O que é a Armadilha de Tucídides, conceito que Xi Jinping usa para definir relação entre EUA e China

Suíça vai divulgar arquivos secretos sobre Mengele, o ‘Anjo da Morte’ nazista que morreu no Brasil
O que é a Armadilha de Tucídides, conceito que Xi Jinping usa para definir relação entre EUA e China
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O presidente da China, Xi Jinping, citou diante do líder dos EUA, Donald Trump, um conceito histórico que expressa os temores de um conflito entre as duas maiores potências do planeta. Trata-se da Armadilha de Tucídides.
O líder chinês mencionou o conceito durante seu encontro com Trump em uma cúpula bilateral em Pequim marcada por disputas comerciais, competição tecnológica e crescentes tensões envolvendo Taiwan.
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Xi levantou uma questão que preocupa especialistas em relações internacionais há anos: se os EUA e a China serão capazes de evitar o confronto militar que ocorreu repetidamente ao longo da história quando uma potência emergente desafia a dominante.
Embora o presidente chinês já tenha usado esse conceito antes, sua citação pública diante do americano ocorre em um momento especialmente delicado para as relações bilaterais.
Ambas as potências e seus aliados estão enfrentando crescentes atritos militares na região da Ásia-Pacífico e estão envolvidos em uma competição cada vez mais acirrada por influência global.
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O conceito
A chamada "Armadilha de Tucídides" é um termo usado por acadêmicos e analistas para descrever o risco de conflito que surge quando uma potência emergente ameaça destronar uma potência estabelecida.
O primeiro a descrever esse fenômeno foi o pai da "historiografia científica" e da escola do realismo político, o ateniense Tucídides, em seu relato da Guerra do Peloponeso, há quase 2,5 mil anos (século 5 a.C.).
Segundo sua explicação, a ascensão da Atenas emergente e o temor que isso provocou em Esparta, que era a potência hegemônica da época, desencadearam de forma inevitável uma guerra.
Trump fez esta semana sua primeira visita a Pequim no seu segundo mandato
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Muitos observadores veem paralelos entre a China de hoje e Atenas, e entre os EUA atuais e Esparta. Os EUA seriam a potência estabelecida que tenta manter sua preponderância global.
Tucídides estudou a tensão inexorável causada pela rápida mudança no equilíbrio de poder entre duas potências rivais e, nesse sentido, nunca houve uma mudança tão rápida e fundamental quanto a ascensão da China.
Por mais de uma década, essa expressão vem ganhando força em universidades, centros de estudos estratégicos e círculos diplomáticos, especialmente à medida que a ascensão econômica, tecnológica e militar da China transforma o equilíbrio global de poder.
Em todo caso, a história não está escrita ainda: a teoria nem sempre se confirmou e é frequentemente apresentada mais como um alerta sobre os perigos da rivalidade entre grandes potências.
Tucídides viveu entre 460-400 a.C.
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O padrão histórico
Ao longo da história, os papéis de Atenas e Esparta foram desempenhados por outras potências, como no caso da emergente Casa de Habsburgo, que desafiou a preeminência francesa na Europa na primeira metade do século 16 e, posteriormente, tornou-se a potência dominante, sendo desafiada pelo Império Otomano.
Nesses casos, a rivalidade entre o poderoso e o recém-chegado culminou em conflitos armados.
A dinâmica produzida por essa luta pelo poder pode explicar, segundo especialistas, situações aparentemente absurdas, como o assassinato do arquiduque que desencadeou a catastrófica Primeira Guerra Mundial.
Naquela ocasião, o Reino Unido — apoiado pela França e pela Rússia — era Atenas; e a Alemanha era Esparta.
E, assim como Atenas e Esparta há quase 2,5 mil anos, após a Segunda Guerra Mundial, todos estavam enfraquecidos.
Embora o conflito seja altamente provável em situações de alta tensão como essa, ele não é inevitável.
Ilustração da Guerra do Peloponeso (431-404 a.C.), que opôs Atenas a Esparta
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Ter em mente a armadilha de Tucídides não é ser fatalista: o aspecto positivo da história é que ela serve para aprender.
Um projeto de história aplicada na Universidade de Harvard extraiu lições de 16 casos dos últimos 500 anos em que a ascensão de uma nação perturbou a posição do país dominante.
Doze desses casos terminaram em guerra, corroborando o prognóstico da Armadilha de Tucídides.
As exceções
As quatro exceções históricas destacadas pelo estudo de Harvard mostram que o destino não está predeterminado.
A primeira é a rivalidade entre Portugal e Espanha no final do século 15.
Durante a maior parte do século 15, Portugal ofuscou seu rival e vizinho tradicional, a Coroa Espanhola de Castela, liderando o mundo na exploração e no comércio internacional.
Na década de 1490, uma Espanha unificada e revigorada começou a desafiar o domínio de Portugal e a reivindicar a supremacia colonial no Novo Mundo, levando as duas potências ibéricas à beira da guerra.
Uma intervenção do Papa Alexandre 6º e o Tratado de Tordesilhas, em 1494, evitaram um conflito devastador.
Espanha e Portugal dividiram seus extensos domínios através do Tratado de Tordesilhas (1494)
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A segunda exceção remonta às últimas décadas do século 19, quando o poder econômico americano ultrapassou o do império mais poderoso do mundo, o Reino Unido.
A crescente frota americana era um rival potencialmente preocupante para a Real Marinha do Império Britânico.
Enquanto os EUA começavam a afirmar a supremacia em seu próprio hemisfério, o Reino Unido lidava com ameaças mais próximas que colocavam em risco seu império colonial, por isso acomodou-se à ascensão de sua antiga colônia na América.
As concessões britânicas evitaram confrontos com os EUA, que garantiram o domínio no Hemisfério Ocidental.
Essa grande aproximação lançou as bases para as alianças entre EUA e Reino Unido em duas guerras mundiais e para a duradoura "relação especial" que ambas as nações continuam a considerar como garantida.
Em terceiro lugar, temos o exemplo da Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética na segunda metade do século 20.
Após a Segunda Guerra Mundial, os EUA emergiram como a superpotência mundial indiscutível. Os americanos controlavam metade do PIB mundial, possuíam forças militares convencionais formidáveis ​​e detinham o monopólio da arma mais destrutiva já produzida pela humanidade: a bomba atômica.
A hegemonia americana, no entanto, foi logo desafiada por seu aliado na Segunda Guerra Mundial, a União Soviética.
Embora frequentemente tensa, a Guerra Fria foi um dos maiores êxitos da história no que diz respeito a evitar a armadilha de Tucídides.
Ao desenvolver outras formas de competição fora do conflito armado, as duas superpotências administraram pacificamente a luta por poder mais arriscada da história.
Os receios de uma guerra nuclear entre os EUA e a URSS no século 20 se dissiparam
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Por fim, temos a rivalidade europeia entre o bloco formado pelo Reino Unido e França e a Alemanha, desde a década de 1990 até os dias atuais.
Com o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim, muitos temiam que uma Alemanha reunificada voltasse às suas antigas ambições hegemônicas, ameaçando a França e o Reino Unido.
Embora estivessem certos ao prever que a Alemanha estava destinada a ser de novo um grande poder político e econômico na Europa, sua ascensão tem sido em grande parte benigna.
Os líderes alemães encontraram uma nova maneira de exercer poder e influência: liderando uma ordem econômica integrada em vez de aspirar à dominância militar.
Por ora, as declarações de Xi e Trump em Pequim e os gestos que estamos testemunhando durante sua cúpula bilateral diminuem a probabilidade de qualquer uma das potências cair na Armadilha de Tucídides.

Londres registra grandes manifestações em meio à crise política do governo Starmer

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Duas grandes manifestações ocupam as ruas de Londres neste sábado (16): o movimento "Una o Reino", organizado pelo ativista político ultradireitista Tommy Robinson, e um ato em prol dos palestinos que foram deslocados pela guerra Árabe-Israelense de 1948.
Empunhando bandeiras do Reino Unido e vestindo bonés com a frase "Make England Great Again (Mega)", milhares de manifestantes de extrema-direita estão concentrados na Praça do Parlamento e protestam contra o que entendem ser um aumento da discriminação contra pessoas brancas no país.
Tommy Robinson — cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon — ficou conhecido por suas posições anti-imigração e declarações islamofóbicas. Antes da marcha, o ativista publicou no X: "Hoje, nós unimos o Reino e o Ocidente na maior expressão patriótica que o mundo já viu".
Manifestantes se reúnem na Praça do Parlamento, em Londres, no dia 16 de maio de 2026, durante a marcha do movimento de extrema direita 'Una o Reino Unido'
Kirsty Wigglesworth/AP
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Além de gritos de ordem ultranacionalistas, pedidos pela renúncia do primeiro-ministro Keir Starmer, que passa pelo pior momento do seu governo (leia mais abaixo), também foram ouvidos.
Mais cedo, Starmer usou as redes para criticar a manifestação: "Estamos em uma batalha pela alma desse país e a marcha 'Una o Reino Unido' é um lembrete amargo do que estamos enfrentando".
Em outra parte da cidade, manifestantes pró-Palestina empunham cartazes contra a extrema-direita e pedem pela liberação de "reféns palestinos". Muitos deles são vistos usando kaffiyehs, o tradicional lenço quadriculado trajado no Oriente Médio.
Manifestantes pró-Palestina fazem em Londres, no Reino Unido, no dia 16 de maio de 2026
Thomas Krych/AP
Mais de 4 mil policiais foram mobilizados para a capital do Reino Unido e estão controlando uma zona tampão entre as marchas com orientações ideológicas opostas. Os agentes também estão utilizando drones, cavalos e cães policiais, além de manter veículos blindados de prontidão.
A Polícia Metropolitana de Londres classificou a operação como uma das ações de policiamento mais significativas dos últimos anos.
Em comunicado, policiais disseram que, até o momento, 31 pessoas foram presas por diferentes tipos de crimes e infrações, sem especificar quantas delas estavam em cada um dos protestos.
Além das manifestações, as autoridades também precisam se preocupar com o fluxo de torcedores no estádio de Wembley para o final da Copa da Inglaterra, que está sendo disputada por Chelsea e Manchester City.
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Manifestações encerram semana cáotica para Keir Starmer
As demonstrações em Londres ocorrem em meio a um turbilhão político enfrentado pelo governo trabalhista, do primeiro-ministro Keir Starmer. Na terça-feira (12), quatro ministros pediram demissão do cargo, e quase 80 parlamentares pediram, em carta, que o premiê renuncie.
Uma das renúncias foi a de Wes Streeting, que ocupava a pasta da Saúde no governo Starmer e agora pretende concorrer contra o primeiro-ministro em uma eleição.
"Eu estarei em qualquer disputa de liderança para dar sucessão a Starmer", disse Streeting no X.
A crise no centro do governo trabalhista começou após o péssimo resultado para o partido nas eleições municipais e regionais realizadas no início de maio.
O partido de Starmer — que voltou ao poder em julho de 2024, após 14 anos de governos conservadores — perdeu cerca de 1.500 cadeiras de vereadores e viu o partido de direita Reform UK crescer de forma significativa.
A derrota nas urnas foi vista como uma espécie de teste da popularidade do premiê, que caiu bastante desde que assumiu o cargo, há menos de dois anos.
O governo enfrenta dificuldades para entregar o crescimento econômico prometido, melhorar os serviços públicos, reformar o sistema de assistência social e, entre outras coisas, reduzir o custo de vida da população.
Além disso, embora o Partido Trabalhista tenha defendido a permanência do Reino Unido na União Europeia no referendo de 2016, a legenda evita retomar esse debate, que ainda divide profundamente o país.
Apesar da pressão crescente para deixar o cargo, o primeiro-ministro afirma que pretende liderar o Partido Trabalhista nas próximas eleições gerais, previstas para 2029.

Por que a Itália está se tornando atraente para os ultrarricos

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Os incentivos fiscais atraem os ricos para a Itália
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A Itália — que já havia sido criticada pela França no passado por usar incentivos fiscais para atrair residentes franceses ricos — vem se tornando um destino cada vez mais atraente para cidadãos de outros países, sobretudo do Oriente Médio, devido aos distúrbios provocados pela guerra no Golfo.
Os impostos não foram o principal motivo para deixar a França, insiste Robert (nome alterado) enquanto toma um café com leite no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Segundo ele, a Itália foi escolhida por sua beleza, arte e música.
Mas para este francês, comprar uma casa em Roma e tornar-se residente fiscal italiano foi uma parte muito atraente de se mudar para o país, onde indivíduos com grande patrimônio podem pagar um imposto anual fixo sobre toda a renda estrangeira — independentemente do valor — e desfrutar de outras isenções.
Robert, que se descreve como apenas "moderadamente rico", mudou-se para a Itália há oito anos, após o fim de sua carreira na área de TI com a venda de sua empresa. Ele pode não estar entre os bilionários franceses que fugiram de impostos, mas as vantagens para ele são claras.
Se tivesse comprado uma casa na França, teria que pagar o que os franceses chamam de "frais de notaire" (taxas de cartório), cuja maior parte vai para o governo.
Na Itália, há isenção para quem compra um imóvel pela primeira vez. Na França, o presidente Emmanuel Macron transformou o "Impot sur la Fortune" (imposto sobre a fortuna) em imposto sobre o patrimônio imobiliário, de modo que investimentos no mercado de ações, por exemplo, não são mais afetados.
"Mas, se você tem US$ 10 milhões em imóveis, esse imposto é realmente doloroso", diz Robert.
Na Itália, não existe nada parecido. Na França, também é preciso pagar um imposto sobre a propriedade (taxe foncière ou imposto territorial). "Não temos isso aqui para residência principal", diz Robert, embora observe que "há uma taxa considerável para coleta de lixo".
A melhor parte, na opinião dele, é que não há imposto sobre herança para propriedades na Itália avaliadas em até 1 milhão de euros (R$ 5,9 milhões), e acima desse limite, a alíquota é de apenas 4%. Na França, o limite de isenção é bem menor — 100 mil euros (R$ 590 mil) — e a partir daí, a tributação aumenta progressivamente até uma alíquota máxima de 45%.
Mas é para os verdadeiramente ricos que a Itália começa a parecer com um paraíso fiscal.
"Tenho amigos que se mudaram para cá por motivos fiscais e outros que estão considerando a possibilidade", Robert conta. "Para quem paga muitos impostos, a Itália é muito atraente por causa de sua alíquota fixa."
Na Itália, as autoridades fiscais estabelecem um limite máximo para o imposto de renda. Independentemente do quanto você ganhe, você nunca pagará mais do que esse valor.
O limite máximo é atualmente de 300 mil euros (R$ 1,7 milhão), embora recentemente fosse de 200 mil euros (R$ 1,1 milhão) e, antes disso, até mesmo de 100 mil (R$ 590 mil). Para quem paga 1 milhão de euros em imposto de renda anualmente na França, a Itália se torna muito atraente.
Quanto aos cidadãos americanos, eles são sempre tributados sobre sua renda mundial, portanto, mudar-se para a Itália não ajudaria a reduzir sua carga tributária.
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Decisão complexa
Robert conta que tem dois amigos franceses ricos que se mudaram para a Itália nos últimos meses, mas que vieram do Reino Unido.
Ambos trabalhavam no setor financeiro de Londres e estavam muito interessados em se mudar para um lugar onde o regime tributário fosse tão favorável quanto no Reino Unido antes da mudança nas regras para residentes estrangeiros ricos.
"Mesmo com 300 mil euros, a alíquota fixa de imposto na Itália ainda é baixa para quem ganha mais de 1 milhão de euros por ano, em comparação com qualquer outro lugar na Europa. Isso significa que você tem segurança e clareza tributária, bem no coração da Europa, em vez de ter que ir para longe", diz Peter Ferrigno, Diretor de Serviços Tributários da Henley & Partners, especialistas em migração de patrimônio.
"Temos reuniões todas as semanas com pessoas que gostariam de sair da França", diz o advogado tributarista Jerome Barre, de Paris.
"Eles estão insatisfeitos com a situação tributária atual e temem que ela se agrave no futuro. As pessoas não confiam no clima político. Os impostos mudam muito, quase todos os anos. Há receio de que, após a eleição do novo presidente em 2027, as coisas possam ficar ainda mais difíceis do que estão hoje", afirma.
A taxa fixa de imposto sobre todos os rendimentos estrangeiros tornou a residência na Itália atraente para pessoas de outros países.
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No entanto, nesta fase, trata-se mais de "perguntas de empresários e indivíduos ricos que se questionam sobre a possibilidade de mudança, do que de pessoas que de fato estão se mudando", explica Jerome Barre.
"A mudança exige total empenho e um planejamento cuidadoso", enfatiza. Ele acrescenta que, para os empresários, "é necessário mudar a sede da empresa. Na França, eles estão sujeitos a um imposto de saída."
Enquanto muitos franceses ricos se encontram na fase de "considerar a mudança", a questão é sentida com ainda mais intensidade nos Emirados Árabes.
Mas abandonar o regime de isenção fiscal de Dubai é muito difícil para muitos.
"Quando se vive num país onde não se pagam impostos, é muito difícil regressar a um onde se tem que pagar muitos impostos. Especialmente para quem está habituado a gastar muito dinheiro. O montante líquido que sobra no bolso é muito diferente", afirma Barre.
Ele diz que as pessoas que se habituaram a uma vida sem impostos "já não estão habituadas aos procedimentos administrativos – declarações de impostos, documentos – por isso não é fácil."

Acidente entre trem e ônibus deixa 8 mortos e 35 feridos em Bangkok, na Tailândia

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Acidente entre trem e ônibus mata 6 pessoas na Tailândia
Uma batida entre um trem de carga e um ônibus seguida de uma explosão deixou oito mortos e 35 feridos em Bangkok, capital da Tailândia, neste sábado (16).
Bombeiros e equipes de resgate foram enviados ao local depois que as chamas atingiram o ônibus e veículos próximos à estação Makkasan, da linha ferroviária que liga ao aeroporto, informaram autoridades. A colisão também envolveu carros e motocicletas.
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Falando a jornalistas no local, o vice-ministro dos Transportes, Siripong Angkasakulkiat, afirmou que todos os corpos foram encontrados dentro do ônibus.
Relatórios preliminares indicam que o ônibus parou sobre os trilhos em um sinal vermelho, impedindo o fechamento das barreiras de passagem.
Vídeos do momento do acidente, compartilhados nas redes sociais, mostram que uma fila de veículos parada em um cruzamento ferroviário quando um trem de carga atingiu a frente do ônibus.
Sistema de sinalização 'ultrapassado'
A área onde ocorreu o acidente fica em uma região bastante central da extensa metrópole de Bangkok e estava muito movimentada no momento da colisão, com grande circulação de moradores, pedestres e veículos, afirmou um repórter da "Al Jazeera" que cobriu o acidente.
Para especialistas, o acidente pode reacender preocupações sobre o sistema ferroviário da Tailândia, considerado por muitos “ultrapassado”. O episódio também deve levantar novos questionamentos sobre o histórico de segurança das ferrovias de Bangkok.
A colisão acontece poucos meses após outro grave acidente ferroviário, em janeiro, quando um guindaste de construção caiu sobre um trem de passageiros na região nordeste de Bangkok, deixando ao menos 28 mortos e 64 feridos.
Ônibus fica destruído após acidente com trem e explosão em Bangkok, capital da Tailândia, no dia 16 de maio de 2026
Sakchai Lalit/AP
O impacto também arrastou outros veículos pelos trilhos antes que o ônibus fosse engolido pelas chamas. Várias motociclistas foram arremessadas após a colisão.
O incêndio foi controlado, e as equipes seguem no resfriamento da área e na busca por vítimas, segundo as autoridades. As causas do acidente ainda são investigadas.
Equipes de resgate trabalham após colisão entre trem e ônibus que deixou mortos em Bangkok, capital da Tailândia, no dia 16 de maio de 2026
Sakchai Lalit/AP

Suíça vai divulgar arquivos secretos sobre Mengele, o ‘Anjo da Morte’ nazista que morreu no Brasil

Suíça vai divulgar arquivos secretos sobre Mengele, o ‘Anjo da Morte’ nazista que morreu no Brasil
Família despreza restos mortais do 'Anjo da Morte' nazista, Josef Mengele
O Serviço Federal de Inteligência da Suíça disse que vai tornar públicos os arquivos secretos sobre o criminoso de guerra nazista Josef Mengele, que fugiu da Europa após a Segunda Guerra Mundial e morreu no Brasil em 1979.
Durante anos, havia rumores de que ele teria passado algum tempo na Suíça, embora houvesse um mandado internacional pedindo a sua prisão.
Historiadores têm solicitado repetidamente acesso aos arquivos, mas até agora as autoridades suíças se recusaram a conceder o acesso.
Mengele era médico e serviu na Waffen-SS, um ramo da organização paramilitar nazista SS. Ele foi destacado para o campo de extermínio de Auschwitz, na Polônia ocupada pelos nazistas, onde selecionava aqueles que seriam enviados às câmaras de gás – estima-se que 1,1 milhão de pessoas morreram, incluindo cerca de um milhão de judeus.
Conhecido como o Anjo da Morte, ele também selecionava prisioneiros, principalmente crianças e gêmeos, para experimentos médicos sádicos, antes de mandá-los também para a morte.
O médico nazista da SS Josef Mengele enviou cerca de 400.000 pessoas, a maioria delas judias, para a morte
CRÉDITO, ULLSTEIN BILD / GETTY/BBC
Após a guerra, Mengele, como muitos nazistas de alto escalão, rapidamente mudou tanto seu uniforme quanto seu nome.
Com uma identidade falsa, ele obteve documentos de viagem da Cruz Vermelha no consulado suíço em Gênova, no norte da Itália, e os utilizou para fugir para a América do Sul.
A Cruz Vermelha tinha como intenção fornecer documentos a milhares de pessoas em toda a Europa que haviam sido deslocadas ou tornadas apátridas pela guerra, mas os nazistas que tentavam escapar da Justiça também conseguiram adquiri-los, algo pelo qual a Cruz Vermelha posteriormente se desculpou.
Então, qual é a conexão de Mengele com a Suíça?
Embora tenha fugido da Europa em 1949, Mengele passou férias esquiando nos Alpes suíços com seu filho Rolf em 1956. Essa informação é conhecida desde a década de 1980.
Oficialmente, depois disso, ele passou o resto de sua vida na América do Sul.
Mas a historiadora suíça Regula Bochsler sempre se perguntou se Mengele retornou à Europa depois que um mandado internacional de prisão foi emitido em 1959.
Bochsler, ao pesquisar o possível papel da Suíça como país de trânsito para os nazistas em fuga, descobriu que, em junho de 1961, o serviço de inteligência austríaco alertou os suíços de que Mengele estava viajando com um nome falso e poderia estar em território suíço.
Além disso, a esposa de Mengele havia alugado um apartamento em Zurique e solicitado residência permanente.
“Parece haver evidências de que Mengele estava planejando uma viagem à Europa em 1959", disse a historiadora à BBC. “Por que a Sra. Mengele alugou um apartamento em Zurique?”
O apartamento ficava em um subúrbio modesto, e a família Mengele tinha recursos para algo muito mais sofisticado. Mas ficava perto do aeroporto internacional.
Bochsler conseguiu consultar arquivos da polícia de Zurique que comprovam que, em 1961, o apartamento foi colocado sob vigilância; a polícia chegou a registrar a Sra. Mengele dirigindo seu Volkswagen, acompanhada por um homem não identificado.
Mengele é visto aqui com uma mulher não identificada na década de 1970 no Brasil, onde viveu por décadas
CRÉDITO, ROBERT NICKELSBERG / GETTY IMAGES/BBC
Seria o seu marido?
A prisão de um criminoso de guerra procurado, como Mengele era em 1961, teria envolvido a polícia federal suíça. Em 2019, Bochsler solicitou ao Arquivo Federal Suíço acesso aos seus arquivos.
O pedido foi negado. Os arquivos estavam lacrados até 2071 por razões de segurança nacional e para a proteção da família ampliada.
Bochsler não foi a primeira nem a última a ter o acesso recusado. Em 2025, o historiador Gérard Wettstein tentou novamente. Ele também teve o pedido negado.
"É ridículo", disse ele à BBC. "Enquanto estiverem fechados até 2071, isso alimenta teorias da conspiração; todos dizem 'eles devem estar escondendo alguma coisa'."
Wettstein contestou a decisão levando as autoridades suíças aos tribunais, um processo caro para o qual buscou financiamento coletivo. "Arrecadamos 18 mil francos suíços (cerca de R$ 100 mil) em apenas alguns dias."
E foi então que o Serviço Federal de Inteligência da Suíça finalmente mudou de posição. Em um comunicado neste mês, que sugere que a transparência total ainda pode levar algum tempo, afirmou: "O solicitante terá acesso ao arquivo, sujeito a condições e requisitos ainda a serem definidos."
Nem todo mundo tem certeza de que os arquivos revelarão muito sobre o próprio Mengele.
Sacha Zala, presidente da Sociedade Suíça de História, tem “certeza absoluta de que não há nada relevante sobre Mengele”, mas acha que pode haver referências a um serviço de inteligência estrangeiro ou a informantes estrangeiros.
No final da década de 1950, o Mossad de Israel trabalhou ativamente para rastrear criminosos de guerra nazistas fugitivos, e Zala suspeita que eles possam ter entrado em contato com os suíços. Isso daria às autoridades suíças motivos para manter os arquivos selados, já que informações confidenciais relacionadas a agências de inteligência estrangeiras costumam ser omitidas.
Mas será que uma simples menção ao Mossad, relacionada à sua conhecida perseguição a nazistas há 70 anos, realmente é algo tão sensível?
“Isso mostra a estupidez do processo de desclassificação de documentos sem conhecimento histórico”, acredita Zala. “Dessa forma, o governo alimentou teorias da conspiração.”
Outros historiadores, como Jakob Tanner, dizem que o sigilo sobre os arquivos revela mais sobre a Suíça do que sobre Mengele. “É um conflito entre segurança nacional e transparência histórica, e a primeira geralmente prevalece na Suíça.”
Tanner integrou a Comissão Bergier na década de 1990, que examinou as relações da Suíça neutra com a Alemanha nazista, em particular o papel dos bancos suíços.
Ele está muito familiarizado com a sensibilidade da Suíça, e com o sentimento de vergonha, em relação ao seu papel na Segunda Guerra Mundial, quando refugiados judeus foram rejeitados na fronteira, enquanto bancos suíços mantinham o dinheiro de famílias judaicas que mais tarde morreram em campos de concentração nazistas. "É um problema para um Estado democrático que esses arquivos ainda estejam fechados", argumenta Tanner.
Ainda assim, ele considera plausível que Mengele estivesse na Suíça em 1961.
Mengele (centro) em 1944 com o comandante de Auschwitz Richard Baer (esquerda) e o ex-comandante Rudolf Höss (direita)
CRÉDITO, UNIVERSAL HISTORY ARCHIVE/BBC
O criminoso de guerra nazista procurado Adolf Eichmann havia sido preso pelo Mossad na Argentina em 1960, e há evidências de que outros nazistas que fugiram para a América do Sul acreditavam que também corriam risco no continente, e que a Europa, onde amigos e parentes permaneciam, poderia ser mais segura.
Tanner observa que Walter Rauff, outro criminoso de guerra nazista procurado que fugiu para o Chile, passou um tempo na Alemanha em 1960.
Um historiador integrante da Comissão Bergier teve permissão, brevemente, para examinar parte dos arquivos de Mengele em 1999 e concluiu que era impossível provar ou refutar sua presença em território suíço. Mas isso representava apenas algumas linhas em um relatório de 24 volumes sobre toda a guerra. Os arquivos foram novamente lacrados; o historiador morreu há sete anos.
Por ora, nenhuma data para a divulgação dos arquivos foi definida, e a declaração do Serviço Federal de Inteligência sobre “condições e requisitos” soa preocupante para Wettstein. “Temo que receberemos um arquivo mais preto do que transparente”, diz ele.
Bochsler também teme que os arquivos sejam fortemente censurados. “Não confio nem um pouco [nas autoridades]. Temo que se pareça com os arquivos de Epstein. Por que esses arquivos de Mengele ficaram fechados por tanto tempo?”
Mengele tem sido objeto de mistério, boato e conspiração por décadas.
Ele nunca foi preso, muito menos condenado por seus crimes terríveis. Quando morreu no Brasil em 1979, ele foi enterrado sob um nome falso.
Mas os rumores continuaram circulando. Em 1985, seu corpo foi exumado e, finalmente, em 1992, testes de DNA confirmaram que o corpo era dele. O terrível médico de Auschwitz estava morto.
Mas ele já esteve na Suíça? Os suíços simplesmente não perceberam?
Eles teriam fechado seus olhos a uma presença potencialmente embaraçosa para evitar a atenção indesejada que uma prisão teria causado? Ou, como acontece com muito que envolve Mengele, tudo não passa de um boato?
“Talvez nunca cheguemos à verdade real”, diz Wettstein. “Nunca saberemos se ele esteve aqui ou não… mas talvez possamos ter pelo menos uma ideia mais clara.”
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).