Líbano) e solicita garantias formais de que não sofrerá novos ataques.
Soberania territorial: O documento destaca a soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.
Economia e sanções
Suspensão de sanções: A proposta pede a suspensão, por um período de 30 dias, das sanções dos EUA via Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) sobre a venda de petróleo iraniano e solicita o término do bloqueio naval contra o país.
Compensações financeiras: O Irã requer que os Estados Unidos paguem indenizações pelos danos causados durante a guerra.
Questão nuclear
Destino do urânio: O plano sugere diluir parte do urânio altamente enriquecido e transferir o restante para um terceiro país, segundo reportagem do jornal "The Wall Street Journal".
Cláusula de devolução: O Irã exige garantias de que esse urânio seja devolvido ao país caso as negociações fracassem ou os EUA abandonem o acordo futuramente.
Instalações e enriquecimento: O país aceita suspender o enriquecimento de urânio por um prazo menor do que os 20 anos propostos pelos EUA, mas rejeita categoricamente desmantelar suas instalações nucleares.

Petróleo sobe com impasse nas negociações entre EUA e Irã e tensão no Estreito de Ormuz

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Irã envia resposta à proposta de paz dos EUA
A rápida rejeição do presidente Donald Trump à resposta do Irã a uma proposta de paz dos Estados Unidos provocou alta nos preços do petróleo nesta segunda-feira (11), em meio a temores de que o conflito, que já dura dez semanas, se prolongue e mantenha comprometido o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz.
🔎Por volta das 7h30 (horário de Brasília), o Brent, referência internacional para entrega em julho, subia 2,69%, para US$ 103,52 por barril. Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate, avançava 2,19%, para US$ 97,51 por barril.
Dias depois de os EUA apresentarem uma proposta para tentar retomar as negociações, o Irã divulgou no domingo (10) uma resposta centrada no fim da guerra em todas as frentes, especialmente no Líbano, onde Israel, aliado dos EUA, combate militantes do Hezbollah apoiados por Teerã.
O governo iraniano também exigiu compensações pelos danos causados pela guerra e reforçou sua soberania sobre o Estreito de Ormuz, segundo a TV estatal iraniana.
Além disso, pediu aos EUA o fim do bloqueio naval, garantias de que não haverá novos ataques, a suspensão das sanções e a revogação da proibição imposta à venda de petróleo iraniano, informou a agência semioficial Tasnim.
Poucas horas depois, Trump rejeitou a proposta iraniana em uma publicação nas redes sociais.
“Não gosto disso — TOTALMENTE INACEITÁVEL”, escreveu na plataforma Truth Social, sem dar mais detalhes.
Os EUA defendem o fim dos combates antes do início de negociações sobre temas mais sensíveis, como o programa nuclear iraniano.
Após a reação de Trump, Teerã afirmou nesta segunda-feira que considera sua proposta para encerrar a guerra “generosa e responsável”.
“Nossa demanda é legítima: exigir o fim da guerra, suspender o bloqueio (dos EUA) e liberar os ativos iranianos congelados devido à pressão americana”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei.
“A passagem segura pelo Estreito de Ormuz e o fortalecimento da segurança na região e no Líbano também fazem parte das exigências do Irã”, acrescentou.
Antes do início da guerra, em 28 de fevereiro, a via marítima era responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo, tornando-se um dos principais pontos de pressão do conflito.
Três navios-tanque cruzaram o Estreito nos últimos dias
Embora o tráfego no Estreito de Ormuz siga reduzido em relação ao período anterior à guerra, dados das empresas Kpler e LSEG mostram que três navios-tanque carregados com petróleo bruto deixaram a região na semana passada com os rastreadores desligados, em uma tentativa de evitar ataques iranianos.
Confrontos esporádicos ao redor do estreito nos últimos dias colocaram à prova o cessar-fogo que interrompeu a guerra em larga escala desde o início de abril.
Pesquisas indicam que a guerra é impopular entre os eleitores americanos, que enfrentam preços mais altos dos combustíveis a menos de seis meses das eleições que definirão se o Partido Republicano manterá o controle do Congresso dos EUA.
Os EUA também têm encontrado pouca adesão internacional. Aliados da Otan recusaram pedidos para enviar navios ao Estreito de Ormuz sem um acordo de paz amplo e uma missão com mandato internacional.
Ainda não está claro quais serão os próximos passos diplomáticos ou militares.
Trump deve chegar a Pequim na quarta-feira (13). Diante da pressão crescente pelo fim da guerra e da crise energética global provocada pelo conflito, o Irã está entre os temas que devem ser discutidos pelo presidente americano e pelo presidente chinês, Xi Jinping.
Trump tem buscado apoio da China para pressionar Teerã a chegar a um acordo com Washington.
Ao comentar o fim das operações militares contra o Irã, Trump afirmou no domingo: “Eles foram derrotados, mas isso não significa que tenham acabado”.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a guerra ainda não terminou porque há “mais trabalho a ser feito” para eliminar o urânio enriquecido iraniano, desmontar instalações nucleares e enfrentar grupos aliados do Irã e seu arsenal de mísseis balísticos.
Netanyahu disse, em entrevista exibida no domingo no programa 60 Minutes, da CBS News, que a melhor forma de remover o urânio enriquecido seria por meio da diplomacia, mas não descartou o uso da força.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou em uma publicação nas redes sociais que o Irã “jamais se curvará ao inimigo” e que defenderá “os interesses nacionais com firmeza”.
Apesar dos esforços diplomáticos para destravar as negociações, os riscos às rotas marítimas e às economias da região continuam elevados.
No domingo, os Emirados Árabes Unidos disseram ter interceptado dois drones vindos do Irã, enquanto o Catar condenou um ataque com drones que atingiu um navio de carga vindo de Abu Dhabi em suas águas territoriais.
O Kuwait informou que suas defesas aéreas interceptaram drones hostis que entraram em seu espaço aéreo.
Os confrontos também continuaram no sul do Líbano entre Israel e o Hezbollah, apesar do cessar-fogo mediado pelos EUA e anunciado em 16 de abril.
Netanyahu afirmou ainda, na entrevista ao “60 Minutes”, que o fim das hostilidades com o Irã não significaria necessariamente o encerramento da guerra no Líbano. Segundo ele, autoridades israelenses subestimaram inicialmente a capacidade iraniana de afetar o tráfego no Estreito de Ormuz.
“Demorou um pouco para que eles entendessem o tamanho do risco, mas agora entendem”, disse.
Iraniana caminha ao lado de mural com a ilustração da bandeira do Irã, em Teerã, no dia 5 de maio de 2026
Majid Asgaripour/Wana/Reuters

China anuncia datas da visita oficial de Trump e diz ‘estar pronta’ para trabalhar com os EUA

China anuncia datas da visita oficial de Trump e diz ‘estar pronta’ para trabalhar com os EUA
China anuncia visita de Donald Trump ao país
A China anunciou no domingo (10) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará uma visita de Estado ao país entre os dias 13 (quarta) e 15 de maio (sexta), informou a agência estatal chinesa Xinhua.
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A confirmação do governo chinês retifica informação divulgada pela Casa Branca no fim de março, de que a visita seria nos dias 14 e 15 de maio. Segundo o governo americano, o presidente chinês, Xi Jinping, também deve visitar Washington em uma data posterior, que ainda não foi acordada entre os dois países.
O Ministério das Relações Exteriores chinês afirmou nesta segunda-feira (11) que a China está pronta para trabalhar com os EUA, e que Trump e Xi terão "discussões aprofundadas sobre questões importantes relacionadas às relações sino-americanas e à paz e ao desenvolvimento globais".
“ A diplomacia entre chefes de Estado desempenha um papel estratégico insubstituível na orientação das relações China-EUA. A China está pronta para trabalhar com os EUA, mantendo o espírito de igualdade, respeito mútuo e benefício mútuo, para expandir a cooperação e administrar as diferenças, injetando assim mais estabilidade e previsibilidade em um mundo marcado por turbulência e complexidade”, afirmou Guo Jiakun, porta-voz da chancelaria chinesa.
A visita de Trump à China ocorrerá em um momento de impasse entre os EUA e o Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio. Essa situação deve acrescentar uma certa tensão entre Trump e Xi, porque Pequim é um dos maiores aliados do regime iraniano. Apesar disso, o líder norte-americano alega ter boas relações com seu homólogo chinês e diz que Xi é seu amigo.
Outro fator que ficará de pano de fundo durante a visita é que os EUA tratam a China como seu maior adversário no mundo para os próximos anos, segundo um documento oficial divulgado pelo governo Trump em janeiro.
Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30).
Reuters/Evelyn Hockstein
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