Trump diz que resposta do Irã a cessar-fogo é ‘totalmente inaceitável’; proposta iraniana pede fim da guerra e garantias contra novos ataques

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Trump diz que resposta do Irã a cessar-fogo é 'totalmente inaceitável'; proposta iraniana pede fim da guerra e garantias contra novos ataques Escalada acontece em meio a frágil cessar-fogo e enquanto os EUA aguardam uma resposta do Irã sobre a última proposta para encerrar a guerra. Resposta do Irã aos EUA pede fim da guerra e garantias contra novo ataque; Trump reage: 'Totalmente inaceitável'. Israel segue com ataques no Sul do Líbano e pede para que população evacue região; grupo armado Hezbollah ataca militares israelenses com drones suicidas. Netanyahu diz à TV americana que Israel não previa crise em Ormuz; leia mais sobre entrevista. Uma autoridade iraniana afirmou que o bloqueio naval será respondido com ação militar.. Irã diz que petroleiro iraquiano atravessou Estreito de Ormuz em direção ao Vietnã neste domingo (10)

Por que brasileiros estão deixando Portugal em busca de novas oportunidades na Espanha

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O brasileiro Paulo Geronimo e sua família
Arquivo pessoal via BBC
O brasileiro Paulo Geronimo espera ser um dos beneficiados pelo processo de regularização extraordinária iniciado em abril, que pretende legalizar a situação de milhares de imigrantes que já vivem na Espanha. Após sete anos em Portugal, ele se mudou para o país vizinho com a família em 2025.
"Até já tínhamos conseguido regularizar nossa situação em Portugal, mas, nos últimos anos, começamos a sentir um aumento da hostilidade contra brasileiros, com frases como 'volta para a tua terra'. Também fomos atraídos por salários mais altos. E tivemos sorte de nos mudar antes do processo de regularização — o que nos permite ser beneficiados", conta Paulo. Com anos de experiência como motorista de caminhão em Portugal, ele já conseguiu a promessa de um contrato de trabalho na Espanha e está desenvolvendo um app para conectar motoristas e empresas espanholas.
Com um discurso oficial mais positivo em relação à imigração e políticas voltadas a melhorar as condições de vida dos imigrantes, a Espanha tem seguido um caminho diferente não só dos EUA, mas também de vários países europeus — entre eles, Portugal, que hoje abriga a maior comunidade brasileira na Europa (mais de 500 mil pessoas).
Soma-se a isso o fato de a Espanha ser uma das economias que mais crescem na União Europeia e não é difícil entender por que a história de Paulo está longe de ser um caso isolado.
Nos últimos meses — e com mais intensidade após o anúncio da regularização extraordinária — multiplicaram-se, em grupos de WhatsApp de brasileiros na Espanha, as dúvidas de conterrâneos que vivem em Portugal sobre como (e se valeria a pena) mudar-se para o país vizinho. Também surgiram novos grupos, alguns com centenas de membros, que compartilham informações práticas sobre a mudança.
O interesse é particularmente forte nas regiões de fronteira, onde, muitas vezes, mudar de país significa, literalmente, atravessar uma ponte. E não vem apenas de imigrantes em situação irregular, mas também de quem já está regularizado. Mônica Rovaris, por exemplo, professora universitária aposentada com dupla cidadania brasileira e italiana, decidiu se mudar do norte de Portugal para a Galícia, no noroeste da Espanha, com o marido e dois filhos.
"Nossa impressão é que Portugal não soube equacionar muito bem o aumento da imigração: há um clima de maior hostilidade e os serviços de atendimento aos imigrantes colapsaram. Meu marido, que é brasileiro, estava há dois anos esperando pela renovação do visto de residência", diz Mônica.
Com base em dados do governo espanhol, o Consulado do Brasil em Madri estima que a comunidade de brasileiros oficialmente residente na Espanha tenha atingido 195 mil pessoas em 2025, contra 156 mil em 2022 — um aumento de cerca de 25% em apenas três anos.
Só no último trimestre, 6,3 mil brasileiros se mudaram para o país, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE) — um ritmo que, anualizado, poderia ultrapassar 25 mil e indica uma aceleração do movimento migratório. O Consulado também reporta aumento na demanda por serviços consulares, sugerindo crescimento da comunidade.
A regularização extraordinária se aplica apenas a imigrantes que já estavam na Espanha até o final de dezembro de 2025 — ou seja, recém-chegados não serão contemplados. Ainda assim, o interesse crescente pode ser explicado por uma combinação de fatores, que vão desde o endurecimento das regras migratórias em Portugal até a busca por melhores salários e condições de vida.
Paulo trabalhou por anos como motorista de caminhão em Portugal
Arquivo pessoal via BBC
Aperto migratório em Portugal
Em 2025, a coalizão governista de centro-direita que governa Portugal (Aliança Democrática, AD) uniu-se ao partido de direita radical Chega, de forte viés anti-imigração, para aprovar mudanças na Lei de Estrangeiros. Entre outras medidas, a nova legislação elimina a possibilidade de imigrantes solicitarem residência após entrarem no país como turistas e endurece as regras de reagrupamento familiar.
O Parlamento português também aprovou este ano uma nova Lei de Nacionalidade, que amplia de cinco para sete anos o tempo mínimo de residência exigido de brasileiros para o pedido de nacionalidade e elimina a concessão automática a filhos de imigrantes nascidos em Portugal. A lei ainda precisa ser sancionada pelo presidente, o ex-líder socialista António José Seguro, que pode submetê-la ao Tribunal Constitucional. Mas ainda que haja qualquer mudança pontual, a expectativa é de que um endurecimento seja aprovado mais cedo ou mais tarde.
"Até 2024, Portugal tinha um dos sistemas de imigração mais liberais da Europa: quem chegasse e conseguisse trabalho já podia se regularizar e, após cinco anos, obter nacionalidade. Agora, essa porta foi fechada", diz o sociólogo Pedro Góis, da Universidade de Coimbra.
Além das mudanças legais, também há indícios de um aumento das hostilidades contra imigrantes. Dados do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) mostram que, em 2025, foram registrados 449 casos de discriminação e incitação ao ódio e à violência, contra 19 há uma década. Segundo uma pesquisa recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos, 51% dos portugueses acreditam que o número de imigrantes brasileiros deveria diminuir.
Relatos de discriminação no cotidiano tornaram-se mais frequentes segundo brasileiros ouvidos pela BBC, e alguns casos de violência têm causado grande comoção na comunidade — como o do menino brasileiro que teve os dedos decepados na escola.
Para Góis, a diferença no tom das políticas migratórias entre Portugal e Espanha se explica, primeiro, pela orientação ideológica dos dois governos. Após oito anos de governo socialista, a centro-direita assumiu o poder em Portugal em 2024, mas sem maioria parlamentar — o que a obriga a negociar ora com os socialistas, ora com o Chega, hoje a segunda maior força no Parlamento e que ficou em segundo lugar nas eleições presidenciais deste ano, com cerca de 33% dos votos.
Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de centro-esquerda, está no poder desde 2018. "Essa diferença evidentemente influencia diretamente o tom das políticas e do discurso. E é um lembrete de que uma eventual alternância de governo também poderia levar a mudanças na política migratória", diz Góis.
As eleições gerais espanholas estão previstas para 2027 e, no momento, a média das sondagens aponta para uma disputa acirrada entre o PSOE e o Partido Popular (PP), de centro-direita, com ligeira vantagem para o último. O PP promete uma "reforma profunda" para, nas suas palavras, "colocar ordem" no sistema migratório espanhol — incluindo elevar os requisitos para a nacionalidade —, mas sem "fechar as portas" e até facilitando algumas vias de imigração legal, como o visto de busca de trabalho. As sondagens, porém, também indicam um possível fortalecimento (em relação ao resultado de 2023) do Vox, partido de direita radical de forte viés anti-imigração, com quem o PP poderia eventualmente ter de pactuar para formar governo.
Além dessa questão política, segundo Góis, também há uma diferença na escala da imigração entre Espanha e Portugal. Embora a Espanha tenha recebido mais imigrantes em termos absolutos na última década — cerca de 2,5 milhões —, proporcionalmente o aumento foi maior em Portugal. "Portugal tem hoje cerca de 1,6 milhão de imigrantes em uma população de 10 milhões, sendo que aproximadamente 1 milhão chegou nos últimos dez anos. Para a Espanha (com 49 milhões de habitantes), isso equivaleria à chegada de quase 5 milhões de pessoas", diz. "Em Portugal, esse volume trouxe uma série de desafios, incluindo a sobrecarga dos serviços públicos de imigração."
Em Portugal, presidente promulga lei que endurece as regras e dificulta a cidadania para imigrantes
Políticas espanholas
Na Espanha, o governo tem defendido publicamente a imigração como parte da solução para desafios estruturais da economia, como o envelhecimento da população e a escassez de mão de obra em setores como construção, hotelaria, logística e cuidados.
"Do ponto de vista do discurso, a Espanha se destacou dentro da União Europeia ao afirmar de forma explícita que a imigração é fundamental para o crescimento econômico — algo que nenhum outro governo disse com tanta clareza. E os dados sustentam essa posição: entre 2002 e 2024, dos 5,2 milhões de pessoas que se incorporaram à população ativa, 75% eram estrangeiras ou tinham dupla nacionalidade", diz Claudia Finotelli, professora da Faculdade de Ciências Políticas e Sociologia da Universidade Complutense de Madrid e diretora do Grupo de Estudos sobre Migrações.
Nos últimos anos, o crescimento da economia espanhola tem superado o de outros países europeus, e economistas associam parte desse desempenho ao aumento da imigração. Em 2025, o PIB da Espanha cresceu 2,8%, contra 0,2% da Alemanha e 0,9% da França; em Portugal, o crescimento foi de 1,9%. Esse dinamismo, aliado a salários relativamente mais altos do que em Portugal, também tem atraído brasileiros: o salário-mínimo na Espanha, por exemplo é de 1.221 euros (cerca de R$ 7.040), versus 920 euros (cerca de R$ 5.300) em Portugal (nos dois países, o trabalhador recebe 14 salários anuais).
Ao mesmo tempo, como em toda a Europa, o aumento da imigração também trouxe desafios — por exemplo, ao agravar a crise habitacional, que tem múltiplas causas estruturais e é apontada como uma das principais dificuldades pelos recém-chegados.
A regularização extraordinária é a medida mais recente do governo espanhol para avançar na integração de imigrantes que já vivem no país. O Executivo também promete agilizar a homologação de diplomas estrangeiros — que em alguns casos leva anos — e recentemente editou um decreto para eliminar as barreiras ao acesso de imigrantes irregulares à saúde pública em todas as regiões do país, garantindo uma harmonização das práticas nessa área.
Oficialmente, espera-se que cerca de 500 mil pessoas sejam beneficiadas pelo processo de regularização extraordinária, a maioria da América Latina. Mas o centro de pesquisas Funcas estima que o número de imigrantes irregulares na Espanha possa ultrapassar 800 mil.
"Há tantas pessoas em situação irregular porque, diferentemente de outros países com mercados de trabalho mais formais, na Espanha há uma economia informal robusta que absorve essa migração", diz Raquel Martínez Buján, professora da Faculdade de Sociologia da Universidade de La Coruña. "Existe um discurso de controle de fronteiras, mas, na prática, a economia precisa dessa mão de obra e há uma informalidade tolerada. Assim, muitas pessoas que entram como turistas acabam trabalhando sem contrato em setores como agricultura ou serviço doméstico."
Hoje, a principal via de regularização não-extraordinária na Espanha é o chamado "arraigo". Em linhas gerais, após dois anos vivendo na Espanha — ainda que de forma irregular — em muitos casos o imigrante pode solicitar uma autorização de residência, desde que comprove vínculos com o país, como uma relação de trabalho ou estudos. Nacionais de países ibero-americanos, incluindo o Brasil, podem pedir a cidadania após dois anos de residência legal no país.
A regularização extraordinária permite que mesmo quem não cumpre os requisitos do arraigo obtenha permissão de trabalho e residência, acelerando o acesso ao emprego formal. Entre as condições estão não ter antecedentes criminais e ter vivido na Espanha por ao menos cinco meses antes do fim de 2025.
O governo afirma que a medida responde a uma "urgência social" e terá impacto fiscal, ao trazer trabalhadores para a formalidade. "O que estamos fazendo é reconhecer direitos de cidadãos que já estão no nosso país", disse Sánchez. Críticos, como o Vox, argumentam que a medida poderia gerar um "efeito chamada", incentivando novas entradas irregulares na expectativa de futuras regularizações.
A última regularização extraordinária na Espanha ocorreu em 2005 e legalizou a situação de mais de 500 mil pessoas. Joan Monras, professor de economia da Universidade Pompeu Fabra, analisou seus efeitos e concluiu que não só não houve "efeito chamada" generalizado, como também houve aumento do emprego formal e da arrecadação — cerca de 4.000 euros (cerca de R$ 23.000) anuais por trabalhador —, sem pressão significativa sobre saúde ou educação. "Em 2005, a regularização veio acompanhada de mais inspeções em locais de trabalho e reforço do controle de fronteiras, o que mostra que há instrumentos para evitar um eventual efeito chamada", afirma.
Monras acrescenta que, no geral, os fluxos migratórios resultam de uma combinação mais complexa de fatores de expulsão e de atração: "Há algumas razões que empurram os imigrantes — crise econômica, violência, falta de oportunidades ou questões políticas, como a crise na Venezuela — e outras que os atraem, como crescimento econômico e oportunidades reais de trabalho. E as políticas de terceiros países também contam: um endurecimento nos EUA pode desviar fluxos para a Europa, por exemplo."
Até agora, a imigração parece gerar menos polarização na Espanha do que em Portugal.
Segundo o Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS), o instituto público espanhol de pesquisas de opinião, apenas 14,8% dos espanhóis apontam o tema como um dos três principais problemas do país, atrás de habitação (43,5%), situação econômica (22,5%), qualidade do emprego (18,4%) e "atuação do governo e de partidos ou políticos concretos" (15,4%).
Outra pesquisa do instituto de pesquisas 40dB, divulgada em 4 de maio, apontou que 38% dos espanhóis são a favor da regularização extraordinária e 33% são contra. No entanto, na mesma pesquisa 60% dos entrevistados de nacionalidade espanhola disseram que o número de imigrantes no país já estaria alto demais.
"O debate existe, mas não tem gerado um conflito mais generalizado. Há tensões pontuais, não um enfrentamento massivo", resume Martínez Buján.
Finotelli, da Universidade Complutense de Madrid, ressalta que, para além do discurso, a demanda por trabalhadores estrangeiros é estrutural em toda a Europa. "Mesmo a Itália — governada pela direita radical de Giorgia Meloni — tem anunciado os chamados 'decretos de fluxo' para milhares de trabalhadores estrangeiros que são regularizações encobertas," diz.
Góis, da Universidade de Coimbra, concorda: "No geral, os ciclos migratórios na Europa tendem a alternar entre maior abertura e maior restrição, mas, no longo prazo, a região precisará de mais trabalhadores para suprir necessidades estruturais da sua economia", comenta. "Ainda assim, não há dúvidas de que o caminho mais seguro para quem quer migrar são as vias legais que, ainda que mais lentas, evitam situações de vulnerabilidade, exploração e incerteza."

Irã descreve proposta para encerrar guerra com os EUA como ‘legítima e generosa’

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Iraniana caminha ao lado de mural com a ilustração da bandeira do Irã, em Teerã, no dia 5 de maio de 2026
Majid Asgaripour/Wana/Reuters
A proposta do Irã para acabar com a guerra com os Estados Unidos e reabrir o Estreito de Ormuz foi "legítima e generosa", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, nesta segunda-feira (11) à agência de notícias Reuters.
Baghaei ainda afirmou que os EUA continuam mantendo exigências consideradas "irracionais e unilaterais".
“Nosso pedido é legítimo: exigir o fim da guerra, o levantamento do bloqueio e da pirataria (dos EUA no canal) e a liberação dos ativos iranianos que foram injustamente congelados em bancos devido à pressão americana”, disse Baghaei.
“Passagem segura pelo Estreito de Hormuz e o estabelecimento da segurança na região e no Líbano foram outras demandas do Irã, que são consideradas uma oferta generosa e responsável para a segurança regional", afirmou Baghaei.
Trump classificou propostas como "inaceitáveis"
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou neste domingo (10) como "totalmente inaceitáveis" as condições do Irã para pôr fim à guerra no Oriente Médio, o que aumenta a probabilidade de que o conflito continue após semanas de negociações.
"Acabei de ler a resposta dos chamados 'representantes' do Irã. Não gosto. TOTALMENTE INACEITÁVEL", escreveu Trump em sua rede Truth Social.
Mais cedo no domingo, o Irã havia respondido à última proposta de paz de Washington com uma série de exigências para acabar com a guerra, segundo informações da mídia estatal e da agência iraniana semioficial Tasnim.
Além disso, segundo autoridades ouvidas pelo jornal "The Wall Street Journal", o Irã colocou suas próprias condições sobre a questão nuclear.
➡️ Mais de um mês após a implementação de um cessar-fogo em 8 de abril, não há avanços para colocar um fim definitivo da guerra no Oriente Médio, iniciada com o ataque de 28 de fevereiro de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã.
Veja os principais pontos impostos pelo Irã para encerrar o conflito:
Fim da guerra e segurança
O Irã defende a necessidade de acabar com a guerra em todas as frentes (incluindo a guerra travada entre Israel e Hezbollah no Líbano) e solicita garantias formais de que não sofrerá novos ataques.
Soberania territorial: O documento destaca a soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.
Economia e sanções
Suspensão de sanções: A proposta pede a suspensão, por um período de 30 dias, das sanções dos EUA via Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC) sobre a venda de petróleo iraniano e solicita o término do bloqueio naval contra o país.
Compensações financeiras: O Irã requer que os Estados Unidos paguem indenizações pelos danos causados durante a guerra.
Questão nuclear
Destino do urânio: O plano sugere diluir parte do urânio altamente enriquecido e transferir o restante para um terceiro país, segundo reportagem do jornal "The Wall Street Journal".
Cláusula de devolução: O Irã exige garantias de que esse urânio seja devolvido ao país caso as negociações fracassem ou os EUA abandonem o acordo futuramente.
Instalações e enriquecimento: O país aceita suspender o enriquecimento de urânio por um prazo menor do que os 20 anos propostos pelos EUA, mas rejeita categoricamente desmantelar suas instalações nucleares.
Iraniana caminha ao lado de mural com a ilustração da bandeira do Irã, em Teerã, no dia 5 de maio de 2026
Majid Asgaripour/Wana/Reuters

Por que roupas estão tão caras na Argentina — e governo Milei estimula compras fora do país

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Segundo um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina publicado em março do ano passado, a Argentina tem as roupas mais caras da região
Getty Images via BBC
Em uma loja de roupas baratas em Miami Beach, nos Estados Unidos, quatro argentinos vasculham as araras, escolhem peças sem entrar no provador e empilham roupas no carrinho.
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"Viemos comprar roupas nos EUA porque os preços são muito mais baixos do que na Argentina", diz Macarena, de 29 anos, em seu primeiro dia na cidade.
Para os argentinos que podem viajar ao exterior, comprar roupas em Miami — ou, mais perto, em Santiago, no Chile — virou um dos principais incentivos na hora de viajar.
"Antes de viajar, me organizei financeiramente para levar dinheiro suficiente, já reservando espaço na mala para voltar com as roupas que compraria", acrescenta Macarena.
Vídeos em alta no g1
Enquanto enchem carrinhos de compras em Miami, muitos argentinos tentam prolongar o uso de roupas gastas, recorrem a lojas de roupas de segunda mão e ao parcelamento com juros altos para renovar o guarda-roupa.
Segundo um relatório da Secretaria de Comércio da Argentina publicado em março do ano passado, a Argentina tem as roupas mais caras da região.
O estudo concluiu que uma camiseta de uma marca internacional pode custar na Argentina até 95% mais do que no Brasil, antes da redução das tarifas de importação de produtos têxteis determinada pelo governo do presidente da Argentina, Javier Milei.
Muitos argentinos levam malas para fazer compras em shoppings do Chile
Getty Images via BBC
Há vários anos, os preços das roupas na Argentina são tema de debate e dividem opiniões no país.
No início deste ano, o ministro da Economia, Luis Caputo, gerou polêmica ao afirmar: "Nunca comprei roupas na Argentina porque era um roubo". Ele acrescentou que os altos preços das peças "prejudicam quem tem menos [dinheiro]".
Segundo um relatório da consultoria Fundar, os preços das roupas na Argentina são, em média, mais altos do que no restante da região. Apesar disso, embora haja consenso de que as roupas "estão caras", não existe acordo sobre qual seria a solução.
Enquanto o setor têxtil defende a redução de impostos e proteção por meio de um câmbio mais alto, o governo de Milei aposta na abertura da economia a produtos importados, incluindo mercadorias da China.
O presidente da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, Claudio Drescher, define o momento atual como uma "destruição da indústria têxtil na Argentina".
Mas por que as roupas custam mais caro no país?
Impostos sobre o setor
"Mais da metade do valor pago pelo consumidor por uma peça produzida no país corresponde a impostos", afirma Drescher à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.
Segundo Drescher, representante do setor têxtil argentino, o preço de cada peça inclui uma série de tributos, começando pelos 21% do imposto sobre valor agregado (IVA), um tributo nacional indireto cobrado sobre o consumo de bens. O IVA é a principal fonte de arrecadação do Estado argentino.
Além do IVA, há o imposto do cheque de 1,2% sobre movimentações bancárias, cobrado a cada transferência de dinheiro entre bancos. O tributo foi criado em 2001 como medida temporária, mas permanece em vigor há mais de 24 anos na Argentina (há similaridades com a extinta CPMF brasileira).
"Esse é um imposto que a maior parte dos países não costuma ter", explica à BBC News Mundo, Juan Carlos Hallak, doutor em economia pela Universidade Harvard, nos EUA, e professor de economia internacional na Universidade de Buenos Aires, na Argentina.
"É um imposto cumulativo. Isso significa que, se um parafuso é vendido e depois incorporado a uma peça, que por sua vez entra na fabricação de uma máquina, o tributo é cobrado em cada etapa do processo, nesse caso, três vezes", acrescenta Hallak, que dirigiu a subsecretaria de Inserção Internacional do governo do então presidente argentino Mauricio Macri (2015-2019).
Segundo a Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, uma peça produzida na Argentina pode custar até 30% menos no Chile
Getty Images via BBC
A esses tributos se soma ainda uma taxa de 1,8% para pagamentos feitos com cartão. E, quando a compra é parcelada, como ocorre em quase 90% das compras de roupas no país, o parcelamento adiciona ainda quase 15% em custos financeiros ao valor final.
"Uma peça produzida na Argentina e vendida no país custa entre 25% e 30% mais do que custaria se essa mesma peça fosse vendida no Chile", afirma Drescher, da Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina.
Segundo dados da entidade, as vendas de marcas argentinas caíram, em média, 38% nos últimos 18 meses, o que levou ao fechamento de mais de 1.600 lojas.
Além disso, mais de 10 mil trabalhadores formais da indústria de confecção perderam o emprego. Especialistas estimam que o setor têxtil gere cerca de 300 mil postos de trabalho na Argentina.
O governo argentino diz que "é falso que empregos estejam sendo perdidos".
Na semana passada, Milei afirmou durante um fórum empresarial que o que ocorre é uma "realocação da força de trabalho" e que trabalhadores demitidos poderiam "migrar mais rapidamente" para setores mais competitivos da economia.
Desde que Milei assumiu o governo, foram derrubados 24 impostos. As medidas, no entanto, não atingiram a indústria têxtil, mas outros setores da economia.
"O governo reduziu impostos internos sobre produtos como carros de luxo. Na minha opinião, neste momento de transição vivido pela Argentina, teria sido preferível reduzir o imposto sobre movimentações bancárias", afirma Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires.
Abertura para importações
O preço alto das roupas não é explicado apenas pela elevada carga tributária e pelo chamado "atraso cambial", que torna produtos fabricados na Argentina caros tanto dentro quanto fora do país.
Segundo especialistas, o problema também está ligado às barreiras à importação de roupas em vigor há anos na Argentina e que o atual governo vem reduzindo.
Antes do governo de Milei, que assumiu o poder no fim de 2023, roupas produzidas no exterior pagavam tarifa de 35% para entrar na Argentina.
"Em geral, os países cobram tarifas de importação, mas as taxas aplicadas pela Argentina ao setor têxtil eram bastante altas", explica Hallak sobre as medidas de proteção à indústria têxtil.
O atual governo afirma que essa política de proteção transforma alguns empresários argentinos em "caçadores de zoológico", expressão usada para descrever produtores que, sem concorrência externa, conseguem definir preços com maior liberdade.
Por isso, no ano passado, o governo anunciou a redução das tarifas de importação para roupas e calçados vindos do exterior, que passaram de 35% para 20%, "com o objetivo de reduzir os preços locais e aumentar a concorrência".
"A Argentina continua sendo o país com as roupas mais caras da região e do mundo", afirmou Caputo, ao anunciar a medida. "Seguimos reduzindo impostos e tarifas para estimular a concorrência e continuar reduzindo a inflação", acrescentou.
As tarifas de importação de roupas caíram de 35% para 20%
Getty Images via BBC
Além de reduzir tarifas de importação, o governo passou a permitir pequenas compras internacionais via courier, sistema que possibilita comprar produtos pela internet diretamente de lojas no exterior.
Muitos argentinos comemoraram a possibilidade de fazer compras online em marcas como a Shein, que oferecem peças muito mais baratas do que as produzidas na Argentina, algo até então incomum no país.
Vale lembrar que, em 2024, o Brasil seguiu um caminho diferente ao adotar uma lei que estabeleceu a taxação em 20% para compras internacionais de até US$ 50 em plataformas internacionais como Shein, Shopee e AliExpress, popularmente conhecida como "taxa das blusinhas". A taxação foi uma resposta do governo ao pleito de varejistas, após o forte aumento das compras digitais durante a pandemia, e diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e aqueles importados através das plataformas online.
A medida brasileira, criticada por parte dos consumidores por causa da elevação do custo, teve como efeito a redução das importações e um aumento da arrecadação fiscal.
Macarena, a argentina citada no início desta reportagem que faz compras em Miami, ainda não se sente segura para comprar roupas pela internet diretamente da China, mas diz que pretende experimentar porque amigas já fizeram isso e "deu tudo certo".
Além da redução das tarifas de importação e da liberação do comércio eletrônico, o governo argentino também extinguiu as chamadas "licenças não automáticas de importação", como parte da abertura comercial.
A medida reverteu uma decisão do governo de Alberto Fernández (2019-2023), que exigia autorizações obrigatórias para importadores. A regra, uma barreira não tarifária, tinha como objetivo restringir a entrada de determinados produtos estrangeiros.
Na prática, empresas estrangeiras precisavam obter autorização especial para importar roupas para a Argentina.
"Isso levou a regulações discricionárias. Se você tem o poder de conceder permissões, decide para quem concede e para quem não concede", explica Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires.
Efeitos sobre os preços
As medidas recentes adotadas pelo governo argentino provocaram um forte impacto no setor têxtil argentino.
Segundo a Câmara da Indústria Têxtil e do Vestuário da Argentina, os preços das roupas subiram 15% no último ano, bem abaixo da inflação acumulada de 33% registrada até fevereiro de 2026. Ao mesmo tempo, a produção local de roupas caiu 15% no período.
Para os representantes do setor, a abertura às importações, somada aos altos impostos, à queda do consumo interno e ao chamado "dólar caro", reduziu a competitividade dos produtos argentinos.
Ou, como dizem os argentinos, faz com que a indústria jogue "com o campo inclinado" — expressão usada para indicar uma competição em desvantagem diante de produtos importados, principalmente da China, como os vendidos pela Shein e pela Temu.
Na semana passada, Milei voltou a defender sua política de abertura econômica.
"Não vamos produzir de tudo. Vamos produzir algumas coisas, aquelas em que somos melhores. Naquilo em que somos ruins, não teremos chance", disse Milei no fim de abril diante de um grupo de empresários argentinos.
Mais de 1.600 lojas de roupas fecharam recentemente na Argentina
Getty Images via BBC
Milei afirmou que a falta de competitividade da indústria têxtil argentina diante da China não está relacionada apenas aos custos, mas também à inovação.
"A Itália tem salários mais altos do que os nossos e, ainda assim, possui uma indústria têxtil forte. Como isso é possível? Eles competem por meio do design. Precisam encontrar uma saída", disse o presidente argentino.
"Culpar os estilistas e dizer que precisamos nos virar para competir com a China me parece uma perversidade como nunca vi na vida", respondeu o estilista argentino Benito Fernández.
Para Hallak, das universidades Harvard e de Buenos Aires, a abertura econômica é um sinal positivo para a economia argentina no longo prazo, mas a velocidade das mudanças preocupa.
"É uma abertura às importações muito agressiva em um setor extremamente sensível. Colocar pressão demais sobre esse setor de uma vez, sem dar tempo para adaptação, pode ser um erro", afirma Hallak.
Ele defende que a indústria têxtil tenha mais prazo para implementar mudanças e competir com produtos importados nos segmentos em que possa ser competitiva.
"Tudo isso leva tempo. Se o processo for rápido e abrupto, empresas que poderiam sobreviver, se adaptar e apostar em competitividade acabarão desaparecendo", conclui Hallak.
Enquanto isso, argentinos como Macarena seguem buscando maneiras de renovar o guarda-roupa.
Reportagem adicional de Thais Carrança, da BBC News Brasil
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China anuncia datas da visita oficial de Donald Trump

China anuncia datas da visita oficial de Donald Trump
Trump e Xi Jinping se encontram em Busan, na Coreia do Sul, nesta quinta-feira (30).
Reuters/Evelyn Hockstein
A China anunciou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará uma visita de Estado ao país entre os dias 13 (quarta) e 15 de maio (sexta), informou a agência estatal chinesa Xinhua. No fim de março, a Casa Branca havia anunciado que a visita seria nos dias 14 e 15 de maio.
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Segundo o governo americano, Xi também deve visitar Washington em uma data posterior, que ainda não foi acordada entre os dois países.
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*Com informações da Reuters.