Elogio de Trump, tour na Casa Branca, três horas de reunião: como foi o encontro de Lula com o presidente americano

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Lula e Trump mostram que é possível ter diálogo amistoso mesmo tendo posições antagônicas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve reunido por cerca de três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em sua primeira visita oficial à Casa Branca durante a gestão trumpista.
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Os dois fariam uma declaração conjunta à imprensa do Salão Oval após o encontro, mas a coletiva de imprensa foi cancelada. Lula deve agora falar com jornalistas na embaixada brasileira em Washington.
Trump postou após o encontro sobre a reunião. Elogiou Lula de "dinâmico", afirmou que a reunião foi "muito produtiva" e destacou o tema das tarifas entre os tópicos que discutiram.
"Acabei de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o dinâmico presidente do Brasil. Discutimos diversos temas, incluindo comércio e, mais especificamente, tarifas. A reunião foi muito boa", escreveu o presidente americano na rede Truth Social.
Trump também ressaltou que representantes dos dois países deverão ter novos encontros para tratar de temas relevantes na agenda bileteral.
"Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", disse Trump.
Como foi a reunião de Lula e Trump
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Ricardo Stuckert
Lula chegou à Casa Branca por volta de 12h20 (horário de Brasília) e foi recebido por Trump diante da residência oficial do presidente americano, onde trocaram cumprimentos.
O brasileiro foi acompanhado dos ministros Márcio Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Alexandre Silveira (Minas e Energia do Brasil), Dario Durigan (Fazenda), Wellington César (Justiça e Segurança Pública) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
Já o americano levou seu vice, J.D. Vance, a chefe de gabinete, Susie Wiles, os secretários de Comércio e do Tesouro, Howard Lutnick e Scott Bessent, e Jamieson Greer, representante comercial dos EUA.
A agenda inicial previa que os dois líderes falariam primeiro com a imprensa e depois seguiriam para a reunião bilateral. Mas a ordem foi alterada a pedido da delegação brasileira.
Segundo apurou a BBC News Brasil, a alteração ocorreu após a experiência da viagem de Lula à Malásia, em outubro do ano passado, quando Lula e Trump tiveram seu primeiro encontro oficial.
Na ocasião, a conversa com a imprensa aconteceu antes da reunião oficial entre os presidentes e foi marcada por muitas perguntas dos repórteres.
Na Malásia, o presidente brasileiro demonstrou incômodo com a situação. Em um dos momentos, Lula interrompeu a sessão de perguntas e afirmou que era preciso primeiro realizar a reunião "para poder ter o que falar".
A avaliação do governo brasileiro, segundo fontes ouvidas pela reportagem, foi a de que faria mais sentido inverter a dinâmica desta vez, com conversa reservada dos presidentes antes de responder às perguntas da imprensa.
Na reunião, Lula e Trump conversaram por pouco mais de uma hora a portas fechadas. Como ressaltou Trump, os temas tratados foram variados, com destaque para questões de comércio e, particularmente, tarifas comerciais.
O presidente americano também levou Lula para fazer um pequeno tour pela parte de fora da Casa Branca. No local, há retratos de todos os presidentes norte-americanos. Nas fotos do momento, é possível ver Lula e Trump dando risadas em frente aos retratos.
Em seguida, Lula e Trump seguiram para o almoço. De entrada, foi servida uma salada de alface-romana, jicama, gomos de laranja, abacate com molho cítrico. O prato principal foi bife grelhado com purê de feijão-preto, mini pimentões-doces e relish de rabanete com abacaxi. De sobremesa, pêssegos caramelizados e torta de panna cotta com mel, acompanhados de sorvete de crème fraîche.
Encerrado o almoço, havia a expectativa de uma declaração conjunta à imprensa, que foi cancelada — o motivo não foi informado até o momento pela Casa Branca ou o Planalto.
Agora, Lula deve fazer uma coletiva de imprensa na embaixada brasileira em Washington.
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O que Lula e Trump queriam deste encontro
Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026
Presidência da República
A gestão Lula tinha duas prioridades nesta reunião com Trump: evitar a imposição de novas tarifas contra produtos brasileiros e conseguir algum tipo de parceria na área de combate ao crime organizado.
Uma das intenções da comitiva era apresentar um novo plano para o combate à lavagem de dinheiro e combate ao tráfico de armas, iniciativa que vem sendo trabalhada pela equipe técnica do Itamaraty, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, do Ministério da Fazenda e da Receita Federal.
A ideia do governo era se antecipar à intenção de parte do governo Trump de designar facções criminosas brasileiras como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Esse era considerado um dos temas mais sensíveis na relação entre os dois governos, especialmente diante da divulgação na quarta-feira (6) da nova estratégia de contraterrorismo americana, que passou a considerar os cartéis de drogas como alvo principal, à frente, por exemplo, de milícias jihadistas como Estado Islâmico (EI) e Al Qaeda.
Há meses Trump tem defendido que organizações criminosas ligadas ao narcotráfico sejam consideradas terroristas.
A medida, na visão do Planalto, abriria espaço para interferências dos Estados Unidos em território brasileiro, como ocorreu no ano passado com embarcações venezuelanas, bombardeadas sob acusação de estarem transportando drogas, algo que não foi comprovado.
Depois desses ataques, o governo americano invadiu a Venezuela e prendeu o presidente Nicolás Maduro em janeiro.
Nos últimos meses, interlocutores do presidente Lula também vinham afirmando que um encontro entre Lula e Trump poderia ajudar o governo brasileiro a diminuir a influência que a ala bolsonarista sediada nos Estados Unidos tem sobre o governo norte-americano.
Esta ala é liderada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo empresário e jornalista Paulo Figueiredo.
A interpretação do governo é de que essa ala foi a principal responsável por influenciar o governo Trump a impor o tarifaço sobre produtos brasileiros em julho de 2025 sob a justificativa de que ele era uma resposta a uma suposta "caça às bruxas" política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Do outro lado do encontro, Trump tem interesses que convergem com os do Brasil, apontam analistas à BBC Brasil.
Trump quer reduzir o preço da carne, e o Brasil é um dos maiores produtores globais.
O governo americano também deseja ter acesso privilegiado às reservas brasileiras de minerais críticos ou mesmo alguma garantia de fornecimento com exclusividade do Brasil para os EUA.
O Brasil é detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, minerais considerados essenciais para a transição energética e para a produção de equipamentos de alta tecnologia como telefones celulares, computadores e até mísseis.
Neste ponto, segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, pode haver divergência entre os interesses dos dois países, porque que o governo Lula já afirmou que não deseja que o Brasil se torne fornecedor exclusivo de um país.
A visita também pode gerar dividendos políticos e simbólicos para Trump em um momento em que sua liderança internacional é contestada, entre outros motivos, pelo prolongamento da guerra contra o Irã.
O encontro poderia reforçar a narrativa de que ele está organizando as cadeias de suprimento críticas com grandes produtores de alimentos e minerais para conseguir competir com a China e passar uma imagem de pragmatismo internacional ao aparecer ao lado de um líder de esquerda.
A China é apontada pelo governo americano como a principal ameaça geopolítica dos Estados Unidos. Neste aspecto, o Brasil tem sido apontado por oficiais do governo dos EUA como um parceiro estratégico.
De 'nenhuma relação' à reunião na Casa Branca
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva reage ao falar com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026
REUTERS/Elizabeth Frantz
Em setembro passado, Lula declarou à BBC, em entrevista exclusiva, que não tinha "nenhuma relação" com Donald Trump.
Essa declaração foi apenas o mais recente episódio de uma troca de farpas entre os dois líderes desde que Trump impôs uma alta tarifa — de 50% — sobre produtos brasileiros em abril de 2025.
"O povo americano pagará pelos erros que o presidente Trump está cometendo em sua relação com o Brasil", disse Lula na ocasião. Ele também acusou Trump de interferência estrangeira e de se comportar como um "imperador".
Trump já havia afirmado que Lula poderia "ligar para ele a qualquer momento". Mas Lula insistiu que membros do governo Trump "não querem conversar".
Parte da razão para as altas tarifas de Trump sobre o Brasil foi o julgamento e a condenação de Jair Bolsonaro, que tinha uma relação próxima com Trump, por golpe de Estado.
"A relação dele é com Bolsonaro, não com o Brasil", disse Lula sobre Trump.
Mas, após um breve encontro na Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York, em setembro, as relações pareceram descongelar.
Eles conversaram por telefone no mês seguinte, uma conversa que ambos os líderes descreveram como positiva e amigável. Trump disse em suas redes sociais que a ligação havia sido "focada principalmente na economia e no comércio entre nossos dois países".
"Teremos novas conversas e nos reuniremos em breve, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos."
O primeiro encontro formal entre os dois aconteceu em em Kuala Lumpur, na Malásia, em outubro de 2025, durante a 47ª reunião da Associação das Nações do Sudeste Asiático.
Uma nova reunião vinha sendo negociada desde janeiro deste ano e chegou a ser prevista para março.
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Surto de hantavírus: MAPA mostra rota de cruzeiro e cronologia da crise sanitária

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Autoridades confirmam cepa andina de hantavírus transmissível entre humanos em passageiros
Um surto causado por uma cepa rara do hantavírus, transmitida entre humanos, atingiu um navio de cruzeiro que navegava pelo Oceano Atlântico, causando mortes, embates diplomáticos e uma crise sanitária, que agora a Organização Mundial da Saúde teme que possa se espalhar — já há casos suspeitos entre pessoas que não estavam na embarcação.
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Na quinta-feira (7), o navio seguia em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, onde os passageiros confinados passarão por quarentenas e serão repatriados. Mas a crise já dura mais de um mês, desde que a embarcação zarpou do Ushuaia, no extremo sul da Argentina.
Veja, abaixo, a linha do tempo da crise:
Mapa mostra trajeto do cruzeiro atingido por surto de hantavírus e datas da crise sanitária
Editora de Arte/g1
Cepa de hantavírus identificada em navio de cruzeiro é 'pouco comum' e tem transmissão entre humanos
O que é o hantavírus, que causou mortes em cruzeiro
Imagem aérea mostra o navio de cruzeiro MV Hondius, onde três pessoas morreram com suspeita de contaminação por hantavirus.
AFP
🔎 Os passageiros viajavam no navio de cruzeiro MV Hondius, da empresa holandesa Oceanwide Expeditions. Segundo o itinerário divulgado, o cruzeiro partiu de Ushuaia, na Argentina, e originalmente deveria terminar em Cabo Verde. Três pessoas morreram no cruzeiro, e nesta quinta-feira a Organização da Mundial da Saúde (OMS) confirmou outras cinco infecções por hantavírus entre os passageiros.
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🔎 Os hantavírus são transmitidos principalmente por roedores infectados e podem causar problemas respiratórios e cardíacos, além de febres hemorrágicas. Leia mais aqui sobre o vírus.
VÍDEO mostra capitão anunciando morte de passageiro em navio com surto de hantavírus
OMS confirma contaminação de 3 pessoas por hantavírus em cruzeiro; outros 5 casos estão sob investigação
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'Não levaram o problema a sério suficiente', diz passageiro de cruzeiro com hantavírus

Lula cita ‘amor à primeira vista’ ao comentar encontro com Trump: ‘Nossa relação é muito boa’

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Lula cita 'amor à primeira vista' ao comentar relação com Trump
“Foi amor à primeira vista.” É o que disse o presidente Lula sobre sua relação com Donald Trump após a reunião bilateral desta quinta-feira (7), nos Estados Unidos.
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“A nossa relação é muito boa, uma relação que pouca gente acreditaria que pudesse acontecer com tanta rapidez”, disse Lula durante a coletiva pós-encontro com o norte-americano.
O presidente brasileiro ainda completou:
“Sabe aquela história de amor à primeira vista, aquele negócio da química? Foi isso que aconteceu, e eu espero que continue assim.”
Em setembro do ano passado, durante a Assembleia Geral da ONU, ambos os presidentes tiveram um rápido encontro nos bastidores — ocasião em que Trump disse que rolou “uma química excelente” e que Lula “pareceu um cara muito agradável”.
"Eu estava entrando (no plenário da ONU), e o líder do Brasil estava saindo. Eu o vi, ele me viu, e nos abraçamos. Na verdade, concordamos que nos encontraríamos na semana que vem", disse Trump. "Não tivemos muito tempo para conversar, tipo uns 20 segundos.
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Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026
Presidência da República
A reunião
O encontro foi uma “visita de trabalho”, formato menos formal do que uma reunião bilateral tradicional.
Segundo fontes da diplomacia do Brasil, a reunião foi vista como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após os EUA aplicarem tarifas contra produtos brasileiros e sanções contra autoridades nacionais.
Além da economia, era esperado que os dois presidentes também tratassem de outros temas, como:
ataques dos EUA ao PIX;
cooperação no combate ao crime organizado e ao narcotráfico;
parcerias em minerais críticos e terras raras;
geopolítica na América Latina, no Oriente Médio e na ONU;
eleições no Brasil.
Antes do encontro desta quinta, Lula e Trump falaram por telefone no dia 1º de maio. O governo brasileiro disse que a conversa foi "amistosa".

Guerras, terras raras e Copa: veja ponto a ponto o que Lula discutiu com Trump na Casa Branca

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Lula cita 'amor à primeira vista' ao comentar relação com Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta quinta-feira (7), na Casa Branca, em Washington. A reunião durou cerca de três horas e foi classificada como positiva pelos dois líderes.
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Logo após o encontro, Trump usou uma rede social para dizer que a reunião foi "muito boa". Ele também elogiou Lula, chamando o presidente brasileiro de "muito dinâmico". Segundo o norte-americano, novos encontros devem acontecer em breve.
Já Lula deu mais detalhes sobre a reunião durante uma coletiva de imprensa. Segundo o presidente, entraram na pauta:
A relação entre Brasil e EUA
Terras raras
Guerras
Mudanças no Conselho de Segurança da ONU
Uma brincadeira sobre a Copa
Por outro lado, Lula afirmou que não foram discutidos:
A classificação de facções brasileiras como grupos terroristas
Os ataques dos Estados Unidos ao PIX
Veja, abaixo, ponto a ponto o que foi e o que não discutido na reunião, segundo Lula.
Relação entre Brasil e EUA
Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026
Presidência da República
Lula afirmou que a reunião com Trump teve como foco a retomada e o fortalecimento da relação entre os dois países. O presidente disse que quer que os Estados Unidos vejam o Brasil como um parceiro importante.
Ainda segundo o presidente brasileiro, há interesse mútuo em ampliar a parceria, sobretudo nas áreas econômica e comercial. Ele afirmou que os EUA teriam dado menos atenção à América Latina nos últimos anos, o que resultou em um avanço da China na região.
Lula disse que defendeu uma relação baseada no diálogo e no multilateralismo, em oposição a políticas unilaterais.
Segundo ele, o Brasil está aberto a negociar com diferentes parceiros sem restrições, desde que sejam respeitadas a soberania e os interesses nacionais.
Lula afirmou ainda que propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral para tratar de impasses comerciais que envolvam tarifas de importação. Segundo ele, uma proposta deve ser apresentada em 30 dias.
O presidente declarou que saiu otimista do encontro e avaliou que há espaço para avanços. Segundo Lula, Trump demonstrou disposição para manter o diálogo, e novas reuniões devem ocorrer.
“Eu saio muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos.”
Terras raras
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante uma coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil após seu encontro na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, DC, em 7 de maio de 2026.
AFP
Lula afirmou que discutiu com Trump o potencial brasileiro na exploração de terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para a economia global.
Segundo Lula, o Brasil pretende ampliar o conhecimento sobre o próprio território e avançar na exploração desses recursos de forma planejada.
O presidente disse que o país não quer repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima sem agregação de valor.
De acordo com ele, a proposta é desenvolver a cadeia produtiva no Brasil, incluindo etapas de processamento e industrialização.
Lula afirmou que o país está aberto a parcerias internacionais, inclusive com empresas americanas, mas sem preferência por um país específico. Segundo ele, o objetivo é atrair investimentos que contribuam para o desenvolvimento interno.
O presidente declarou que o tema foi tratado como questão de soberania nacional. Ele afirmou que o governo criou mecanismos de coordenação para organizar a agenda e garantir controle sobre os recursos.
“O Brasil estará aberto para construir parcerias. O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas”, disse. “Nós queremos que o Brasil seja o grande criador dessa riqueza que a natureza nos deu.”
Guerras
Lula e Trump em encontro na Casa Branca
Ricardo Stuckert
Lula afirmou que discutiu com Trump conflitos internacionais e apresentou a visão do Brasil sobre guerras em curso. Ele disse ainda que defendeu o diálogo como alternativa a intervenções militares.
O presidente brasileiro indicou que não espera mudanças imediatas na postura de Trump sobre conflitos.
Ainda assim, disse considerar importante expor diretamente as posições brasileiras durante a reunião.
Ele também mencionou situações específicas, como Irã e Venezuela, e afirmou que colocou o Brasil à disposição para contribuir com negociações, caso haja interesse.
Lula afirmou ainda que não pretende entrar em embate com o presidente americano por causa de divergências sobre conflitos globais. Ele disse ser “totalmente contra guerras” e declarou que é crítico dos ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã.
Sobre Cuba, Lula afirmou que Trump disse não ter intenção de invadir a ilha, já que Havana tem demonstrado abertura ao diálogo. O presidente brasileiro classificou a declaração como um sinal positivo.
“Trump não vai mudar o jeito dele de ser por causa de uma reunião de três horas comigo”, disse. “Conversar é muito mais barato, mais eficaz. Não tem vítima, não tem destruição de casa, não tem morte de criança.”
Mudanças no Conselho de Segurança da ONU
O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva gesticula enquanto fala com repórteres após sua reunião na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, na Embaixada do Brasil em Washington, DC, EUA, em 7 de maio de 2026
REUTERS/Elizabeth Frantz
Lula afirmou que defendeu, na conversa com Trump, a necessidade de reformar o Conselho de Segurança da ONU. Segundo ele, a estrutura atual reflete a geopolítica do pós-Segunda Guerra Mundial e não corresponde mais à realidade internacional.
Lula disse que tem cobrado maior protagonismo das potências com assento permanente no órgão — como Estados Unidos, China e Rússia — para liderar o processo de mudança.
Segundo o presidente, esses países têm responsabilidade direta pelo funcionamento do sistema internacional.
Segundo o presidente, a falta de reformas limita a capacidade de atuação da ONU em conflitos e crises. Ele afirmou que, sem mudanças, a organização perde relevância e tem dificuldade para responder aos desafios atuais.
Ele voltou a defender a ampliação do Conselho de Segurança, com a inclusão de novos membros permanentes. Lula citou Brasil, Japão, Índia e países africanos como candidatos a participar das decisões globais.
“A geopolítica de 2026 não é a geopolítica de 1945. O mundo é outro, a comunicação é outra.”
Uma brincadeira sobre a Copa
Lula: 'Trump rindo é melhor do que com cara feia. Eu disse para ele rir'
Lula relatou que o encontro com Trump também teve momentos de descontração. Segundo ele, os dois conversaram sobre a próxima Copa do Mundo.
O presidente brasileiro afirmou que aproveitou o encontro para fazer uma brincadeira com Trump.
Lula usou como referência a política migratória dos Estados Unidos.
“Eu falei: espero que você não anule o visto dos jogadores brasileiros, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo. E ele riu, porque agora ele vai rir sempre.”
Lula também comentou o clima da reunião e disse que momentos de descontração ajudam no diálogo entre líderes. Segundo ele, a imagem do encontro também tem peso político e afirmou que ver Trump sorrindo é melhor do que vê-lo “de cara feia”.
O presidente disse ainda que fez questão de criar um ambiente mais leve durante a conversa e avaliou que o bom humor ajudou a tornar a reunião mais tranquila.
O que não foi discutido
Lula diz que Trump não falou de PIX, mas espera que um dia ele faça um
Lula afirmou que alguns temas levantados antes da reunião não entraram na pauta do encontro com Trump. Entre eles, a possível classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas e o PIX.
De acordo com o presidente, apesar de a questão das facções criminosas não ter sido tratada de forma direta, o Brasil deixou claro que pretende intensificar o combate ao crime organizado e mencionou iniciativas internacionais de cooperação na área.
Lula afirmou ainda que disse a Trump que o Brasil está disposto a ajudar na criação de um grupo de trabalho internacional para combater o crime organizado, reunindo países da América do Sul, da América Latina e, eventualmente, de outras regiões do mundo.
Sobre o PIX, o presidente afirmou que levou para o encontro o ministro da Fazenda, Dario Durigan, com a expectativa de tratar do tema.
Atualmente, os EUA conduzem uma investigação contra o Brasil por supostas irregularidades em práticas comerciais. O PIX está entre os itens analisados.
Segundo o governo norte-americano, o sistema brasileiro é visto como uma ameaça a empresas dos EUA, por criar desvantagens para serviços como cartões de crédito.
Segundo Lula, como Trump não mencionou o assunto durante a reunião, ele também decidiu não abordá-lo.
“Eu espero que um dia ele ainda vai fazer um PIX, porque muitas empresas americanas já fazem”, disse.
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EUA atacam portos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz, diz TV; Irã diz que responderá sem hesitar

EUA atacam portos iranianos próximos ao Estreito de Ormuz, diz TV; Irã diz que responderá sem hesitar
Foto mostra navios ao fundo enquanto uma pequena lancha passa em primeiro plano no Estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, no Irã, na segunda-feira, 4 de maio de 2026.
Amirhosein Khorgooi/ISNA via AP
Os militares dos EUA realizaram ataques nesta quinta-feira (7) contra os portos iranianos de Qeshm e Bandar Abbas, segundo a TV norte-americana Fox News. De acordo com o site, o ataque não significa o fim do cessar-fogo ou o recomeço da guerra.
As duas regiões alvejadas ficam próximas ao Estreito de Ormuz, via marítima cujo controle tem sido disputado pelos dois países durante a guerra.
Mais cedo, a agência iraniana Fars informou que explosões foram ouvidas na cidade de Bandar Abbas e na ilha de Qeshm. A defesa aérea também foi ativada em Teerã nesta quinta-feira, segundo a agência estatal iraniana Mehr.
Após o ataque, o Comando militar conjunto do Irã afirmou nesta quinta-feira (7) que responderá de forma poderosa e sem a menor hesitação a qualquer ataque.
Também nesta quinta-feira, o Irã afirmou que três navios de guerra dos EUA que estão próximos ao Estreito de Ormuz são alvo da Marinha do país, segundo a agência iraniana Tasnim.
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No mesmo dia, a mídia estatal iraniana informou, citando uma autoridade militar não identificada, que o Irã realizou um ataque com mísseis contra embarcações militares dos EUA no Estreito de Ormuz. Segundo a imprensa iraniana, a ofensiva ocorreu após um ataque americano contra um petroleiro iraniano.
As embarcações militares americanas foram forçadas a recuar após sofrerem danos causados pelos ataques com mísseis iranianos, acrescentou a mídia estatal. Não estava claro quando o incidente ocorreu.
Ataques acontecem em meio a negociações pelo fim da guerra
Os bombardeios ocorreram em meio a negociações frágeis entre EUA e Irã pelo fim da guerra que começou no dia 28 de fevereiro. Atualmente, os EUA aguardam uma resposta do Irã sobre uma proposta americana para encerrar o conflito.
Nesta quarta-feira (6), Trump afirmou que a guerra terminaria se Irã "cumprir o combinado".
O presidente dos EUA afirmou à rede PBS News que um acordo de paz com o Irã, segundo os termos impostos pelos EUA, incluiria o regime iraniano entregando todo seu estoque de urânio enriquecido e se comprometer a não operar suas instalações nucleares subterrâneas.
Apesar dos avanços reportados nesta quarta-feira, o Irã considera que o memorando entregue pelos EUA contém "alguns termos inaceitáveis", segundo a agência estatal Tasnim. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Ghalibaf, afirmou que o país está "com o dedo no gatilho".
Essas negociações acontecerem em meio a um cessar-fogo na guerra entre EUA, Israel e Irã, prorrogado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, no final de abril. A trégua foi prolongada, segundo Trump, para viabilizar um acordo entre os países.
Desde então, contudo, Irã e EUA têm trocado ataques no Estreito de Ormuz, rota marítima estratégica disputada pelos dois países.