ACOMPANHE: Lula chega à Casa Branca para encontro com Trump

Lula se reúne com Trump na Casa Branca nesta quinta; será o segundo encontro entre os dois
ACOMPANHE: Lula chega à Casa Branca para encontro com Trump Presidentes devem discutir assuntos como economia e segurança durante o encontro. Lula desembarcou nos Estados Unidos na noite de quarta-feira (6). O g1 vai transmitir ao vivo, nesta página. O encontro entre Lula e Trump nesta quinta-feira (7) está previsto para começar às 12h, pelo horário de Brasília. Leia aqui o que esperar do encontro.. Presidentes devem fazer uma rápida declaração à imprensa no Salão Oval da Casa Branca.. Encontro é viso como uma "visita de trabalho", menos formal do que uma reunião bilateral.. Combate ao crime organizado, terras raras e PIX estão entre os assuntos da reunião. Leia mais aqui.. Veja como foram os últimos encontros de Lula e Trump.

Quem foi Apolônio, o ‘Jesus grego’ que foi cancelado pelo cristianismo

Lula se reúne com Trump na Casa Branca nesta quinta; será o segundo encontro entre os dois
Gravura de Apolônio de Tiana feita Johann Theodor de Bry, provavelmente no início do século 17
Domínio público
O enredo é bem conhecido do mundo religioso. Trata-se da história de um homem barbudo, que trajava túnica simples e que viveu há cerca de 2 mil anos. Era reconhecido como sábio, dotado de excelente oratória e teria realizado milagres: curado doentes, ressuscitado mortos, alimentado famintos. Acabou reunindo seguidores.
Provocou a ira dos poderosos romanos e chegou a ser condenado por eles.
Mas alcançou a vida eterna, levado de corpo e alma para os céus.
Não, não se trata de Jesus de Nazaré. Esta narrativa, que cabe perfeitamente naquela que está na base da religiosidade cristã, é um resumo do que teria sido a vida de um outro personagem extraordinário, um sujeito que também teria vivido no primeiro século da Era Comum: Apolônio de Tiana.
E não é por acaso que muitos o definem como o "Jesus grego" ou o "Jesus pagão". A mitologia erguida ao redor de sua biografia guarda semelhanças muito grandes com a narração presente nos evangelhos que contam a trajetória da figura central da religiosidade cristã.
"Após sua morte, sua figura passou a ser venerada em algumas cidades do mundo grego oriental", comenta o filósofo Dennys Garcia Xavier, professor na Universidade Federal de Uberlândia. "Em certos locais houve até estátuas e honras cívicas. No entanto, isso não se transformou em igreja organizada ou corpo doutrinário sistemático. Menos ainda em um culto litúrgico estruturado dotado de escritura sagrada normativa."
Pouco se sabe de fato sobre quem foi Apolônio, embora haja um consenso entre historiadores de que, assim como Jesus de Nazaré, foi uma figura que existiu de fato. O mais provável é que ele tenha nascido por volta do ano 15 em Tiana, antiga cidade da Capadócia em região da atual Turquia, e morrido por volta do ano 100 na antiga cidade grega de Éfeso, também na atual Turquia.
"Certamente existiu Apolônio, assim como existiu Jesus. Não há dúvida quanto a isso. Mas em ambos os casos, suas biografias obedeciam a padrões e expectativas por parte do público e dos padrões da época", comenta o filósofo Gabriele Cornelli, professor na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro Sábios, Filósofos, Profetas ou Magos?, que trata, como diz o subtítulo, da "magia incômoda de Apolônio de Tiana e Jesus de Nazaré".
De origem grega, Apolônio foi um filósofo da linha neopitagórica, praticante do ascetismo — ou seja, alguém que renunciava aos prazeres em busca de um desenvolvimento espiritual, com disciplina moral e busca pelo conhecimento — e teria viajado disseminando seus ensinamentos.
Acredita-se que ele era de família abastada e, desde muito jovem, tenha estudado filosofia.
"Também é possível que ele tenha viajado pelo Mediterrâneo e pelo Oriente, atuando como uma espécie de filósofo itinerante, algo comum em sua época", esclarece a historiadora Semíramis Corsi Silva, professora na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Conforme explica o historiador Daniel Brasil Justi, professor na Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa) e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a carência de referências documentais contemporâneas a Apolônio é algo relativamente recorrente a figuras dessa época. Mas sua existência pode ser comprovada pela chamada múltipla atestação — ou seja, por relatos de autores diferentes e sem relação entre si que tratam do mesmo indivíduo.
O que não significa que tudo o que se diga a respeito dele seja verdadeiro.
Contaminação literária
"O personagem de Apolônio de Tiana é um ótimo exemplo de como história e ficção podem se misturar", diz Silva. "Em termos gerais, a maioria dos pesquisadores considera que ele provavelmente existiu como um filósofo itinerante do século 1º, oriundo da Capadócia, então província do Império Romano. No entanto, a imagem que chegou até nós está marcada por elementos literários."
Silva estudou o tema em seu doutorado realizado na Universidade Estadual Paulista.
Essa contaminação literária a respeito da vida real de Apolônio foi causada principalmente pela obra Vida de Apolônio de Tiana, livro escrito por Flávio Filóstrato (170-250), um grego sofista que se dedicou a produzir essa biografia elogiosa e com contornos místicos a respeito de Apolônio no século 3º.
Segundo Justi, há o entendimento de que registros breves de ditos e supostos milagres realizados por Apolônio tenham servido como pano de fundo para a biografia dele.
Gravura de Apolônio feita por Gottlieb Friedrich Riedel em 1780
Domínio público
Filóstrato narrou a trajetória de Apolônio por meio de inúmeras viagens. De acordo com o filósofo Cornelli, o que explica que os relatos são cheios de episódios fantásticos é que, na maneira como se biografavam personalidades naquela época, o enredo precisava mostrar que pessoas notáveis eram grandiosas do começo ao fim da vida. "Não tem a ideia da evolução do pouco para o muito. Tem de ser extraordinário do alfa ao ômega", contextualiza.
"Sabemos muito pouco sobre a vida real de Apolônio. O que temos é um quebra-cabeças sobre o mundo onde ele esteve, considerando que ele era um filósofo e que teria transitado muito pelo Mediterrâneo e, talvez, até pela Mesopotâmia", comenta Cornelli.
Para o pesquisador, é de se supor que ele tenha visitado cidades importantes daquela época, como Atenas, Roma e Alexandria.
Como concordam os pesquisadores, a Vida de Apolônio de Tiana muito provavelmente foi um texto encomendado a Filóstrato pela imperatriz romana Júlia Domna (170-217). "Tinha intenções claras de exaltar o personagem ao qual a dinastia severiana [que governou de 193 a 235] parece ter admirado e até cultuado", pontua Silva.
"A grande questão é que esse livro pode muito bem ser uma biografia romanceada, muito mais do que uma biografia propriamente dita", afirma o filósofo Aldo Dinucci, professor na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
No livro estão narrados feitos extraordinários realizados por Apolônio — curas, previsões e um rol de milagres.
"Ele seria o homem sagrado mais famoso da antiguidade, só perdendo para Jesus", comenta Dinucci.
E teria viajado muito. "Os relatos falam em visita aos brâmanes na Índia e aos filósofos que andavam nus na Etiópia", diz Dinucci. "E entre seus feitos estaria a ressurreição de uma garota." Apolônio seria um homem de oratória impressionante e que, no início de sua missão, havia feito um voto de silêncio de cinco anos.
Acredita-se que a obra de Filóstrato tinha interesse em engrandecer o personagem tanto por seus gostos próprios como pela predileção da dinastia que estava no poder em Roma.
A existência de Apolônio como personagem histórico apoia-se no fato de que ele também é mencionado em outras obras. "De forma mais sóbria e até crítica", salienta Silva. É o caso de autores como o historiador romano Dião Cássio (155-229). "Isso reforça a ideia de que sua vida não se trata de uma invenção completa", diz a historiadora.
"Além disso, há a tradição de cartas atribuídas a Apolônio. Embora a autenticidade delas seja discutida, isso indica que já na Antiguidade circulava a imagem de Apolônio como mestre filosófico e conselheiro, para além da biografia escrita por Filóstrato", argumenta ela.
Por conta desse cenário, o mais aceito hoje é que Apolônio seja um personagem real. Mas alguém que teve sua vida progressivamente reinterpretada e, como enfatiza Silva, "enriquecida pela tradição literária, adquirindo contornos que misturam história e ficção".
Não muito diferente do que costuma acontecer com personagens religiosos.
Contemporâneos mas desconhecidos
Embora Apolônio e Jesus possivelmente tenham sido praticamente contemporâneos, não há evidências de que um tenha sabido da existência do outro.
"Não existe qualquer evidência histórica confiável de contato direto entre eles, nem sequer indireto", diz Xavier. "Isso não deve surpreender o homem contemporâneo. O mundo romano do século 1º era vastíssimo, e figuras religiosas itinerantes surgiam aos borbotões em diversas regiões simultaneamente. Jesus atuou principalmente na Galileia e na Judeia. Apolônio circulou sobretudo pela Ásia Menor, Síria, Egito e Grécia, ao que parece."
"Essa é uma questão interessante porque aproxima duas figuras que, embora contemporâneas, pertencem a tradições diferentes. Apolônio de Tiana e Jesus de Nazaré teriam vivido no início do século 1º e ambos foram posteriormente associados a feitos extraordinários", comenta Silva. "Porém, não há evidência histórica de que tenham tido conhecimento um do outro. As fontes que mencionam Apolônio, especialmente a obra de Filóstrato, são relativamente tardias e não fazem referência a Jesus ou ao movimento cristão. Da mesma forma, os textos do Novo Testamento não mencionam Apolônio."
Cornelli diz ser possível que Filóstrato tenha ouvido falar sobre Jesus — mas acha improvável que ele tenha tido contato com os textos que narravam a vida do nazareno. "Na época, ele não era alguém tão importante", ressalta.
A historiadora Silva lembra que os seguidores de ambos, estes sim, de alguma forma esbarraram na história um do outro. Ela nota que a partir do final do século 3º, com o cristianismo começando a se consolidar, há registros de autores estabelecendo comparações entre o nazareno e o tianeu.
"Sosiano Hierócles, escritor e político romano ativo no final do século 3º e início do 4º, escreveu uma obra conhecida como Amante da Verdade, na qual teria apresentado Apolônio com um exemplo de sábio comparável, ou até superior, a Jesus", comenta a historiadora.
O bispo cristão Eusébio de Cesareia (265-339), considerado o primeiro historiador do cristianismo, não gostou. Rebateu com um tratado intitulado Contra Hierócles, no qual defendia a singularidade de Jesus.
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Magia e charlatanismo
Silva frisa ainda que há nos textos greco-romanos diversos textos que apresentam Apolônio de forma mais crítica. Era a oposição entre a teurgia e a goécia — um lado visto como ligado aos deuses, outro demoníaco. "Em certos relatos, ele não aparece como um sábio ascético que não comia ou vestia nada vindo de animais em busca de pureza e elevação", comenta. "Nessa outra tradição, ele é associado à figura do 'goēs', alguém ligado a práticas de encantamento, feitiçaria e manipulação de forças ocultas."
Ela explica que esta era uma visão pejorativa. E Apolônio foi qualificado como ligado a magia goética em uma homilia do arcebispo de Constantinopla João Crisóstomo (347-407). Cirilo de Alexandria (375-444) era outro bispo que também o criticava. "Para esses autores, o tianeu era um charlatão", observa a historiadora.
Para o historiador Justi, há uma diferença etimológica que separa a narrativa de Jesus da de Apolônio — e isto permeia a descrição do fantástico que eles supostamente faziam. Enquanto a tradição latina adotada pelo cristianismo derivou para a palavra milagre, a linha grega dos relatos de Apolônio empregava a ideia do taumaturgo. Ou seja: do que fazia encantamentos, maravilhas.
Gradualmente, o cristianismo passou a demonizar um lado, como sendo o da magia, e valorizar o outro, como sendo o do divino. Com a consolidação da religião baseada nos ensinamentos de Jesus, veio o apagamento de Apolônio.
"Por trás das duas figuras, há um campo semântico diferente", comenta Justi. "Mas ambos estão no âmbito da magia, em crenças que dominavam o Mediterrâneo da época."
A diferença, explica o historiador, é que gradualmente se consolida a ideia de que um era um divino, enquanto o outro o feiticeiro.
Assim como Jesus, Apolônio também teve seguidores póstumos. A historiadora Silva, contudo, lembra que o modelo não foi semelhante ao do cristianismo — não há indícios de que tenha nascido uma religião organizada, com comunidades e doutrina, a partir do legado do sábio grego.
"Não foi uma religião fundada, mas sim um conjunto de pessoas que seguiam essas ideias", aponta Justi.
"Mas Filóstrato conta que chegou a visitar um templo dedicado ao culto de Apolônio em Tiana", acrescenta Dinucci.
"As fontes […] indicam que ele foi seguido como um mestre filosófico ligado ao neopitagorismo, e admirado por seu estilo de vida ascético e pelos seus ensinamentos", comenta Silva. "Após sua morte, sua reputação não só continuou como foi ampliada. Ele passou a ser visto como um 'homem divino'." Para ela, o que houve foi uma "recepção intelectual" de sua figura.
Apolônio de Tiana ensina aos seus discípulos
Getty Images
Para os especialistas, as histórias parecidas entre Jesus e Apolônio têm muito mais a ver com o caldo cultural onde esses personagens foram ressignificados do que com uma coincidência aleatória. "As semelhanças […] podem ser explicadas principalmente pelo contexto cultural do mundo antigo", pontua Silva. "Tanto nas tradições grego-romanas quanto nas orientais, em contatos e confluências, era comum atribuir feitos extraordinários a figuras consideradas 'homens divinos', incluindo curas e narrativas de retorno da morte."
"Isso não significa necessariamente que as histórias dependam uma da outra, mas que compartilham um mesmo repertório religioso e literário da época", ressalta ela, acrescentando que os embates entre cristãos e não-cristãos, reforçando as comparações entre os dois, serviram para ampliar ainda mais a ideia de que havia semelhanças.
Daí não só os feitos ditos milagrosos de Apolônio, como também a crença de que ele não teria morrido — mas sido levado aos céus e, depois da morte, como um ressuscitado, reaparecido a algumas pessoas.
"Essas histórias eram comuns na época sobre personagens importantes", pontua Cornelli. "Eram tão extraordinários que precisavam ser percebidos com algum tipo de poder divino ou alguma ligação especial com o divino. Isso independia da religião, se grega, romana ou judaica."
Ele diz que tais narrativas combinavam a junção do conhecimento, da sabedoria, do ensinamento, das falas importantes e de algum tipo de poder divino — que aparecia do nascimento à morte. Apolônio também, acreditava-se, tinha sido fruto de uma concepção virginal — lembra Cornelli. "E no final da vida morre, mas reaparece. Ressuscita", analisa ele. "A mesma maneira de contar as histórias: um começo extraordinário até um fim extraordinário."
Apagamento histórico
Justi conta que o imperador Constantino (272-337), aquele que se converteu ao cristianismo, acabou sepultando a memória de Apolônio. "Há evidências de que, quando ele mandou destruir tudo [o que era ligado ao paganismo], foram destruídos materiais ligados a Apolônio", comenta.
Embora seja inevitável comparar o tianeu e o nazareno com os olhares contemporâneos, o anacronismo torna esse paralelismo incorreto. "Atribuir a Apolônio a ideia de um 'Jesus pagão' é desconhecer por completo a dinâmica da Bacia Mediterrânea, em que havia um sem-número de personalidades parecidas com Jesus", lembra Justi.
"Talvez o ponto mais relevante seja compreender quem Apolônio realmente foi dentro da tradição filosófica antiga", acredita Xavier. "Ele não foi um profeta apocalíptico como Jesus, nem fundador de religião revelada. Foi antes um representante tardio do ideal grego segundo o qual a filosofia é uma forma de vida."
Para o professor, Apolônio é "testemunho de que o século 1º foi um período sobremaneira fértil em figuras carismáticas que procuravam reformar a vida moral e religiosa do mundo antigo".
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Coreia do Norte diz que não está vinculada a tratados de não proliferação de armas nucleares

Lula se reúne com Trump na Casa Branca nesta quinta; será o segundo encontro entre os dois
O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, visita uma base de produção de material nuclear e um instituto de armas nucleares em janeiro de 2025.
KCNA via Reuters
A Coreia do Norte não está vinculada a nenhum tratado de não proliferação de armas nucleares, informou a agência estatal KCNA nesta quinta-feira (7), enquanto Pyongyang continua rejeitando pressões e sanções internacionais para desmantelar seu programa nuclear.
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Kim Song, representante permanente norte-coreano na Organização das Nações Unidas, afirmou em comunicado que os Estados Unidos e outros países estão “prejudicando o ambiente” da 11ª conferência de revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), realizada na sede da ONU, ao levantarem a questão das armas nucleares norte-coreanas.
Segundo Kim, o status da Coreia do Norte como potência nuclear “não muda de acordo com declarações retóricas ou desejos unilaterais de atores externos”.
“Condeno e rejeito nos termos mais fortes os atos arrogantes e descarados de determinados países, incluindo os Estados Unidos, que questionam o acesso realista e legítimo da RPDC às armas nucleares”, declarou, usando a sigla da República Popular Democrática da Coreia, nome oficial do país.
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A Coreia do Norte ratificou o Tratado de Não Proliferação Nuclear em 1985, mas anunciou sua retirada em 2003, durante uma crise nuclear após Washington acusar Pyongyang de manter esforços secretos para desenvolver armas atômicas. A legalidade dessa retirada segue sendo contestada.
O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, realizaram encontros em 2018 e 2019, antes das negociações fracassarem diante de divergências sobre o arsenal nuclear de Pyongyang.
No ano passado, Kim Jong-un indicou disposição para voltar a se reunir com Trump caso os EUA abandonassem a exigência de desnuclearização.
A Coreia do Norte mantém instalações nucleares em várias partes do país. Analistas estimam que Pyongyang já tenha produzido material físsil suficiente para até 90 ogivas nucleares.

Lula e Trump: o que os dois presidentes querem ganhar com encontro na Casa Branca?

Lula se reúne com Trump na Casa Branca nesta quinta; será o segundo encontro entre os dois
Lula visitará pela primeira vez Trump na Casa Branca; em outubro do ano passado, os dois presidentes se reuniram na Malásia
Getty Images
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem um encontro previsto para as 12h (horário de Brasília) nesta quinta-feira (7/5) com o presidente norte-americano, Donald Trump, na Casa Branca, nos Estados Unidos.
A reunião vinha sendo negociada desde janeiro, chegou a ser prevista para março, mas acabou acontecendo em um momento em que a chamada "química excelente" entre os dois líderes vinha dando sinais de estremecimento.
O encontro também ocorre em um período em que os dois presidentes enfrentam momentos delicados domesticamente.
No Brasil, Lula sofreu, em uma semana, duas derrotas políticas no Congresso Nacional com a rejeição da indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) e a derrubada do veto ao projeto de lei que reduziu penas para condenados por crimes cometidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Além disso, pesquisas de intenção de voto colocam Lula em empate técnico com os principais candidatos de direita, entre eles o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Por outro lado, Trump enfrenta uma crise de popularidade causada pelo prolongamento da guerra contra o Irã e a economia do país já começa a dar sinais negativos com aumento da inflação causada, entre outros motivos, pela subida do preço dos combustíveis gerada pela crise no Oriente Médio.
E em meio a um cenário delicado "em casa", Lula e Trump se reunirão com a expectativa de emplacarem agendas positivas de lado a lado, ainda que, em alguns pontos, os interesses de ambos pareçam ser antagônicos.
Diante desse quadro, a BBC News Brasil ouviu especialistas em relações internacionais e fontes ligadas ao governo brasileiro para entender o que é que Trump e Lula querem ou têm a ganhar com esse encontro.
Eles afirmam que, do lado brasileiro, o governo tem o objetivo de derrubar o restante das tarifas que ainda vigoram contra a importação de produtos brasileiros.
Além disso, Lula também quer frear ou convencer o governo norte-americano a encerrar investigações comerciais que miram a economia brasileira, entre elas uma que apura supostas irregularidades envolvendo o Pix.
As pautas brasileiras, porém, não seriam apenas econômicas, segundo os especialistas.
Na avaliação deles, um outro objetivo do governo brasileiro é manter aberto um canal de comunicação direto com Trump, tentando diminuir a influência da ala bolsonarista radicada nos Estados Unidos a poucos meses das eleições presidenciais.
Do lado norte-americano, Trump deverá usar o encontro para mostrar uma imagem de relativo prestígio ao receber mais um líder na Casa Branca em um momento em que a guerra contra o Irã é contestada nacional e internacionalmente, além de possibilitar o aprofundamento de negociações em áreas consideradas estratégicas para os EUA como o barateamento do preço da carne bovina e o acesso a reservas de minerais estratégicos.
Uma pesquisa realizada pela Reuters e pelo Instituto Ipsos divulgada em abril apontou que a taxa de aprovação de Trump caiu para o nível mais baixo de seu mandato.
Entre os fatores apontados para este resultado está o descontentamento com o custo de vida e a guerra contra o Irã.
O que Lula quer?
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Getty Images
Na avaliação do professor de Ciência Política da Universidade de Berea, nos Estados Unidos, Carlos Gustavo Poggio, o encontro de Lula e Trump é mais importante para o brasileiro que para o norte-americano.
"Lula tem uma eleição geral para enfrentar. Trump tem eleições legislativas de meio de mandato, mas a importância dos EUA na pauta comercial do Brasil é maior do que a do Brasil para a pauta dos EUA. Por isso, acho que essa visita tem um peso maior para Lula que para Trump", explica.
Na avaliação do professor, os interesses mais concretos de Lula com essa visita são econômicos.
"A questão mais concreta, evidentemente, é a suspensão das tarifas remanescentes que existem sobre a exportação de produtos brasileiros, especialmente a tarifa sobre a carne. Isso é algo que também interessa, hoje, o governo norte-americano. Se o Brasil conseguir algum avanço nisso, seria algo interessante para o governo brasileiro", diz Poggio.
O professor também avalia que o governo Lula poderá usar o interesse dos norte-americanos nas reservas de minerais críticos como uma espécie de "moeda de troca" à medida que o governo brasileiro, por sua vez, quer a garantia de que investimentos em projetos minerais no Brasil envolvam transferência de tecnologia e beneficiamento da matéria-prima em território nacional.
Além disso, o professor avalia que o governo deverá tentar convencer o governo norte-americano a encerrar as investigações com base na seção 301 da Lei de Comércio que atinge o Pix brasileiro.
A preocupação do Brasil com o tema começou em julho do ano passado, na mesma época em que o governo Trump impôs um tarifaço de 40%.
Naquele mês, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) abriu uma investigação com base na seção 301 da Lei de Comércio do país sobre práticas comerciais supostamente irregulares do Brasil e incluiu o Pix entre os itens sob apuração.
Os norte-americanos afirmam que o Pix representaria uma ameaça à atuação de empresas dos Estados Unidos que operam o mercado de meios de pagamento. Do lado brasileiro, técnicos defendem que o sistema não prejudica empresas norte-americanas numa tentativa de evitar sanções.
O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Haroldo Ramanzini Júnior, diz que o governo também pode obter ganhos no tema do combate ao crime organizado. Esse assunto vem sendo explorado pela oposição como uma das principais fraquezas do atual governo.
A condução do assunto junto aos norte-americanos é particularmente sensível porque, segundo interlocutores do presidente Lula ouvidos pela BBC News Brasil, uma ala da administração Trump defende que os EUA designem facções criminosas brasileiras como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas.
Ao longo dos últimos meses, técnicos e diplomatas brasileiros vêm tentando convencer os norte-americanos a mudarem de ideia e não procederem com a designação. O governo brasileiro teme que essa medida abra espaço para ações militares ou policiais norte-americanas em território brasileiro.
Para o professor Ramanzini Júnior, se Lula conseguir convencer Trump a desistir dessa ideia, isto representará um ganho importante para o petista.
"Isso poderá ser considerado uma vitória do Brasil, já que setores do governo norte-americano vinham sinalizando a adoção de uma abordagem unilateral potencialmente ameaçadora à soberania do país", diz o professor à BBC News Brasil.
O que Trump quer?
Presidente dos EUA Donald Trump
Getty Images
Do outro lado deste encontro estará Trump, líder conhecido por tentar negociar usando táticas consideradas agressivas.
Para o professor Poggio, parte dos interesses de Trump convergem com os do Brasil.
"Trump quer reduzir o preço da carne. Aparentemente, ficou evidente para ele que as tarifas sobre a carne brasileira geraram inflação. Talvez, esse seja o principal interesse dele nesse encontro", disse o professor.
Poggio também citou o interesse de Trump nos minerais críticos brasileiros.
"Os EUA querem acesso privilegiado às reservas brasileiras e algum tipo de amarração, uma espécie de garantia de fornecimento com exclusividade do Brasil para os EUA. Neste ponto, pode haver divergência porque o Brasil não quer se tornar fornecedor exclusivo de um país", afirma o professor.
Para Poggio, a visita também pode gerar dividendos políticos e simbólicos para Trump em um momento em que sua liderança internacional é contestada, entre outros motivos, pelo prolongamento da guerra contra o Irã.
"Com essa visita, ele consegue reforçar a narrativa de que ele está organizando as cadeias de suprimento críticas com grandes produtores de alimentos e minerais para conseguir competir com a China. Ele tenta reforçar uma imagem de pragmatismo internacional aparecendo com um líder de esquerda emblemático", diz.
A China é apontada pelo governo norte-americano como a principal ameaça geopolítica dos Estados Unidos.
Neste aspecto, o Brasil tem sido apontado por oficiais do governo dos EUA como um parceiro estratégico, pois além de ser um dos principais fornecedores de alimentos do mundo, o país é detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, minerais considerados essenciais para a transição energética e para a produção de equipamentos de alta tecnologia como telefones celulares, computadores e até mísseis.
Para o professor Ramanzini Júnior, uma aproximação de Trump com Lula também consolida parte da Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, divulgada no ano passado. O documento, revisado de tempos em tempos, colocou o hemisfério ocidental, do qual o Brasil faz parte, como uma área sobre a qual os Estados Unidos deveriam exercer sua influência.
"Se o hemisfério ocidental constitui uma prioridade de política externa, torna-se muito importante manter diálogo com um país central da região, como o Brasil. Além disso, o encontro também abre espaço para que temas de interesse dos EUA sejam colocados na agenda, como terras raras e minerais críticos", diz o professor.
Presidente Lula chega a Washington para encontro com Donald Trump
Blindagem anti-Trump?
Nos últimos meses, interlocutores do presidente Lula vinham afirmando que um encontro entre Lula e Trump poderia ajudar o governo brasileiro a diminuir a influência que a ala bolsonarista sediada nos Estados Unidos tem sobre o governo norte-americano.
Esta ala é liderada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo empresário e jornalista Paulo Figueiredo.
A interpretação do governo é de que essa ala foi a principal responsável por influenciar o governo Trump a impor o tarifaço sobre produtos brasileiros em julho de 2025 sob a justificativa de que ele era uma resposta a uma suposta "caça às bruxas" política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
À época, Bolsonaro enfrentava um julgamento que acabou o condenando a 27 anos de prisão por golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de direito. Sua defesa alega que ele é inocente.
O mal-estar causado pelo tarifaço só começou a ser desfeito em setembro de 2025, depois que Trump e Lula se encontraram na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.
Foi nessa ocasião que Trump disse ter sentido uma "química excelente" com Lula. A partir de então, os dois se encontraram uma vez mais, na Malásia, e trocaram telefonemas.
Apesar disso, nos últimos meses, desentendimentos entre os dois governos deram a impressão de que a "química excelente" estaria abalada.
Em março, o Ministério das Relações Exteriores (MRE) cancelou o visto concedido ao conselheiro sênior do Departamento de Estado dos Estados Unidos para o Brasil, Darren Beattie. Ele tentava fazer uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, mas segundo o governo brasileiro, não informou seu objetivo quando solicitou a permissão de entrada.
O segundo aconteceu em abril, quando o governo norte-americano determinou o retorno de um delegado da Polícia Federal que atuava na Flórida após a prisão do ex-deputado federal e ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, por agentes de imigração norte-americanos.
Ramagem é procurado pela Justiça brasileira e foi condenado pelo STF por crimes ligados aos atos de 8 de janeiro.
Em resposta, o governo brasileiro revogou os acessos de agentes norte-americanos que trabalhavam junto à PF no Brasil.
No governo brasileiro, a avaliação é de que o encontro, por si só, não seria capaz de impedir movimentos dos EUA para influenciar as eleições de 2026, mas ao menos serviria para manter um canal direto com Trump e não deixar que a ala bolsonarista fosse a única voz a tratar do tema "Brasil" junto a oficiais do governo dos EUA.
O professor Ramanzini Júnior, da UnB, tem uma avaliação semelhante.
"A visita aos EUA talvez contribua para tentar reduzir as chances de uma interferência direta do presidente Trump nas eleições brasileiras, mas não elimina a possibilidade de que big techs, setores do governo e atores ligados ao MAGA atuem em favor da extrema direita e de processos de desestabilização no Brasil", diz o professor.
Carlos Gustavo Poggio, por sua vez, diz não acreditar que uma visita a Trump "blinde" o Brasil contra interferências externas.
"Acho que essa visita não traz nenhum tipo de proteção contra Donald Trump. Aprendemos neste segundo mandato que qualquer tipo de acordo com ele não vale nada. Ele pode acordar amanhã e desfazer o acordo que fez no dia anterior. Basta ver como ele age com a Europa e com o Irã".

Lula se reúne com Trump na Casa Branca nesta quinta; será o segundo encontro entre os dois

Lula se reúne com Trump na Casa Branca nesta quinta; será o segundo encontro entre os dois
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e dos Estados Unidos, Donald Trump, se reúnem nesta quinta-feira (7) na Casa Branca, em Washington. O encontro está previsto para 12h, no horário de Brasília.
Lula e Trump se falaram por telefone antes de viagem aos EUA
É a segunda vez que os dois se encontram formalmente para uma reunião bilateral. A primeira ocorreu em outubro do ano passado na Malásia, na esteira da imposição de tarifas de 50% sobre a exportação de produtos brasileiros para os EUA e de sanções a autoridades brasileiras em razão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Desde então, Lula e Trump têm conversado por meio de telefonemas e também feito declarações públicas sobre a relação entre os dois países.
O telefonema mais recente foi na última sexta-feira (1º). Lula recebeu uma ligação de Trump e a conversa durou cerca de 40 minutos, de acordo com fontes do governo brasileiro.
Durante o telefonema, Lula se colocou à disposição para viajar aos Estados Unidos e realizar o encontro presencial.
Primeira reunião entre Trump e Lula foi em outubro na Malásia.
Andrew Caballero-Reynolds/ AFP via Getty Images
Comitiva tem 5 ministros e diretor-geral da PF
Lula desembarcou em Washington na noite desta quarta-feira (6) e deve retornar a Brasília ainda nesta quinta. Cinco ministros e o diretor-geral da Polícia Federal integram a comitiva brasileira:
Mauro Vieira, ministro das Relações Exteriores
Dario Durigan, ministro da Fazenda
Márcio Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
Alexandre Silveira, ministro de Minas e Energia
Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal
O grupo que viaja aos EUA foi montado com foco em temas sensíveis da agenda bilateral, como comércio, terras raras, combate ao crime organizado, conflitos internacionais, a investigação americana sobre o PIX, regulação das big techs e o cenário eleitoral brasileiro.
A reunião é vista por fontes da diplomacia brasileira como um passo para normalizar as relações comerciais entre os dois países, após um período de incertezas e tarifas de importação.
Também fazem parte da delegação integrantes das equipes econômica e diplomática, além de auxiliares diretos do Palácio do Planalto, que devem acompanhar as discussões e prestar suporte técnico durante as reuniões.
Lula aposta em encontro com Trump para se blindar de interferência eleitoral dos EUA
O encontro entre Lula e Trump ocorre sem o status de visita de Estado, sendo classificado como uma reunião de trabalho.
A viagem a Washington vinha sendo articulada desde março, mas acabou adiada em meio à escalada da guerra no Oriente Médio e com o envolvimento dos Estados Unidos no conflito.
Roteiro previsto do encontro
🎙️ De acordo com a programação preliminar enviada ao governo brasileiro, a agenda prevê uma rápida passagem pelo Salão Oval para uma declaração à imprensa.
Na sequência, Lula e Donald Trump terão uma reunião reservada.
Depois, está prevista uma reunião ampliada com a participação das delegações e um almoço ao final. No entanto, o roteiro pode ter alterações de última hora.