Atentado com carro-bomba e emboscada matam 14 policiais no Paquistão

Guerra no Oriente Médio abala imagem de Dubai como centro financeiro seguro
Pessoas carregam o corpo de uma vítima em frente ao posto policial destruído após um ataque com carro-bomba realizado por militantes na região de Fateh Khel, em Bannu, no Paquistão.
Karim Ullah/AFP
Um atentado com carro-bomba contra um posto policial no noroeste do Paquistão, seguido por uma emboscada contra agentes enviados ao local, matou ao menos 14 policiais, segundo autoridades.
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O ataque ocorreu no sábado (09), no distrito de Bannu, na província de Khyber Pakhtunkhwa. Imagens do local mostraram o posto policial destruído, com destroços, veículos queimados e escombros espalhados pela área.
O oficial de polícia Sajjad Khan afirmou que os corpos de 14 agentes foram retirados dos escombros do posto, enquanto outros três policiais sobreviveram e foram levados ao hospital.
Segundo outro agente, que falou sob condição de anonimato por não ter autorização para se pronunciar publicamente, os militantes primeiro lançaram um carro carregado de explosivos contra o posto e, em seguida, invadiram o local atirando contra os policiais que ainda estavam vivos.
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Outros agentes das forças de segurança enviados para prestar reforço acabaram sendo alvo de uma emboscada, o que provocou mais vítimas, disse o policial. Fontes da polícia também afirmaram que drones foram utilizados no ataque.
Equipes de resgate e ambulâncias foram enviadas ao local, enquanto autoridades decretaram estado de emergência em hospitais públicos de Bannu.
Uma aliança militante chamada Ittehad-ul-Mujahideen assumiu a autoria do atentado.
O ataque acontece em meio às tensões contínuas na fronteira entre Paquistão e Afeganistão. A relação entre os dois países se deteriorou no início deste ano, após o Paquistão realizar bombardeios dentro do território afegão contra o que chamou de esconderijos de militantes.
Embora os confrontos tenham diminuído nos últimos meses, escaramuças esporádicas ainda ocorrem na região de fronteira. Islamabad acusa o governo Talibã no Afeganistão de abrigar militantes responsáveis por ataques em território paquistanês — acusações negadas pelo Talibã, que afirma que a militância no Paquistão é um problema interno do país.
Escavadeiras removem os escombros de um posto policial destruído após um ataque com carro-bomba realizado por militantes na região de Fateh Khel, em Bannu, no Paquistão.
Karim Ullah/AFP

Passageiros de cruzeiro com surto de hantavírus começam a desembarcar nas Ilhas Canárias

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Passageiros de cruzeiro com surto de hantavírus começam a desembarcar nas Ilhas Canárias Após impasse com autoridades locais, operação de desembarque começou por volta das 5h30 deste domingo. Passageiros serão levados isolados para aeroporto. O governo da Espanha determinou que as Ilhas Canárias recebam o cruzeiro MV Hondius, apesar da resistência do governo regional.. O navio registra 8 casos notificados de hantavírus, com 6 confirmações laboratoriais e 3 mortes.. Todos os passageiros que seguem a bordo estão assintomáticos, segundo as autoridades.. A operação prevê desembarque em Tenerife, transporte isolado até o aeroporto e repatriação dos passageiros.. A OMS afirma que o risco para a população local é baixo e diz que a situação “não é outra Covid-19”.

Como ataques dos EUA no Caribe estão mudando as rotas do narcotráfico na região

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Ataques dos Estados Unidos contra barcos no Caribe
Reuters via BBC
Os ataques dos Estados Unidos contra barcos no Caribe começam a trazer efeitos visíveis, mas não necessariamente os desejados.
Aparentemente, a quantidade de droga que sai diretamente da Venezuela teria diminuído. Mas especialistas alertam que o tráfico não está se reduzindo, mas sim sendo levado por outras rotas e métodos de mais difícil detecção.
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A Venezuela é um dos principais pontos de saída de cocaína da América do Sul há décadas. Isso se deve à sua posição geográfica estratégica e à sua proximidade, tanto dos países produtores como a Colômbia e o Peru, quanto dos grandes mercados consumidores nos Estados Unidos e na Europa.
Mas a recente intensificação das operações americanas no Caribe, com interceptações e até ataques a embarcações suspeitas de narcotráfico, aumentou significativamente o risco de operação no litoral venezuelano.
E esta mudança está levando o tráfico para outros países da região, segundo os especialistas.
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Em setembro de 2025, Washington reforçou sua presença naval no Caribe, sob o pretexto de lançar uma nova campanha contra o narcotráfico, liderada pelo Comando Sul dos Estados Unidos.
Desde então, o exército americano realizou dezenas de ataques contra embarcações suspeitas, no mar do Caribe e no Oceano Pacífico. Foram cerca de 45 operações registradas até março de 2026, que deixaram mais de 150 mortos.
Os funcionários americanos apresentam estas ações como parte da luta antidrogas, mas alguns analistas destacam que elas também tiveram objetivos políticos.
As operações militares coincidiram com a escalada das tensões entre os Estados Unidos e o governo da Venezuela, que culminou em janeiro de 2026 com a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele foi deposto e levado para Nova York, nos EUA, para responder a acusações de prática de narcotráfico.
Especialistas legais e organismos internacionais questionaram a legalidade destas operações. Eles destacam que as ações americanas podem ter violado normas do direito internacional e constituir uso extrajudicial da força.
Mesmo com esta campanha agressiva, o diretor do programa de supervisão de defesa do Escritório de Washington para a América Latina, Adam Isacson, afirma que o fluxo de drogas para os Estados Unidos não diminuiu.
Na verdade, ele declarou que os dados fornecidos pelas autoridades de fronteira americanas demonstram que, nos sete meses que se passaram desde o início dos ataques às lanchas, foi detectada uma quantidade ligeiramente maior de cocaína que nos sete meses anteriores.
"Isso significa que a cocaína está chegando aos Estados Unidos, independentemente dos ataques", afirmou ele à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC).
"O fato de que o Comando Sul tenha destruído diversas embarcações nos últimos meses parece indicar que eles continuam observando quase o mesmo nível de tráfico por esta via do que antes."
"Não estamos observando uma redução real, mas sim, provavelmente, menos visibilidade, devido à mudança de táticas", explica Isacson.
Outras rotas
O pesquisador Alex Papadovassilakis, jornalista da organização InSight Crime, afirma que, no momento, não há evidências de que o fluxo de cocaína no Caribe tenha sido reduzido.
"Não observamos nenhuma prova de redução sustentada do transporte de cocaína através da região como um todo", declarou ele à BBC.
A equipe da InSight Crime consultou fontes em países importantes de trânsito da droga, como a Venezuela, República Dominicana, Trinidad e Tobago e várias ilhas do Caribe, para analisar o impacto das operações americanas.
Especialistas indicam que o uso de embarcações semissubmersíveis não tripuladas vem aumentando nos últimos anos
Assessoria de Imprensa da Marinha da Colômbia via BBC
A partir deste trabalho, iniciado após o primeiro ataque americano no início de setembro, eles concluíram que o impacto existe, mas é limitado e muito localizado.
Os ataques se concentraram principalmente em lanchas rápidas, que operam no corredor marítimo entre a Venezuela e as ilhas próximas. E a possibilidade de um ataque letal, sem dúvida, representa um novo fator de dissuasão para os traficantes, aumentando o risco de uso deste método naquela rota específica.
Mas Papadovassilakis alerta que o narcotráfico não depende de uma única via e afirma que há indícios que apontam mais para um deslocamento do que para uma interrupção do tráfico.
"Uma das coisas que vimos desde que começaram os ataques é que houve um aumento de voos não registrados se dirigindo para leste, através do espaço aéreo da Guiana", explica ele.
"Isso poderia indicar um aumento dos voos com drogas que saem da Venezuela e se dirigem para a Guiana, Suriname ou Brasil, que é uma rota de saída comum para os carregamentos de cocaína com destino à Europa."
Papadovassilakis afirma que outro foco no qual se observou aumento do tráfico é a Amazônia, entre a Colômbia e a Venezuela.
Trata-se de uma região com extensa rede de rios e densa vegetação, o que transforma a floresta em um corredor ideal para o transporte de drogas de forma discreta.
"Se atacarmos uma única forma de transporte em uma rota específica, é possível fechar uma porta", afirma ele. "Mas ficam abertas muitas outras portas, que as redes criminosas podem explorar simplesmente desviando as remessas por outros caminhos."
O pesquisador também destaca que, mesmo antes do início dos ataques americanos no Caribe, a maior parte da droga que chegava aos Estados Unidos já transitava pelo Pacífico, não pelo Caribe. E grande parte desse tráfico é transportado em contêineres dentro de navios comerciais, um método que não foi afetado pelas operações americanas.
Diversificação de táticas
Mas a mudança não é apenas geográfica. Foi preciso também diversificar as táticas.
Adam Isacson, do Escritório de Washington para a América Latina, afirma que os narcotraficantes possivelmente estão empregando uma quantidade maior de pequenas embarcações, fazendo paradas ao longo da costa em países centro-americanos, como a Costa Rica.
Especialistas afirmam que os grupos criminosos vêm cada vez mais experimentando novos métodos e camuflando a cocaína em carregamentos legais
Getty Images via BBC
"Eles também podem ter aumentado o uso de contêineres de carga, como os utilizados para transportar a droga em direção à Europa, bem como de rotas terrestres", explica Isacson.
"Eles podem estar usando mais narcossubmarinos semissubmersíveis, torpedos operados por drones e até aeronaves."
Os narcossubmarinos são veículos semissubmersíveis que ficam pouco abaixo da superfície da água e permitem o transporte de toneladas de drogas a longa distância, com menos risco de interceptação.
Este tipo de embarcação costuma ser utilizado para tentar transportar cocaína através do Oceano Atlântico, a partir da América do Sul. Ela se consolidou como alternativa às lanchas rápidas.
Mas Isacson destaca que o método mais comum ainda é o conhecido em inglês como rip-on/rip-off. Nele, a cocaína é colocada nos contêineres depois de passar pelos controles de segurança dos portos e retirada pouco antes de chegar ao seu destino.
Isso permite que as redes criminosas evitem a detecção da droga, sem precisar recorrer a técnicas mais complexas.
Ainda assim, ele explica que os grupos criminosos estão fazendo cada vez mais experiências com métodos químicos avançados, como cocaína camuflada em carregamentos legais, dissolvida em líquidos ou misturada com cimentos ou metais, que são de mais difícil detecção.
Para o analista do centro de estudos Atlantic Council, Geoff Ramsey, uma das principais dificuldades para avaliar o impacto das operações dos Estados Unidos no Caribe é a falta de dados sólidos. Mas ele concorda que a maior parte do narcotráfico continua se movendo através de carregamentos maiores e menos visíveis.
"É difícil ter uma imagem completa do impacto destas operações, sem entender quanta cocaína está sendo transportada fora destas pequenas embarcações, especialmente no comércio marítimo tradicional", explica ele.
'Aplica pressão, mas não é a solução'
Os especialistas concordam que as operações no Caribe não estão atingindo o núcleo do narcotráfico.
"Em última análise, trata-se mais de enviar uma mensagem do que deter totalmente o fluxo de drogas", destaca Ramsey.
Isacson vai mais além e descreve as operações americanas como "um incômodo menor" para as redes criminosas, que contam com margens suficientes para se adaptar, assumir maiores riscos e redirecionar seus embarques.
O analista Geoff Ramsey afirma que o narcotráfico prospera graças à 'cumplicidade não investigada, nem punida, entre os funcionários [públicos] e as redes criminosas'
Getty Images via BBC
A ênfase no Caribe também pode fazer com que rotas mais importantes sejam ignoradas.
Antes mesmo do início da campanha, apenas cerca de 20% da cocaína com destino aos Estados Unidos transitavam por aquela região, enquanto a maior parte seguia pelo Pacífico.
"Isso aplica pressão, mas não é a solução", resume Isacson, citando autoridades militares americanas.
A longo prazo, ambos concordam que o problema é estrutural e exige outro tipo de resposta.
Ramsey indica a necessidade de reforçar os controles sobre o comércio marítimo e a cooperação internacional, enquanto Isacson situa o foco na corrupção. Para ele, "o narcotráfico prospera graças à cumplicidade não investigada, nem punida, entre os funcionários [públicos] e as redes criminosas".
Ele destaca ainda que, em países como a Venezuela, existem pontos fundamentais, como estradas, rios e zonas de trânsito, que poderiam ser controlados, mas o conluio entre funcionários e as redes criminosas facilita a passagem da droga.
Sem abordar estes fatores, as rotas poderão mudar, mas o fluxo dificilmente será detido, segundo os especialistas.

Navio atingido por surto de hantavírus chega às Ilhas Canárias; passageiros começam a desembarcar

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Passageiros do MV Hondius começam a desembarcar
REUTERS/Hannah McKay
O cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus, chegou neste domingo (10) às Ilhas Canárias, na Espanha, para dar início à retirada de passageiros e de parte da tripulação.
O desembarque começou por volta das 5h30 da manhã (horário de Brasília), segundo o Ministério da Saúde local.
A operação prevê que os passageiros sejam examinados a bordo. Em seguida, o Exército espanhol os transfere para terra firme em uma embarcação menor e, depois, em ônibus isolados da população local, até o aeroporto de Tenerife Sul.
Assim que deixam o navio, os passageiros seguem em voos de repatriação organizados por seus países.
OMS e países rastreiam origem de surto de hantavírus
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que o mecanismo foi montado para impedir contato com a população civil.
Segundo ele, os espanhóis desembarcariam primeiro, seguidos por grupos organizados por nacionalidade, conforme os voos de repatriação estivessem prontos.
Após o desembarque, o navio seguirá para a Holanda, onde o governo holandês e a empresa responsável pela embarcação ficarão encarregados do processo de desinfecção.
A operação será acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a Tenerife no último sábado (9) para supervisionar o desembarque.
Em carta aberta aos moradores das Canárias, ele tentou tranquilizar a população local e afirmou que o risco para a saúde pública era baixo.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu Tedros.
MV Hondius chega ao porto de Granadilla
REUTERS/Hannah McKay
Apesar disso, o chefe da OMS reconheceu que a cepa registrada no cruzeiro é grave. Segundo ele, três pessoas morreram em decorrência do surto.
“Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, afirmou. “Esta é a avaliação da OMS, e não a fazemos levianamente.”
A chegada do cruzeiro também provocou apreensão entre moradores de Tenerife, especialmente na região do porto industrial de Granadilla de Abona. Pessoas ouvidas pela agência AFP relataram medo de uma nova crise sanitária semelhante à pandemia de covid-19.
As autoridades das Canárias chegaram a se opor à atracação do MV Hondius. O governo espanhol, porém, aceitou receber o cruzeiro após pedido da OMS.
No sábado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que oferecer ao navio “um porto seguro” era “um dever moral e legal” da Espanha com seus cidadãos, com a Europa e com o direito internacional.
Navio de cruzeiro MV Hondius, que registrou casos de hantavírus durante expedição
Pippa Low/Divulgação
Uma operação 'inédita'
O MV Hondius, da operadora holandesa Oceanwide Expeditions, partiu em 1º de abril de Ushuaia, no extremo sul da Argentina.
"A possibilidade de contágio em Ushuaia é praticamente nula", garantiu na sexta-feira Juan Petrina, diretor de Epidemiologia e Saúde Ambiental da província da Terra do Fogo.
O navio seguirá para a Holanda, onde o governo holandês e a empresa responsável pela embarcação ficarão encarregados do processo de desinfecção, segundo o ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska.
As autoridades espanholas explicaram que os passageiros serão examinados primeiro a bordo do cruzeiro, que lançará âncora diante da costa.
Assim que deixam o navio, os passageiros seguem em voos de repatriação organizados por seus países.
Reuters
Depois, o Exército os transferirá para terra firme em uma embarcação menor e, em seguida, em ônibus "isolados da população" local até o aeroporto de Tenerife Sul, situado a cerca de dez minutos, para depois serem repatriados de avião a seus países de origem.
O ministro do Interior especificou que primeiro desembarcarão os espanhóis e, depois, seguirão grupos por nacionalidade, desde que o avião esteja pronto para repatriá-los em voos previstos para os Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Bélgica, Irlanda e Países Baixos.
Para os passageiros de países "que não fazem parte da UE e não dispõem de meios aéreos para garantir a repatriação de seus cidadãos", as autoridades espanholas "estão preparando um plano" em coordenação com os Países Baixos, o armador e a seguradora do navio, detalhou Fernando Grande-Marlaska em uma coletiva de imprensa.
O mecanismo elaborado "impede qualquer contato com a população civil", "não haverá nenhum contato com pessoal civil", ressaltou o ministro.
O sistema público de saúde do Reino Unido, o NHS, também anunciou que cerca de vinte britânicos que estão no cruzeiro serão colocados em quarentena em um hospital perto de Liverpool, na Inglaterra.
O que é o hantavírus?
O hantavírus, identificado em ao menos seis pessoas a bordo do navio que saiu da Argentina em direção a Cabo Verde, causa uma doença chamada hantavirose. Em humanos, ela pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
De acordo com informações do Ministério da Saúde brasileiro, a infecção em humanos pode levar a um comprometimento cardíaco.
👉Entre os principais sintomas da doença estão:
Fadiga
Febre
Dores musculares
Dores de cabeça
Tonturas
Calafrios
Problemas abdominais
Em quadros mais graves, pode levar a problemas pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
Como o hantavírus é transmitido?
Os hantavírus ficam em roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.
A forma mais comum de um humano se infectar por hantavírus é pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. O vírus pode passar para humanos também das seguintes formas:
Corte na pele causado por roedores;
Contato do vírus com mucosa (olhos, boca ou nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
Transmissão pessoa a pessoa, relatada na Argentina e Chile, associada ao hantavírus Andes.
Reprodução de imagem do hantavírus visto por um microscópio.
CDC/Cynthia Goldsmith
Tratamento da doença
Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus. De forma geral, há o combate do sintomas, com medicamentos administrado por um médico especializado, segundo a gravidade de cada caso.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, por se tratar de uma doença com transmissão respiratória, profissionais que possam estar expostos devem utilizar equipamentos de proteção individual como luvas, máscaras e óculos de proteção.
O CDC, dos EUA, recomenda cuidados para tratar os sintomas, que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, medicamentos antivirais e até diálise.
Pacientes com sintomas graves podem precisar ser internados em unidades de terapia intensiva. Em casos graves, alguns podem precisar ser intubados.
Seis casos confirmados no navio
Seis dos oito casos suspeitos de hantavírus foram confirmados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, três pessoas morreram. A OMS não especificou quais foram os casos confirmados da doença.
No início da semana, o órgão havia divulgado o primeiro caso positivo era de um cidadão britânico de 69 anos que estava entre os passageiros. Ele foi encaminhado para uma UTI em Joanesburgo, na África do Sul. O segundo caso confirmado foi de uma mulher alemã que morreu no cruzeiro.
➡️O navio saiu da Argentina no início de abril, e, dias depois, um passageiro morreu após contrair o vírus. Um casal holandês também morreu. A origem do contágio fora do navio, segundo autoridades, pode ser um voo em Joanesburgo, na África do Sul.
"A ameaça à saúde pública em geral decorrente do surto permanece baixa", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7).
Ele ainda disse que a OMS está ciente de relatos de outros pacientes e alertou que mais casos podem surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do vírus.
A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, também reforçou que se trata de uma situação totalmente diferente do coronavírus e que não se trata de uma nova epidemia.
O órgão também listou os países cujos cidadãos desembarcaram na ilha de Santa Helena:
Canadá
Dinamarca
Alemanha
Holanda
Nova Zelândia
São Cristóvão e Nevis
Singapura
Suécia
Suíça
Turquia
Reino Unido
Estados Unidos
A OMS notificou os países de origem dos passageiros para que os possíveis casos possam ser monitorados.
Retrospecto dos casos
O diretor da OMS detalhou a situação de cada um dos casos suspeitos de hantavírus ao longo da coletiva:
Primeiro caso
O primeiro caso foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e faleceu no navio em 11 de abril. Nenhuma amostra foi coletada e, como seus sintomas eram semelhantes aos de outras doenças respiratórias, a infecção por hantavírus foi descartada.
Segundo caso
A esposa do homem desembarcou quando o navio atracou na ilha de Santa Helena e também apresentou sintomas. Seu estado de saúde piorou durante um voo para Joanesburgo em 25 de abril e ela faleceu no dia seguinte. Amostras foram coletadas, testadas no Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul e confirmadas como hantavírus.
Terceiro caso
A terceira morte foi a de uma mulher a bordo do navio que desenvolveu sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio. A passageira, de origem alemã, também teve a doença confirmada.
Quarto caso
Outro homem procurou o médico do navio em 24 de abril. Ele foi evacuado da ilha de Ascensão para a África do Sul em 27 de abril, onde permanece em terapia intensiva. O britânico foi o primeiro caso de hantavírus confirmado no navio.
Quinto, sexto e sétimo casos
Duas pessoas estão em condição estável no hospital, e uma é assintomática e já se encontra na Alemanha.
Oitavo caso
O oitavo caso foi o de um homem que desembarcou em Santa Helena.
Suspeitas fora do navio
Pacientes na França, Holanda e em Singapura que não estiveram no cruzeiro MV Hondius, infectado com o hantavírus, estão sob investigação por suspeita da doença, segundo anunciaram os governos dos três países também nesta quinta-feira.
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São as primeiras suspeitas em pessoas que não estiveram no cruzeiro, onde o surto foi registrado.
Além deles, há outros pacientes com suspeita do vírus:
O governo da Singapura diz que duas pessoas foram isoladas. Elas estavam no voo com a viúva da primeira vítima morta no cruzeiro, segundo autoridades locais;
Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia aérea holandesa KLM que teve contato com a viúva foi internada em um hospital em Amsterdã após apresentar possíveis sintomas de infecção por hantavírus; as autoridades sanitárias holandesas entraram em contato com todas as pessoas que também estavam no voo, segundo comunicado da KLM.
O jornal "The New York Times" afirmou também que três estados dos Estados Unidos — Califórnia, Geórgia e Arizona — monitoram pacientes com sintomas suspeitos do hantavírus;
Um cidadão francês esteve em contato com uma pessoa que contraiu o vírus, mas atualmente não apresenta sintomas e está sendo monitorado, afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou que a OMS está "trabalhando com países relevantes" para tentar rastrear o vírus.
"De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), a OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada", declarou o diretor-geral da OMS.
Cepa de hantavírus identificada em navio de cruzeiro é 'pouco comum' e tem transmissão entre humanos
O que é o hantavírus, que causou mortes em cruzeiro
Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus.
AFP

Guerra no Oriente Médio abala imagem de Dubai como centro financeiro seguro

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Cerca de 20 milhões de turistas visitaram Dubai no ano passado – uma das principais atrações do emirado é o Burj Khalifa, edifício mais alto do mundo
David Davies/empics/PA Wire/picture alliance via DW
Dubai construiu uma reputação como oásis de estabilidade em uma região do Oriente Médio conhecida pelas tensões regionais.
O segundo emirado mais rico dos Emirados Árabes Unidos se posicionou como um centro financeiro seguro, onde ricos de todo o mundo podiam alocar capital, conduzir negócios e planejar o futuro com confiança.
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Essa imagem cuidadosamente construída foi abalada pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã.
Ataques iranianos com mísseis e drones contra alvos no Golfo Pérsico provocaram um forte choque econômico, com os mercados acionários de Dubai e do vizinho Abu Dhabi perdendo inicialmente 120 bilhões de dólares (R$ 598 bilhões) em valor.
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Ao mesmo tempo, o turismo despencou, a taxa de ocupação hoteleira caiu dos usuais 70% ou 80% para 20%, e os voos de e para o Aeroporto Internacional de Dubai recuaram cerca de dois terços, segundo a consultoria londrina Capital Economics.
Embora o tráfego aéreo, o turismo e os negócios estivessem se recuperando em meio ao cessar-fogo provisório, um novo ataque de drones iranianos ao complexo petrolífero de Fujairah, nesta segunda-feira (04/05), trouxe um lembrete indesejado: quanto mais durar o impasse entre Washington e Teerã, maior será a ameaça à reputação de Dubai como polo global de negócios.
Status de porto seguro em suspenso
Algumas das pessoas de altíssimo patrimônio que adotaram Dubai como playground dos ricos e famosos passaram a questionar se o emirado é, de fato, orefúgio seguro que prometia ser. Muitas delas já recorrem a outros dois grandes centros financeiros, Singapura e Suíça, para alocar ao menos parte de seus ativos.
Consultores de patrimônio nesses dois países relataram recentemente um aumento acentuado nas consultas de clientes baseados em Dubai, com banqueiros privados suíços esperando dezenas de bilhões de dólares em novos fluxos vindos do Golfo.
Os dois centros não são concorrentes diretos e costumam atrair perfis distintos de riqueza, afirma Ryan Lin, advogado baseado em Singapura e diretor do escritório Bayfront Law. "A Suíça tende a atrair clientes europeus e globais, enquanto Singapura tem mais probabilidade de se beneficiar de riqueza de origem asiática", explica.
O turismo contribui com cerca de 12% da renda anual de Dubai — uma receita que foi severamente impactada pela guerra.
Fatima Shbair/AP Photo/picture alliance via DW
Singapura foi pioneira no modelo que Dubai mais tarde emulou, ao construir um ecossistema sofisticado de family offices, como são chamadas as estruturas privadas criadas para gerir investimentos, planejamento tributário e sucessório. Essas soluções são especialmente atraentes para famílias de países como China, Índia e Indonésia.
A Suíça, por sua vez, se apoia numa longa tradição de bancos privados e em sua reputação de neutralidade. Para quem busca retirar parte dos ativos de Dubai, a mudança costuma ser uma "escolha entre crescimento e preservação", segundo Till Christian Budelmann, diretor de investimentos do banco privado suíço Bergos.
"Singapura é excelente para capturar o crescimento asiático, mas a Suíça continua sendo o principal porto de ancoragem do mundo para a preservação de capital", diz Budelmann. Ele acrescenta que o país alpino "oferece um nível de distância sistêmica de focos geopolíticos que Singapura nem sempre pode garantir".
Boom imobiliário perde fôlego
Além da retração imediata, o conflito ameaça o apelo de longo prazo de Dubai para expatriados e empresas. O estilo de vida cosmopolita da cidade ajudou a impulsionar um boom imobiliário que fez os preços de mansões de alto padrão quase dobrarem entre a pandemia e o fim de 2024.
Agora, muitos estão preocupados com o setor. Em março, o valor total das transações residenciais caiu quase 20% na comparação mensal, para cerca de 10,1 bilhões de dólares (R$ 50 bilhões), informou a Bloomberg no mês passado.
Projeções para o mercado imobiliário de Dubai feitas pelo Citi Research e pela consultoria Knight Frank agora apontam para uma possível correção de preços entre 7% e 15%.
Apesar dos ataques iranianos, a maioria dos indivíduos de alto patrimônio não está deixando Dubai, mas diversificando.
Budelmann descreve esse movimento como "hibridismo estratégico", no qual os clientes mantêm seus negócios operacionais e alguns ativos nos Emirados, mas transferem a riqueza de longo prazo e, em muitos casos, estabelecem uma residência secundária em Singapura ou na Suíça.
Boom econômico em pausa
Cerca de um quinto dos clientes de Lin baseados em Dubai planeja permanecer onde está e vê a instabilidade causada pela guerra como temporária.
Para muitos outros, ter uma base em outro lugar passou a ser considerado uma apólice de seguro essencial.
Antes da guerra, a economia de Dubai estava em plena expansão. Em 2025, o emirado registrou crescimento do PIB de cerca de 4,7% nos primeiros nove meses do ano.
Shopping pouco baixo movimento em Dubai
Reprodução/TV Globo
Um recorde de 9.800 milionários se mudou para Dubai no ano passado, levando consigo cerca de 63 bilhões de dólares (R$ 314 bilhões) em nova riqueza, segundo a consultoria Henley and Partners.
O emirado oferece imposto de renda zero para pessoa física, não cobra imposto sobre ganhos de capital nem sobre herança e aplica um imposto corporativo de apenas 9% sobre lucros acima de cerca de 100 mil dólares (R$ 498 mil). Empresas em zonas de livre comércio não pagam imposto algum sobre a renda qualificada.
Popular por bons motivos
Inicialmente um modesto assentamento no deserto, Dubai passou os últimos 50 anos expandindo os limites da inovação e da engenharia.
Analistas acreditam que, se o cessar-fogo se mantiver e a confiança retornar rapidamente, Dubai pode se recuperar com rapidez. Eles também alertam contra descartar a cidade que abriga o prédio mais alto do mundo – o Burj Khalifa – e uma longa lista de outros projetos aparentemente impossíveis que se tornaram ícones globais.
Antes da guerra, o governante de Dubai, o xeique Mohammed bin Rashid al-Maktoum, colocou em marcha planos para transformar o aeroporto de Dubai no maior hub de aviação do mundo e dobrar o tamanho da economia até 2033.
Outros projetos audaciosos também estão previstos para o futuro da cidade, como planos para uma passarela climatizada de 93 quilômetros, conhecida como The Loop, o maior sistema de recifes artificiais do mundo, com mais de 1 bilhão de corais, e um chamativo hotel na forma da Lua, voltado para o turismo de luxo.