As imagens de satélite de nova ponte entre Coreia do Norte e Rússia que sinalizam relação próxima entre os países

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Uma imagem divulgada pelo Ministério dos Transportes da Rússia mostra a cerimônia que marcou a ligação das duas margens da nova ponte rodoviária
Ministério do transporte da Rússia via BBC
A primeira ponte rodoviária conectando a Coreia do Norte e a Rússia está quase concluída, mostram imagens de satélite analisadas pela BBC Verify, a equipe de checagem de dados da BBC.
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Este é o mais recente sinal do aprofundamento da relação entre Pyongyang e Moscou. Recentemente tropas norte-coreanas chegaram a lutar ao lado das forças russas após a invasão da Ucrânia.
“Esta ponte oferecerá uma rota útil para transferir bens militares e munições — tanto para a Coreia do Norte quanto para a Rússia”, disse Edward Howell, especialista em Coreias do think tank britânico Chatham House.
A nova ponte sobre o rio Tumen está localizada a algumas centenas de metros da única outra ponte entre os dois países — uma conexão ferroviária conhecida como “Ponte da Amizade”.
Visão de cima da ponte entre Coreia do Norte e Rússia.
BBC
As imagens de satélite mais recentes mostram a ponte de um quilômetro de extensão ao lado de várias novas vias de acesso, um posto de controle de fronteira, infraestrutura de apoio e estacionamento.
Especialistas dizem que isso indica que a ponte deve se tornar uma importante rota comercial entre os dois países.
Um acordo para construir a ponte foi feito durante a visita do presidente russo Vladimir Putin a Pyongyang em junho de 2024, quando ele se encontrou com o líder norte-coreano Kim Jong Un.
A construção começou cerca de um ano depois e a BBC Verify tem usado imagens de satélite para acompanhar seu progresso.
Construção da ponte entre Coreia do Norte e Rússia.
BBC
A travessia, conhecida como Ponte Khasan-Tumangang, foi construída para suportar até 300 veículos e 2.850 pessoas por dia, de acordo com o Ministério dos Transportes da Rússia.
O custo total é estimado em mais de 9 bilhões de rublos (US$ 120 milhões de dólares ou mais de R$ 600 milhões), de acordo com a mídia estatal russa.
“A velocidade da construção é um reflexo do volume de atividade comercial entre os dois lados”, disse Victor Cha, do think tank Center for Strategic and International Studies (CSIS).
“Isso é estimulado em grande parte pelo fornecimento de tropas, armas, munições e trabalhadores pela Coreia do Norte para a guerra de Putin na Ucrânia”, disse ele.
Motoristas russos e norte-coreanos provavelmente deverão transferir cargas de caminhões cheios de mercadorias na travessia, pois estarão restritos a operar veículos mais para dentro do território um do outro, segundo o CSIS.
Os países realizaram uma cerimônia em 21 de abril para marcar a união dos dois lados da ponte e a embaixada da Rússia na Coreia do Norte disse que a construção deve ser concluída em 19 de junho.
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Memorial de soldados norte-coreanos
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que a abertura da ponte “se tornará uma etapa verdadeiramente marcante nas relações russo-coreanas. Seu significado vai muito além de uma obra puramente de engenharia”.
O tráfego ferroviário na vizinha Ponte da Amizade permaneceu alto durante a construção da ponte rodoviária, à medida que o comércio entre os dois países se expandiu, de acordo com o CSIS.
“É justo dizer que essa conexão, antes da guerra na Ucrânia, era uma das ligações mais silenciosas entre a Coreia do Norte e seus dois vizinhos”, disse Cha.
Além de concordarem em construir a ponte, Putin e Kim assinaram um acordo histórico durante a visita de 2024, prometendo que a Rússia e a Coréia do Norte se ajudarão mutuamente em caso de “agressão” contra qualquer um dos países.
De acordo com a Coreia do Sul, o Norte enviou cerca de 15 mil soldados para ajudar a Rússia em sua invasão, junto com mísseis e armas de longo alcance. Seul também estima que cerca de 2 mil norte-coreanos morreram no conflito.
Nem Pyongyang nem Moscou confirmaram esses números, mas Kim Jong Un e o ministro da Defesa da Rússia, Andrey Belousov, inauguraram na semana passada um memorial em Pyongyang para os norte-coreanos que morreram lutando na guerra da Ucrânia.
Kim Jong Un na cerimônia de abertura de um memorial para as tropas norte-coreanas mortas em combate na guerra contra a Ucrânia
Reuters via KCNA via BBC
Belousov disse que discutiu a cooperação militar de longo prazo com autoridades norte-coreanas, de acordo com agências de notícias russas.
Em troca do fornecimento de soldados e artilharia, acredita-se que a Coreia do Norte tenha recebido comida, combustível e tecnologia militar da Rússia.
“A construção da ponte simboliza como os laços da Coreia do Norte com a Rússia parecem continuar além de qualquer eventual fim da guerra na Ucrânia”, disse Howell.
Este texto foi traduzido e revisado por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA, como parte de um projeto piloto.

República Tcheca: por que a ‘Terra da Cerveja’ tem bebido cada vez menos e enfrenta queda recorde

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Cerveja gelada pode não ser a melhor opção para enfrentar o calorão; entenda
A República Tcheca, com cerca de 10 milhões de habitantes, há décadas ostenta o título de país da cerveja. Nenhuma outra nação consome tanto da bebida por pessoa. Mas esse posto histórico está sob ameaça após uma queda recorde no consumo.
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Os bares da República Tcheca não são um local onde só se bebe. Eles também são coração de cada cidade tcheca, onde as pessoas se encontram, jogam cartas, discutem sobre a vida, o mundo e a política.
As tais "conversas de bar", na forma de obras literárias de Jaroslav Hasek, Bohumil Hrabal e, hoje, também do escritor alemão-tcheco Jaroslav Rudis, tornaram-se parte da literatura europeia e mundial.
Há séculos, a cerveja é uma parte importante da identidade tcheca.
Mesmo nos momentos de maior crise econômica durante o comunismo, a marca Pilsner Urquell era exportada para grande parte do mundo.
Até hoje, o próprio Papa recebe todos os anos, na Páscoa, algumas caixas abençoadas dessa cerveja. Não se sabe ao certo, porém, se ele realmente as bebe.
No país, qualquer assunto relacionado à cerveja atrai a atenção. Notícias sobre preços, vendas e exportação da bebida são acompanhadas com grande interesse.
Nos últimos dias, um dado chamou atenção na República Tcheca: o consumo nacional de cerveja caiu para 121 litros per capita em 2025, o menor nível da história.
A informação, divulgada pela Associação Tcheca de Cervejarias e Malteiras, acabou ofuscando até as reportagens sobre a alta dos combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.
"Cada tcheco bebeu oito cervejas a menos no ano passado do que em 2024", constatou a emissora pública Cesky Rozhlas. A notícia foi destaque em quase todos os veículos de comunicação do país no final de abril.
"Nos últimos anos, os tchecos têm dado mais importância ao consumo moderado e adotado com mais frequência um estilo de vida saudável", explica Tomas Slunecko, diretor-geral da Associação Tcheca de Cervejarias e Malteiras.
"E quando saem para tomar uma cerveja, estão mais interessados na variedade da oferta e, acima de tudo, na qualidade do que na quantidade. Isso também é comprovado pelo interesse crescente, a longo prazo, por cervejas sem álcool", acrescenta.
Segundo a associação, os tchecos também estão consumindo cada vez mais cerveja fora de bares e restaurantes. No ano passado, cerca de uma em cada quatro cervejas vendidas no país foi consumida nesses estabelecimentos comerciais.
A Associação Tcheca de Cervejarias e Malteiras solicitou ao governo que reduzisse o Imposto sobre o Valor Agregado (IVA) sobre a cerveja de barril, contribuindo assim para estimular o consumo nesses estabelecimentos.
Lá, o preço de meio litro do chopp subiu nos últimos anos de 40 para entre 50 e 60 coroas, ou seja, de cerca de R$ 11,60 para R$ 14,50.
Além disso, também em países como a Alemanha, para onde se exporta cerveja tcheca, o consumo diminuiu significativamente. No total, a produção de cerveja na República Tcheca caiu 4,3% no ano passado, para 1,9 milhões de litros.
Parte da identidade nacional
Copo de cerveja sendo servido
Divulgação
Enquanto a geração mais antiga encara as notícias sobre a queda no consumo como algo negativo, ou seja, algo que atesta o declínio da tradição na sociedade tcheca, especialistas em dependência química e médicos veem a tendência com bons olhos.
"Para alguns tchecos, ainda existe o costume de tratar a cerveja não como uma bebida alcoólica, mas como parte da identidade nacional", explica Tom Philipp, ex-vice-ministro da Saúde e deputado do Partido Popular Tchecoslovaco, à DW.
Philipp considera positivo o fato de que, há 20 anos, o consumo ainda era de quase 160 litros por pessoa e hoje é de apenas 121.
"Estamos gradualmente deixando de lado o hábito de beber cerveja seguindo o lema 'o importante é beber muito' e adotando a ideia de que é normal beber menos ou nem beber nada. E isso é uma boa notícia por motivos de saúde e segurança", acrescenta.
A geração mais jovem, em geral, bebe menos álcool do que os mais velhos – mas o consumo continua alto. Além disso, o risco do abuso de álcool também persiste.
"É muito preocupante que o álcool sirva, entre os jovens, como substituto para a falta de serviços de aconselhamento e assistência", afirma Katerina Duspivova, analista sênior do renomado Instituto Tcheco de Pesquisa Empírica.
De acordo com a pesquisa mais recente do Estudo Europeu sobre Álcool e Outras Drogas nas Escolas, de 2024, 14% dos jovens de 16 anos na República Tcheca bebiam para esquecer os problemas. Já 11% afirmaram que recorrem ao álcool quando se sentem tristes.
Menos álcool, mas novos riscos
Amigos em bar
Giovanna Gomes / Unsplash / Divulgação
Para os jovens tchecos, o álcool já não é considerado tão legal quanto era antes. No entanto, há novos riscos.
"As mudanças no comportamento dos jovens também são confirmadas pelo Observatório Nacional de Drogas e Dependência", alerta a especialista Duspivova.
"Observa-se uma queda no consumo de álcool entre as gerações mais jovens. Em contrapartida, elas consomem com mais frequência novas substâncias não regulamentadas e fazem uso excessivo de redes sociais e jogos online."
"Os jovens tchecos passam mais tempo no mundo virtual, mas continuam enfrentando os problemas do mundo real. E, nesse quesito, temos muito a recuperar. Isso também é confirmado pelos dados sobre o bem-estar psicológico de cada geração", acrescenta ela.
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Indonésia busca 20 montanhistas após vulcão entrar em erupção

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Esta foi a sétima erupção do vulcão Monte Dukono em uma semana.
GuGun BaBa LaBaranti via Spectee/AFP
Autoridades da Indonésia trabalham contra o tempo para resgatar 20 trilheiros após a erupção do Monte Dukono nesta sexta-feira (8), informou à Reuters um representante da agência local de resgate.
Segundo a autoridade, nove dos montanhistas são de Singapura.
O Monte Dukono, na região de Tobelo, em Halmahera do Norte, na província de Maluku do Norte, na Indonésia, entrou em erupção na manhã desta sexta-feira (8), às 7h41 no horário local, lançando uma coluna de cinzas a cerca de 11 mil metros acima do nível do mar.
Segundo autoridades locais, as cinzas se deslocaram em direção ao norte. Esta foi a sétima erupção do vulcão em uma semana.
A agência de vulcanologia da Indonésia, PVMBG, manteve o alerta no nível II e orientou moradores e visitantes a permanecerem a pelo menos 4 quilômetros da cratera Malupang Warirang.
*Com informações da Reuters.

Lula e Trump: veja o que foi falado e o que ficou de fora da reunião

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Lula cita 'amor à primeira vista' ao comentar relação com Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington. A reunião durou cerca de três horas e foi classificada como positiva pelos dois líderes.
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Logo após o encontro, Trump usou uma rede social para dizer que a reunião foi "muito boa". Ele também elogiou Lula, chamando o presidente brasileiro de "muito dinâmico". Segundo o norte-americano, novos encontros devem acontecer em breve.
Já Lula deu mais detalhes sobre a reunião durante uma coletiva de imprensa sobre quais assuntos foram tratados durante o encontro.
Segundo o presidente, entraram na pauta:
A relação entre Brasil e EUA
Terras raras
Guerras
Mudanças no Conselho de Segurança da ONU
Uma brincadeira sobre a Copa
Por outro lado, Lula afirmou que não foram discutidos:
A classificação de facções brasileiras como grupos terroristas
Os ataques dos Estados Unidos ao PIX
Veja, abaixo, ponto a ponto o que foi e o que não discutido na reunião, segundo Lula.
Relação entre Brasil e EUA
Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026
Presidência da República
Lula afirmou que a reunião com Trump teve como foco a retomada e o fortalecimento da relação entre os dois países. O presidente disse que quer que os Estados Unidos vejam o Brasil como um parceiro importante.
Ainda segundo o presidente brasileiro, há interesse mútuo em ampliar a parceria, sobretudo nas áreas econômica e comercial. Ele afirmou que os EUA teriam dado menos atenção à América Latina nos últimos anos, o que resultou em um avanço da China na região.
Lula disse que defendeu uma relação baseada no diálogo e no multilateralismo, em oposição a políticas unilaterais.
Segundo ele, o Brasil está aberto a negociar com diferentes parceiros sem restrições, desde que sejam respeitadas a soberania e os interesses nacionais.
Lula afirmou ainda que propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para tratar de impasses comerciais que envolvem tarifas de importação. Segundo ele, uma proposta deve ser apresentada em 30 dias.
O presidente declarou que saiu otimista do encontro e avaliou que há espaço para avanços. Segundo Lula, Trump demonstrou disposição para manter o diálogo, e novas reuniões devem ocorrer.
“Eu saio muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos.”
Terras raras
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante uma coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil após seu encontro na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, DC, em 7 de maio de 2026.
AFP
Lula afirmou que discutiu com Trump o potencial brasileiro na exploração de terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para a economia global.
Segundo Lula, o Brasil pretende ampliar o conhecimento sobre o próprio território e avançar na exploração desses recursos de forma planejada.
O presidente disse que o país não quer repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima sem agregação de valor.
De acordo com ele, a proposta é desenvolver a cadeia produtiva no Brasil, incluindo etapas de processamento e industrialização.
Lula afirmou que o país está aberto a parcerias internacionais, inclusive com empresas americanas, mas sem preferência por um país específico. Segundo ele, o objetivo é atrair investimentos que contribuam para o desenvolvimento interno.
O presidente declarou que o tema foi tratado como questão de soberania nacional. Ele afirmou que o governo criou mecanismos de coordenação para organizar a agenda e garantir controle sobre os recursos.
“O Brasil estará aberto para construir parcerias. O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas”, disse. “Nós queremos que o Brasil seja o grande criador dessa riqueza que a natureza nos deu.”
Guerras
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Ricardo Stuckert
Lula afirmou que discutiu com Trump conflitos internacionais e apresentou a visão do Brasil sobre guerras em curso. Ele disse ainda que defendeu o diálogo como alternativa a intervenções militares.
O presidente brasileiro indicou que não espera mudanças imediatas na postura de Trump sobre conflitos.
Ainda assim, disse considerar importante expor diretamente as posições brasileiras durante a reunião.
Ele também mencionou situações específicas, como Irã e Venezuela, e afirmou que colocou o Brasil à disposição para contribuir com negociações, caso haja interesse.
Lula afirmou ainda que não pretende entrar em embate com o presidente americano por causa de divergências sobre conflitos globais. Ele disse ser “totalmente contra guerras” e declarou que é crítico dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Sobre Cuba, Lula afirmou que Trump disse não ter intenção de invadir a ilha, já que Havana tem demonstrado abertura ao diálogo. O presidente brasileiro classificou a declaração como um sinal positivo.
“Trump não vai mudar o jeito dele de ser por causa de uma reunião de três horas comigo”, disse. “Conversar é muito mais barato, mais eficaz. Não tem vítima, não tem destruição de casa, não tem morte de criança.”
Mudanças no Conselho de Segurança da ONU
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva gesticula enquanto fala com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026
REUTERS/Elizabeth Frantz
Lula afirmou que defendeu, na conversa com Trump, a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, a estrutura atual reflete a geopolítica do pós-Segunda Guerra Mundial e não corresponde mais à realidade internacional.
Lula disse que tem cobrado maior protagonismo das potências com assento permanente no órgão — como Estados Unidos, China e Rússia — para liderar o processo de mudança.
Segundo o presidente, esses países têm responsabilidade direta pelo funcionamento do sistema internacional.
Segundo o presidente, a falta de reformas limita a capacidade de atuação da ONU em conflitos e crises. Ele afirmou que, sem mudanças, a organização perde relevância e tem dificuldade para responder aos desafios atuais.
Ele voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes. Lula citou Brasil, Japão, Índia e países africanos como candidatos a participar das decisões globais.
“A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945. O mundo é outro, a comunicação é outra.”
Uma brincadeira sobre a Copa
Lula: 'Trump rindo é melhor do que com cara feia. Eu disse para ele rir'
Lula relatou que o encontro com Trump também teve momentos de descontração. Segundo ele, os dois conversaram sobre a próxima Copa do Mundo.
O presidente brasileiro afirmou que aproveitou o encontro para fazer uma brincadeira com Trump.
Lula usou como referência a política migratória dos Estados Unidos.
“Eu falei: espero que você não anule o visto dos jogadores brasileiros, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo. E ele riu, porque agora ele vai rir sempre.”
Lula também comentou o clima da reunião e disse que momentos de descontração ajudam no diálogo entre líderes. Segundo ele, a imagem do encontro também tem peso político e afirmou que ver Trump sorrindo é melhor do que vê-lo “de cara feia”.
O presidente disse ainda que fez questão de criar um ambiente mais leve durante a conversa e avaliou que o bom humor ajudou a tornar a reunião mais tranquila.
O que não foi discutido
Lula diz que Trump não falou de PIX, mas espera que um dia ele faça um
Lula afirmou que alguns temas levantados antes da reunião não entraram na pauta do encontro com Trump. Entre eles, a possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e o PIX.
De acordo com o presidente, apesar de a questão das facções criminosas não ter sido tratada de forma direta, o Brasil deixou claro que pretende intensificar o combate ao crime organizado e mencionou iniciativas internacionais de cooperação na área.
Lula afirmou ainda que disse a Trump que o Brasil está disposto a ajudar na criação de um grupo de trabalho internacional para combater o crime organizado, reunindo países da América do Sul, da América Latina e, eventualmente, de outras regiões do mundo.
Sobre o PIX, o presidente afirmou que levou para o encontro o ministro da Fazenda, Dario Durigan, com a expectativa de tratar do tema.
Atualmente, os EUA conduzem uma investigação contra o Brasil por supostas irregularidades em práticas comerciais. O PIX está entre os itens analisados.
Segundo o governo norte-americano, o sistema brasileiro é visto como uma ameaça a empresas dos EUA, por criar desvantagens para serviços como cartões de crédito.
Segundo Lula, como Trump não mencionou o assunto durante a reunião, ele também decidiu não abordá-lo.
“Eu espero que um dia ele ainda vai fazer um PIX, porque muitas empresas americanas já fazem”, disse.
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EUA atacam portos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz; Irã diz que responderá sem hesitar

EUA atacam portos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz; Irã diz que responderá sem hesitar
Foto mostra navios ao fundo enquanto uma pequena lancha passa em primeiro plano no Estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, no Irã, na segunda-feira, 4 de maio de 2026.
Amirhosein Khorgooi/ISNA via AP
Os militares dos EUA realizaram ataques nesta quinta-feira (7) contra os portos iranianos de Qeshm e Bandar Abbas, segundo a TV norte-americana Fox News. De acordo com o site, o ataque não significa o fim do cessar-fogo ou o recomeço da guerra.
As duas regiões alvejadas ficam próximas ao Estreito de Ormuz, via marítima cujo controle tem sido disputado pelos dois países durante a guerra.
Mais cedo, a agência iraniana Fars informou que explosões foram ouvidas na cidade de Bandar Abbas e na ilha de Qeshm. A defesa aérea também foi ativada em Teerã nesta quinta-feira, segundo a agência estatal iraniana Mehr.
Após o ataque, o Comando militar conjunto do Irã afirmou nesta quinta-feira (7) que responderá de forma poderosa e sem a menor hesitação a qualquer ataque.
Também nesta quinta-feira, o Irã afirmou que três navios de guerra dos EUA que estão próximos ao Estreito de Ormuz são alvo da Marinha do país, segundo a agência iraniana Tasnim.
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No mesmo dia, a mídia estatal iraniana informou, citando uma autoridade militar não identificada, que o Irã realizou um ataque com mísseis contra embarcações militares dos EUA no Estreito de Ormuz. Segundo a imprensa iraniana, a ofensiva ocorreu após um ataque americano contra um petroleiro iraniano.
As embarcações militares americanas foram forçadas a recuar após sofrerem danos causados pelos ataques com mísseis iranianos, acrescentou a mídia estatal. Não estava claro quando o incidente ocorreu.
Já as Forças Armadas dos Estados Unidos afirmaram nesta quinta (7) que interceptaram ataques iranianos "não provocados" e responderam com "ações de autodefesa".
Segundo comunicado, três destróieres da Marinha americana transitavam pelo Estreito de Ormuz em direção ao Golfo de Omã, quando forças iranianas lançaram múltiplos mísseis, drones e pequenas embarcações.
O Exército americano afirma que nenhuma embarcação americana foi atingida e que "eliminou as ameaças" ao atacar instalações militares iranianas, incluindo "locais de lançamento de mísseis e drones e estruturas de inteligência e vigilância".
Ataques acontecem em meio a negociações pelo fim da guerra
EUA e Irã próximos de acordo limitado para interromper a guerra
Os bombardeios ocorreram em meio a negociações frágeis entre EUA e Irã pelo fim da guerra que começou no dia 28 de fevereiro. Atualmente, os EUA aguardam uma resposta do Irã sobre uma proposta americana para encerrar o conflito.
Nesta quarta-feira (6), Trump afirmou que a guerra terminaria se Irã "cumprir o combinado".
O presidente dos EUA afirmou à rede PBS News que um acordo de paz com o Irã, segundo os termos impostos pelos EUA, incluiria o regime iraniano entregando todo seu estoque de urânio enriquecido e se comprometer a não operar suas instalações nucleares subterrâneas.
Apesar dos avanços reportados nesta quarta-feira, o Irã considera que o memorando entregue pelos EUA contém "alguns termos inaceitáveis", segundo a agência estatal Tasnim. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, afirmou que o país está "com o dedo no gatilho".
Essas negociações acontecerem em meio a um cessar-fogo na guerra entre EUA, Israel e Irã, prorrogado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no final de abril. A trégua foi prolongada, segundo Trump, para viabilizar um acordo entre os países.
Desde então, contudo, Irã e EUA têm trocado ataques no Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica disputada pelos dois países.