Por que o Canadá passa por seu maior recrutamento militar em 30 anos?

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Exército canadense está crescendo em um ritmo não visto em décadas.
Reuters via BBC
Durante décadas, o Canadá foi visto como um país atrasado em termos de recursos disponibilizados para a defesa. Há apenas dois anos, o recrutamento militar estava em níveis tão baixos que um ex-ministro da Defesa alertou que as forças armadas estavam entrando em uma "espiral da morte".
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Agora, o Exército canadense está crescendo em um ritmo não visto em décadas, atingindo seu maior número de recrutas em 30 anos e potencialmente revertendo a escassez crônica de pessoal que assola as forças armadas do país.
O aumento nos últimos dois anos ocorre em um momento em que o mundo enfrenta grandes conflitos armados e incertezas geopolíticas, e enquanto o Canadá compromete bilhões em novos fundos militares após anos de descumprimento de suas obrigações com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a aliança militar ocidental.
Essa mudança também coincide com um aumento incomum do nacionalismo no país. O sentimento é impulsionado pelas falas do presidente dos EUA, Donald Trump, que se referiu ao Canadá como o "51º estado" americano — comentários que muitos viram como uma ameaça à soberania do país por parte de seu vizinho mais próximo.
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Charlotte Duval-Lantoine, pesquisadora do Instituto Canadense de Assuntos Globais, que estuda a cultura militar do Canadá, afirmou que, embora possa haver um "efeito Trump" por trás do recente aumento no alistamento, as inscrições militares já haviam começado a aumentar em 2022, por volta da época da invasão da Ucrânia pela Rússia.
"Quando as pessoas percebem que o mundo não é tão seguro, que seu país pode estar em risco… tendemos a ver pessoas se alistando nas forças armadas", disse ela.
Os conflitos globais não são o único fator que impulsiona o aumento. A alta taxa de desemprego entre os jovens canadenses — que girava em torno de 14% em março — bem como a promessa de segurança no emprego e salários mais altos após o primeiro-ministro Mark Carney anunciar o maior aumento salarial para militares em uma geração, também são um fator de atração, acrescenta Duval-Lantoine.
Desde que assumiu o cargo no ano passado, Carney fez das forças armadas um foco de seu governo, com um plano que ele próprio descreveu como "ambicioso" para modernizar e expandir rapidamente as Forças Armadas Canadenses.
Em março, ele anunciou que o Canadá havia oficialmente atingido a meta da Otan de gastar 2% do seu PIB em defesa pela primeira vez desde o final da década de 1980, totalizando mais de 63 bilhões de dólares canadenses (mais de R$ 226 bilhões) em um único ano. Carney também aderiu ao compromisso da Otan de gastar até 5% do PIB em defesa até 2035.
O Canadá atingiu essa meta de 2% aumentando os salários, além de se comprometer a comprar novos equipamentos, modernizar as bases existentes e construir novas infraestruturas no Ártico.
O Canadá atingiu sua meta de gastos com defesa da Otan este ano pela primeira vez desde a década de 1980, graças a um aumento no financiamento militar promovido pelo governo do premiê Mark Carney.
Reuters via BBC
Mas mesmo com os novos recrutas, analistas dizem que as forças armadas canadenses ainda estão significativamente atrás de seus aliados e alertam que pode levar algum tempo até que o financiamento se traduza em melhorias.
Richard Shimooka, pesquisador sênior do Instituto Macdonald-Laurier, um think tank de políticas públicas, disse que as Forças Armadas Canadenses atualmente têm capacidade para mobilizar apenas alguns milhares de soldados por vez, juntamente com um número limitado de caças. Em comparação, as forças armadas do Reino Unido podem mobilizar 10.000 soldados, se necessário, disse ele.
"O estado das Forças Armadas Canadenses está atualmente em um ponto muito baixo e levará de cinco a dez anos antes de começarmos a ver uma melhora real", disse Shimooka.
Um dos principais motivos para isso, argumentou Shimooka, é a dependência histórica excessiva do Canadá em relação aos EUA — seu vizinho e a maior potência militar do mundo — para sua defesa.
Sucessivos presidentes e autoridades dos EUA pressionaram repetidamente o Canadá a aumentar os gastos com defesa, e críticos se referiram ao Canadá como um "parasita" militar.
O presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Mike Johnson, acusou o Canadá em 2024 de "se aproveitar dos interesses dos Estados Unidos".
No ano passado, Trump destacou o Canadá como um dos "baixos contribuintes" da Otan, dizendo a repórteres em junho: "O Canadá diz: 'Por que deveríamos pagar se os Estados Unidos nos protegerão gratuitamente?'"
O Canadá ainda está entre os membros da Otan que menos contribuem, mesmo depois de atingir a meta de 2%, de acordo com um relatório da aliança de defesa divulgado no ano passado — atrás dos EUA, Reino Unido e França.
Menos burocracia e acolhimento de estrangeiros
A capacidade do Canadá de recrutar mais militares é um sinal de que as coisas podem estar melhorando lentamente. David McGuinty, ministro da Defesa do Canadá, disse acreditar que o país poderá atingir suas metas de recrutamento antes do previsto.
A taxa de atrito, ou seja, o número de militares que deixam as forças armadas, também diminuiu ligeiramente, após ter sido descrita como causadora de "uma espiral da morte" pelo ex-ministro da Defesa Bill Blair em 2024.
Militares da ativa disseram à BBC durante uma recente operação de soberania e segurança no Ártico, no território canadense de Nunavut, que o novo financiamento é bem-vindo e, em alguns casos, que já deveria ter chegado há muito tempo.
"Estamos algumas décadas atrasados, mas pelo menos estamos tentando fazer as coisas agora", disse Alden Campbell, primeiro oficial da Força Aérea Real Canadense. Ele afirmou que as recentes mudanças na estrutura salarial levaram a um aumento no moral, assim como a promessa de equipamentos modernizados.
"Espero estar em uma idade e em um momento da minha carreira em que eu possa me beneficiar dessas atualizações", disse ele.
Militares durante desfile anual da Liberdade em Toronto.
AFP/Getty Images via BBC
No final de abril, as Forças Armadas Canadenses anunciaram que haviam alistado mais de 7.000 novos membros no último ano fiscal – o maior número de novos recrutas em três décadas.
Esse número representa uma fração do total de pessoas que manifestaram interesse em ingressar nas forças armadas.
Em fevereiro, as inscrições confirmadas nas Forças Armadas Canadenses quase dobraram em relação ao ano anterior, passando de 21.700 para 40.116, de acordo com dados compartilhados com a BBC pelo Departamento de Defesa Nacional do Canadá.
Esses números refletem os candidatos que enviaram os documentos necessários para confirmar sua elegibilidade. O número total de inscrições foi muito maior, chegando a quase 100.000 no último ano.
É um grande salto em relação a 2019-2020, quando cerca de 36.000 pessoas se inscreveram.
Travis Haines, tenente-coronel das Forças Armadas Canadenses, disse à BBC que acredita que o aumento no recrutamento está em grande parte ligado à redução dos entraves burocráticos pelas forças armadas.
As Forças Armadas do Canadá têm sido criticadas há muito tempo por sua incapacidade de analisar e integrar candidatos rapidamente, e recentemente digitalizaram alguns elementos do processo de inscrição — incluindo a permissão para o envio eletrônico de documentos — para agilizar o processo.
"Sempre houve interesse", disse Haines. "Era apenas difícil navegar pelo sistema."
Outra mudança significativa no recrutamento nos últimos anos foi a abertura das inscrições para residentes permanentes do Canadá, em vez de apenas cidadãos — uma mudança que entrou em vigor em 2022. Estrangeiros representaram cerca de 20% dos novos recrutas do ano passado.
O Canadá agora está planejando uma grande expansão de suas forças armadas, com planos para um total de 85.500 membros do serviço regular e uma força de mobilização de até 300.000 reservistas.
Duval-Lantoine disse que o Canadá não implementa um plano de mobilização nessa escala desde 2004 — um sinal de que o país está levando em consideração a guerra em curso na Ucrânia, que, segundo ela, persiste em grande parte devido à mão de obra militar ucraniana.
O Canadá, assim como seus aliados europeus, está tentando se preparar "para futuras guerras analisando a atual", disse ela.

Netanyahu diz à TV americana que Israel não previa crise em Ormuz

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no Cemitério Militar do Monte Herzl, em Jerusalém,
Ilia YEFIMOVICH / POOL / AFP
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse em entrevista à emissora americana CBS que Israel não previa a dimensão da crise envolvendo o Estreito de Ormuz no início da guerra contra o Irã. Segundo ele, o impacto estratégico da região “foi entendido à medida que os combates prosseguiam”.
A declaração foi dada ao programa “60 Minutes” neste domingo (10), na primeira entrevista de Netanyahu à televisão americana desde o início do conflito, agora em sua 11ª semana. O premiê afirmou ainda que a guerra “não acabou” e indicou que Israel considera necessárias novas ações contra o programa nuclear iraniano, instalações de enriquecimento de urânio e grupos aliados de Teerã na região.
Questionado sobre uma reportagem do The New York Times que reportou que integrantes do governo israelense acreditavam que o Irã estaria enfraquecido demais para bloquear o Estreito de Ormuz, Netanyahu respondeu que “o problema de Ormuz foi compreendido durante a guerra”.
“Existe um grande risco para o Irã fazer isso. Levou um tempo para eles entenderem a dimensão desse risco, o que eles entendem agora”, afirmou. Em seguida, reconheceu as limitações das análises feitas antes do conflito. “Não afirmo ter previsão perfeita, e ninguém tinha previsão perfeita. Nem os iranianos.”
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O Estreito de Ormuz é uma das principais rotas marítimas do mundo para o transporte de petróleo e gás. A escalada militar envolvendo o Irã provocou temor nos mercados internacionais sobre um possível bloqueio da passagem, elevando tensões no Golfo e pressionando os preços globais da energia.
Durante a entrevista, Netanyahu afirmou que Israel e os Estados Unidos ainda avaliam como neutralizar o programa nuclear iraniano. Segundo ele, o Irã continua mantendo urânio enriquecido, instalações nucleares e capacidade de produção de mísseis balísticos.
“Ainda há material nuclear que precisa ser retirado do Irã. Ainda existem instalações de enriquecimento que precisam ser desmanteladas”, disse.
Questionado sobre como o urânio altamente enriquecido poderia ser removido do território iraniano, o premiê respondeu: “Você entra e tira”. Ele evitou detalhar se uma eventual operação envolveria forças especiais israelenses ou americanas, mas afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrou disposição para agir.
“Trump me disse: ‘Eu quero entrar lá’. Acho que isso pode ser feito fisicamente”, afirmou Netanyahu, sem explicar em que contexto a conversa ocorreu.
O premiê também indicou que o conflito pode continuar em outras frentes mesmo se houver um acordo entre Washington e Teerã. Segundo ele, Israel pretende seguir combatendo o Hezbollah no Líbano.
Netanyahu afirmou que o Irã tenta vincular qualquer cessar-fogo no Golfo ao fim das operações israelenses contra o Hezbollah. Ele acrescentou que acredita que um eventual enfraquecimento ou até a queda do regime iraniano poderia provocar o colapso da rede de aliados de Teerã na região, incluindo Hezbollah, Hamas e Houthis.
A entrevista também abordou a relação entre Israel e países árabes. Netanyahu afirmou que alguns governos da região passaram a demonstrar maior interesse em aprofundar alianças estratégicas com Israel após o conflito.
“Vejo uma expansão e aprofundamento dos acordos com Estados árabes de um tipo que nunca imaginávamos”, declarou. Segundo ele, as conversas envolvem áreas como energia, inteligência artificial e tecnologia.
O premiê ainda acusou a China de fornecer componentes utilizados na fabricação de mísseis iranianos, mas não apresentou provas nem detalhou quais equipamentos teriam sido enviados.
Apoio financeiros americano
Outro ponto que chamou atenção foi a defesa feita por Netanyahu de uma redução gradual da ajuda financeira dos Estados Unidos a Israel. Atualmente, Washington envia cerca de US$ 3,8 bilhões anuais em assistência militar ao país.
“Quero reduzir a zero o apoio financeiro americano”, afirmou. Segundo ele, o processo poderia ocorrer ao longo da próxima década.
Netanyahu também comentou o desgaste internacional enfrentado por Israel desde o início da guerra, especialmente após a ofensiva em Gaza. Ele atribuiu a deterioração da imagem do país principalmente ao impacto das redes sociais.
Segundo pesquisa do Pew Research Center mencionada na entrevista, 60% dos adultos americanos têm atualmente uma visão desfavorável de Israel , aumento de quase 20 pontos percentuais em quatro anos.
O primeiro-ministro afirmou que Israel “não foi bem” na “guerra de propaganda” e acusou países de manipularem plataformas digitais para prejudicar a imagem israelense.
Apesar das operações militares em Gaza, Netanyahu reconheceu que Israel ainda não atingiu um de seus principais objetivos estratégicos: desarmar o Hamas.

Como Países Baixos se tornaram terceiro maior exportador de alimentos do mundo apesar do território pequeno

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O professor Leo Marcelis é chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen
Guy Ackermans/WUR
Centenas de pés de tomate crescem protegidos por uma grande estrutura de vidro. Mas esta não é uma estufa comum.
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Desde os níveis de gás até a cor da luz, cada variável é monitorada por sensores que enviam as informações para computadores que, por sua vez, rodam algoritmos refinados com inteligência artificial.
O resultado é uma produção até cinco vezes maior do que a de uma estufa de baixa tecnologia na América Latina.
As plantas estão localizadas no campus da Universidade e Centro de Pesquisa de Wageningen (WUR), nos Países Baixos, um centro de renome mundial para pesquisa em produção de alimentos.
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A universidade fica no coração do chamado Food Valley ("Vale da Alimentação", em tradução literal do inglês), um complexo de centros de pesquisa que permitiu que os Países Baixos se tornassem o terceiro maior exportador de alimentos do mundo (em valor monetário) com um território de pouco mais de 41.000 km², 70 vezes menor que a Argentina.
Como isso foi possível? A BBC Mundo (serviço em língua espanhola da BBC) conversou com especialistas da Universidade de Wageningen, incluindo pesquisadores latino-americanos, sobre inovações na produção de alimentos no país, possíveis aplicações na América Latina e o grande desafio para os Países Baixos: reduzir o consumo de energia e aumentar a sustentabilidade.
Condições favoráveis
Tanto o clima quanto a localização geográfica favorecem os Países Baixos, afirma à reportagem o cientista Leo Marcelis, chefe do grupo de Horticultura e Fisiologia Vegetal da Universidade de Wageningen.
"Temos um clima razoável e água em abundância. Temos um clima marítimo; os verões não são muito quentes e os invernos não são extremamente frios", aponta ele.
O país também tem milhões de potenciais consumidores europeus nas proximidades, acrescenta Marcelis, e o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola, Roterdã.
Entre os principais produtos exportados estão vegetais, carne, laticínios, plantas ornamentais e flores. Os maiores mercados são Alemanha, Bélgica, França e Reino Unido, entre outros.
Estufas de alta tecnologia do país têm produtividade até cinco vezes maior que convencionais
Wageningen University & Research
Grandes quantidades de matéria-prima também são importadas para processamento e exportação.
Os Países Baixos são um dos principais exportadores mundiais de produtos de cacau, por exemplo, e o maior importador de grãos de cacau, que são processados ​​em produtos semiacabados, como pasta de cacau, manteiga e cacau em pó, para exportação.
Marcelis enfatiza que, historicamente, a produção agrícola no país também tem sido caracterizada por uma tradição de abertura.
"Há um aspecto muito importante que talvez nos diferencie de muitos outros países: a colaboração e a cooperação."
A troca de experiências entre os agricultores é uma tradição secular, evidente nos leilões de hortaliças e flores e nas cooperativas de produtores.
"Os agricultores costumam se encontrar semanalmente. Eles visitam as fazendas uns dos outros para ver as plantações e aprender uns com os outros."
E essa troca é facilitada pelas curtas distâncias entre eles.
"Nosso país é muito pequeno. Aqui na universidade, estamos mais ou menos no centro da rede. Em duas horas de carro, você pode chegar ao ponto mais ao sul ou ao extremo norte do país; para o oeste, não posso dirigir duas horas porque chegaria ao mar antes disso; e para o leste, em meia hora você está na Alemanha."
Rotterdam é o maior porto de transbordo da Europa Ocidental para o setor agrícola
Getty Images via BBC
'Todo um ecossistema' de inovação
Para além das condições geográficas ou das tradições, o sistema de produção de alimentos nos Países Baixos é movido por uma inovação constante.
"Aqui temos a universidade, mas também empresas derivadas da universidade, muitas vezes fundadas por pessoas que trabalham na universidade ou por alunos que criaram suas próprias empresas e querem manter-se conectados a Wageningen", explica Marcelis.
"No campus, também temos os departamentos de pesquisa de grandes empresas como a Unilever ou a FrieslandCampina, que é uma das principais cooperativas de laticínios. Você se encontra, portanto, cercado por todo um ecossistema aqui."
A universidade recebe financiamento do Conselho Nacional de Pesquisa dos Países Baixos.
Mas "muitas das verbas nacionais só conseguimos obter em cooperação com uma empresa, que, por sua vez, tem de arcar com parte dos custos da pesquisa".
"Isso significa que, se pesquisamos algo, precisa estar relacionado ao que as empresas consideram relevante, o que nos obriga a colaborar com elas para facilitar a transferência dos resultados para os agricultores. Claro que também temos financiamento para pesquisa puramente fundamental."
Os projetos, acrescenta Marcelis, exigem um acordo inicial com cada empresa.
"São estabelecidas regras sobre o grau de transparência ou confidencialidade dos resultados e sobre quando eles podem ser publicados, algo que, para nós como universidade, é importante: fazer boa ciência. E, claro, também existem acordos sobre direitos de propriedade intelectual."
Marcelis afirma que no campus da Wageningen também há departamentos de pesquisa de grandes empresas como Unilever ou FrieslandCampina
Wageningen University & Research
Estufas com sensores
Esse ecossistema fomentou inúmeras inovações na produção agrícola do país, desde drones e escaneamento do solo para o uso inteligente de fertilizantes em cultivos a céu aberto até estufas de alta tecnologia.
Em estufas, "em Wageningen, desenvolveram um sistema tão eficiente que permite rendimentos de até 100 kg de tomates por metro quadrado por ano", afirma à BBC Mundo a cientista mexicana Cristina Zepeda, professora associada de fitotecnia em Wageningen.
"Em uma estufa no México, sem muita tecnologia, talvez com alguma tela de sombreamento, a produção gira em torno de 20 kg por metro quadrado por ano."
O cientista brasileiro Nilson Vieira Junior, professor associado em Wageningen especializado em fisiologia vegetal e modelagem computadorizada de culturas, disse à reportagem que, nas estufas dos Países Baixos, "o uso da terra praticamente desapareceu".
"As plantas são cultivadas em substratos, o que permite maior controle do fornecimento de nutrientes e possibilita a reutilização quase completa da água de irrigação, aumentando significativamente a eficiência do uso da água e reduzindo drasticamente o impacto ambiental e a poluição gerada na produção de alimentos", afirma.
"Esses sistemas permitem o controle preciso das condições ambientais às quais as plantações são expostas, incluindo temperatura, níveis de CO2 (dióxido de carbono), umidade relativa e radiação."
Cientista mexicana Cristina Zepeda é professora associada de ciências vegetais em Wageningen
Cristina Zepeda/Arquivo pessoal
Cada variável, como a cor da luz, é monitorada por sensores, diz Zepeda.
"Temos luzes LED de diferentes cores que permitem que as plantas produzam mais.
As plantas possuem certos pigmentos que percebem diferentes cores, como vermelho, infravermelho e azul, e esses pigmentos sinalizam certas moléculas para iniciar a produção de diferentes compostos", explica a cientista.
"Com uma luz mais vermelha, por exemplo, a produção de pigmentos como antocianinas ou licopeno é ativada. Podemos moldar a planta para produzir os compostos que mais nos interessam."
"Realizamos extensos experimentos com luzes de diferentes cores e medimos como os níveis de açúcar, licopeno e amido mudam com diferentes porcentagens de luz azul ou vermelha."
Vieira Junior observa que uma das principais áreas de pesquisa atual é a criação de sistemas autônomos.
"Esses sistemas combinam sensores que monitoram variáveis ​​climáticas e o estado fisiológico das plantas com modelos de simulação de crescimento de culturas", diz ele.
"Com o auxílio da inteligência artificial, esses sistemas não apenas recomendam estratégias de manejo mais eficientes, mas também controlam automaticamente o clima e a operação da estufa.
Cientista brasileiro Nilson Vieira Junior é professor associado em Wageningen e se especializou em fisiologia vegetal e modelos computadorizados de culturas agrícolas
Nilson Vieira/Arquivo pessoal
O principal gargalo: energia
Marcelis afirma que o próximo passo no controle de variáveis ​​será abandonar as estufas e adotar fazendas verticais em ambientes fechados, completamente independentes das condições externas ou da luz solar.
Esses sistemas se tornarão mais comuns no futuro, acrescenta ele, mas, assim como as estufas, exigem grandes quantidades de energia.
"O consumo de energia é o principal gargalo, e é por isso que grande parte de nossa pesquisa se concentra nesse aspecto", destaca Marcelis.
Para a professora Zepeda, "o maior desafio aqui nos Países Baixos é que uma enorme quantidade de energia é usada para aquecer estufas, porque temos um clima muito frio. Então, precisamos queimar gás natural e acender luzes adicionais."
"A horticultura representa 10% do consumo nacional de gás do país. É muito caro, e o governo já declarou que não se poderá usar mais gás até 2050. Tudo terá que vir de fontes renováveis", ela acrescenta.
Cada variável, como o nível de CO2 ou a cor da luz, é monitorada por câmeras e sensores
Sara Vlekke/WUR
Zepeda pesquisa atualmente como reduzir o consumo de energia fazendo com que as plantas funcionem como "baterias".
A energia renovável flutua dependendo das condições do vento e da radiação solar, e o consumo de energia na estufa também pode flutuar, explica ela.
"As plantas crescem na natureza com noites mais frias e dias mais quentes, e conseguem suportar mudanças de temperatura e luz sem perder muita produtividade. E se, por exemplo, houver excesso de produção de eletricidade e ela for mais barata, é aí que dizemos: 'Ok, vamos aquecer a estufa'."
"Precisamos dar à planta a oportunidade de acumular suas reservas de açúcar se o dia estiver muito ensolarado, e se previrmos que amanhã estará um pouco mais frio, podemos forçar a planta a usar esses açúcares."
Usar plantas como baterias exige medir constantemente com sensores quanta fotossíntese elas estão realizando, quanto açúcar estão produzindo e até mesmo modelos computacionais mais avançados.
"É nisso que nosso grupo está concentrando grande parte da pesquisa atualmente."
IA na pecuária
Uma das inovações impulsionadas por Wageningen na pecuária é a redução das emissões de metano de animais ruminantes, como vacas e ovelhas.
Esse metano, um potente gás de efeito estufa, é gerado durante a fermentação dos alimentos no trato digestivo dos animais e liberado principalmente por meio de arrotos ou fezes.
"Alguns animais produzem mais metano do que outros, e isso se deve em parte a fatores genéticos", disse à BBC Mundo o professor Roel Veerkamp, ​​chefe do Departamento de Melhoramento Animal e Genômica da Universidade de Wageningen e líder da iniciativa Global Methane Genetics, um projeto com mais de 50 parceiros em 25 países, incluindo programas na África e na América Latina.
"Selecionar animais com baixas emissões em programas de melhoramento genético para a próxima geração reduzirá significativamente as emissões ao longo do tempo."
Veerkamp afirma que ​​uma redução de 25% nas emissões em 25 anos é uma meta realista.
Pesquisador diz que redição em 25% de emissões de metano na pecuária em 25 anos é objetivo realista
Getty Images via BBC
Outra prioridade é melhorar o bem-estar animal.
Veerkamp e seus colegas usam inteligência artificial para interpretar imagens e vídeos de animais.
"Gravamos vídeos de galinhas e vacas em grupos, ou de vacas individualmente caminhando em frente a uma câmera. A partir dos vídeos, usamos IA para monitorar seu comportamento: o quanto se movem, se se movem normalmente ou se têm problemas nas patas, se descansam o suficiente ou se movem muito pouco", explica.
"Com base nesses dados, desenvolvemos medidas para monitorar ou melhorar o bem-estar animal."
De Wageningen à América Latina
Todos os anos, pessoas de todo o mundo frequentam os cursos da escola de verão de Wageningen, incluindo o curso de estufas de alta tecnologia, que começa em 31 de agosto.
As estufas nos Países Baixos exigem um investimento significativo, mas Zepeda afirma que alguns elementos dessa tecnologia podem ser aplicados em regiões como a América Latina.
Um deles é a hidroponia, ou irrigação por gotejamento. "Aqui a água não é o problema, mas é na América Latina", ela destaca.
Luzes LED de diferentes cores permitem controlar quais compostos a planta produz
Joris Aben/WUR
Outra opção é o uso de luz adicional de diferentes cores para ajudar as plantas a produzirem mais.
Mas tanto Zepeda quanto Vieira concordam que as soluções devem ser adaptadas a cada contexto específico.
"É importante ressaltar que não se trata de um simples processo de 'copiar e colar'", afirma Vieira.
"Um exemplo claro é o controle climático em estufas. Nos Países Baixos, o principal desafio é aquecer o ambiente e fornecer luz artificial para compensar a baixa radiação solar durante o inverno.
Na América Latina, especialmente nas regiões tropicais, o desafio é praticamente o oposto: reduzir as temperaturas excessivas e melhorar o aproveitamento da alta disponibilidade de radiação solar.
Uma possível tecnologia que poderia ser transferida, segundo Zepeda, é a parede úmida ou sistema de resfriamento ativo, no qual a ventilação é feita pela passagem de água fria através de mantas em uma extremidade da estufa e pela instalação de um exaustor na outra extremidade para recircular o ar frio.
Para Vieira, "o principal valor das inovações desenvolvidas em Wageningen reside não na sua replicação direta, mas na sua adaptação inteligente, que contribui para sistemas agrícolas mais eficientes, resilientes e sustentáveis ​​na América Latina".
'As plantas são cultivadas em substratos, o que permite um maior controle do fornecimento de nutrientes e possibilita a reutilização quase total da água de irrigação', destaca Vieira.
Joris Aben/WUR
Na América Latina, os maiores desafios são diferentes.
"Com uma população crescente, teremos que aumentar a produção de alimentos, preservando os recursos naturais e promovendo a inclusão socioeconômica de produtores com diferentes perfis, desde agricultores familiares até grandes produtores", destaca Vieira.
"Precisamos ser capazes de aumentar a produção de alimentos preservando simultaneamente os recursos naturais e promovendo a inclusão socioeconômica de produtores com diferentes perfis, desde agricultores familiares até grandes produtores", observa ele.
"Um dos principais desafios será produzir de forma mais eficiente e rentável, sem a necessidade de expandir as fronteiras agrícolas para preservar a biodiversidade."
"Além disso, há uma crescente necessidade de promover sistemas de agricultura regenerativa que não apenas minimizem os impactos ambientais, mas também contribuam para a recuperação de áreas degradadas."
Zepeda destaca que, enquanto no passado o foco era produzir calorias suficientes, agora a questão é: como garantir que todos tenham os nutrientes necessários?
Com as mudanças climáticas e as secas, acrescenta, é muito mais difícil produzir em campo aberto para fornecer esses nutrientes à população.
"Estamos ficando sem água e solo, e há muitos eventos climáticos extremos."
A produção intensiva nos Países Baixos pode indicar um caminho a seguir.
"Vejo que a horticultura tem um valor imenso", diz Zepeda. "Porque com uma estufa você pode produzir mais em uma área menor e proteger suas plantações", ressalta ela.
"O desafio, claro, é como adaptar a tecnologia à situação em cada parte do mundo."
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48 seleções, 104 jogos, 7 milhões de ingressos: a Copa do Mundo em números

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FOTO DE ARQUIVO: O logotipo da Copa do Mundo da FIFA de 2026 de Nova York/Nova Jersey é revelado durante o evento de lançamento na Times Square, em Nova York, nos Estados Unidos, em 18 de maio de 2023.
Reuters/Brendan McDermid/Foto de arquivo
Serão 48 seleções, 104 jogos, 7 milhões de ingressos: esses são alguns dos números mais impressionantes da Copa do Mundo de 2026, que será disputada de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, no Canadá e no México.
48 seleções
É o número de países que disputarão esta Copa do Mundo, a primeira com tantos participantes. Em março de 2023, o Conselho da Fifa aprovou a expansão de 32 para 48 seleções, que serão divididas em 12 grupos de quatro equipes cada. A última expansão do torneio ocorreu na Copa do Mundo de 1998, na França, quando aumentou de 24 para 32.
104 jogos
É o número de jogos que serão disputado neste Mundial. Serão 40 jogos a mais do que na edição anterior, em 2022. Além do aumento no número de participantes e grupos, uma fase extra foi adicionada: a fase de 32 avos de final. Anteriormente, as fases eliminatórias começavam nas oitavas de final.
23ª edição
A Copa do Mundo de 2026 será a 23ª edição desde a primeira, realizada no Uruguai, em 1930. Com cinco títulos, o Brasil detém o recorde de maior número de conquistas, à frente da Alemanha e da Itália, que têm quatro cada.
7 milhões de ingressos
Com quase sete milhões de ingressos colocados à venda, a Fifa espera quebrar o recorde histórico de 3,5 milhões de ingressos vendidos para uma Copa do Mundo, que ocorreu em 1994, justamente no evento anterior sediado pelos Estados Unidos.
16 estádios
Distribuídos pelos três países anfitriões, 16 estádios receberão jogos da Copa do Mundo. Isso representa o dobro do número de estádios utilizados no Catar em 2022 e quatro a mais do que na Rússia em 2018.
2 árbitras
A americana Tori Penso e a mexicana Katia Garcia são as duas árbitras principais selecionadas para a Copa do Mundo de 2026. No total, haverá 52 árbitros principais, representando as seis confederações e 50 federações nacionais.
60 dólares
O preço mínimo de um ingresso para um jogo da Copa do Mundo é de US$ 60 (R$ 293 na cotação atual), de acordo com a associação Football Supporters Europe (FSE), enquanto em seu dossiê de candidatura os organizadores prometeram que seria de US$ 21 (R$ 102).
No entanto, na maioria dos jogos os torcedores tiveram que desembolsar centenas ou até milhares de dólares para conseguir um ingresso nas diferentes fases de venda abertas pela Fifa.
Com relação à revenda de ingressos na plataforma oficial, o caso de um detentor de um bilhete para a final de 19 de julho, que fixou o preço de US$ 2 milhões (R$ 9,7 milhões), chamou a atenção.
871 milhões de dólares
Os 871 milhões de dólares é o valor total dos prêmios a serem distribuídos entre as 48 seleções participantes. O montante será mais que o dobro do valor concedido na Copa do Mundo do Catar em 2022. A equipe vencedora levará para casa US$ 50 milhões (R$ 244 milhões).
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Golpistas enganam peruanos para enviá-los ao front russo

Golpistas enganam peruanos para enviá-los ao front russo
Diversos países relatam tentativa de atrair cidadãos à Rússia
Oleg Petrasiuk/Ukrainian Armed Forces/Reuters
"Na madrugada, nos confirmaram outros dois mortos, então são quinze", diz o advogado Percy Salinas. Ele e outros dois profissionais denunciaram a existência de uma máfia que engana cidadãos peruanos oferecendo empregos na Rússia para depois enviá-los ao front de batalha na guerra contra a Ucrânia.
Os quinze mencionados por Salinas são peruanos que, após serem enganados, morreram na guerra. Há outros oito feridos, acrescenta o profissional. "A empresa que organiza tudo está na Colômbia, e as convocações são feitas pelas redes sociais", explica.
"Num primeiro momento, pedem vigilantes, motoristas, eletricistas e mecânicos para trabalhar na Rússia. Quando chegam lá, retiram os documentos e os obrigam a assinar um contrato, que é a adesão às forças russas. Se não o fizerem, são agredidos e ameaçados de morte", relata.
Os três advogados defendem dezenas de famílias que exigem do governo peruano intervenção para conseguir que seus parentes retornem o quanto antes ao país.
O Ministério das Relações Exteriores do país informou que 18 pessoas que chegaram à embaixada em Moscou foram acolhidas e repatriadas, mas os advogados dizem que, do outro lado do mundo, ao menos 600 homens permanecem à espera de soluções.
Trump anuncia trégua de 3 dias entre Rússia e Ucrânia
Farsa não atinge só os peruanos
O fenômeno não ocorre apenas no Peru. Há casos relatados na Colômbia, em Cuba, na Bolívia e no Equador, entre outros países da América Latina. No Brasil, são diversos os casos relatados na imprensa de cidadãos que foram à Rússia com a perspectiva de trabalho e acabaram no front.
Índia, Nepal — que chegou a proibir viagens a trabalho à Rússia —, Bangladesh, Iraque e África do Sul engrossam a lista de Estados que denunciaram que seus cidadãos acabaram sendo recrutados com falsas promessas.
O presidente do Quênia, William Ruto, afirmou que seu governo estava preocupado com a quantidade de jovens recrutados ilegalmente para lutar na guerra russa. Já em julho de 2024, durante uma visita a Moscou, o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, exigiu da Rússia que dispensasse os indianos que haviam sido enganados para combater na guerra.
"O procedimento de recrutamento foi amplamente documentado em relatórios como um modelo aplicado nos países mais vulneráveis da América Latina e da África. Parece que essa rede russa atua para captar justamente pessoas de famílias em grave situação de necessidade", diz Paolo Apaza, membro da organização Diálogos Humanos, que acompanha e investiga o tema.
"É mais barato contratar um latino-americano do que um norte-americano ou um europeu. Além disso, pelo menos no caso dos colombianos, pesa muito o fato de o país ter uma experiência longa e ativa de guerra civil", explica Elizabeth Dickinson, vice-diretora para a América Latina do International Crisis Group. Para ela, os latino-americanos se tornaram atraentes pelo desejo de mobilidade social.
"Na migração, ouvimos histórias de pessoas que foram trabalhar alguns meses em outro país e ganharam bom dinheiro. Isso desperta interesse por essa possibilidade de mobilidade social, com a esperança de poder sustentar as famílias", observa a especialista.
"Uma oferta de 20 mil dólares é atraente. Por isso, há pessoas que assumem esses riscos e decidem ir, sem conhecer a realidade", complementa Salinas.
Mudança de estratégia
Os advogados que representam as famílias peruanas afetadas por esta situação têm sido extremamente críticos em relação às medidas adotadas pelo governo até o momento.
"O mínimo que se espera do próprio país é que ele ofereça assistência jurídica — que ele proteja você — e não que diga que lhe falta orçamento para comprar passagens aéreas ou que não pode acomodá-lo na embaixada por muito tempo", explica Salinas, visivelmente frustrado. Isso, afirma ele, foi precisamente o que vivenciaram os peruanos que buscaram assistência junto à missão diplomática peruana em Moscou.
"A reação do governo tem sido tardia. Sob a ótica do direito constitucional peruano, o Estado tem a obrigação de salvaguardar seus cidadãos no exterior. Na prática, isso implica manter uma presença por meio de uma ação diligente, robusta e urgente sempre que direitos fundamentais estiverem em risco", observa Valeria del Pilar Concha, comissária da Diálogos Humanos.
Ela lamenta que o Ministério das Relações Exteriores só tenha intensificado seus esforços "após os protestos realizados pelos familiares das vítimas e a repercussão midiática que geraram".
Esta questão é particularmente sensível porque não são apenas os peruanos atraídos para a Rússia sob falsos pretextos que correm perigo; suas famílias também têm recebido ameaças de morte, segundo o advogado Salinas.
"Desde que começamos a registrar as denúncias, as famílias viram seus negócios serem ameaçados e receberam vídeos exibindo armas e munições. Meus colegas e eu, enquanto estávamos em frente à embaixada russa, recebemos telefonemas ameaçadores exigindo que fôssemos embora. A polícia e o Ministério Público devem agir imediatamente", exige ele.
Além disso, Salinas alerta que — em decorrência das denúncias públicas feitas pelos familiares — os recrutadores alteraram suas táticas enganosas.
"Agora, eles alegam que a Rússia está oferecendo oportunidades educacionais e convidando pessoas para participar de torneios esportivos. No entanto, assim que as vítimas chegam lá, a história se repete: elas são levadas diretamente para a zona de combate."