Acompanhe ao vivo: cruzeiro com surto de hantavírus chega às Ilhas Canárias

Cruzeiro com surto de hantavírus se aproxima das Ilhas Canárias para operação de desembarque
Acompanhe ao vivo: cruzeiro com surto de hantavírus chega às Ilhas Canárias Segundo a operadora Oceanwide Expeditions, todos os passageiros e alguns tripulantes devem começar a desembarcar por volta das 4h, no horário de Brasília. O governo da Espanha determinou que as Ilhas Canárias recebam o cruzeiro MV Hondius, apesar da resistência do governo regional.. O navio registra 8 casos notificados de hantavírus, com 6 confirmações laboratoriais e 3 mortes.. Todos os passageiros que seguem a bordo estão assintomáticos, segundo as autoridades.. A operação prevê desembarque em Tenerife, transporte isolado até o aeroporto e repatriação dos passageiros.. A OMS afirma que o risco para a população local é baixo e diz que a situação “não é outra Covid-19”.

Arquivos sobre OVNIs: astronauta da Apollo relatou partículas e flashes ‘escapando da Lua’

Cruzeiro com surto de hantavírus se aproxima das Ilhas Canárias para operação de desembarque
Governo Trump divulga arquivos sobre OVNIs e vida alienígena
Astronautas da missão Apollo 12 relataram ter observado "Fenômenos Anômalos Não Identificados" (UAP, na sigla em inglês) durante a missão na década de 1970. O piloto Alan Bean descreveu ter observado, por meio de um telescópio a bordo da aeronave, partículas e flashes de luz "navegando pelo espaço" e "escapando da Lua".
🔎 A Apollo 12 foi a missão espacial tripulada dos EUA responsável pelo segundo pouso na Lua, em novembro de 1969.
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Fotos e relatos dos tripulantes foram divulgados pelo governo Trump na sexta-feira (8). Os arquivos são parte dos documentos federais dos EUA sobre objetos voadores não identificados (OVNIs) e "vida extraterrestre" reunidos pelo Departamento de Guerra norte-americano.
➡️ Lembrando que um OVNI ou objeto visto durante um UAP não significa necessariamente a presença de vida extraterreste. A nomenclatura significa que não foi possível identificar a origem, e que não é possível determinar uma explicação plausível para o fenômeno.
Relatos da Apollo 17
Segundo documento da Nasa, os astronautas da Apollo 17 relataram ter observado "Fenômenos Anômalos Não Identificados" em três momentos distintos durante a missão.
🔎 A Apollo 17 foi a sexta e última missão tripulada do Projeto Apollo à Lua, realizada em dezembro de 1972.
Em um dos UAPs da Apollo 17, o piloto Ronald Evans disse em 1972 ter observado “partículas ou fragmentos muito brilhantes” flutuando e “girando” próximos à espaçonave enquanto ela manobrava. O astronauta Jack Schmitt também viu o mesmo fenômeno, que comparou com "o Quatro de Julho", em referência a fogos do feriado da independência dos EUA.
Foto tirada pela missão Apollo 17 na Lua em 1972 mostra visão aumentada de três pontos de luz não identificados.
Nasa/Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA
Um dos astronautas da Apollo 17 tirou uma foto do que chamou de três pontos de luz no céu que chamou a atenção deles por parecer "partículas ou fragmentos de forma triangular e muito brilhantes". Veja na foto em destaque.
Em outro fenômeno, o comandante Eugene Cernan relatou ter observado “alguns conjuntos de rastros luminosos” quando estava com dificuldades para dormir, além de uma luz intensa e "imponente" piscando entre seus olhos, com a intensidade similar à de um farol de trem.
Ao longo das três horas seguintes, Cernan descreveu a observação de vários fenômenos intermitentes e rotativos que ele avaliou parecer objetos físicos no espaço, e não algo puramente óptico.
Foto tirada por astronauta da Apollo 12 na Lua em 1969 mostra cinco áreas, aumentadas com edição posterior, de fenômenos não identificados visíveis a olho nu.
Nasa/Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA
Foto tirada por astronauta da Apollo 12 na Lua em 1969 mostra fenômeno não identificado, aumentado com edição posterior, visto pela tripulação.
Nasa/Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA
Divulgação de documentos de OVNIs
O governo Trump publicou na sexta-feira (8) documentos federais dos Estados Unidos sobre OVNI's e "vida extraterrestre" em um site oficial do Departamento de Guerra norte-americano. O site mostra arquivos sobre "Fenômenos Anômalos Não Identificados" (UAP, na sigla em inglês), segundo a pasta.
"Os materiais arquivados se referem a casos não resolvidos, o que significa que o governo não é capaz de determinar de forma definitiva a natureza dos fenômenos observados. (…) O Departamento de Guerra incentiva a aplicação de análises, informações e expertise do setor privado, e continuará a produzir relatórios separados sobre casos de UAP resolvidos", afirmou o Departamento de Guerra dos EUA.
Imagem em infravermelho de objeto voador não identificado sobrevoando região oeste dos EUA em dezembro de 2025.
Divulgação/FBI
Em análise preliminar do g1, os arquivos consistem em dezenas de fotos de objetos voadores não identificados por diversas agências federais dos EUA, além de documentos sobre investigações do FBI sobre avistamentos de OVNIs.
A publicação dos documentos ocorre após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ordenado, em fevereiro, a publicação de documentos federais sobre vida alienígena. Na época, Trump disse que instruiu seu governo a divulgar materiais sobre "vida alienígena e extraterrestre, fenômenos aéreos não identificados (UAPs) e objetos voadores não identificados (OVNIs)".
No comunicado sobre a divulgação dos documentos, o Departamento de Guerra dos EUA aproveitou para dizer que o governo Trump "promove uma transparência sem precedentes" sobre os UAP e, em tom conspiratório, acusou gestões passadas de "buscaram descreditar e dissuadir o povo americano".
"É hora do povo americano ver por si mesmo", afirmou o departamento federal.
Ainda segundo a pasta, mais levas de documentos sobre o tema serão publicadas nas próximas semanas.
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Imagem em infravermelho de objeto (ou objetos) voador não identificado sobrevoando região oeste dos EUA em setembro de 2025.
FBI via Departamento de Guerra dos EUA
Imagem capturada pela Força Aérea dos EUA de objeto voador não identificado sobrevoando região sul dos Estados Unidos em 2020.
Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA
Montagem com elemento metálico inserido em edição posterior sobre foto de descampado tirada pelo FBI para retratar avistamento de OVNI por testemunha em setembro de 2023.
Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA
Frame de vídeo que mostra objeto voador não identificado avistado por militar dos EUA no Oriente Médio em 2022.
Divulgação/Departamento de Guerra dos EUA
OVINI's Fotos e montagem divulgada pelo Departamento de Guerra dos EUA
Divulgação/Nasa e Departamento de Guerra dos EUA

Navio atingido por surto de hantavírus chega às Ilhas Canárias

Cruzeiro com surto de hantavírus se aproxima das Ilhas Canárias para operação de desembarque
Cruzeiro com surto de hantavírus se aproxima das Ilhas Canárias
REUTERS/Hannah McKay
O cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus, chegou neste domingo (10) às Ilhas Canárias, na Espanha, para dar início à retirada de passageiros e de parte da tripulação do navio.
Segundo a operadora Oceanwide Expeditions, todos os passageiros e alguns tripulantes devem começar a desembarcar por volta das 4h, no horário de Brasília.
Assim que deixarem o navio, eles devem ser encaminhados diretamente para voos organizados por seus respectivos países.
A operação prevê que os passageiros sejam examinados primeiro a bordo. Depois, o Exército espanhol deve transferi-los para terra firme em uma embarcação menor e, em seguida, em ônibus isolados da população local até o aeroporto de Tenerife Sul.
OMS e países rastreiam origem de surto de hantavírus
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que o mecanismo foi montado para impedir contato com a população civil.
Segundo ele, os espanhóis desembarcariam primeiro, seguidos por grupos organizados por nacionalidade, conforme os voos de repatriação estivessem prontos.
O navio seguirá para a Holanda, onde o governo holandês e a empresa responsável pela embarcação ficarão encarregados do processo de desinfecção.
A operação será acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a Tenerife no último sábado (9) para supervisionar o desembarque.
Em carta aberta aos moradores das Canárias, ele tentou tranquilizar a população local e afirmou que o risco para a saúde pública era baixo.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu Tedros.
Apesar disso, o chefe da OMS reconheceu que a cepa registrada no cruzeiro é grave. Segundo ele, três pessoas morreram em decorrência do surto.
“Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, afirmou. “Esta é a avaliação da OMS, e não a fazemos levianamente.”
A chegada do cruzeiro também provocou apreensão entre moradores de Tenerife, especialmente na região do porto industrial de Granadilla de Abona. Pessoas ouvidas pela agência AFP relataram medo de uma nova crise sanitária semelhante à pandemia de covid-19.
As autoridades das Canárias chegaram a se opor à atracação do MV Hondius. O governo espanhol, porém, aceitou receber o cruzeiro após pedido da OMS.
No sábado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que oferecer ao navio “um porto seguro” era “um dever moral e legal” da Espanha com seus cidadãos, com a Europa e com o direito internacional.
Navio de cruzeiro MV Hondius, que registrou casos de hantavírus durante expedição
Pippa Low/Divulgação
O que é o hantavírus?
O hantavírus, identificado em ao menos seis pessoas a bordo do navio que saiu da Argentina em direção a Cabo Verde, causa uma doença chamada hantavirose. Em humanos, ela pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
De acordo com informações do Ministério da Saúde brasileiro, a infecção em humanos pode levar a um comprometimento cardíaco.
👉Entre os principais sintomas da doença estão:
Fadiga
Febre
Dores musculares
Dores de cabeça
Tonturas
Calafrios
Problemas abdominais
Em quadros mais graves, pode levar a problemas pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
Como o hantavírus é transmitido?
Os hantavírus ficam em roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.
A forma mais comum de um humano se infectar por hantavírus é pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. O vírus pode passar para humanos também das seguintes formas:
Corte na pele causado por roedores;
Contato do vírus com mucosa (olhos, boca ou nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
Transmissão pessoa a pessoa, relatada na Argentina e Chile, associada ao hantavírus Andes.
Reprodução de imagem do hantavírus visto por um microscópio.
CDC/Cynthia Goldsmith
Tratamento da doença
Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus. De forma geral, há o combate do sintomas, com medicamentos administrado por um médico especializado, segundo a gravidade de cada caso.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, por se tratar de uma doença com transmissão respiratória, profissionais que possam estar expostos devem utilizar equipamentos de proteção individual como luvas, máscaras e óculos de proteção.
O CDC, dos EUA, recomenda cuidados para tratar os sintomas, que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, medicamentos antivirais e até diálise.
Pacientes com sintomas graves podem precisar ser internados em unidades de terapia intensiva. Em casos graves, alguns podem precisar ser intubados.
Seis casos confirmados no navio
Seis dos oito casos suspeitos de hantavírus foram confirmados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, três pessoas morreram. A OMS não especificou quais foram os casos confirmados da doença.
No início da semana, o órgão havia divulgado o primeiro caso positivo era de um cidadão britânico de 69 anos que estava entre os passageiros. Ele foi encaminhado para uma UTI em Joanesburgo, na África do Sul. O segundo caso confirmado foi de uma mulher alemã que morreu no cruzeiro.
➡️O navio saiu da Argentina no início de abril, e, dias depois, um passageiro morreu após contrair o vírus. Um casal holandês também morreu. A origem do contágio fora do navio, segundo autoridades, pode ser um voo em Joanesburgo, na África do Sul.
"A ameaça à saúde pública em geral decorrente do surto permanece baixa", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7).
Ele ainda disse que a OMS está ciente de relatos de outros pacientes e alertou que mais casos podem surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do vírus.
A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, também reforçou que se trata de uma situação totalmente diferente do coronavírus e que não se trata de uma nova epidemia.
O órgão também listou os países cujos cidadãos desembarcaram na ilha de Santa Helena:
Canadá
Dinamarca
Alemanha
Holanda
Nova Zelândia
São Cristóvão e Nevis
Singapura
Suécia
Suíça
Turquia
Reino Unido
Estados Unidos
A OMS notificou os países de origem dos passageiros para que os possíveis casos possam ser monitorados.
Retrospecto dos casos
O diretor da OMS detalhou a situação de cada um dos casos suspeitos de hantavírus ao longo da coletiva:
Primeiro caso
O primeiro caso foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e faleceu no navio em 11 de abril. Nenhuma amostra foi coletada e, como seus sintomas eram semelhantes aos de outras doenças respiratórias, a infecção por hantavírus foi descartada.
Segundo caso
A esposa do homem desembarcou quando o navio atracou na ilha de Santa Helena e também apresentou sintomas. Seu estado de saúde piorou durante um voo para Joanesburgo em 25 de abril e ela faleceu no dia seguinte. Amostras foram coletadas, testadas no Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul e confirmadas como hantavírus.
Terceiro caso
A terceira morte foi a de uma mulher a bordo do navio que desenvolveu sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio. A passageira, de origem alemã, também teve a doença confirmada.
Quarto caso
Outro homem procurou o médico do navio em 24 de abril. Ele foi evacuado da ilha de Ascensão para a África do Sul em 27 de abril, onde permanece em terapia intensiva. O britânico foi o primeiro caso de hantavírus confirmado no navio.
Quinto, sexto e sétimo casos
Duas pessoas estão em condição estável no hospital, e uma é assintomática e já se encontra na Alemanha.
Oitavo caso
O oitavo caso foi o de um homem que desembarcou em Santa Helena.
Suspeitas fora do navio
Pacientes na França, Holanda e em Singapura que não estiveram no cruzeiro MV Hondius, infectado com o hantavírus, estão sob investigação por suspeita da doença, segundo anunciaram os governos dos três países também nesta quinta-feira.
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São as primeiras suspeitas em pessoas que não estiveram no cruzeiro, onde o surto foi registrado.
Além deles, há outros pacientes com suspeita do vírus:
O governo da Singapura diz que duas pessoas foram isoladas. Elas estavam no voo com a viúva da primeira vítima morta no cruzeiro, segundo autoridades locais;
Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia aérea holandesa KLM que teve contato com a viúva foi internada em um hospital em Amsterdã após apresentar possíveis sintomas de infecção por hantavírus; as autoridades sanitárias holandesas entraram em contato com todas as pessoas que também estavam no voo, segundo comunicado da KLM.
O jornal "The New York Times" afirmou também que três estados dos Estados Unidos — Califórnia, Geórgia e Arizona — monitoram pacientes com sintomas suspeitos do hantavírus;
Um cidadão francês esteve em contato com uma pessoa que contraiu o vírus, mas atualmente não apresenta sintomas e está sendo monitorado, afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou que a OMS está "trabalhando com países relevantes" para tentar rastrear o vírus.
"De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), a OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada", declarou o diretor-geral da OMS.
Cepa de hantavírus identificada em navio de cruzeiro é 'pouco comum' e tem transmissão entre humanos
O que é o hantavírus, que causou mortes em cruzeiro
Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus.
AFP

Acompanhe ao vivo: cruzeiro com surto de hantavírus se aproxima de porto nas Ilhas Canárias

Cruzeiro com surto de hantavírus se aproxima das Ilhas Canárias para operação de desembarque
Acompanhe ao vivo: cruzeiro com surto de hantavírus se aproxima de porto nas Ilhas Canárias Segundo a operadora Oceanwide Expeditions, todos os passageiros e alguns tripulantes devem começar a desembarcar por volta das 4h, no horário de Brasília. O governo da Espanha determinou que as Ilhas Canárias recebam o cruzeiro MV Hondius, apesar da resistência do governo regional.. O navio registra 8 casos notificados de hantavírus, com 6 confirmações laboratoriais e 3 mortes.. Todos os passageiros que seguem a bordo estão assintomáticos, segundo as autoridades.. A operação prevê desembarque em Tenerife, transporte isolado até o aeroporto e repatriação dos passageiros.. A OMS afirma que o risco para a população local é baixo e diz que a situação “não é outra Covid-19”.

Cruzeiro com surto de hantavírus se aproxima das Ilhas Canárias para operação de desembarque

Cruzeiro com surto de hantavírus se aproxima das Ilhas Canárias para operação de desembarque
OMS e países rastreiam origem de surto de hantavírus
O cruzeiro MV Hondius, atingido por um surto de hantavírus que já deixou três mortos e ao menos seis casos confirmados da doença, se aproxima das Ilhas Canárias, na Espanha, onde passageiros e parte da tripulação devem começar a ser retirados nas próximas horas.
A embarcação, operada pela empresa holandesa Oceanwide Expeditions, deve permanecer ancorada próximo à costa de Tenerife para uma operação considerada inédita pelas autoridades espanholas e acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Segundo a operadora, todos os passageiros e alguns tripulantes devem começar a desembarcar por volta das 4h, no horário de Brasília.
Assim que deixassem o navio, eles seriam encaminhados diretamente para voos organizados por seus respectivos países.
A operação prevê que os passageiros sejam examinados primeiro a bordo. Depois, o Exército espanhol deve transferi-los para terra firme em uma embarcação menor e, em seguida, em ônibus isolados da população local até o aeroporto de Tenerife Sul.
O ministro do Interior da Espanha, Fernando Grande-Marlaska, afirmou que o mecanismo foi montado para impedir contato com a população civil.
Segundo ele, os espanhóis desembarcariam primeiro, seguidos por grupos organizados por nacionalidade, conforme os voos de repatriação estivessem prontos.
O navio seguirá para a Holanda, onde o governo holandês e a empresa responsável pela embarcação ficarão encarregados do processo de desinfecção.
A operação será acompanhada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O diretor-geral da entidade, Tedros Adhanom Ghebreyesus, chegou a Tenerife no último sábado (9) para supervisionar o desembarque.
Em carta aberta aos moradores das Canárias, ele tentou tranquilizar a população local e afirmou que o risco para a saúde pública era baixo.
“Preciso que me escutem com clareza: isto não é outra covid. O risco atual para a saúde pública derivado do hantavírus continua sendo baixo”, escreveu Tedros.
Apesar disso, o chefe da OMS reconheceu que a cepa registrada no cruzeiro é grave. Segundo ele, três pessoas morreram em decorrência do surto.
“Três pessoas perderam a vida, e nossos corações estão com suas famílias. O risco para vocês, em sua vida cotidiana em Tenerife, é baixo”, afirmou. “Esta é a avaliação da OMS, e não a fazemos levianamente.”
A chegada do cruzeiro também provocou apreensão entre moradores de Tenerife, especialmente na região do porto industrial de Granadilla de Abona. Pessoas ouvidas pela agência AFP relataram medo de uma nova crise sanitária semelhante à pandemia de covid-19.
As autoridades das Canárias chegaram a se opor à atracação do MV Hondius. O governo espanhol, porém, aceitou receber o cruzeiro após pedido da OMS.
No sábado, o primeiro-ministro Pedro Sánchez afirmou que oferecer ao navio “um porto seguro” era “um dever moral e legal” da Espanha com seus cidadãos, com a Europa e com o direito internacional.
Navio de cruzeiro MV Hondius, que registrou casos de hantavírus durante expedição
Pippa Low/Divulgação
O que é o hantavírus?
O hantavírus, identificado em ao menos seis pessoas a bordo do navio que saiu da Argentina em direção a Cabo Verde, causa uma doença chamada hantavirose. Em humanos, ela pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
De acordo com informações do Ministério da Saúde brasileiro, a infecção em humanos pode levar a um comprometimento cardíaco.
👉Entre os principais sintomas da doença estão:
Fadiga
Febre
Dores musculares
Dores de cabeça
Tonturas
Calafrios
Problemas abdominais
Em quadros mais graves, pode levar a problemas pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
Como o hantavírus é transmitido?
Os hantavírus ficam em roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.
A forma mais comum de um humano se infectar por hantavírus é pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. O vírus pode passar para humanos também das seguintes formas:
Corte na pele causado por roedores;
Contato do vírus com mucosa (olhos, boca ou nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
Transmissão pessoa a pessoa, relatada na Argentina e Chile, associada ao hantavírus Andes.
Reprodução de imagem do hantavírus visto por um microscópio.
CDC/Cynthia Goldsmith
Tratamento da doença
Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus. De forma geral, há o combate do sintomas, com medicamentos administrado por um médico especializado, segundo a gravidade de cada caso.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, por se tratar de uma doença com transmissão respiratória, profissionais que possam estar expostos devem utilizar equipamentos de proteção individual como luvas, máscaras e óculos de proteção.
O CDC, dos EUA, recomenda cuidados para tratar os sintomas, que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, medicamentos antivirais e até diálise.
Pacientes com sintomas graves podem precisar ser internados em unidades de terapia intensiva. Em casos graves, alguns podem precisar ser intubados.
Seis casos confirmados no navio
Seis dos oito casos suspeitos de hantavírus foram confirmados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, três pessoas morreram. A OMS não especificou quais foram os casos confirmados da doença.
No início da semana, o órgão havia divulgado o primeiro caso positivo era de um cidadão britânico de 69 anos que estava entre os passageiros. Ele foi encaminhado para uma UTI em Joanesburgo, na África do Sul. O segundo caso confirmado foi de uma mulher alemã que morreu no cruzeiro.
➡️O navio saiu da Argentina no início de abril, e, dias depois, um passageiro morreu após contrair o vírus. Um casal holandês também morreu. A origem do contágio fora do navio, segundo autoridades, pode ser um voo em Joanesburgo, na África do Sul.
"A ameaça à saúde pública em geral decorrente do surto permanece baixa", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7).
Ele ainda disse que a OMS está ciente de relatos de outros pacientes e alertou que mais casos podem surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do vírus.
A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, também reforçou que se trata de uma situação totalmente diferente do coronavírus e que não se trata de uma nova epidemia.
O órgão também listou os países cujos cidadãos desembarcaram na ilha de Santa Helena:
Canadá
Dinamarca
Alemanha
Holanda
Nova Zelândia
São Cristóvão e Nevis
Singapura
Suécia
Suíça
Turquia
Reino Unido
Estados Unidos
A OMS notificou os países de origem dos passageiros para que os possíveis casos possam ser monitorados.
Retrospecto dos casos
O diretor da OMS detalhou a situação de cada um dos casos suspeitos de hantavírus ao longo da coletiva:
Primeiro caso
O primeiro caso foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e faleceu no navio em 11 de abril. Nenhuma amostra foi coletada e, como seus sintomas eram semelhantes aos de outras doenças respiratórias, a infecção por hantavírus foi descartada.
Segundo caso
A esposa do homem desembarcou quando o navio atracou na ilha de Santa Helena e também apresentou sintomas. Seu estado de saúde piorou durante um voo para Joanesburgo em 25 de abril e ela faleceu no dia seguinte. Amostras foram coletadas, testadas no Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul e confirmadas como hantavírus.
Terceiro caso
A terceira morte foi a de uma mulher a bordo do navio que desenvolveu sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio. A passageira, de origem alemã, também teve a doença confirmada.
Quarto caso
Outro homem procurou o médico do navio em 24 de abril. Ele foi evacuado da ilha de Ascensão para a África do Sul em 27 de abril, onde permanece em terapia intensiva. O britânico foi o primeiro caso de hantavírus confirmado no navio.
Quinto, sexto e sétimo casos
Duas pessoas estão em condição estável no hospital, e uma é assintomática e já se encontra na Alemanha.
Oitavo caso
O oitavo caso foi o de um homem que desembarcou em Santa Helena.
Suspeitas fora do navio
Pacientes na França, Holanda e em Singapura que não estiveram no cruzeiro MV Hondius, infectado com o hantavírus, estão sob investigação por suspeita da doença, segundo anunciaram os governos dos três países também nesta quinta-feira.
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
São as primeiras suspeitas em pessoas que não estiveram no cruzeiro, onde o surto foi registrado.
Além deles, há outros pacientes com suspeita do vírus:
O governo da Singapura diz que duas pessoas foram isoladas. Elas estavam no voo com a viúva da primeira vítima morta no cruzeiro, segundo autoridades locais;
Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia aérea holandesa KLM que teve contato com a viúva foi internada em um hospital em Amsterdã após apresentar possíveis sintomas de infecção por hantavírus; as autoridades sanitárias holandesas entraram em contato com todas as pessoas que também estavam no voo, segundo comunicado da KLM.
O jornal "The New York Times" afirmou também que três estados dos Estados Unidos — Califórnia, Geórgia e Arizona — monitoram pacientes com sintomas suspeitos do hantavírus;
Um cidadão francês esteve em contato com uma pessoa que contraiu o vírus, mas atualmente não apresenta sintomas e está sendo monitorado, afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou que a OMS está "trabalhando com países relevantes" para tentar rastrear o vírus.
"De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), a OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada", declarou o diretor-geral da OMS.
Cepa de hantavírus identificada em navio de cruzeiro é 'pouco comum' e tem transmissão entre humanos
O que é o hantavírus, que causou mortes em cruzeiro
Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus.
AFP