‘Discutimos tudo, temos uma relação muito boa’: diz Trump sobre encontro com Lula

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5 pontos sobre a reunião de Lula e Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (8) que teve uma ótima reunião com o pesidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após encontro de 3h entre os dois nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington.
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Questionado pela jornalista da TV Globo Raquel Krähenbüh, Trump afirmou:
"Discutimos tudo com o presidente do Brasil, discutimos tudo. Tivemos uma reunião muito boa. Temos uma relação muito boa com ele e com o Brasil. Discutimos tudo, incluindo tarifas".
No dia anterior, Trump já tinha chamado Lula de “um bom homem” e de “um cara inteligente” ao comentar a reunião. Segundo o presidente americano, o encontro foi “muito bom”.
Mais cedo, Trump havia comentado o encontro em uma rede social. Na Truth Social, o presidente disse que os dois discutiram temas como comércio e tarifas.
Segundo ele, novas conversas entre representantes dos dois países já estão previstas para avançar em pontos considerados estratégicos.
“Acabo de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas”, diz o texto.
A reunião durou cerca de três horas e foi classificada como positiva pelos dois líderes.
Após o encontro, Lula deu entrevista à imprensa na embaixada brasileira em Washington. O presidente afirmou que discutiu com Trump temas como a parceria entre os dois países, terras raras, a reforma do Conselho de Segurança da ONU, a situação em Cuba e a guerra no Irã.
Lula também fez um relato descontraído da reunião e afirmou que aconselhou o americano a sorrir: “Trump rindo é melhor do que de cara feia”.
“Ele me perguntou da Copa do Mundo, se a seleção brasileira estava boa. E eu falei: ‘olha, eu espero que você não venha a anular o visto dos jogadores da seleção. Por favor, não faça isso porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa’”, disse.
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Irã consegue resistir a bloqueio naval dos EUA por mais 4 meses, indica relatório da CIA

Os esforços para encerrar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã pareciam ter estagnado enquanto os dois lados trocavam ataques no Golfo nesta sexta-feira, enquanto uma análise da inteligência americana concluiu que Teerã conseguiria resistir a um bloqueio naval por mais quatro meses.
A avaliação da CIA também concluiu que a campanha de bombardeios dos EUA contra o Irã, celebrada como um sucesso pelo presidente americano Donald Trump, fracassou em forçar os líderes iranianos a capitular, segundo uma autoridade americana familiarizada com a análise, publicada primeiro pelo jornal The Washington Post.
A análise indicou que o conflito pode não chegar ao fim tão cedo, apesar dos esforços de Trump para encerrar a guerra, que tem se mostrado impopular entre os eleitores americanos.
Os últimos dias registraram as maiores escaladas de combates dentro e nos arredores do Strait of Hormuz desde o início do cessar-fogo há um mês, e os United Arab Emirates voltaram a ser alvo de ataques nesta sexta-feira. Washington aguarda a resposta de Teerã a uma proposta dos EUA que encerraria formalmente a guerra antes de negociações sobre temas mais delicados, incluindo o programa nuclear iraniano.
“Devemos saber de algo ainda hoje”, disse o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, a jornalistas em Roma mais cedo. “Estamos esperando uma resposta deles.”
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que Teerã ainda avaliava sua resposta, e nenhuma havia sido anunciada até o meio da tarde em Washington, pouco antes da meia-noite em Teerã.
Esta reportagem está em atualização.

Brasileiros veem sonho da cidadania ser adiado após mudança na lei em Portugal

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Mariza e o marido se mudaram para Portugal em 2021 e estavam próximos de completar cinco anos de permanência em território português e ter o direito à cidadania
Arquivo Pessoal
"Voltar não é uma opção". É dessa forma que a brasileira e corretora imobiliária Mariza Estima, de 59 anos, define sua permanência em Portugal. Ela e o marido imigraram para o país em agosto de 2021, depois de o companheiro receber uma proposta de trabalho. Atualmente, o casal mora em Mafamude, Vila Nova de Gaia, região norte.
Mariza é uma das brasileiras que estava próximo de completar cinco anos de permanência em território português e ter o direito à cidadania, mas devido a nova Lei de Nacionalidade terá que esperar mais dois anos para conseguir o documento.
"Nós achamos completamente injusto, pois entramos com visto, pagamos impostos desde que entramos, temos vínculos com a comunidade portuguesa. Só não demos entrada antes porque achamos que pelo tempo era mais fácil esperar os cinco anos e, no fim, mudaram", lamenta.
No dia 3 de maio, o presidente de Portugal, António José Seguro, promulgou o decreto do Parlamento que altera a Lei da Nacionalidade. A promulgação confirma que a norma foi aprovada pela Assembleia da República e determina sua publicação para entrada em vigor.
"É, em termos simples, o 'aval' institucional do Chefe de Estado. Não é exatamente o mesmo que a sanção prevista no ordenamento jurídico brasileiro, mas o efeito prático é semelhante: sem promulgação, a lei não pode seguir para as etapas seguinte", explica Marianna Guimarães, advogada e mestranda em Direito e Gestão pela Universidade Católica Portuguesa.
Isso também não significa que a lei passa a valer de imediato. Depois da promulgação, ainda é necessária a publicação no Diário da República, o jornal oficial onde são divulgados e publicados todos os atos legislativos e normativos como leis, decretos, portarias e despachos.
Neste caso, o próprio texto estabelece que a lei entra em vigor no dia seguinte à publicação. "Publicada hoje, amanhã já produz efeitos jurídicos plenos", complementa a advogada.
A mudança eleva o tempo mínimo de residência legal para pedido de nacionalidade de cinco para sete anos no caso de cidadãos da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como brasileiros, e de cinco para dez anos para as demais nacionalidades.
Também muda o critério para crianças nascidas em Portugal. Hoje, elas são consideradas portuguesas de origem quando pelo menos um dos pais vive no país há um ano, independentemente da situação migratória. Com a alteração, passa a ser exigido que um dos pais tenha residência legal em Portugal por, no mínimo, cinco anos.
Segundo especialistas ouvidos pela BBC News Brasil, a alteração indica uma mudança na política migratória adotada nas últimas décadas e se insere em um contexto de maior restrição na Europa, associado ao aumento do fluxo migratório para Portugal e a busca pela cidadania como via de acesso a outros países da União Europeia.
Portugal endurece regras para tirar cidadania portuguesa
'Faltavam seis meses para dar entrada na cidadania'
A poucos meses de completar o prazo exigido pela regra anterior, a analista comercial Luiza Lima, de 30 anos, viu o planejamento mudar.
Morando no Porto há cinco anos, ela afirma que a possibilidade de alteração já vinha sendo discutida, mas o impacto se tornou concreto quando a nova exigência passou a ser discutida. Na prática, o pedido de cidadania, que estava próximo, foi adiado em cerca de dois anos.
Luiza conta que decidiu migrar para Portugal inicialmente para cursar um mestrado, com o objetivo de ampliar as perspectivas profissionais e viver uma experiência internacional. Ao longo desse período, estruturou a vida no país e passou a considerar a cidadania como um passo natural desse processo.
Com a mudança, diz que precisou reorganizar os planos e adotar uma postura mais pragmática diante do novo cenário.
"Essa possibilidade de mudança já vinha sendo comentada há algum tempo, então não foi exatamente uma surpresa. Ainda assim, quando a mudança se torna concreta, o impacto é diferente, porque mexe diretamente com os planos de quem já está aqui há anos construindo uma vida", diz.
Apesar do adiamento, a intenção é permanecer até cumprir o novo prazo. A decisão, segundo ela, passa também por uma leitura mais ampla do contexto europeu, onde discursos mais restritivos sobre imigração têm ganhado espaço.
Os dados mais recentes indicam que 484.596 brasileiros viviam legalmente em Portugal em 2024. Os números estão no último Relatório Sobre Migrações e Asilo, publicado em outubro de 2025. De acordo com o corpo consular brasileiro no país, esses números não contabilizam os brasileiros que já tem cidadania e também exclui os cidadãos que vivem no país sem autorização.
Para Luiza, a medida reflete uma tentativa de conter um fluxo migratório maior do que o previsto, mas levanta preocupações quando o debate passa a tratar imigrantes como um problema, e não como parte ativa da economia.
"O que preocupa é quando esse debate deixa de tratar os imigrantes como pessoas que trabalham, estudam, pagam impostos e contribuem para a sociedade, e passa a colocá-los como um problema. Acho que é nesse ponto que o discurso pode se tornar perigoso e preconceituoso", avalia.
Mesmo decidindo esperar mais dois anos pela cidadania, ela pensa em retornar ao Brasil nos próximos anos.
A cidadania de Luiza, que poderia ser solicitada em seis meses, agora demandará mais dois anos devido à nova lei
Arquivo Pessoal
Já no caso de Mariza, a decisão de permanecer não está atrelada à cidadania. A corretora afirma que o casal pretende continuar em Portugal, independentemente das novas regras, mas critica a forma como a mudança foi conduzida.
Para ela, seria mais justo considerar situações de quem já estava próximo de cumprir o prazo anterior, evitando a ampliação repentina do tempo de espera.
Mariza também chama atenção para o custo de vida, que, segundo ela, não acompanha a realidade de quem depende de salários mais baixos em Portugal.
Cidadania adiada
A consultora de tecnologia Nathalia Tomazi, de 29 anos, também estava perto de iniciar o processo de cidadania quando as regras mudaram.
Morando na região do Porto há pouco mais de quatro anos, ela previa dar entrada no pedido em 2027, assim que completasse os cinco anos exigidos pela legislação anterior.
Com a nova lei, esse plano foi interrompido. Nathalia afirma que já esperava algum tipo de endurecimento nas regras migratórias, diante do cenário político, mas acreditava que haveria uma transição para quem já vivia no país.
"Imaginei que houvesse alguma consideração para quem reside no país ao abrigo da legislação anterior, sobretudo para quem tem contribuído de forma consistente", diz. "No entanto, não foi isso que se verificou."
Apesar da mudança, a decisão foi permanecer. Ela cita uma vida estruturada em Portugal, com emprego estável, imóvel adquirido e rotina consolidada.
A brasileira também aponta que o aumento do custo de vida tem sido significativo, embora ainda veja vantagens em permanecer, especialmente pela segurança e qualidade de vida. Ao mesmo tempo, faz um alerta a quem pretende migrar sem planejamento.
"Não recomendo a ninguém vir sem regularização ou empregos, a vida pode ser bem difícil sem uma certa estabilidade".
Outro ponto destacado por ela é o ambiente social. Nathalia relata episódios de xenofobia no cotidiano e avalia que o discurso político mais rígido pode reforçar esse tipo de comportamento.
"O discurso xenofóbico e preconceituoso sempre existiu, com ou sem a lei. Não só discurso mas a xenofobia velada, aquela que te olham torto em um hospital ou te tratam mal na fila de um mercado, ou até gritam com você sem necessidade tentando te diminuir em situações públicas", afirma.
"Eu entendo na verdade que políticos no poder que trouxeram essa lei à tona, representam uma parcela da população que realmente acredita que imigrantes não contribuem com o país e que não são boas pessoas", complementa.
Mesmo com possibilidades futuras em outros países europeus, como Espanha, Suíça e Holanda, a permanência em Portugal segue como prioridade no curto prazo. A cidadania, segundo ela, continua sendo vista como um instrumento que pode ampliar escolhas mais adiante.
"Por ora precisamos manter nossos contratos de trabalho em Portugal e impostos também, assim podemos manter nossas residências ativas e regulares", afirma.
Morando em Porto há quatro anos, Nathália Tomaziacreditava que haveria uma transição para quem já vivia no país
Arquivo Pessoal
Medida para conter imigração em massa
A mudança na Lei da Nacionalidade ocorre em meio a um aumento expressivo na demanda por cidadania portuguesa. Dados mais recentes do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), de maio de 2026, apontam que há cerca de 516 mil processos pendentes no país.
Nos últimos cinco anos, foram mais de 1,5 milhão de pedidos recebidos, número que ajuda a dimensionar a pressão sobre o sistema e o interesse crescente pela nacionalidade portuguesa.
Para especialistas, esse cenário ajuda a explicar o endurecimento das regras. A advogada Marianna Guimarães avalia que Portugal passa por uma inflexão na política migratória.
"O que se observa é uma mudança estrutural no posicionamento do Estado português. Portugal está transitando de um modelo mais inclusivo para um modelo mais seletivo no acesso à nacionalidade", afirma.
Segundo ela, o movimento acompanha uma tendência mais ampla na Europa, de revisão e restrição de políticas migratórias.
A economista Ludmila Culpi, doutora em Políticas Públicas com foco em migração, segue a mesma linha. Para ela, a nova lei representa um endurecimento claro das condições e já produz efeitos imediatos sobre quem planeja migrar.
"O clima de insegurança jurídica já está instalado, e isso por si só tem efeito dissuasório", diz Culpi, que também é professora e pesquisadora em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).
Na avaliação da pesquisadora, a ampliação do prazo e a maior burocracia tendem a tornar Portugal menos atrativo, especialmente para quem via na cidadania um caminho para estabilidade e mobilidade dentro da União Europeia.
Além do impacto prático, Guimarães levanta uma questão sobre os efeitos da medida na integração. Para ela, o aumento do tempo de espera pode não produzir maior vínculo com o país, mas sim o oposto.
"Quando alguém que vive em Portugal há seis anos, trabalha e paga impostos, vê o horizonte da cidadania ser empurrado, isso não é sinal de maior rigor, mas de que o Estado não reconhece o vínculo que já existe", afirma.
"O Estado quer os 'braços' (a força de trabalho barata por meio de vistos temporários) e a imagem positiva de um país receptor, que mitiga a dívida "colonial" com suas ex-colônias, mas não quer os "cidadãos" (pessoas com plenos direitos políticos, sociais e de permanência), avalia a professora da PUCPR.
Culpi também insere a decisão em um contexto político mais amplo. Segundo ela, o endurecimento não ocorre de forma isolada, mas acompanha o avanço de discursos mais restritivos em diferentes países.
"O endurecimento das regras de naturalização não acontece no vácuo, ele acompanha uma onda que estamos observando em toda a Europa e no mundo, impulsionada pelo crescimento de partidos de extrema-direita e por discursos que associam imigração à insegurança e à perda de identidade nacional", diz.
Nesse cenário, as especialistas apontam que a medida vai além da gestão administrativa de pedidos e reflete uma escolha política sobre o papel da imigração no país.
Ao mesmo tempo em que busca responder à alta demanda e a pressões internas, a nova lei levanta questionamentos sobre os efeitos no longo prazo, tanto para quem já vive em Portugal quanto para a imagem do país como destino para estrangeiros.
"Se você não oferece uma via clara e razoável para a integração e a cidadania, esses imigrantes qualificados e integrados eventualmente migrarão para outros países, que oferecem melhores salários e políticas mais amigáveis, agravando ainda mais a crise demográfica portuguesa", diz a professora.
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Perfil de quem imigra pode mudar
O endurecimento das regras para acesso à cidadania tende a alterar não apenas o volume, mas também o perfil dos estrangeiros que escolhem Portugal como destino.
Para Guimarães, a tendência é que o país passe a atrair, em maior proporção, perfis com maior capacidade de planejamento e recursos, como investidores, profissionais altamente qualificados e estudantes com projetos de longo prazo. Ao mesmo tempo, esse grupo pode se tornar mais seletivo diante das exigências.
"Ter o perfil certo não significa estar disposto a enfrentar um sistema que, na prática, ainda não funciona com a eficiência que essas pessoas exigem", diz.
Por outro lado, quem via o país como um projeto de médio prazo pode reconsiderar. Brasileiros que planejavam migrar com a expectativa de obter a cidadania em cinco anos, jovens profissionais em início de carreira e famílias sem grande capital tendem a avaliar alternativas.
Culpi aponta ainda que essa mudança ocorre em um momento em que o perfil do migrante brasileiro já vinha se diversificando.
Segundo ela, além de trabalhadores de serviços, o país passou a atrair profissionais qualificados, empreendedores e famílias que buscavam estabilidade e previsibilidade. Com a ampliação do prazo e a incerteza regulatória, esse grupo pode redirecionar seus planos para outros destinos.
"Países como Irlanda, Alemanha e Canadá continuam oferecendo horizontes mais previsíveis para quem tem qualificação e mobilidade", afirma Culpi.
Nesse cenário, Portugal corre o risco de perder justamente os migrantes com maior inserção no mercado de trabalho e capacidade de contribuição econômica.
Ao mesmo tempo, a pesquisadora aponta um efeito inverso: a permanência de fluxos mais vulneráveis, ligados à língua ou a menores possibilidades de escolha.
"A lei pode dificultar a vida de quem já está em situação mais frágil, sem necessariamente conter os fluxos que o discurso político diz querer reduzir", diz.
Ainda vale a pena imigrar para Portugal?
Mesmo com as mudanças na Lei da Nacionalidade, especialistas afirmam que Portugal continua sendo um destino viável para brasileiros, desde que a decisão não esteja focada apenas na obtenção do passaporte europeu.
Segundo Guimarães, quem migra com foco exclusivo na cidadania tende a enfrentar um processo mais longo e frustrante no cenário atual.
A recomendação, nesse contexto, é alinhar expectativas. A advogada aponta que há uma visão idealizada da imigração para o país, impulsionada pela língua e proximidade cultural, que nem sempre se confirma no dia a dia.
O mercado de trabalho, diz, tem suas particularidades, com salários iniciais muitas vezes abaixo da qualificação de quem chega, além de custos elevados com moradia e uma burocracia que pode ser lenta.
Outro ponto de atenção é o ambiente social. Para a advogada, o discurso político mais restritivo pode ter reflexos além da legislação.
"As pessoas precisam de vir conscientes de que podem encontrar esse ambiente", afirma, ao mencionar sinais de maior tensão e episódios de preconceito.
Ainda assim, reforça que, para quem chega com planejamento, o país segue oferecendo oportunidades, especialmente na área de educação.
"Portugal é, genuinamente, um lugar onde se estuda bem. E um currículo construído em Portugal, com experiência acadêmica ou profissional no país, abre portas. Não apenas em Portugal, mas em toda a Europa", diz.
"Quem fala português, domina o inglês e tem uma terceira língua como francês, alemão, espanhol e está numa posição de enorme vantagem em um mercado de trabalho que valoriza cada vez mais a mobilidade e a diversidade de perfis", complementa.
Esse também é o entendimento de Higor Cerqueira, fundador do Prepara Portugal, centro de formação dedicado à qualificação e integração de imigrantes no país. Ele destaca que a nova lei não altera os caminhos para quem deseja estudar em Portugal.
"O acesso ao ensino superior, os vistos de estudo e os caminhos acadêmicos continuam exatamente os mesmos", explica. Segundo ele, o país segue atraindo estudantes internacionais, com brasileiros entre os principais grupos.
Na avaliação de Cerqueira, a diferença está no processo de longo prazo.
"A cidadania se tornou mais exigente, mas continua possível para quem constrói uma trajetória consistente no país", diz.
Ele afirma que a experiência prática mostra que processos bem orientados desde o início tendem a ser mais estáveis, tanto do ponto de vista acadêmico quanto profissional.
Para ambos, o ponto principal passa por planejamento. Isso inclui buscar informações confiáveis, entender as etapas do processo migratório e organizar a vida antes da mudança, com atenção ao mercado de trabalho, validação de diplomas e regularização documental.
"Mais do que nunca, o caminho passa por planejamento e integração real. Estudar, trabalhar, aprender o idioma e construir uma vida consistente no país" , diz Cerqueira.
"Portugal continua sendo um país de oportunidades, mas o processo está mais exigente. E quando o imigrante entende isso desde o início, ele consegue atravessar esse caminho com mais segurança e menos frustração."

Governo Trump recorre após Justiça dos EUA considerar ilegal tarifa global de 10%

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Justiça americana considera ilegal o tarifaço de Donald Trump
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump recorreu nesta sexta-feira (8) da decisão da Corte de Comércio Internacional dos EUA que considerou ilegal a tarifa global de 10% aplicada sobre importações, segundo a agência Reuters.
A medida havia sido adotada por Trump em fevereiro como alternativa após uma derrota anterior na Suprema Corte.
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A nova decisão judicial, divulgada na quinta-feira (7), concluiu que Trump não tinha autoridade legal para aplicar o aumento generalizado das tarifas usando uma lei comercial da década de 1970. O placar foi de 2 votos a 1.
O tribunal, porém, limitou os efeitos da decisão apenas aos autores da ação: duas pequenas empresas americanas e o estado de Washington.
A disputa é mais um capítulo da batalha judicial em torno da política comercial de Trump.
Em fevereiro deste ano, a Suprema Corte dos EUA já havia decidido que o presidente extrapolou seus poderes ao impor o chamado “tarifaço” global usando uma lei de emergência nacional de 1977.
Na ocasião, a Corte entendeu que apenas o Congresso americano pode criar tarifas amplas sobre produtos importados e que o presidente não poderia usar poderes emergenciais para fazer isso sozinho. A decisão afetou as chamadas tarifas recíprocas, aplicadas a diversos países, incluindo o Brasil.
Depois dessa derrota, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre importações, desta vez baseada na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974.
O governo argumentou que a medida era necessária para combater desequilíbrios comerciais dos EUA.
Agora, a Corte de Comércio Internacional também colocou em dúvida essa nova estratégia. Segundo os juízes, a lei usada pelo governo não foi criada para permitir tarifas amplas desse tipo.
As tarifas atuais tinham caráter temporário e devem expirar em 24 de julho, caso não sejam prorrogadas pelo Congresso americano.
Ao comentar a decisão, Trump criticou os magistrados responsáveis pelo julgamento e afirmou que a decisão partiu de “dois juízes radicais de esquerda”.
O caso acontece em meio às tensões comerciais entre os EUA e a China e poucos dias antes de uma reunião prevista entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, em Pequim.
Tarifaço pode custar US$ 159 bilhões aos EUA
Como o g1 mostrou, mais de 330 mil empresas foram afetadas pelas tarifas em cerca de 53 milhões de remessas importadas. Após a decisão da Suprema Corte, empresas passaram a ter direito de pedir reembolso das taxas pagas.
Estimativas da Universidade da Pensilvânia apontam que os reembolsos podem chegar a US$ 175 bilhões (cerca de R$ 859 bilhões), além de juros. (veja mais aqui)
Recentemente, Trump afirmou que a decisão da Justiça americana foi “ridícula” e criticou os juízes por não incluírem uma cláusula impedindo a devolução do dinheiro já arrecadado.
No mês passado, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês) afirmou que havia concluído o desenvolvimento da fase inicial do sistema de restituição, conhecido como CAPE.
O sistema vai consolidar os reembolsos, de modo que os importadores recebam um único pagamento eletrônico — com juros, quando aplicável — em vez de pagamentos separados para cada importação.
Até 9 de abril, cerca de 56.497 importadores haviam concluído as etapas necessárias para receber reembolsos eletrônicos, em um valor total de US$ 127 bilhões (R$ 631,1 bilhões). Esse montante corresponde a cerca de 76% do total elegível para reembolso.
Segundo informações da Reuters, parlamentares democratas têm pressionado grandes empresas para que eventuais reembolsos sejam revertidos em preços menores aos consumidores, e não usados para recompra de ações ou bônus a executivos.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciando tarifas recíprocas globais
REUTERS/Carlos Barria

Hantavírus: conheça doença que causou surto em navio e é monitorada pela OMS

Hantavírus: conheça doença que causou surto em navio e é monitorada pela OMS
OMS e países rastreiam origem de surto de hantavírus
O hantavírus, identificado em ao menos cinco pessoas a bordo do navio que saiu da Argentina em direção a Cabo Verde, causa uma doença chamada hantavirose. Em humanos, ela pode se manifestar como Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH).
De acordo com informações do Ministério da Saúde brasileiro, a infecção em humanos pode levar a um comprometimento cardíaco.
👉Entre os principais sintomas da doença estão:
Fadiga
Febre
Dores musculares
Dores de cabeça
Tonturas
Calafrios
Problemas abdominais
Em quadros mais graves, pode levar a problemas pulmonares e cardiovasculares mais severos e característicos, podendo evoluir para a síndrome da angústia respiratória (SARA).
Como o hantavírus é transmitido?
Os hantavírus ficam em roedores silvestres, que podem eliminar o vírus pela urina, saliva e fezes. Os roedores podem carregar o vírus por toda a vida sem adoecer.
A forma mais comum de um humano se infectar por hantavírus é pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados. O vírus pode passar para humanos também das seguintes formas:
Corte na pele causado por roedores;
Contato do vírus com mucosa (olhos, boca ou nariz), por meio de mãos contaminadas com excretas de roedores;
Transmissão pessoa a pessoa, relatada na Argentina e Chile, associada ao hantavírus Andes.
Tratamento da doença
Não existe tratamento específico para infecções por hantavírus. De forma geral, há o combate do sintomas, com medicamentos administrado por um médico especializado, segundo a gravidade de cada caso.
Ainda de acordo com o Ministério da Saúde, por se tratar de uma doença com transmissão respiratória, profissionais que possam estar expostos devem utilizar equipamentos de proteção individual como luvas, máscaras e óculos de proteção.
O CDC, dos EUA, recomenda cuidados para tratar os sintomas, que podem incluir oxigenoterapia, ventilação mecânica, medicamentos antivirais e até diálise.
Pacientes com sintomas graves podem precisar ser internados em unidades de terapia intensiva. Em casos graves, alguns podem precisar ser intubados.
Cinco casos confirmados no navio
Cinco dos oito casos suspeitos de hantavírus foram confirmados, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Até o momento, três pessoas que estavam a bordo morreram. A OMS não especificou quais foram os casos confirmados da doença.
No início da semana, o órgão havia divulgado o primeiro caso positivo era de um cidadão britânico de 69 anos que estava entre os passageiros. Ele foi encaminhado para uma UTI em Joanesburgo, na África do Sul. O segundo caso confirmado foi de uma mulher alemã que morreu no cruzeiro.
➡️O navio saiu da Argentina no início de abril, e, dias depois, um passageiro morreu após contrair o vírus. Um casal holandês também morreu. A origem do contágio fora do navio, segundo autoridades, pode ser um voo em Joanesburgo, na África do Sul.
"A ameaça à saúde pública em geral decorrente do surto permanece baixa", afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (7).
Ele ainda disse que a OMS está ciente de relatos de outros pacientes e alertou que mais casos podem surgir nos próximos dias devido ao longo período de incubação do vírus.
A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias, Maria Van Kerkhove, também reforçou que se trata de uma situação totalmente diferente do coronavírus e que não se trata de uma nova epidemia.
"Isso não é o começo de uma nova pandemia de Covid-19, é um surto que aconteceu em um navio. Há uma área confinada, com cinco casos confirmados. […] O vírus não se espalha da mesma forma, na maioria das vezes o hantavírus nem é transmitido de pessoa para pessoa", ressalta.
Um especialista da OMS está a bordo do navio e vai acompanhar os passageiros até a chegada em Tenerife, ilha na Espanha.
O órgão também listou os países cujos cidadãos desembarcaram na ilha de Santa Helena:
Canadá
Dinamarca
Alemanha
Holanda
Nova Zelândia
São Cristóvão e Nevis
Singapura
Suécia
Suíça
Turquia
Reino Unido
Estados Unidos
A OMS notificou os países de origem dos passageiros para que os possíveis casos possam ser monitorados.
Retrospecto dos casos
O diretor da OMS detalhou a situação de cada um dos casos suspeitos de hantavírus ao longo da coletiva:
Primeiro caso
O primeiro caso foi de um homem que desenvolveu sintomas em 6 de abril e faleceu no navio em 11 de abril. Nenhuma amostra foi coletada e, como seus sintomas eram semelhantes aos de outras doenças respiratórias, a infecção por hantavírus foi descartada.
Segundo caso
A esposa do homem desembarcou quando o navio atracou na ilha de Santa Helena e também apresentou sintomas. Seu estado de saúde piorou durante um voo para Joanesburgo em 25 de abril e ela faleceu no dia seguinte. Amostras foram coletadas, testadas no Instituto Nacional de Doenças Transmissíveis da África do Sul e confirmadas como hantavírus.
Terceiro caso
A terceira morte foi a de uma mulher a bordo do navio que desenvolveu sintomas em 28 de abril e faleceu em 2 de maio. A passageira, de origem alemã, também teve a doença confirmada.
Quarto caso
Outro homem procurou o médico do navio em 24 de abril. Ele foi evacuado da ilha de Ascensão para a África do Sul em 27 de abril, onde permanece em terapia intensiva. O britânico foi o primeiro caso de hantavírus confirmado no navio.
Quinto, sexto e sétimo casos
Duas pessoas estão em condição estável no hospital, e uma é assintomática e já se encontra na Alemanha.
Oitavo caso
O oitavo caso foi o de um homem que desembarcou em Santa Helena.
Suspeitas fora do navio
Pacientes na França, Holanda e em Singapura que não estiveram no cruzeiro MV Hondius, infectado com o hantavírus, estão sob investigação por suspeita da doença, segundo anunciaram os governos dos três países também nesta quinta-feira.
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São as primeiras suspeitas em pessoas que não estiveram no cruzeiro, onde o surto foi registrado.
Além deles, há outros pacientes com suspeita do vírus:
O governo da Singapura diz que duas pessoas foram isoladas. Elas estavam no voo com a viúva da primeira vítima morta no cruzeiro, segundo autoridades locais;
Na Holanda, uma comissária de bordo da companhia aérea holandesa KLM que teve contato com a viúva foi internada em um hospital em Amsterdã após apresentar possíveis sintomas de infecção por hantavírus; as autoridades sanitárias holandesas entraram em contato com todas as pessoas que também estavam no voo, segundo comunicado da KLM.
O jornal "The New York Times" afirmou também que três estados dos Estados Unidos — Califórnia, Geórgia e Arizona — monitoram pacientes com sintomas suspeitos do hantavírus;
Um cidadão francês esteve em contato com uma pessoa que contraiu o vírus, mas atualmente não apresenta sintomas e está sendo monitorado, afirmou o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom, afirmou que a OMS está "trabalhando com países relevantes" para tentar rastrear o vírus.
"De acordo com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI), a OMS está trabalhando com os países relevantes para apoiar o rastreamento internacional de contatos, garantindo que aqueles potencialmente expostos sejam monitorados e que qualquer disseminação adicional da doença seja limitada", declarou o diretor-geral da OMS.
Cepa de hantavírus identificada em navio de cruzeiro é 'pouco comum' e tem transmissão entre humanos
O que é o hantavírus, que causou mortes em cruzeiro
Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus.
AFP